Relato gay – E as férias acabaram

Amanhã retomo a rotina de trabalho. Foram duas semanas que mais fiquei em casa do que na rua. Algo inédito para uma época do ano que a socialização acaba sendo uma máxima geral.

Mas pude vivenciar bons reencontros intimistas, daquelas amizades gays e não gays com a sensação de vida toda, ou pelo menos bons anos da vida.

A palavra que imperou nos últimos meses do ano foi “mudanças”. Encerrei um ano de 2013 modificando bastante a maneira de me relacionar com as pessoas da empresa. Ensinei-lhes sobre autonomia, responsabilidades e senso crítico. Iniciamos uma toada nova na qual exercitei uma consciência própria de descentralização. Centralização fez muito sentido por anos, para levar a frente os negócios. Hoje, me parece que descentralizar – tirar o foco de mim –  me dará mais abertura e liberdade para as próprias mudanças que virão em 2014. Hoje faz sentido, acima de tudo.

Mudanças também no status de relacionamento! Como os leitores puderam acompanhar, sai de um relacionamento afetivo que perdurou por 4 anos – que valeu muito a pena e me fez crescer demais – para a carreira solo.

Nesses dois aspectos, vida profissional e trabalho, existe um mar de novidades para ser navegado. Da parte profissional existem trajetos planejados que não querem dizer que serão todos cumpridos, mas existem os ideais estabelecidos. Torcida muito grande para que o povo brasileiro vote muito bem esse ano e que bons governantes tragam a estabilidade econômica porque, caso contrário e da maneira que está parecendo, de nada vai adiantar as centenas de mensagens de “esperança e felicidade” que infestaram as timelines, Whatsapp’s, telefonemas e SMS’s na virada do ano! Para quem não viveu consciente nos anos 80, acredite: o contexto econômico da inflação fode a vida da absoluta maioria.

Já no campo pessoal, de relacionamentos ou não relacionamentos, estou deixando o barco à deriva. Claro que mais esperto do que a minha última fase de solteirice, cheio de “anjos e demônios”. Nada de radicalismos dessa vez. Um pouco de tudo, incluindo bons cochilos durante a tarde nos finais de semana, que um “tio” de quase 37 anos merece!

Nesse curto período de quase 3 meses solteiro, descobri os apps de relacionamentos gays, Grindr, Scruff e Hornet. Do segundo, logo abdiquei. Do primeiro e do terceiro, colhi alguns novos contatos. Alguns se realizaram em apenas conversas pessoais, outros em beijos, outros em beijos e sexo e, com um deles (o “Jonny”) rolou um tipo de “amizade colorida”, com beijo, sexo e um pouco de algo mais para além da cama. Espero em 2014 revê-lo com o carinho que cultivei no final de 2013, ou no mínimo, preservar a sensação boa que prevaleceu entre nós.

Por intermédio dos mesmos aplicativos de relacionamento, conheci na prática um pouco mais do bissexual. Tive uma experiência interessante com um deles, que virou beijo e sexo e algumas horas de conversas, suficientes para entender um pouco mais de como a bissexualidade funciona. Outrora não acreditava muito na bissexulidade, ou, acreditava que essa coisa de ser bi era transição exclusivamente. Hoje, sei que a bissexualidade pode ser uma constância pois haverão homens que buscarão prazer em mulheres e homens durante a vida toda (ou boa parte dela).

Voltei à sauna 269, agora no Largo do Arouche, 610. Uma das vezes, na virada do ano, que já relatei aos leitores por aqui. A outra foi na sexta-feira que passou, quando o amigo “P” – que se aproximou por intermédio do Minha Vida Gay – matou sua curiosidade. Fui um tipo de anfitrião para dar segurança ao amigo e ele poder se deleitar pelos corredores e “escurinhos” do lugar.

“Me diverti horrores, amigo” – e essa exclamação já foi recompensadora – rs.

