Grindr, Scruff, Hornet e derivados

O leitor Caio mandou mais uma vez uma sugestão de tema. Apresentou sua ideia sobre esses apps que estão infestando o meio gay e vou extrair um trecho de suas reflexões para fazer um “bate-bola”:

“Mas já que você citou os aplicativos de relacionamento para gays, tenho que dizer que temo que eles se popularizem tanto, a ponto de por em cheque a busca por relacionamentos via encontros pessoais. Isto porque buscar caras só pela net não é bom, afinal é um meio “pobre” para conhecer alguém. Muitas vezes recebemos mensagens e ignoramos pois pelas fotos não dá para ter noção da pessoa e as vezes aceitamos quem não agrada pelo mesmo motivo. Ao passo que ao vivo poderemos ver a pessoa da cabeça aos pés, ter uma leve noção da personalidade pelos gestos, modo de falar, podemos talvez perceber as intenções mais facilmente, fora que tem todo o lance do cheiro e da visão do corpo como um todo sem truques; veremos a real idade pelo seu semblante e por aí vai. É assim que percebo que possamos observar um cara que até então não chamava a atenção, mas aí olhamos de novo e o mesmo homem parece ser diferente, mais interessante rs. O que não aconteceria se fosse pela internet. É dessa forma, que como eu disse em outro comentário, que acabamos gostando de alguém fora do perfil idealizado”.

A questão da “frieza” da Internet ou dos meios online para relacionamentos é discutida há muito tempo. E o alvo inicial, “pai de todos”, se posso considerar assim, é o famoso “Bate Papo UOL” que ainda vigora, em plena performance. Isso é discutido principalmente entre meus amigos “cabeções” (gays e heterossexuais pois hétero também busca relacionamentos pelos meios virtuais) desde sempre: “será que a Internet está esfriando o contato humano?”.

O assunto é bastante amplo e poderíamos gerar centenas de comentários e pontos de vista a respeito. O meu está formado pois são décadas (praticamente desde que a Internet era via modem) que ouço o assunto de tempos em tempos.

No meu ponto de vista, não acho que os meios se substituem, mas se complementam. E essa é minha conclusão antes de concluir (rs).

A abordagem pessoal mais comum é regada de características:

1 – Buscamos vestir o “melhor modelito” (o critério individual considera o melhor: largado, playboy, fashionista, etc.). Vale um perfume também;

2 – Fazemos um esquenta num bar (preferencialmente gay para sentir o bumburinho);

3 – Encontramos um grupo de amigos para o esquenta (ou se vamos de carreira solo, fazemos o esquenta em casa ou dentro do carro. Costumamos partir direto pra balada escolhida);

4 – Chegamos na balada, preferencialmente quando estiver mais cheia pois aí já ligamos o radar na própria fila;

5 – Entramos, pegamos mais algumas bebidas até bater o “grau da desinibição”, miramos, trocamos olhares e – raramente – trocamos ideias;

6 – Beijamos, amassamos, apertamos aqui e ali;

7 – Se valeu a pena, conversamos e até trocamos número. Se a vibe é de beijar outro, deixamos a pessoa de canto e ligamos o radar de novo.

Claro que existem nuances nesse padrão, mas basicamente é assim que coisa funciona quando o assunto é a “caça” tête-à-tête. Nessa toada, temos que ter o bom gosto de escolher “a roupa bacana” (seja largado ou cuidado), gastamos com gasolina ou passagem, minutos no trecho até os locais, gastamos com bebidas, com a consumação da balada e, normalmente, perdemos o dia seguinte inteiro pois o normal é chegar as 4 da manhã em casa. Isso quando a turma não resolve comer um lanche numa padoca 24 horas e o descanso mesmo só vem ao amanhecer!

Super gostoso. Eu adorava e até adoro, num cantinho fervido dentro de mim.

Percebam, queridos leitores, como nossos processos na prática são mecânicos, quase robotizados. Nessas “etapas”, se um dos amigos “infringe” a regra e já consegue alguém no bar – na fase de esquenta – costuma gerar ciúme / inveja / comossão nos demais que querem se direcionar a balada (RISOS). Vai dizer que não é assim?!

