Masculinidade entre os gays

Costumo dizer que todos os homens – gays ou heterossexuais – têm uma parte de feminino, embora muitos relutem e prefiram exercer o lado primal, instintivo, como vemos algumas vezes dentro dos estádios de futebol. As brigas nessas arenas são os exemplos clássicos do "eu masculino" exercendo a mais pura essência bestial, descontrolada, animal. Quando chega nesse baixo nível, a gente costuma desgostar.

Mas entre os gays, os conceitos de masculinidade e feminilidade são mais confusos do que claros. Muitas de nossas muralhas, quando somos enrustidos ou estamos no limiar de vivenciar a homossexualidade, são envoltas dessa confusão, do ser gay mas ser másculo ou feminino, do olhar para os estereótipos e se identificar ou não. Estereótipos que, sim, são repletos dessa carga, do que é ser um homem gay, másculo ou feminino.

Para o gay, masculinidade e feminilidade – a príncipio – não deixam de influenciar as formas que nos apresentamos ao mundo e, dessa maneira, buscamos atrair outros iguais ou diferentes, normalmente sob o crivo de uma reputação social.

Aposto aqui, com boa parte das minhas fichas, que existem gays másculos que se atraem por homens mais femininos mas nem sempre expõem para seu grupo social esses desejos, por puro senso de proteção, para evitar uma "crise" de reputação perante o próprio grupo. Vão resolver essas vontades na surdina, sexo virtual, Grindr e derivados. O oposto também deve se aplicar.

Assim como lanço boa parte das minhas fichas para o gay que se faz de másculo é que na realidade – e em sua intimidade – está a procura do "macho alfa", que vai cumprir o papel do provedor sob os critérios de seu imaginário e desejos.

Afeminados ou masculinizados – tanto faz – quando a nossa busca está em "homens másculos", do idealizado do masculino mais "bruto", malicioso, tatuado, que nos faz dar risada e que tenha a pegada, talvez coloquemos como objetivo o "macho alfa", pró-ativo, aquele que estará bem perto da heteronormatividade, para de certa forma nos servir, nos dar segurança e conforto.

Todos ou muitos tem isso no ideal. Mas é ideial porque esse homem assim 100% do tempo e 100% das atitudes não existe.

Não é à toa que – a princípio – corpos musculosos, bem torneados – ou magros mas tonificados ou até mesmo com uma barriguinha – nos chamam a atenção. O sentimento de atração física está repleto de significados e um deles, necessariamente, é a representação física desse "macho alfa", "Super-Homem", "Homem-Aranha", "Thor" ou até mesmo o "parceiro bonzinho" da protagonista dos "Jogos Vorazes" que, apesar de delicado, é o que briga ferozmente por sua amada.

Mas isso é só o princípio, a atração espontânea natural nos seres humanos retratados de maneiras diferentes nas telonas ou nas telinhas. Imediatamente depois de um primeiro contato (seja sexual ou não), o gay vai sondar sim – consciente ou inconscientemente – o aspecto comportamental desse "macho alfa", as atitudes com o mundo e com as cosias, para validar se está comprando gato por lebre, ou melhor, um leão por um coelho (rs). Porque a forma, meus amigos, a forma/estética/embalagem – em se tratando de gente – nem sempre é reflexo do conteúdo.

A bem da verdade é que uma maioria maciça de gays busca por um macho alfa, sejam os próprios másculos ou os afeminados. Mas um alfa que ultrapasse a forma e demonstre na atitude, na postura, no pensamento e no jeito de agir com a vida.

E tudo isso acontece porque as referências, desde que somos muito pequenos, residem na normatividade. Filmes, desenhos, seriados – que diga "Lost" – criam centenas de personagem – todos os dias – do "homem idealizado", ativo e macho na atitude, mas que é suave, carinhoso e delicado para tratar o ser amado. Não estamos livres dessa condição, mesmo como gays.

Não é à toa, também, que está na moda agora os modelos barbados. Barbas volumosas, bigodes, pêlos no rosto – apesar de muitos repudiarem nas genitálias porque atrapalha o sexo oral – estão repletos de significados voltados para a virilidade, a rusticidade do macho.

