Vida gay – Como lidar com o término de um relacionamento

O exercício do desapego nos relacionamentos que terminam

O leitor “Sérgio”, num dos últimos posts trouxe um ponto de vista que me inspirou para criar esse texto: “Vida gay – Como lidar com o término de um relacionamento”.

Ainda não estou em minha plena sobriedade para falar sobre términos de namoro, mas vou arriscar aqui alguns devaneios já que passei por isso recentemente. Foram 11 anos de namoros diferentes e, assim, finais de histórias diferentes também.

Antes de mais nada, não existe uma fórmula mágica que garanta “bons términos”. A não ser que fôssemos totalmente robôs e tivéssemos uma chave para formatar o trecho do HD (agora memória Flash) que contém a história do relacionamento.

Preservar um contato sem máscaras exige maturidade, respeito e desapego suficiente para olhar para a pessoa que foi um dia o namorado e, ao mesmo tempo, desejar a felicidade da mesma sem o sentido do controle. Aceitar ou se conformar: “ele pode ser feliz sem mim” de uma maneira muito verdadeira consigo (e não da boca pra fora).

Términos de relacionamento nunca são prazerosos e raramente as partes que formavam o casal vão entender, sentir e reagir da mesma maneira. Até por isso muitos de nós, gays, evitamos começar um namoro: porque a gente sabe que, se acabar, tende a tirar a gente do eixo e nos colocar num tipo de “abismo” por um tempo.

O primeiro passo é entender que rompimentos subentendem dores. Alguns se mostrarão mais intensos, abertos e declarados, outros mais sutis ou maquiados num tipo de racionalidade, frieza ou orgulho ferido. De qualquer forma, na solidão da noite, ambos vão sentir o sofrimento ou desconforto e a dica é tentar não medir o jeito que cada um está lidando, não buscar saber demais para evitar as famosas fantasias. Se entrar em comparações, tende a machucar mais ainda. Respeite os seus sentimentos sem colocá-los acima ou abaixo dos sentimentos do outro. Se o outro aparentar frieza, cuidado, você pode estar entrando num jogo! Existe uma diferença tênue entre ser frio e estar desapegado.

Ainda nesse tópico das dores, aprenda a viver o luto. Quem faz terapia sabe que um fim de relacionamento é comparado com a morte de um ente querido. Aprenda a conviver com a dor. Viver um período de fossa e tristeza é aceitar que você é humano, embora a sociedade hoje não aceite muito bem as condições de “baixo astral por causa do outro”. Sempre vai existir aquele fulano que vai dizer: “Você fica aí sofrendo. Você acha que seu ex está com dores por você?” – como se as dores do término fossem comparáveis. O mundo lá fora, principalmente seus amigos e o Facebook, vão te chamar para cair na gandaia, para vender “felicidade”. Mas respeite-se até o momento que esteja pronto porque – apesar da gente querer sempre vender uma imagem de impávida felicidade nas redes sociais, respeitar a dor é uma atitude importante a você mesmo.

Não force a barra porque lutos mal vividos tendem a gerar relações seguintes mais mal resolvidas ainda! E se você entrar nessa de substituir uma pessoa pela outra tende só a acumular feridas que podem virar traumas, ou a tal da frieza, que também pode ser problema.

O segundo passo é evitar o contato com o ex por um tempo (não precisa ser para sempre e esse tempo é relativo a cada pessoa). Se resolverem manter um contato, evite ao máximo expor situações ou pessoas que passaram a substituir o ex-namorado depois do término (isso serve para ambos e as vezes deve ser acordado e verbalizado). Obviamente que tem alguns que vão adorar justamente fazer o contrário: querer mostrar que se “é feliz com o término”, postar fotos deslumbrantes no Facebook, buscar muitas curtidas e elogios pelo puro exercício do “ego caído” e de uma tentativa de resgatar a autoestima. Tudo válido, exceto o exibicionismo. O exercício efetivo está longe de ser uma prática exposta nos Facebook’s da vida! Essa prática, para funcionar bem, é muito mais intimista e discreta. É algo de você com você mesmo sem necessitar de “aplausos” dos outros. Um ou outro amigo íntimo podem ajudar nessas horas.