Dessa vez, a mim, me parecia que os caras por lá estavam “ardidamente” focados em sexo. Fiz um menáge a trois num dos quartos com um casal de namorados. Um lindo e um sarado. E beijei um menino de Minas Gerais (estou achando que muitos mineiros tem apreciação por pão de queijo e orientais! – RISOS), que é funcionário público e trabalha com restauração. Tinha ido para a sauna para acompanhar um amigo e, por um período depois da gente ficar, trocamos ideias perto da piscina, fumamos um cigarro e beijamos mais um pouco.

Vai entender: apesar da aparente “boa reputação” de sexta, a brincadeira de ano novo que foi muito mais light ou carinhosa, me pareceu melhor. Vou levar a questão para Freud ou não (rs).

Tira-teima da próxima vez, ou da próxima, ou da próxima. RS

Depois do último encontro com meu ex-namorado, assunto que deu origem ao post “Relato gay – Encontro com ex-namorado”, resolvi que enviaria um e-mail a ele para questionar se a viagem para o Caribe, marcada agora para a segunda quinzena de janeiro, seria realmente uma boa. Ficava evidente que estávamos em ritmos diferentes de desapego, de cair a ficha e, essas questões que acontecem quando namoros findam, poderiam trazer mais dissabores numa viagem que viria para curtir, relaxar e ficar em paz.

Daí que rolou a sincronicidade: ele me mandou um e-mail ontem, sábado, sugerindo que revíssemos a nossa viagem depois dos ocorridos do último encontro. Eu estava num bate-volta com um amigo hétero no Guarujá, para poder fazer as honras para Iemanjá (mania de quem sabe que é filho de Ogum protegido por Iansã e que pisou no mar praticamente todas as viradas). No trânsito infernal da volta (apenas 6 horas com a bunda no mesmo assento) respondi o e-mail e dei algumas opções: (1) que ele escolhesse uma companhia e fosse, (2) que adiássemos para ir em outro momento, (3) que eu escolhesse uma cia e fosse ou (4) que ambos abandonassem a ideia. Deixei ele escolher e, em convergência a minha preferência, ele escolheu a desistência de ambos. Muito justo.

E ainda tivemos a “sorte” de conseguir o reembolso de 100% do investido na reserva dos vôos pois a TAM remarcou os horários e quando assim, o passageiro tem desse direito. Para o cancelamento da hospedagem não haveria multa caso fizesse sete dias antes. Feito.

Do assunto “Viagem ao Caribe”, dos males, o menor possível mesmo. Idealizamos algo que não deu para acontecer. Triste, mas respeitoso.

E para celebrar o domingo, último dia das férias, estive com o amigo “Fernando Lima”, conhecido também por aqui, no MVG. Sua fase de aceitação, diferente do Sammy que está num namoro e do “P” que está num processo de autoconhecimento intenso como solteiro, Fernando dá seus passos mais miúdos. Mas subindo degraus, como ele mesmo simbolizou. E tenho que concordar felizmente que sim! :)

E é com essas últimas experiências, aqui relatadas no Blog MVG, que parto amanhã para o meu verdadeiro 2014. Apesar das férias mais tempo dentro casa, quieto, “jiboiando”, do que na rua, e mais dando atenção a minha cachorra velhota do que outra coisa, fazia anos que as férias não passavam tão rápido. Mais um motivo para reforçar a minha ideia de que as coisas fluem, não temos controle de praticamente nada e o desapego é algo que deve ser exercitado. Grande lição para um novo ano para quem no passado foi centralizador, ciumento e possessivo.

Posso ainda ser centralizador, ciumento e possessivo em alguns aspectos da vida pois talvez isso faça parte da minha personalidade, assumida. Mas que fique esse registro para eu lembrar que as pessoas mudam. Todos nós mudamos quando nos permitimos vivenciar as boas e as más experiências.

Boa volta a todos! :)

14 comentários Adicione o seu

  1. Caio disse:

    Não creio que você fuma :o. E sair da rotina é muito bom, pelo menos em geral; faz-nos sentirmos mais vivos e melhora nossa capacidade de reflexão e nos dá novas ideias.
    :)

    1. minhavidagay disse:

      Eu fumo, Caio! Te decepcionei muito? :P

      1. Caio disse:

        Com certeza. Não acredito que alguém tão inteligente como você se deixou ser escravo desta porcaria que é o cigarro (ou charuto, ou erva, enfim o que dá pra fumar). Mas fazer o que né, espero que como faz com tantos assuntos os quais você sempre reflete e analisa bastante, repense esse seu hábito e pare de vez :)

      2. minhavidagay disse:

        Caramba!
        Que puxão de orelha… rs.