O Grindr, Scruff e Hornet, a mim, são facilitadores desse processo, mas não estão reinventando nada do comportamento e das necessidades gays. Alguns programadores bem espertos sacaram esse “modelão” mecânico e nos ajudaram DEMAIS a reduzir as etapas e, principalmente, a fazer uma grande economia de tempo e dinheiro!

Os de melhor aparência, de corpos torneados, de fotos mais bem produzidas ou os que tem bom papo por texto (nesse caso é interessante porque quem não escreve direito costuma se dar mal também) acabam realizando o encontro. Não é muito diferente quando estamos na muvuca da balada e miramos em alguém. E, no encontro, as pessoas conhecem a “personalidade na forma de se expressar”, como bem disse o Caio, que pode sim ir além do sexo.

Vai depender das necessidades do “rôbo” dentro de cada um de nós.

Claro que existem os perfis fakes e aqueles que se reinventam nas fotos para “vender o que não são” ou acham que são. Mas isso não é exatamente igual no tête-a-tête, quando a aparência de fulano forma um imaginário em nossa cabeça, mas na hora de trocar ideia a coisa muda de figura? rs

Assim, amigos leitores, entendo esses aplicativos como facilitadores. Os que não são fotogênicos (rs) e que no encontro pessoal poderiam até fazer a diferença acabam se dando mal. Falta também muita cultura escrita em nosso país, o que acaba filtrando bastante. Pelo menos, a mim, esses são pontos que entendo como relevantes no momento que me coloco como usuário dos apps.

Ainda existem dois últimos aspectos importantes:

1 – Os bissexuais e os gays enrustidos têm um caminho mais seguro por intermédio desses programas. Podem se aventurar mais e, assim, se conhecer mais praticando encontros reais (porque a finalidade acaba sendo o real mesmo, mesmo que se leve tempo para “dar química”);

2 – Podemos realizar fantasias com tipos que, outrora ou perante nosso grupo social, em nossa cabeça não são adequados apresentar. Como já disse, está cheio de “gay macho” querendo conhecer a “mocinha”. Mas como entre amigos isso é colodado em conteste, dificilmente o “machão” levaria a “moçoila” para o círculo social, por puro exercício de reputação, preconceito e imagem. Isso é apenas um dos exemplos, mas sabemos que estamos cheio dessas coisas.

Então, Grindr, Scruff e Hornet são bons ou ruins para a socialização? Formam apenas mais um meio para necessidades e vontades latentes, no caso, do homem gay. É necessário também ter suas preocupações – básicas dos meios virtuais – mas são preocupações que não diferem dos cuidados quando saímos na rua.

Certo? Valeu, Caio, por me trazer um tema bastante rico e que provavelmente vai gerar bons comentários! ;)


coach-de-vida-gay

Sou Mentor e Coach para o público gay e relacionados: pais, irmãos, amigos, entre outros e desde 2011 matenho o Blog MVG como meio de referência, trocas e vivências. Gostaria de uma mentoria ou coaching? www.lifecoachmvg.com.br

23 comentários Adicione o seu

  1. Wong Foo disse:

    Facilita bastante, isso é fato, porém não consigo acreditar que funciona pra quem não quer só sexo, sexo e mais sexo

  2. Matheus disse:

    Adorei o tema e o texto em si. Recentemente passei a usar dois dos aplicativos (Grindr e Hornet). Parece que as pessoas têm um amplo espectro de uso pra eles, porque vai desde o cara que tá “a fim de real” até o que procura O boy, além de ter gente que só quer socializar.
    Mas sempre vejo críticas em relação ao automatismo disso tudo. Minha opinião é de que essas críticas até fazem sentido pras variantes straight desses meios, mas não tanto pras gay. Sempre vai ter quem queira achar um um ficcante, namorado ou relacionamento na padaria, no mercado ou na fila do banco – realmente, isso é bem romântico, mas precisamos concordar que não é comum (se pensarmos na porcentagem de gays por aí, selecionarmos os bonitos, ou inteligentes, ou simpáticos ou qualquer outro critério de escolha, fica difícil acreditar que iremos encontrá-los em lugares tão específicos, heteronormativos até, eu diria). Enfim, sou a favor desses “facilitadores” mesmo.