O terceiro passo é praticar a palavra desapego. E esse exercício é o mais difícil de todos. Mesmo depois de anos sem ver o ex, se algo incomodar no reencontro é porque não se está totalmente desapegado. Quando a gente namora por um longo período, nos asseguramos com os costumes e hábitos de casal. Quando se termina dá a impressão que a ausência do companheiro nos tira o chão. Isso porque ficamos acostumados com “rotinas de casal” e com a existência da pessoa. Temos um apego pelo convívio que fora estabelecido e que terá que ser refeito no momento que o namorado não existe mais. Exercitar o desapego é a parte difícil pois vai exigir de você e não do outro. É uma caminhada solitária, mesmo, e deve vir de dentro pra fora.

Exercitar o desapego é aceitar a condição (do próprio término) e acreditar que assim, cortando o apego, tanto você, quanto seu ex, poderão ser pessoas melhores e mais felizes não mais no próprio relacionamento. Na hora que você percebe que o outro pode ser feliz sem você, e ocorrer a aceitação disso, saiba que isso é um grande passo.

Nesses processos e numa grande maioria das vezes as pessoas preferem ficar amarradas ao relacionamento que findou. Mantêm a pessoa idealizada, vive-se o passado, preserva-se algumas “sujeiras” e fechamos as possibilidades de viver um presente “limpo”. O próprio ato de se relacionar de novo vira um tipo de trauma, cheio de bloqueios ou manias. É preciso cuidar disso e, para isso, é preciso se respeitar e – muitas vezes – aceitar que deixamos “pendências emocionais com o passado”.

A frase “ele é meu namorado” está cheia de um sentido de posse por menos possessivos que sejamos. Depois que se termina “ninguém é mais de ninguém” e – diante disso – nossas emoções e sentimentos vêm das maneiras mais diferentes, nos coloca de frente com a realidade do “estado só” e temos que virar e nos revirar para reestabelecer o equilíbrio depois que uma pessoa – que invariavelmente criamos um apego – deixa de existir.

É aí que podemos entrar nas compulsões de apps, baladas, bebedeiras, saunas e etc.

Difícil, não? Quem se permitiu namorar e se envolver por pessoas profundamente sabe do que estou falando.

Tem gente que prefere “cortar de vez” e acreditar que ex bom é ex morto. De certa forma parece ser mais prático e racional, mas não me parece o mais amadurecido ou resolvido. Sempre que surgir situações de reencontros, em baladas, em casas de amigos, bares e etc. vai mexer na naturalidade do comportamento das partes. Terá que vir um “lado racional” para fazer funcionar. Ou vai se jogar insinuações desconfortáveis ou vai se assumir um tipo de “ódio” pela pessoa estar presente no mesmo local. Até a frieza pode ser um sintoma da perda da naturalidade.

Para as pessoas que foram meus namorados no passado e que fazem algum sentido no presente para mim, me dou o direito de passar por todos esses processos, passos e reflexões, tudo junto e misturado num liquidificador emocional (o texto vem em tópicos para tornar mais didático apenas).

No caso prático do meu último namoro que os leitores têm acompanhado, nada me impede de eu “dar os meus pulos” por aí, me permitir viver o novo, rever situações, lugares e pessoas mas, ao mesmo tempo, viver toda a comoção de um fim de um namoro, da perda de uma única pessoa que tive muito envolvimento, carinho e afeto. E tenho.

É importante deixar-se viver esse paradoxo humano sem buscar um lado suprimir o outro. Fundamental para nos tornar pessoas “maiores”, se esse é o objetivo.

Somos orgânicos e não meramente “robôs” que devem satisfação ou uma imagem perante a sociedade. Alguns preferem se “robotizar” para formar aquela impressão de que se está sempre por cima. E acima de tudo queremos acreditar que estamos por cima. Eu acho mesmo que, muito das fotos “selfies” dos meus amigos gays ou a necessidade excessiva de contabilizar os feitos é fruto de “um ego querendo explodir para equilibrar com um vazio inversamente proporcional a esse ego”. É bom pensar a respeito.