        Já que você associa com inteligência, tantos dos figurões inteligentes viviam acompanhado de um cigarro, cumprindo a fase oral…rs

        Talvez eu não seja diferente :P

      3. Caio disse:

        É, eu sei que muitas vezes as duas coisas não estão associadas na prática, mas deveriam. Afinal quem é inteligente e sabe refletir na vida, pensar e rever conceitos, hábitos e atitudes deveria saber os males que certas substâncias causam e então largar delas. Espero sinceramente que meu puxão de orelha tenha tido um efeito mesmo que mínimo e faça você repensar rs. Sabe, meu pai fuma e eu odeio muitooooo isso, portanto, além de uma pessoa qualquer que não se atrai por cigarros ou fumantes eu tenho um agravante XD.

  2. Caetano disse:

    Cara tô curtindo muito teu blog, conheci no fim do ano passado e todo dia a noitinha tento dar uma lida nas velhas e novas postagens pra me interar mais sobre o meio. Depois gostaria de sugerir alguns assuntos que me incitaram bastante e que vc passou voando, mas que me despertou uma curiosidade absurda. ;D

    Mas cara….queria que me ajudasse em algo. Bom, eu sempre fui gay, digo isso porque tenho uma memória muito boa e lembro de escutar a “abertura de de corpo e alma” ou a musica de striptease e correr pra sala pra ver o Vitor Fasano rebolando na tv! :D Do mesmo jeito que assistia a banheira do gugu ou outras coisas na tv pra ficar de olho nos convidados. Sonhava com os cavaleiros do Zodiaco se pegando, espiava meu primo trocando de roupa, tudo isso com 6/7 anos. Ao contrário de alguns eu sempre me dei bem com isso, tive aqueles questionamentos normais de “porque eu?” mas não foram duradouros, nunca sofri ou fiquei doente por perceber que gosto de homens, ao contrario, não tinha tempo pra isso, o tesão era enorme e não dava pra ficar se culpando, gostava da incubação. Desde novo percebia os afeminados e sabia que era algo que existia, só não queria ser como eles ou ser chamado de “viadinho”. E assim fui…
    Entretanto lá pelo ensino médio quando comecei a me destravar mais, por essa aparencia meio macho alfa, chamava muita atenção das meninas e era obrigado a ficar com elas o que me fez gostar da fruta [ou saborear]. Nessa percebi que mulher também pode ser bom [as cheirozinhas] e comecei a me exitar muito por uma menina da minha turma, pois ela sabia me provocar muito bem, até hoje sonho com ela, apesar de que nao tenho desejo de procura-la pra fuder.

    Emfim…tenho 26 e nuca tive nada com homens, mas eu gosto de homens, só que não quero só fazer um lanche ou ser lanchado. Esse negocio de saunas e cinemas, ja fui curioso mas nao tenho coragem. Não sei acho que sou doente, é incrivel como não me decidi ainda. As vezes tou com uma menina e seco o namorado da amiga na maior, queimando meu filme. Engraçado que não tenho problemas com gays mas adoro um “hetero”, fora que tenho um olhar fulminante, percebo que muitos tem vontade de partir pra briga mas talvez pelo meu tamanho acho que ficam meio indeciso [acho que é isso], eu vejo os outros gays e eles nao sao assim, conversam numa boa com os outros heteros.

    Ser gay parece não ser muito legal é um povo muito narcisista, fora que não tenho um pauzão. Hoje não tô mais com mulher queria um homem mas tb não quero dar meu cú, dizem que é bom mas nao tenho vontade, Mas tb não sou um comedor. Eu sou meio romantico, eu ate seria passivo se amasse muito meu parceiro mas só assim. Tenho me masturbado muito acho que por isso que perdi o tesão, tô meio assexuado agora. Eu sinceramente sou um covarde não sei, acho que toda a culpa de qdo era criança deve tá vindo agora.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Caetano,
      seu post provavelmente vai chamar a atenção de uns fãs…rs. Prepare-se para algumas tentativas de correspondência – rs.