  3. Caio disse:

    Então MVG, eu entrei neste assunto também querendo dizer que quem sabe com a maior popularização desses aplicativos os jeitos mais tradicionais de se conhecer alguém em bares, casas noturnas, clubes e festas por aí comecem a perder espaço. Porque, vou ser sincero, a intenção de ir a esses lugares, principalmente quando se está sozinho é paquerar rs. Então, imagina chegar num ponto em que a maioria só vai para dançar e curtir a noite com amigos, além de que digamos o público que interessa deixe de frequentar esses espaços (como aconteceu muito aqui onde moro), será um saco.

    Também sinto que tais aplicativos possam servir como um acessório de ajuda na busca do parceiro desejado seja para a intenção que for (ainda que na maioria das vezes seja somente sexo). Mas de certa forma, ficamos muito limitados às fotos e acabamos não conseguindo não encontrar quase ninguém, ainda que ao vivo as chances seriam maiores pelo que falei no post. É aquele lance, não adianta querer forçar, se as fotos não convenceram por algum motivo, não terá como iniciar um contato e depois conseguir algo mais. Nunca encontrei algo bacana pela net, só meia boca por causa disso (e com a maioria é assim). Exceto pelos homens mais visados que conseguem a atenção do povo bem mais fácil rs.

    Vou até contar uma situação pela qual passei. Quando era um pouco mais novo há 3 anos era era um tanto bobinho e bonzinho demais, chegando no ponto de sair do site várias vezes e depois até cancelar meu perfil, pois os caras que enviavam mensagens nunca eram correspondidos pelo motivo de não me atraírem. Aí eu me sentia mal, como se estivesse sendo mal educado em deixá-los “no vácuo”; afinal responder “não, obrigado” ou “desculpe, mas você não me interessou” seria pior ainda rs. Só depois que consegui compreender que ali temos que estar prontos para levar foras e que cada um sabe o que quer. Ninguém pode se forçar a nada e quem não entender isso, sinto muito deveria saber que é assim que funciona. Hoje não tenho mais essa sensação, ainda bem.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Caio!
      Entendi seus pontos sim. E o que quis dizer nos meus comentários é que esses aplicativos facilitadores não vão subsituir o encontro presencial, a paquera no tête-à-tête porque todos nós estamos na rua também.

      Veja só que curioso que me aconteceu hoje: fui no Shopping JK para conhecer pela primeira vez enquanto um amigo ia trocar um presente de Natal. Muitas pessoas bonitas, daquelas que se vestem bem e carregam o espírito do status. O JK veio para servir dessas pessoas.

      Ok, almoçamos, tomamos um sorvete, dei uma volta para saber qual era do lugar e fomos para um bar. O namorado do meu amigo iria até lá e eu o conheceria pela primeira vez. Feito.

      Eis que um dos contatos do Grindr, que não conheci pessoalmente até agora, me chama no Whatsapp dizendo que me viu no JK. Fiquei perplexo com a coincidência pois esse shopping está fora da minha rota comum e da rota dele também (eu não o conheci pessoalmente ainda, mas mantemos contato por Whatsapp).

      Pelas minhas fotos, claro, ele me reconheceu e veio perguntar para confirmar.

      Mas, quando eu ainda estava pelo shopping, havia comentado ao meu amigo que outro fulano era alguém que havia falado pelo Grindr pois era idêntico as fotos. Outro que não conheci pessoalmente ainda e, na ocasião no shopping, estava com um amigo do lado que não cheguei a notar direito.

      Então, eu vi um dos contatos do Grindr com um amigo ao lado. E um dos meus contatos do Grindr me viu por lá e me “avisou” por Whatsapp, horas depois, quando eu estava já no bar.