Esquecemos que estar por baixo nos engrandece até mais, as vezes. Nos faz entrar em contato com fragilidades e partes de nós mesmos que custamos em aceitar por aparentar algum tipo de fraqueza. Quando dizemos que “ninguém gosta de ficar por baixo nessas situações” estamos subentendendo uma pressão social e interna que nos cobra a estar por cima e que nos tira a dignidade de fraquejar, humanizar.

Durante muitos anos fiz essa “linha” do forte e racional que conseguia “tirar de letra” essa coisa de término de namoro. Era algo até orgulhasamente exagerado. Mas tive um tombo muito grande, num dos meus términos, e entrei num conflito enorme quando o “meu lado robô” não aceitava o “meu lado humano”. Meu “eu robô” não aguentou e foi uma briga interna tremenda que durou um pouco mais de um ano. Foi uma crise que me levou a fazer muitas coisas, descobrir outras facetas da minha personalidade e que, no final, apesar de extremamente sofrido, me fez me enxergar de uma maneira muito mais consciente e adulta.

Para fazer valer a frase: “no pain, no gain”.

Mas é o tipo de coisa que se passa apenas uma vez na vida. Para aprender de vez porque o desgaste físico e mental é bastante intenso. Viver muito tempo fora do equilíbrio não é fácil, embora muitos se deixem levar assim.

“Sometimes when you loose you win” – e essa frase do filme “Amor Além da Vida” faz hoje todo sentido quando tenho que viver um fim de namoro. É engrandecedor aceitar as perdas que nos reduzem a reles mortais.

Post difícil esse, mas está aí.

30 comentários Adicione o seu

  1. Che disse:

    Precisava ler um texto igual a esse MVG,já leio o blog a um tempo,mas é a primeira vez que me vejo tentado a comentar,faz alguns meses que terminei namoro,no começo foi bom,notei um melhoramento físico(academia rs) e mental(maturidade para lidar com tudo),não tenho a menor vontade de voltar com ele,mas as vezes sinto falta de alguém especial para compartilhar as coisas,o nosso termino já passou diversas vezes pela minha cabeça,mas no final o termino do namoro foi melhor para ambos,alguns caras já quiseram marcar um encontro comigo,mas sempre fico inseguro,talvez pela minha falta de experiencia na questão de encontro,mas enfim. Obrigado pelo texto MVG,me fez entender melhor a minha situação e respeitar o meu momento e vou comentar mais vezes. Bjs

  2. Roger disse:

    Perfeita tua análise cara!
    Somente que teve um relacionamento mais duradouro compreende o que você disse.
    De fato, a fase do desapego é a mais complicada de todas. O dia em que sabermos como é estar junto à pessoa sem que ela seja uma “posse”, atingiremos o equilíbrio!

  3. lebeadle disse:

    Todas as coisas tem o lado positivo e o negativo. Acredito que o positivo do relacionamento é a libertação que o envolvimento com alguém trás no sentido mais básico de poder se sentir parte do mundo, poder se colocar em posição crítica, poder se conhecer e conhecer o diferente. O lado negativo creio que seja por um lado formado por culpas interiorizadas a partir do fato de a homossexualidade ser um comportamento estigmatizado socialmente e também pelo próprio fato do relacionamento em si, pois o cotidiano nos revela grandezas e misérias da outra pessoa. E como não somos sincrônicos, lá pras tantas do relacionamento o sujeito vê que está além das fases pela qual o parceiro está passando e se sente perdido, incompreendido (ou pode perceber o contrário?). O que parece certo é que muita coisa vai dar errado até se acertar um namoro que preste (será que se acerta?)

  4. Bernardo disse:

    Gostei muito do texto porque ainda tenho dificuldade de encarar essa parte da vida. As pessoas desaparecem da nossa vida e parece impossível continuar. Eu costumo criar muitas expectativas nos relacionamentos, mesmo tentando evitar isso para não sofrer depois. Não sei se é errado sofrer depois de “perder” uma pessoa, massa e fato, o futuro será diferente do que foi antes idealizado.

  5. L disse:

    Eu também gostei muito do texto, estou no meu primeiro término de relacionamento, e a estratégia adotada pelo meu Ex foi simplesmente sumir completamente, sendo que no mesmo final de semana dormimos juntos, e eu achei que estava tudo bem…. nem conversar foi possível. De qualquer forma, achei suas reflexões excelentes!! Preciso praticar o Desapego :)

    1. minhavidagay disse:

      Olha, essa coisa de dormir junto, não conversar direito e desaparecer mostra uma covardia muito grande…

      Pratique sim o desapego!