      Pode sugerir os temas de posts!

      Uma coisa é você ter uma consciência de sua atração maior por homens (interno). Outras coisa é você ter nascido no fluxo da normatividade de seu contexto familiar, amigos, expectativas, etc. (externo).

      Um dos caras que fiquei recentemente, bissexual (mas que não gosta de títulos), vive um modelo normativo a lá “baladeiro do Itaim”. Mora na região da Vila Olímpia, é filho único e nasceu envolto do contexto “do homem exercendo sua masculinidade”, classe média alta, tira suas belas fotos com as loironas em Maresias, vai no Sirena e está plenamente adaptado aos elementos que o mantém em sua normatividade (vou até dedicar um post ao tema pois a minha conversa com ele esclareceu muita coisa).

      Talvez o seu contexto seja assim: repleto de uma normatividade heterossexual desde muito pequeno, piadas de gays, “espírito hétero exercendo a todo momento” e assim vai.

      Por mais que em essência você tenha consciência de si, o meio – de alguma maneira – formou suas referências. Inclusive, a sua ideia de que gays são narcisistas é parcial. De repente, a sua autoimagem no gay reflete nos que são narcisistas…

      Existe uma ala narcisista, frequentadora da The Week e de baladas “carão” como a D-Edge nas sextas-feiras. Apenas um exemplo.

      Fazem todo tipo de “homens bem cuidados, cheirosos, saudáveis e bem vestidos” e egocêntricos também. Vivem um tipo de competição de beleza se não fazem parte da mesma turma. A “classe social” transpira na imagem (não é assim que funciona nas “high-balads” do Itaim?!).

      Mas como disse, é um viés sob as variantes do homem gay. Existem outros tipos, inclusive físicos, que transitam em outros universos gays, que não associam classe social com a “potência” da sexualidade.

      Bem, a princípio é isso…

      Um abraço,
      MVG

  3. Caetano disse:

    Como que eu posso ser gay e sonhar com heteros [homem x mulher] e ver videos heteros? Porque eu nao me excito com os assedio dos gays? Raramente eu fico exitado vendo um video gay. Porque eu não me vejo com outro homem. Eu acho que eu vou casar, ter filhos e como vc disse num post viver na surdina que é muito melhor.

    1. minhavidagay disse:

      Talvez você e mais alguns milhares de homens… vou dizer que você projeta seu desejo no “homem hétero” na imagem do sexo como proteção. Podem pintar uns hetéros aqui querendo me contradizer (como aconteceu algumas vezes), mas foda-se pois esse é meu ponto de vista.

      Centenas ou milhares de homens tem atração sexual por outros homens. Falam muito da pegada de macho, de que com mulher é tudo muito delicado, cheio de processo, e associam a tal da “pegada” quase como um tipo de “agressividade”. E isso é fato. Dá pra ter mais “pegada” na relação homossexual. Você ainda não experimentou, mas caso experimente, é isso que vai chamar sua atenção.

      O outro ponto é que na normatividade (social) para muitos homens, as relações fraternais e parentais, os hábitos e a cultura normativa se sustentam (e que bom que se sustentem). É um ambiente em que homens (como você) se sentem confortáveis. Ao mesmo tempo entendem a imagem da realidade gay como algo deturpado, míope ou parcial (como o caso do narcisismo que você citou, seu exemplo). Natural existir um conflito entre o desejo (interno) e o ambiente social (externo).

      Mas e os gays que transitam bem nesses ambientes? Ou até mesmo os héteros que, como mais um exemplo, se divertem nas vibes da Augusta (que não nos puteiros, umas das expressões óbvias da normatividade do “macho”) e vão nas baladas do Itaim também?

      O ponto é que para muitos, a reputação perante o meio VS. o desejo, está sempre em conflito.

      (Só espero que os héteros chatos, protetores de “héteros confusos” não venham encher demasiadamente o meu saco – rs).