      Eis que fui juntando os ponteiros, conversando com meu contato do Whatsapp para saber em que lugar, dentro do shopping, ele tinha me visto. Conclusão: o amigo do lado da pessoa que reconheci era o meu contato que está no Whatsapp!

      Eles estão ficando e a coisa está ficando séria. Mas, brincando, eu disse que pegaria os dois! rs

      Está aí a ferramenta como facilitadora.

      As pessoas estão dentro dos aplicativos, mas fora também.

      Beijo,
      MVG

      1. Caio disse:

        Rs, humm fazer um menage é?! Bom, mas um pouco do meu “pé atrás” com estas parafernalhas é por causa de eu ainda não acesso a elas (ohh talvez um pouco de inveja no ar rs). Meu celular é velho, mas não por este motivo e sim outros vejo que vou ter que trocá-lo logo logo, aí aproveito e compro um que permita o uso desses aplicativos. Então, lá irei eu ver se a bagaça funciona, quem sabe né XD.

        bjo.

      2. minhavidagay disse:

        Ah ráaaa…. agora entendi tudo! rs

        Bjo

  4. Partiu baixar o Grindr para achar o mvg lá (sqn).

    Eheueeehueheue!

    O Scruff para mim é o melhor, pois o perfil é bem detalhado, há censura (não gosto de ver nudismo ao menos que seja artístico) e as localizações são melhores (ao meu ver).
    O único problema é que você quase não vê os rostos e sim mais corpos, além disso, as pessoas na maioria das vezes não sabem como aproveitar o perfil.

    ( E só encontro gente interessante no global mesmo. Rs)

    O Hornet é bem interessante por conta de oferecer mais de uma foto para o perfil, há bastante gente interessante, mas a descrição para o perfil não é lá essas coisas todas.
    Além disso, não vi censura e as ferramentas para distância não me agradaram muito (mas gostei bastante no mini-mapa).

    Grindr não testei ainda…

    Apesar disso, não sou do tipo que põe fé nesses apps, afinal, não encontrei ninguém de interessante e só estou lá para ver como anda a população GLS daqui. Rs!
    E para um jovem inexperiente como eu, não acho que esses tipos de apps sejam indicados…

    Abraços do CR!!

    1. Eduardo disse:

      Sou bastante seletivo.
      Saí com pouquíssimos caras, mais presisamente 5 encontros.
      Sendo que o primeiro rendeu um namoro de 11 meses, e um fim bem desastroso.
      Nesses 7 meses que estou solteiro saí com 4 caras do grindr. Para fazer sexo mesmo.
      O primeiro foi péssimo, o cara era muito afetado.
      O segundo, o sexo foi até gostoso, mas o cara era uma coisa pelas fotos, e outra pessoalmente.
      O terceiro rendeu uma das melhores transas dos ultimos anos.
      E o quarto e último o cara é magnífico o sexo muito bom.
      Enfim, vou investir nele.
      No grindr tem todo tipo de pessoas.
      No fundo todo mundo quer sexo, mas não quer dizer que estamos apenas afim de transar.
      Tudo depende de encontrar um parceiro compatível e ambos estarem dispostos.

  5. Bernardo disse:

    Bom dia!

    Meu nome é Bernardo. Há algum tempo acompanho o blog e acho incrível.

    Comecei a usar aplicativos de encontros e relacionamentos depois do fim do meu primeiro namoro. Para mim, ser gay é algo muito novo, pois foi em março de 2012 que tive meu primeiro amor. Depois que descobri esses aplicativos, achei fantástica a idéia de poder conhecer alguém de forma tão fácil e rápida. Eu achava interessante poder ter um filtro sobre quem iria conversar e encontrar e sentia como se ganhasse tempo ao invés de conhecer alguém de outra forma. Como sou tímido, foi um recurso que me ajudou muito a conhecer outras pessoas de forma fácil.