      Um abraço,
      MVG

  6. J disse:

    Terminei faz uns 4 meses, mas ainda sofro muito. Continuei ficando com ele e com outras pessoas, acho que o que piorou é que enquanto continuei ficando com ele ainda existia uma “esperança” de que voltasse. Agora ele está com vários amigos e saindo com um menino de vez em quando, estou cada dia pior. Era meu melhor amigo e a pessoa que eu mais confiava no mundo. Não sei mais o que faço pra conseguir superar isso.. :/

  7. CHRISTIAN disse:

    a SAIDA É REFLETIR E SE DAR O VALOR, É BOM SEMPRE PENSAR QUE VC PERDEU FOI TEMPO COM ESSE TAL ALGUEM QUE NAO FOI SINCERO CONTIGO …..DESAPEGO JÁ

  8. Luciano Galdino disse:

    Hoje dia 14/02/15 me pego numa situação bem complicada. Depois de 15 anos namorando alguém que sempre jurou amor eterno e sempre me cobrava de todas as formas, sempre esteve na minha casa sempre esteve na minha vida, sabia de tudo sobre mim, e eu, pouco sabia da vida dele. Ele não queria que a família e as outras pessoas soubessem que ele é gay e eu sempre respeitei isso, sempre me mantive “escondido” do mundo dele para que isso não fosse revelado por mim ou minhas atitudes. Nunca fui na casa dele, nunca conheci qualquer parente nem mesmo seu passado eu sabia direito. Ele sempre dividido entre igreja e homossexualidade, eu sempre respeitei isso. Ele sempre atrás de mim para pegar uma traição, coisa que nunca existiu, sempre jogando na minha cara que eu dava mole para os outros sempre achando que quando alguém me olhava na rua ou em qualquer outro lugar eu estava correspondendo, muitas das vezes, que sá em quase 100% EU NEM MESMO VIA. Sempre fui cobrado.
    Comecei a senti lo muio distante, muito mais frio do que antes, e resolvi chama lo para conversar a respeito dos motivos pelo qual ele se afastava tanto. Nem mesmo sexo nós fazíamos, as vezes por meses. E u sempre respeitei o tempo dele, mas quando ele queria qualquer coisa, tinha que ser da forma dele.
    Bom, ele aceitou o convite para conversar e resolvemos saí da sala onde trabalhamos, trabalhos juntos. Ele confessou que queria terminar pois estava querendo se firmar com Deus e que queria ficar firme na igreja, eu achei bem estranho esse papo logo pouco dias ante do carnaval, mas enfim, que eu sou para atrapalhar a vida espiritual de alguém? pois bem, aquilo me machucou muito, muito. Deu a minha hora fui pra casa depois do trabalho e aquilo me machucava de mais, a dor era tanta que eu sentia meu corpo todo quente, não conseguia dormir, meu coração parecia que ia parar de tanto que batia forte, decidi tomar um remédio para dormir para aquela noite passar logo, eu não queria viver aquela dor, mas ainda assim om remédio eu não conseguia dormir pensando varias coisas, até que decidi ligar e pressionar, pois eram 15 anos, não podia acabar assim sem uma explicação clara,fiquei muitos minutos no telefone insistindo que ele falasse a verdade pois toda aquela estoria de igreja religião não me convencera. Enfim, ele disse que tinha conhecido uma pessoa. Bummm, meu mundo caiu!!! enquanto ele contava com poucas verdades como conhecera a pessoa, claro não vai contar toda a verdade, ele repetia varias vezes que não queria me machuca. Que não queria que eu ficasse magoado etc… O fato é que chegou mesmo o fim, sei disso. Não sei se por orgulho de minha parte, mas digo que terminou pq mesmo que ele venha se arrepender e quiser voltar, eu mesmo destruído como estou, vou dizer não. Nunca pensei em sentir essa dor que hoje estou sentindo, escrevendo este texto, tive várias vontade de ligar pra ele, mas não vou fazer isso, preciso aceitar essa condição, preciso ser forte, preciso viver mesmo toda essa dor, que afinal não é exclusiva minha, muitas pessoas estão passando ou vão passar por isso, cada um de sua maneira.
    Mas, confesso, estou arrasado, estou me sentindo muito pra baixo.
    Já pensei tantas coisas boas e ruins. Claro que tenho consciência de que ninguém pode ser de ninguém, e uma pessoa não pode ser obrigada a ficar com outra, fica se quiser! por fim, decidi escrever aqui para contar u pouco do que estou passando, sei que talvez outras pessoas venha lê isso e de alguma forma se identificar, não sei, pode ser!
    De toda forma, quero mesmo que essa dor passe, pq é algo da alma, muito ruim.
    Se alguém quiser dividi ou até mesmo falar sobre experiencia vividas ou contar como superou essa drama, me escrevam. lsgaldino@bol.com.br forte abraço para todos.