      Abraço,
      MVG

  4. Elton disse:

    Bom vamos lá. Sempre fiquei aqui de tocaia, só no acesso mas como o Caetano tocou num tema afim e até pertinente a vida gay vou fazer hoje meu primeiro comentário. Sendo bem breve….Tenho um distanciamento pela cultura gay, assim como o leitor Caetano.Porém todo esse distanciamento gay creio eu que se dê por dois fatores: falta de identificação pela cultura gay [como ja falaram] e pelo excesso de masturbação [?].

    Me masturbo muito. Minha primeira vez foi aos 10 anos e desde de lá venho mantendo uma média de 1 vez ao dia. Tenho 25 anos e ainda sou virgem. Tive varias propostas, ja marquei na net, já tive chance no clube, já dei bolo, já brochei, até dinheiro já me ofereceram achando que eu era o macho-fucker [talvez pelo porte] trepador. Mas eu não consegui. É como a Julia Roberts em “noiva em fuga”. E logo eu que aos 15/16 me achava o expert em sexo.

    Há alguns anos lendo sobre masturbação sempre encontro coisas do tipo “masturbação é saudavel” ou “me masturbava tres/quatro vezes e isso nunca tirou minha libido” mas cada vez mais estou convicto de que a masturbação é sim a responsavel por me tirar a curiosidade de conhecer “algo novo” coisas que não conheço ou nunca experimentei. Por enquanto meu desejo e orgasmos com homens têm ficado apenas comigo, sem divisão ou partilha, não sei até quando por que me dou muito bem com isso, mas ao mesmo tempo sei que é errado e tenho anseio de ter um parceiro. As vezes a vontade que tenho é de ser uma putinha bem vagabunda e sair dando geral, só pra conhecer alguns caras e saber como funciona esses ambientes e baladas mas ao menos tempo é sempre algo tão breve que nunca se concretizou, logo vou eu pra minha punheta saciar meus desejos.Rola também um bloqueio!

    Já tentei parar de me masturbar mas é dificil. Sei que não sou um viciado porque não vivo disso e é só uma por dia no máximo três, mas no trabalho penso muito em sexo e de manhã não consigo sair sem me masturbar. Perdi muito tempo, talvez toda a juventude por conta disso.

    2014 será um ano de provação para mim, no qual procurarei me masturbar o minimo possivel para ver se “a gala sobe a cabeça” e eu na loucura acabe fazendo alguma putaria por aí, porque eu mereço!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Elton!
      Ficar de “tocaia” é boa…rs

      Bem, vou apresentar aqui meu ponto de vista. Não sou psicólogo mas serve apenas como referência: não acho que tocar uma punheta por dia (ou até 3) seja um grande problema. Até meus 33 ou 34 anos eu era assim, como você, e não deixava de fazer sexo. Hoje passo por fases. Tem épocas que a libido está mais em alta e tem épocas que não. E sempre depois que saio de um relacionamento, a libido fica bem média para falar a verdade. Não estou reclamando, apenas aceitando de boa o ritmo.

      O que eu acho é que no seu caso a coisa da masturbação é um tipo de “proteção psicológica”. Por mais que possamos achar que temos um tipo físico “bom”, o fato da virgindade nos enche de inseguranças. E aí, tocar uma punha é um caminho certo, seguro e confortável. A carreira solo não nos expõe.

      A coisa da não identificação com o meio gay também faz sentido. Mas assim como falei para o Caetano, o tal do “meio gay” só realmente se materializa em percepções reais quando o frequentamos. Por exemplo: andar no parque do Ibirapuera nos finais de semana é viver um pouco desse “meio gay” pois muitos gays estão por lá e até paqueram, ao céu aberto e de dia.

      Voltando a masturbação, talvez exista uma compulsão aí. E você com 25 anos certamente pensa em sexo! O que tem de errado nisso?

      Assim como o Caetano, acho que é importante desmistificar e ver qual é na real. Curioso que vocês deixaram seus relatos num post sobre a “Virada de Ano”, final das férias e quando tudo que é novo começa. O ano está aí, são 365 dias para vocês tentarem fazer diferente, se desafiarem para descobrir um pouco mais desses desejos que por enquanto residem no plano da teoria. Ou ficar no mesmo modelo que se encontram.