    Porém, eu sempre procurei um homem especial. Meu maior sonho é ter minha família e filhos. Comecei a perceber que esse aplicativo estava desvirtuando meu sonho e me deixando acomodado. A facilidade de conhecer novas pessoas é tão grande nesses aplicativos, que o valor do encontro e a calma são deixados de lado. Percebi que as pessoas não estão mais se preocupando se vai durar para sempre, porque atualmente não tem problema, porque no primeiro erro ou problema do relacionamento, basta 15 minutos no aplicativo e você consegue um encontro com alguém novo.

    Minha meta para esse ano é mudar. Quero conhecer alguém de forma natural. Na praça, na rua, uma troca de olhar, uma conversa num café, ainda não sei. Quero sair dessa posição cômoda de ficar em um cardápio escolhendo. Quero viver minha vida e descobrir o amor sincero e espontâneo. Sei que tudo tem um tempo. Não vou conhecer alguém assim em minutos, como nos aplicativos, mas se na natureza tudo funciona em etapas, por que a pressa?

    1. minhavidagay disse:

      Oi Bernardo, boa tarde!

      Realmente para o que você busca não se pode ter pressa e diria até que não se pode ter foco. Tem que vir naturalmente, sem propósito. É uma situação idealizada, de uma sintonia muito grande e se você coloca muito propósito em cima tem mais chances de ter frustração do que alegria.

      Como disse, as pessoas que estão nos aplicativos estão fora também. Acho que essa pessoa ideal independe dos meios, mas de um momento e uma convergência de ideais bastante grande, com você.

      Você acabou de se assumir e tem um “mundo” para conhecer. Vá com calma, conheça esse mundo diverso das pessoas. Elas são mais diferentes e “loucas” do que você pode imaginar. Por isso, vá sem compromissos. Tente viver o aqui e agora.

      Viver experiência de sexo casual é fácil porque basta ter uma “casca” minimamente atraente. Agora, para o que você quer, é necessário disposição, sintonia, intimidade, objetivos em comum… tantas coisas…rs

      Um abraço,
      MVG

  6. P disse:

    Querido MVG,
    Faz certo tempo que não passo por aqui, mas bom filho à casa torna.
    Já tive várias opiniões sobre os apps citados aqui, hoje acredito que estes apps somam-se as outras várias possibilidades de conhecer pessoas, seja para qual for o propósito, com suas facilidades e dificuldades. Eu já tive minha fase de procurar namorado através desses apps, na época a facilidade era o fato de que ainda me sentia muito inibido para chegar em alguém, conhecer alguém ao vivo e a cores, questão que deve atrai alguns usuários, ou talvez vários, mas encontrei como dificuldade o fato de que muitos procuram encontros casuais sem compromisso, no final das contas desinstalei os aplicativos sem atingir o meu objetivo na época.
    Comprometi-me a mudar minha inibição no ao vivo e consegui, conheci uma pessoa numa balada, tivemos um relacionamento e depois de viver o luto do fim relutei um pouco, mas voltei para os apps, depois de quase um ano longe, e hoje eu entrei no jogo, literalmente, do que a maioria das pessoas LÁ procuram, destaco isso afinal são as mesmas pessoas que podemos encontrar nas baladas e quem sabe numa livraria ou na fila do banco.
    Acredito que temos que saber o que queremos de cada um dos locais (reais ou virtuais) que nos metemos, não precisamos ser inflexíveis e achar que as coisas não podem rolar diferente, mas conseguimos tirar o melhor de cada situação se mantemos as expectativas alinhadas.
    Não posso deixar de falar duas coisas que vieram a minha cabeça agora: já cansei de ver pessoas na pista de balada gay dançando e acessando os famosos apps; o primeiro contato ao vivo pós app para mim costuma ser para mais ricos do que bater um papo numa balada, não gosto do som alto e da agitação para conhecer alguém, e também não gosto de ficar muito tempo na realidade virtual dos apps. Acho que no final das contas, tudo depende do que você quer e principalmente de como você se relaciona com os apps.

    1. minhavidagay disse:

      Querido P,
      welcome back!