  9. Andre luiz disse:

    Bom conheci esse blog a poucos dias. e andei lendo alguns artigos interessantes, e acabei me deparando nesse aqui, onde fala como devemos lidar com desapego.
    Estou vivendo isso pela primeira vez…primeiro relacionamento serio, e primeiro sentimento forte que tive or alguem..esta dendo muito..pois e recenteapenas 20 dias que terminamos….nunca senti essa dor tremenda e e muito parecida como voce descreve aqui no texto. Tem dias que parece q nao vou aguentar, outros fico pouco melhor. Dias que choro feito criança, a minha sorte e que tenho a minha irma pra poder desabafar…ela tem sido uma tremenda companheirona nese processo do desapego…como e dificil..meu deus! Vou deixar aqui meu emai pra caso alguem esteja passanso pelo mesmo rocesso e quiser diviri essas dores e esses sentimentos, penso faria bom para todos poder compartilhar. como uma terapia em grupo,! alo.jayme@ig.com.br

  10. Alexandre Barbosa disse:

    Nossa estou adorando esse blog cada vez mais, estava realmente precisando ler entender mais um pouco sobre essa coisa que é o termino de um relacionamento esta de parabens o blog adorando simplesmente.

  11. Gustavo disse:

    Adorei o texto e comentários, bom terminei recentemente meu primeiro namoro, não era o que eu realmente queria, mas foi necessário, para ambos, o mais engraçado é que você sempre paga por seus erros, eu confesso que durante 2 anos e quatro meses de namoro, não estive 100% entregue a este relacionamento, houve traição, mentiras e falta de companheirismo da minha parte, mas quando consegui me entregar totalmente, o ex tinha feito justamente o caminho oposto, se libertou de tanto sofrer, vendo isso, tentei de todas as formas recuperar tudo que estava sendo perdido, todas tentativas em vão, ele acabou ficando mais frio, distante e o amor que sentia por mim indo embora lentamente. Com isso me rebaixei a um nível que eu nunca achei que chegaria, me humilhar pela volta, tentativas em vão, e cada vez mais me iludia que uma hora isso tudo ia passar e estaríamos juntos novamente, isso não aconteceu então tinha dias que eu fica mal o dia todo e tinha dias que eu ficava muito bem, em um desses dias consegui engatar uma conversa com um cara muito legal, se passou semanas, e ate que ontem eu vi ele com outro, eu juro que minha primeira reação era a violência, mas me segurei, e desde então tudo que eu tava conseguindo deixar para trás, voltou a me atormentar e novamente sentimento de vingança e ódio tomaram conta de mim. É fácil dizer que queria conseguir seguir em frente lindamente, mas a realidade é diferente, então busquei apoio de amigos que souberam muito bem me deixar calmo, no próximo final de semana vou ver ele novamente e sei que vou sentir a mesma angustia e ódio.
    Sei que é difícil superar (eu não superei) mas no fundo todos sabemos que somos muuuuuuuito mais que isso, e afinal, tudo passa, sim tudo, o tempo cura tudo, só precisamos ter paciência e saber que amanha será um novo dia. Beijos e sintam se abraçados (sei o quanto um abraço é importante).