A moda cria e recria esses modelos para vender mais. Mas por trás do desejo de compra existem esses significados que são exaustivamente estudados pelos profissionais de marketing e comunicação. E a gente cai sim, como patinhos felizes atrás dessas florestas de pêlos!

Porém, mais uma vez, o macho barbado na rua não quer dizer "macho alfa de atitude". E muito provavelmente, esse, também está a procura de um (com ou sem barba, magro ou malhado).

Assim fica a dica: na hora que encontrar com um, case. Porque "macho alfa de atitude" está cada vez mais raro. Ou melhor, estamos sempre esperando que o outro seja. Porque ser o macho alfa, assim como nos filmes, dá bastante trabalho…

12 comentários Adicione o seu

  1. J disse:

    Concordo com este paragrafo “A bem da verdade é que uma maioria maciça de gays busca por um macho alfa, sejam os próprios másculos ou os afeminados. Mas um alfa que ultrapasse a forma e demonstre na atitude, na postura, no pensamento e no jeito de agir com a vida.”

    Nao gosto muito do termo “macho alfa” e muito menos do “macho beta”, esses termos sao para mim apenas referencias de comportamento, mas o do alfa é o melhor termo para se referir a um homem de atitude, que tem pegada, que sabe o que quer e que é másculo no comportamento.

    Tenho um blog e algumas vezes fui criticado por enaltecer o homem gay que é machao, superdiscreto, que é peludo, que nao é fresco ou futil (seria o tal do macho alfa que eu sempre deixo nas entrelinhas). Acho um saco essa quase ditatura que o gay tem que ser entendido em moda ou em musica, que tem que ser delicado ou intelectual, antenado no que acontece no mundo pop ou cult, que tem que ser saudavel e nao ter uma barriguinha de cerveja, que temos que ser sensivel e educados e nao podemos ser brutos ou mandar todos pra pqp…

    Cara o que diferencia o homem gay do hetero é o lance de atraçao sexual, do tesao que sentimos e do que temos vontade de fazer com outro homem na cama e só.

    O restante acho que nao tem nada haver com a orientaçao sexual em si, tem tantos caras heteros frescos, enjoados, que gostam de bons livros, são entendidos em moda, sao tao sensiveis que chegam a um ponto de serem um porre de aguenta-los, muitos deles seriam chamados de “machos betas”.

    Na boa, o cara que é de atitude, que marca presença e que faz e acontece é muito mais interessante e atraente do que o homem comum, certinho, que é bonzinho, cheio dos “cute cute”, homens assim com o passar do tempo cansam e dão preguiça, os alfas sempre tem algo a oferecer a mais como o elemento surpresa (pegada forte ni sexo), o da “real” segurança ou o do perigonnn! Rsrs

    M.V.G qual dos dois tipos de homem gay voce prefere: a lá Jason Statham ou Adam Lambert?

    1. minhavidagay disse:

      Olá amigo J! Integrante autêntico dos adoradores dos gays machões! rs

      Olha, a minha preferência varia e você colocou dois exemplos bastante paradoxais para escolher.

      Na realidade, eu não ficaria nem com um nem com outro porque no meu ponto de vista – ambos – contróem perfis de esteriótipo. Eu busco me desapegar dos modelos (e acho que dá para perceber por aqui – rs).

      Mas, para ilustrar, já me envolvi profundamente por tipos “Statham” e tipos “Lambert”.

      Por fim, e não menos importante, amigo J: o “gay-macho-alfa”, a mim, é aquele que transita bem nos universos gays, dos Statham’s e dos Lambert’s. Digo isso porque o que tenho de idealizado de “Super Homem” (ou macho alfa) é aquele que lida com todos com carisma e simpatia.

      É poderoso por ser “pacificador” (na briga ou no diálogo), por ser um intermediário que consegue ser simpático aos interesses diversos.

      Não acho que o “macho alfa” tem de ser extremista do tipo “machão cavernoso”. Como disse, a forma é só a pontinha do iceberg. “Macho alfa”, a mim, é ATITUDINAL.

      Simpatia tem de ser coisa de homem. Carisma também. E uma mente bastante aberta para não bipolarizar as pessoas, no caso, os gays.

      Valeu?

      Um beijabraço,
      MVG!