      Obrigado pelo seu ponto de vista e vamos-que-vamos em frente. 2014 está aí para brindar novidades em nossas vidas.

      Bjo,
      MVG

  7. Sergio disse:

    Eu acho válido os apps, mas existem efeitos colaterais. O primeiro é a pessoas não desgrudar do celular, me incomoda profundamente estar conversando com a pessoa e ela ficar o tempo todo conferindo o que tá rolando no app. O segundo efeito é o ser humano ficar nos lugares de pegação (bar, balada etc) vendo os perfils de quem está no local. Se alguém interessou, pq não se dirigir até ela e tentar alguma coisa? As vezes a realidade se confunde com o virtual e isso acaba que vc não aproveita nenhum dos 2 mundos.

    abs,

    1. Sérgio acho que a questão das pessoas nao desgrudarem dos smartfones é uma tendência que cresce conforme este aparelho engloba cada vez mais funções que acreditamos facilitar a nossa vida, os apps em questão estão apenas alinhados com essa tendência e com relação ao uso nos ambientes de pegação, me faz lembrar do famigerado correio elegante, pode parecer simples para você chegar em alguém e puxar um assunto, mesmo que só para conseguir um beijo, mas para muitos não é, os apps acabam dando um empurrão para estas pessoas, ou mesmo serve como estratégia para saber algo da pessoa previamente e com isso ser mais certeiro na investida, vai saber…

    2. minhavidagay disse:

      Oi Sergio,
      tudo bem?

      Entendi seu ponto de vista, mas tenho que dizer que o problema que você levantou, das pessoas estarem contectadas no celular a todo momento não é do app em si (meio), mas da pessoa que não consegue largar. Seja no Grindr, no Facebook, Twitter ou “whatever rede social”, a sensação de estar envolta de pessoas, se comunicando a todo momento com a telinha a preenche de alguma forma e, muitas vezes maníaca ou compulsiva.

      Pode virar vício mesmo, ou pode ser uma mania por tempo limitado. Vai depender de cada um. Eu (ainda) tenho o controle e pelo visto vai ser tranquilo controlar.

      Temos sempre um hábito de culpar o meio, como se por exemplo os videogames criassem jovens agressivos. Sabemos que não é assim que funciona.

      E se a pessoa está na balada, curtindo o app e a própria balada, pode ter certeza que está aproveitando os dois (rs). As novas gerações são cada vez mais “multimídia”. Funcionam melhor como “abas” de um navegador do que como a lineariedade de um livro.

      Isso é o presente, Sergio. Não tem como ir contra. A questão é: será que todos acompanham?

      Um abraço,
      MVG

  8. Rodrigo Moda disse:

    Excelente texto. Muito bem argumentado. Eu não conhecia os apps até descobrir uma traição de um ex-namorado através dos aplicativos. Depois da separação fui conhecer. Instalei e começou bombar. Sexo fácil todo dia. Porém, com um mês de uso, desinstalei. Me senti numa virtial, onde escolhemos os produtos e somos escolhidos. As vezes a compra é interrompida no meio. Mas a maior dificuldade que tive e motivo maior da minha insatisfação com os apps foi lidar com os truques dos usuários. Muita mentira, muito egoísmo e muita ilusão. Sou mais um bar mesmo.

  9. Rafael disse:

    Eu acho que as redes sociais e uma forma de complementar a nossa vida social ate pq nos gays temos que ser mais cautelosos antes de sair pra rua .hj mesmo mesmo ja marquei com carinha pelo scraff.

  10. Já testei Grindr e Scruff. Nenhum me rendeu nada. Fiquei neles por 15 dias. O Scruff é mais nivel. Gostei da censura a fotos de genitália e a descrição do perfil. Mas lá não tem o tipo de cara que curto. Sexo pra mim é uma consequência e não um inicio. Só que percebo que mesmo os caras que dizem buscar relacionamento desanimam logo caso você nao toque no assunto SEXO. Infelizmente a química no sexo é o único critério da maioria dos gays na hora de escolherem seus namorados. Isso sem falar na quantidade de gente mau carater que é casada que vem encher o saco da gente. Enfim, sai de lá. Não me servem pra nada. Só pra arrumar encrenca….