    1. Alastor Silva disse:

      Gustavo, o que passou, passou, e resta a você tirar uma lição positiva de tudo o que viveu com seu ex. Parece que quando você se deu conta de que o amava, ele já estava magoado demais com as coisas que você fez. Não acho que você se humilhou: abrir o coração não é humilhação se você ama a pessoa, seja isso recíproco da parte dela ou não. No meu caso, eu não penso em voltar a conhecer alguém e namorar tão cedo, pois tenho outras prioridades e é importante aprendermos a viver sozinho – nos torna pessoas mais fortes, como o texto diz. Mas cada um tem seu tempo. Se você ainda se sente preparado para viver um outro amor, siga em frente, aprenda com os erros e se permita amar e ser amado.

  12. Alastor Silva disse:

    Terminei meu relacionamento há pouco mais de seis meses. Claro que no começo não foi fácil, pois já morávamos juntos e, além disso, não tenho muitos amigos gays. Embora minha família já saiba de mim e me aceite, nunca tive ninguém confiável para falar como eu estava me sentindo e coisas assim então, um dos conselhos pra quem está vivendo essa situação é desabafar, pois um amigo CONFIÁVEL vai ajudar nessas horas, dar conselhos e nessas horas, receber atenção ajuda mais do que “soluções mágicas”. No começo bate a solidão, mas tem o lado bom de podermos curtir nós mesmos e uma vida com menos pressão de termos que lidar com o nosso próprio sentimento e o do outro. Então é nessas horas que a gente deve colocar na balança e aceitar a realidade de que a vida não é perfeita e que não podemos ter tudo; tanto a vida de solteiro e namorado/casado tem seus prós e contras. Acho que o desapego é menos difícil quando você é vítima de uma canalhice, pois você percebe que se livrou de um problema, mas é perigoso quando a vítima se sente culpada pelo fim da relação. Atualmente, procuro ser amigo do meu ex. Gosto da companhia dele, gosto de conversar com ele e ainda o amo, mas não nutro esperanças de reatar novamente. Tento aceitar que, ok, pelo menos somos amigos e o pior seria um ficar guardando e remoendo mágoas do outro, o que é autodestrutivo. Mesmo assim, não é fácil, pois sei que ele já ficou com um rapaz e que esse rapaz ainda mantém contato com ele e acredito que goste do meu ex, o que me deixou enciumado. Como ainda não desapeguei totalmente, sofro um pouco por conta disso, pois sei que vou ficar mal se ele começar a namorar e que, inevitavelmente, nosso contato vai se reduzir. Mas por outro lado, sei que eu deveria tentar seguir com a minha vida e me incomodo por sentir ciúmes. Não torço contra, mas é chato quando você ainda ama seu ex e sabe que ele já está em outra.

  13. Luiz Fernando Sena Luckina disse:

    Namorei 2 anos e meio. Saí de casa pra morarmos juntos assim que completamos 1 ano e meio. Esse último 1 ano foi cheio de altos e baixos. Muita luta pra construir nosso “lar” nossa “vida a dois”. E hoje faz 2 meses que terminamos. Descobri que estava sendo traído. Isso me magoou tanto. E o pior é que ele terminou comigo antes de eu ter a certeza absoluta de que estava sendo traído. Ele “tentou ser legal” ao terminar comigo pra não me enganar mais. Mas acredito que isso não anule a canalhice feita. Hoje sei que enquanto ainda estávamos juntos e planejamos (e cumprimos) ir para um apartamento maior e com mais opções de atividades, ele já estava pensando em me deixar. Hoje, passados esses dois meses, ainda moramos no tal apartamento (cada um num quarto) mas dói demais quando o vejo. Sempre acabamos brigando. Sei que ele está ficando com a outra pessoa até hoje. E isso me alucina. Fico sem forças pra fazer qualquer coisa. Está decidido que ele sairá daqui ainda esse mês. Mas não está sendo fácil pra mim. Acredito que quando ele sair de vez eu vou finalmente poder viver meu “luto” e seguir em frente. Realmente a parte do desapego é a mais complicada, mas eu mereço ser feliz. Eu mereço ME conhecer e ME fazer feliz. Não importa se ele está bem ou mal. Já não existe mais “ele” e tenho plena convicção de que quando eu entender completamente que “ele” não faz mais parte de “mim” vou me encontrar e achar meu eixo. Obrigado pelo texto. Ajudou um pouco. Sabe como é, a parte mais difícil é comigo: desapegar.