      1. J disse:

        Tenho que parar de ser um pouco extremista nos meus comentarios, mas concordo com vc, o macho alfa é atitudinal e se ele conseguir transitar bem no universo gay melhor ainda! (tipo nao é o meu caso, rsrs)

        Bei… Ops, abraço! Rsrs

    2. Caio disse:

      J, concordo com você em alguns aspectos do que disse em seu comentário. Acho que muitos gays que estão a frente do ativismo LGBT querem meio que padronizar o comportamento e o modo natural de ser de todos os gays e isso eu sou contra, apesar de que agradeço a luta deles que é muito importante. Eu também acho que o que difere homos de héteros é a atração afetiva/sexual e não meros comportamentos, ainda que os afeminados têm o seu direito de existir e serem respeitados. Da minha parte eles têm o respeito, pelo menos. Mas da mesma forma que você não concorda com o termo macho-alfa, eu não concordo com o uso da expressão “discreto”, pois para mim discreto é aquele que só quer passar despercebido, mas que não necessariamente seja no cotidiano um homem sem trejeitos femininos, apesar de ter entendido o que você quis dizer. Ah, não curto peludos em excesso e com barriga de chop hahaha. E amo aqueles que sabem ser viris e carinhosos ao mesmo tempo, mas é muito difícil de se encontrar um assim, ou são 8 ou 80.

      Se você me fizesse a pergunta, eu preferiria o Jason, já que o Lambert bate e volta rs. A propósito, qual é o seu blog?
      bjo.

  2. minhavidagay disse:

    Pois é… o que tenho de ideal de “macho alfa” além do que o Wikipedia pode dizer (rs) é de um líder, como foi Gandhi, o Mandela (em pauta ultimamente) e até mesmo o Hitler (do avesso). Mas nem todos os líderes são machos alfas. Vou escrever um posto sobre minhas ideias sobre o “Macho Alfa”. Gostei.

    Beijabra,
    MVG

  3. Caio disse:

    Concordo com você. Mas me questiono no seguinte: será que esse lado feminino nos homens e masculino nas mulheres é mesmo genericamente feminino e masculino ou só dizemos assim por ser algo mais aparente nos sexos aos quais eles mais aparecem. Não sei se vou me fazer entender mas vou tentar rs. Será que a delicadeza, a atenção e o cuidado é feminino, e a brutalidade, a maior racionalidade, e o instinto de proteção são masculinos? Fica mais fácil dizer que todos os homens tem um pouco de feminino e as mulheres de masculino, mas será que o masculino e feminino já não são completamente formados por esta mistura em si, sem nenhum precisar do outro? Quis dizer que o masculino propriamente dito já inclui características que dizemos serem de mulher e o feminino idem, só que ao contrário. Acho que compliquei né, vixxiiii? rs.

    Bom, falando por mim, eu busco homens com uma aparência física compatível que me dê interesse e também a virilidade, não é nenhum crime isso, é algo espontâneo. Mas não quero ser aquele que é somente cortejado, protegido e dominado. Também quero proporcionar o mesmo ao meu parceiro, uma troca. Assim como vários afeminados dizem, até mesmo aos gritos rs, que os demais afeminados e passivos (se eles também forem passivos) os “errem”, eu digo quase o mesmo. Simplesmente é incompatível para sexo e relação de casal. Assim como é incompatível para mim me relacionar com mulheres e muito difícil com ruivos (nada contra a cor dos pelos, mas eles são muito brancos, não dá :o)

    Eu já senti atração por homens que fogem do perfil que eu idealizo, mas é um caso aqui e outro ali e também depende muito do momento e de como estou me sentindo nestes momentos (ex: depois de muita abstinência, quem sabe peguemos um “marromenos”, se não aparecer ninguém mais né kkkkkkkkk). Por fim, confesso que já olhei com segundas intenções para um garoto, relativamente delicado e fashion no jeito de ser, pois era muito bonito, isto é, tinha alguns atrativos que eu considero na minha seleção. Mas não cheguei a ficar excitado, foi só um descanso para a visão hehehe.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Caio!

      Sobre seu primeiro parágrafo eu acho que entendi. Talvez você tenha se referido aos aspectos que a própria sociedade definiu para “coisas de mulher” e “coisas de homem” durante o tempo e que não necessariamente é da natureza do homem e da mulher.