    1. lebeadle disse:

      Gostei do comentário, Jefferson, pra mim também sexo é consequência, muito embora seja algo que não se vê por aí. Procuro ver os apps como meios de iniciar um papo, puxar conversa e desenvolver um diálogo e é o que está me fazendo pensar em instalá-los.
      Penso que algumas pessoas acabam desenvolvendo essa coisa do primeiro critério ser sexo por medo da responsabilidade (que palavra!) que um relacionamento traz, por medo de se envolver,
      ou por medo de se frustrar ao expor o lado sentimental, romântico
      e ser desprezado; pessoas sentimentais devem ter muita cautela nos relacionamentos para nem se frustrar e nem assustar, cuidado com as “verdades”!
      E essa coisa do sexo também vai a intensidade de cada um, há aqueles mais intensos e os mais brandos,esse ritmo também acaba pegando na hora de ajustar os ponteiros. Uns já começam pela conquista dos corpos e outros vão pela alma, e que isso seja apenas consequência do temperamento de cada um e não algo moral, que não se julgue quem começa pelo corpo como vulgar e quem vai pela alma como sublime, pois tal juízo pode se estraçalhar quando encontarmos alguém que ataque pelas duas frentes…

  11. Le Dro disse:

    Já tive todos esses, mas desinstalei todos. Acho furada. Primeiro que a primeira vista foi virtual então a chance de ao conhecer pessoalmente se decepcionar é imensa. Segundo que parece que tudo gira em torno de sexo e o fim disso tudo é uma vida frustrante e vazia. Terceiro que não imagino que alguém que faça nossos olhos brilharem estejam nesses apps. Acho a emoção de uma troca de olhares mais empolgante do que o dia do encontro marcado pela internet. Sinto que coisas melhores podem acontecer fora dos apps. Até agora tem dado certo.

  12. Felipeh disse:

    Achei esse blog por acaso, pois instalei um app chamado hornet, e procurei como deletar o perfil e parei aqui rs.

    Gostei muito dos tópicos levantados aqui, a galera que ta lá só quer saber de sexo mesmo, e pra ontem, claro que também gosto de sexo, mas eu procurava alguém pra trocar idéia, sair e tal, os caras quer tudo pra agora, tipo já chamando pra cama. É dificíl achar alguém tranquilo e tal, mas não é impossível.

  13. Leandro disse:

    Já instalei, desinstalei e reinstalei várias vezes esses apps. No geral, o resultado é bem insatisfatório, tanto pra sexo quanto pra relacionamentos mais sérios. Já cheguei à conclusão de que eu não fui feito pra paquerar pela internet. Eu me considero moderno em quase tudo, mas pra relacionamentos, eu sou antiquado pra caralho, e não me envergonho disso, muito pelo contrário. Eu acho que esses apps são uma faca de dois gumes: eles até facilitam os encontros, mas a um preço muito alto (pelo menos, é o que eu penso). Tudo ficou muito banalizado, não existe mais aquele prazer da conquista, não existe mais a paquera no sentido clássico. Hj em dia, vc conversa 10 minutos com o indivíduo (às vezes até menos), troca nudes e no mesmo dia, vc já transa com ele! É fato indiscutível: tudo está MUITO rápido. Não é à toa que vivemos em uma sociedade cada vez mais histérica e esquizofrênica. Por essa e outras, eu tenho os dois pés atrás com certas facilidades disponibilizadas nos nossos tempos ultra-modernos.

  14. Uallace disse:

    Gostei bastante do tema, interessante a forma que é mostrado todo esse mecanismo que se instalou hoje no meio Gay principalmente.
    Você pode optar, sim por um ou outro, mas em todos eles eu vejo que fica difícil para quem realmente quer algo mais sério. Só de falar o nome de qualquer um dos Apps a palavra que já vem na cabeça da maioria é SEXO SEXO E SEXO aí já fica mais complicado.

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