  14. Julio Santiago disse:

    Especialistas dizem que um homem só supera uma separação namorando outra mulher, ou seja, ele não vai superar nunca enquanto ele não começar outro namoro. Já a mulher tem que superar a separação para depois pensar num outro namoro. Então deve ser a mesma regra para os gays. Um gay tem que começar pensar em namorar outro para superar o rompimento. As lésbicas devem sofrer como as mulheres héteras. Bom, se não quiser sofrer tem que ser forte, respirar fundo, e já procurar conhecer outra pessoa. Boa sorte para os sofredores!!!

  15. Alguém disse:

    Eu não terminei meu relacionamento ainda, mas estou com vontade. Conheci meu namorado pela internet e estou num relacionamento há quase dois anos. O complicado é que moramos em cidades diferentes, distância de cerca de 160km, ele mora só e eu com a família isso faz com que somente eu tenha ir até ele nos finais de semana. No começo eu curtia muito ele, pois é o meu primeiro relacionamento e eu tinha medo de conhecer alguém pois eu não queria me assumir. Eu pensei vou dar uma oportunidade pra mim, namorar alguém algo que eu nunca tinha feito. Mas com o tempo esta distancia foi se desgastando e eu senti aos poucos a química diminuindo, porém o amor dele por mim só cresceu. Gosto muito de conversar com ele, fazer sexo, é muito bom isso não vou negar, temos muita coisa em comum pois sou o segundo relacionamento dele. Porém eu queria fazer mais amigos, ter novas experiências, ter mais experiências sexuais, sair pra dançar, beber, curtir a vida e isso dificilmente faço com ele. Ele só quer saber de ficar em casa, ficar cozinhando, não passeamos, além de perder 8 horas do fds só me locomovendo. As vezes quero ficar o fds em casa para não viajar, aí ele fica fazendo drama e chantagem sentimental. Tenho medo de terminar com ele pois ele me ama muito e está muito apegado a mim e temo causar um grande sofrimento nele. As vezes antes de terminar de vez penso na possibilidade de pedir um tempo pra eu ter certeza desta minha decisão, sei que fico confuso demais, nem eu sei o que quero da vida e isso é complicado, queria que alguém me aconselhasse

    1. minhavidagay disse:

      Oi “Alguém”, tudo bem?
      Como ando muito corrido, serei breve, desculpe.

      Não mantenha uma relação por pena ou piedade. Apenas isso.

      Abraço!

      1. Alguém disse:

        essa piedade e esse medo de faze-lo sofrer, fico indeciso se não é amor ainda

      2. minhavidagay disse:

        Pode ser amor, mas é legítimo seu desejo de se aventurar mais também. Dúvida cruel, não?

      3. Alguém disse:

        tem a questão que não tive juventude por medo de ser quem sou, esse é meu primeiro namoro, meu primeiro namoro aos 31 anos, e essa vontade de voltar a juventude é grande, meu namorado tem quase 20 anos a mais que eu

  16. Junior Abissi disse:

    Que texto lindo! Terminei meu relacionamento neste fim de semana e ainda estou bem abalado pela ausência do meu ex, hoje vejo o quão dificil é ser maduro nessa parte pois literalmente abala!
    Obrigado por esse texto!

    1. minhavidagay disse:

      Força, Junior! :)

  17. Ckw disse:

    Tive uma relacionamento que me trouxe uma nova visão sobre o sentido da palavra afeto, por alguns desvios da vida, ele quis terminar, namoramos 7 meses, e já faz um ano e dois que estamos separados, ainda sinto muita falta, embora não mais como antes, porém de longe foi o namoro mais intenso que já vivi. Outras pessoas chegaram pra de repente tirar involuntariamente esse foco do ex que estava em mim, porém, me sinto exatamente como vc pontua no texto: “frio”. Ainda vejo as fotos dele, tento me controlar com o lance de não fuçar nas redes sociais (que não nem somos mais amigos) a fim de encontrar algo que me faça realmente desapegar disso que me prende pro novo. Minha terapeuta disse que a partir do primeiro ano tudo ia melhorar, pois as lembranças ficam mais leves, dando lugar as lembranças que aconteceram no passado pós termino. Mas ainda sinto muita energia dele em mim, embora não nos falamos nem nos vemos mais. Tive meus momentos de indecisões, já recorri aos apps, as baladas, mas sem muito sucesso. Na hora certa tudo isso há de passar, só que a gente anseia por um prazo, que nem sempre vem quando queremos.