      Tanto faz pois é a vida de vocês. Mas eu, com meus quase 37 anos, afirmo que a gente tira algumas dúvidas vivendo experiências. E videndo de novo. O autoconhecimento implica no pensar, no refletir e no teriorizar. Mas implica também em praticar, testar, se permitir.

      Em nenhum momento estou definido que você ou o Caetano sejam gays. E essa palavra – pra variar – pode parecer um tanto estranho hoje a vocês. O que estou sugerindo é que, se há vontade, não passe vontade. Supere as inseguranças, saia do lugar comum (ou do estado de conforto e segurança) e tome coragem para viver aquilo que lhe chama a atenção.

      É basicamente isso. Sobre os aspectos de desafios de trabalhos e estudos muitas vezes nos parece claro esse estímulo de superar. É a mesma coisa para a questão da sexualidade. Com proteção, é claro.

      Um abraço,
      MVG

      1. Elton disse:

        Valeu MGV!

        Eu vou fazer isso sim! Vou tentar a partir desse ano ser diferente! Vou tentar começar a iniciar uma vida sexual, sei que não vai ser fácil porque acho que tenho que me sentir seguro comigo e meu proprio corpo, por isso vou voltar a academia e a natação para ficar mas tranquilo. Realmente já passou da hora!

        Vou experimentar esses estimulantes nas primeiras vezes pra me destravar e ainda me sentir mais confortavel.

        Talvez eu já tenha mesmo uma imagem daquilo que não conheço. Vou em busca do real pra conferir se estava certo ou errado.

        Valeu cara, vou ficar sempre vindo aqui e depois envio noticias de como estou me saindo!

        Abraço!

  5. Caio disse:

    Por que será que algumas pessoas veem ou ouvem falar de alguns exemplares do “meio gay” e aí generalizam todo o resto? Por que alguns associam que só é gay aquele que frequenta lugares dedicados a eles ou que a mídia expõe como pertencendo a “comunidade gay”? E que agora para viverem assim, de acordo com o que a natureza determinou para esses (sendo gays), é preciso ter o “estilo gay”? Claro que não. Sendo que aqui o termo gay é sinônimo de homossexual, nada mais do que homens que gostam de homens, predominantemente ou, em geral, exclusivamente.

    Eu mesmo sou homo e não sigo este estilo e nem curto muitos aspectos do “mundo gay”. Então, por favor, vamos refletir mais e “assuntar” mais o mundo e ver que ele não se resume somente até onde nosso olhos podem ver e até onde alguns conhecidos comentam. Isto porque só posso dizer que após ler os comentários anteriores, alguns apresentam fortes bloqueios mentais devido ao ambiente em que foram criados e recomendo, assim como o MVG já disse, que busquem se desfazer deles para não estragarem suas vidas. Além disso, vamos parar de dizer que gays são assim e assado, que é tudo uma desgraça. Vamos abrir as mentes. Também já passei e ainda passo por muitas dificuldades ligadas a este contexto, mas nem por isso desconto minha insatisfação, inseguranças e desejos não alcançados nos outros; afinal um pouco de tudo isso geralmente é culpa de nós mesmos.

    Abraços a todos e que este ano melhore nossas vidas.

    1. André C. disse:

      Concordo com você Caio, muitas pessoas ( incluindo a mim rs) tem por hábito restringir e estratificar as coisas em um exercício de simplificar o entendimento e evitar a reflexão. Isso acaba criando e reforçando o esteriótipo da tal ” coisa de gay” , “meio gay”, enfim, coisa de gay é o que o gay quiser fazer! As pessoas são totalmente diferentes, mas não aceitam as diferenças dos outros, me parece que é uma espécie de medo ou covardia que leva a todas estas questões de preconceito entre os gays e entre hétero e homossexuais. Portanto, eu deixo aqui à todos o meu grande desejo de que vocês “desencanem”, descubram quem vocês efetivamente são, do que vocês gostam e o que os fazem felizes! Não se intimidem pela diferença dos outros, se desarmem dos preconceitos e “let it be”!

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