      Em partes, acho realmente que a sociedade colocou em tópicos e caixinhas, durante os anos, atributos e características para coisas de homem e coisa de mulher. Falo da sociedade europeia, gregos e romanos, que foram aqueles que se espalharam pelo mundo e impuseram suas normas. Seguimos essas medidas até hoje, de certa maneira.

      Mas, se formos ver mais para trás, nas épocas primitivas, a natureza do homem sempre foi a de briga e instinto de proteção para a mulher (provedora de filhos) e de sua prole. Homens primitivos protegiam suas companheiras num puro instinto de que – sem elas – não poderia perpetuar a espécie.

      Claro que com a consciência que temos hoje, tudo isso tem mudado. O perfil “machão heterossexual” é o mais que “sofre” com isso, em meio a essa muelhrada “desgarrada” que está botando a banca para ser tão “forte” e autônoma como os homens.

      Vejo alguns amigos heterossexuais jovens, sedentos ainda por baladas, reclamando que essa mulherada “anda difícil”.

      Um beijo,
      MVG

  4. Eu tava fazendo um texto pra expor minha opinião, mas só percebi que me confundi mais ainda escrevendo essa opinião.

    Não sei se desejaria esse macho alfa, pois me aparenta ser muito “irreal”, e além de aparentar irrealidade para mim, parece-me que com esse tipo de pensamento o gay precisa ser mais “protegido” do que “proteger”.
    Isso não faz sentido para mim, afinal, uma relação a dois é feita pela estabilidade entre esses dois atos: Proteger e ser protegido. Garanto que uma hora ou outra você vai querer ser o “macho alfa”.

    Na verdade, macho alfa é uma ideologia muito extremista, e extremismo é uma coisa que odeio. Também a ideia de “macho alfa” pode ser levada para a categoria de estereótipos, e estereótipos é outra coisa que odeio.
    Além disso, é uma ideia muito contraditória, afinal, todo homem e toda mulher tem seu lado masculino e feminino (e eu acho que todos concordam com isso), logo, o macho alfa não pode existir, afinal, como ele poderia ser macho alfa se ele tem seu lado feminino?

    Pois é garotão, você pode até não querer ser macho alfa, mas uma hora ou outra, o seu “macho alfa” vai querer que você seja assim.

    Eu sou do tipo de pessoa que está em busca do “belo” (Libriano. Fazer o quê né? Rs), e que, além disso, procura um rumo mais “40” (Nem 8 e nem 80), logo, dispenso esses tipos de coisas.

    Na verdade, dispenso quebrar minha cabeça pensando nesse assunto, pois isso me confunde e não consigo chegar a uma conclusão.

    Foda-se tudo isso, quero estabilidade em minhas relações.

    Abraços do CR!!

    1. minhavidagay disse:

      Qdo vc faz niver? Eu jurava que você fazia em Setembro!

      1. Ué ‘-‘! 23 de Setembro!

        Para você nunca se esquecer: No dia da primavera!

        Purpurins Everywhere!

      2. minhavidagay disse:

        Quase virginiano…rs

  5. Adônis disse:

    Só tenho um nome: Tom Hiddleston !
    Esqueçam ‘Thor’, mesmo ele estando muito bem como Loki, assistam ‘The Hollow Crown’ e vejam este homem interpretando o texto de Shakespeare, é a síntese perfeita de um ideal masculino!

    Acho que as ideias de dominação e submissão estão tão arraigadas na sociedade que é quase automático encaixarmos comportamentos, sensações, características, e gostos nesses dois grupos talvez nem tão opostos. defendo a não separação desses ‘opostos’.

    Acho que antes de disser se prefiro um “macho-alfa” a um “macho-beta” é preciso conhecer as características que lhe agradam mais, se estas se enquadram no grupo que confere sensação de dominação ou de submissão é mera consequência. E estas preferências por determinadas características em detrimento de outras, estão sujeitas ao momento de nossas vidas, por isso acredito que no fundo estamos em busca de alguém que compreenda a nossa busca por maleabilidade. Só nos apressamos em ser 8 ou 80 por pura pressão social e por preconceitos internos não resolvidos.

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