    1. minhavidagay disse:

      Na verdade, nunca vem quando queremos, Ckw. Respeite seu tempo e deixe ele evaporar de você naturalmente. Quanto mais você forçar seu processo, maior a sensação de demora…

  18. Pera disse:

    Olá. Acabei de sair de um namoro de três anos, o qual era tudo pra mim. Eu ainda não consegui aceitar, não consigo comer, não consigo dormir, não consegui ler o texto até o final.. eu que nunca fui uma pessoa sensível, estou no chão. Tenho medo dos próximos dias. Tenho medo de não conseguir.

  19. Thiago Correa Pereira disse:

    Nossa eu estou passando por isso agora. Fazem dez dias que meu ex terminou comigo para ficar com outro. Estávamos casados a nove anos. Estou sofrendo muito ainda, pois são muitas lembranças e perde-se também os vínculos com as famílias. Estou com acompanhamento psicológico mas não tá fácil, é um sentimento de “troca” e tambem de inveja por ele estar “bem”. Sei que não devo ter esse sentimento, mas não consigo controlar. Espero que a terapia me ajude. Ando procurando livros sobre esses assuntos para me ajudar. Obrigado pelo texto, está me fazendo refletir.

    1. Luciano disse:

      Com o tempo isso tudo passa, demora um pouco para quem está vivendo a situação. Mas passa sim. O conselho é, não vá atrás da pessoa nem queira informações da mesma. Viva a troncos e barrancos mas não o procure. Se te trocou é pq ja não gosta e se não gosta, pra que correr atrás de alguém que nos faz sofrer? A vida vai tratar de disso. Feliz ele não deve ta vivendo, ele tá embriagado pela nova aventura. Uma hora a fixa caí e aí vc estando distante decidi se quer ou não ainda. As estórias são as mesmas o que muda são os personagens. Então já que as estórias são as mesmas, seja o diferencial do seu “personagem” o mundo não é redondo atoa, serve para facilitar as voltas que ele mesmo dá.

  20. Jhonne disse:

    Me identifiquei muito com o texto.
    Aos 31 anos estou passando pela dor da perda do primeiro e único amor da minha vida.
    Foi um ano e meio extremamente intenso, cheio de altos e baixos e muita novidade pra ambos.
    Apesar de todas as diferenças naturais de duas pessoas com 10 anos de diferença, sendo ele o mais novo, sempre sentimos que ficaríamos juntos pra sempre mas infelizmente tudo indica que não vai mais acontecer.
    Confesso que tentei voltar, mas ele não quis por acreditar que não seria certo voltarmos em tão pouco tempo de término.
    Terminamos por acreditar que seria o melhor pra ambos e continuamos morando juntos por um mês, mas não tinha como continuar dormindo na mesma cama sem sentir vontade de transar, e tranzar, morando na mesma casa sem se preocupar um com o outro e discutindo muito por motivos fúteis relacionados ao sentimento de posse. Então juntei forças de onde não tinha e pedi pra ele ir. Disse que iria bloquea-lo das redes sociais e não faria qualquer contato até conseguir curar minhas feridas e conseguir seguir em frente. Foi meu último ato de amor.
    A unica coisa que me tranquiliza é que sei que será melhor assim pra nós dois e que essa dor que sinto hoje um dia vai passar.
    Amar alguém é dificil e implica num aprendizado constante sobre si mesmo e sobre a pessoa que se ama. Espero que a experiência desse relacionamento me ajude a ser uma pessoa melhor.

    Obrigado por esse momento de lucidez.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Jhonne,
      tudo bom?

      Eu que agradeço a gentileza, as palavras e seu relato expresso por aqui.

      A dor certamente irá passar. Fique bem.

      Um abraço,
      Flávio

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