Lions Club – Como fazer carão


Depois de “relutar” a entrar na balada gay pela simples vontade de não ter vontade, ontem foi meu primeiro contato como um indivíduo solteiro na Lions Club.

A Lions Nightclub as sextas-feiras promove a Ultra Lions, noite dedicada ao público gay (gay apenas nas sextas). O preço, bastante salgado – R$ 80,00 de entrada ou R$ 120,00 de consumação – acaba definindo o perfil de público.

Mas por sorte, um amigo muito “in” nas baladas de SP foi comigo e me colocou naquela lista vip, quando você paga apenas o que consome. Ficha amarela e lá estava eu entrando num prédio antigo na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, reformado. Pulamos a fila já imensa (por volta da meia noite e meia), preenchi o “cadastro moderno” com biometria e subimos as escadas daquele edifício que faz a Lions, considerada uma das top-gay da atualidade (já há praticamente 4 anos).

Um andar inteiro e amplo, com uma área aberta também bastante espaçosa, duas pistas e dois bares para atender os “carões” e os mais bonitos.

A decoração do lounge do bar principal me lembrou muito o “semi-falecido” Sonique, de decoração levemente rebuscada.

Não há como negar que as sextas na Lions é prato cheio para quem procura por uma balada uber e gay em SP. Ambiente nota 10 para um tipo que se acha 1000!

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O som, a mim, estava bem médio na verdade. A esmagadora maioria das músicas da pickup chegavam pela primeira vez em meus ouvidos. Música pop atual que, confesso, não faz parte dos meus players. Eis a primeira reflexão: “certa preguiça em me atualizar nesses sonzinhos”.

Foi uma vodka cowboy (nacional) e três cervejas long neck (vejam só: não fico bêbado com facilidade, fora as duas saquerinhas de morango que tomei no jantar com uma amiga) e minha comanda deu R$ 65,00. Nada a reclamar.

Bom que esse meu amigo atua bastante na noite e não foram poucas pessoas a parar para formar a roda, mesmo que momentaneamente. Conheci rapidamente um dos bonitos que já namorou um dos belos atores da Globo que – conforme rumores – é gay.

Reencontrei, obviamente, dois caras que eram presenças confirmadas nas “baladas de antigamente”, quando no passado eu estava de quarta a domingo em um desses recepitáculos. Um deles foi paquera. O outro, ex-namorado de amigo. Os ex-namorado estava meio fora de forma, meio mal vestido (em relação os modelões do lugar) e investindo copiosamente num rapaz que – ao meu ver – estava bem aquém dos requisitos médios de beleza daquele momento.

O ex-peguete, mais gostoso (rs).

Pude perceber que a Lions: assim como a D-Edge, preserva aquela identidade de público dos famosos “carões”. E vale boas reflexões sobre esse perfil depois que comecei o Blog MVG e – invariavelmente – tenho enxergado nossos guetos com um olho muito mais sensível as essas realidades, agora que todo esse mundo é novo de novo.

Pagar R$ 80,00 para entrar na balada ou R$ 120,00 para consumir não é para qualquer um. Consequentemente, grande parte dos gays de 21 a 40 anos que por lá marcavam presença estão nesses lugares por um certo exercício do poder (o que é ótimo para o Club). A esmagadora maioria não fica, não beija e são consideravelmente “heterossexualizados”. Cultuam aquela vibe high-society de ver e ser visto. Passam horas a fio na área descoberta em prosas entre amigos, trocam olhares furtivos e estão lá pelo puro entretenimento e  envolvimento social (não necessariamente para encontrar “a pessoa da vida” ou garantir uma boa noite de sexo).

Há sem dúvidas uma certa assepsia em tudo isso, que não está necessariamente sob o julgamento de ser bom ou ruim, mas apenas como um fato, fato de uma micro sociedade que mistura beleza com poder capital.

Lancei algumas vezes ao vento e ao meu amigo a questão: “de onde essas pessoas saem?”. Provavelmente, durante o dia e nas semanas, não assumem uma realidade homossexual e, posso arriscar a dizer, que até escondem essa realidade. Brinquei com meu amigo e disse: “aqueles que estão aqui com a libido em alta acabam indo na 269 depois para saciar a vontade”.

Ele: “Faz sentido”.

Por uma hora encontramos um cara com um paquera, bastante bêbado e divertindo a todos com o estado já cambaleante. Tratava-se de um colega de trabalho do meu amigo. Rapaz bastante atraente e acompanhado de um peguete que havia conhecido pelas redes sociais. Sabendo do meu histórico de recém solteiro, vinha a mim afirmando e reafirmando que eu deveria pegar todos da balada. Que meu momento era de enfiar o “pé na jaca” por assim dizer. Fiquei de refletir a respeito (rs).

Na pista, dançamos um pouco e pude perceber – de novo – que eu era o único nipo-total daquele lugar. Fiquei pensando: “será que não existe oriental-carão-modelete nessa cidade? Claro que tem” – mas não estavam lá ontem.

Já as tantas da madrugada e de novo na pista, percebi três ou quatro olhares, mas daqueles típicos dessas baladas, que olham fixamente quando você não vê e quando você olha muda o olhar. Passei a lembrar desse “jogo”, do vai não vai, quer não quer e dei algumas risadas internas por notar que o tempo passa, renova-se o público, mas os comportamentos continuam assim, mecânicos.

No começo da balada troquei olhares com um menino super interessante. E trocamos essas correspondências por alguns minutos. Mas a balada logo encheu e nos perdemos na multidão. No regrets.

Deixei meu amigo em seu apê na Nove de Julho e parti para mais uns rolês de carro pela cidade.

Provavelmente sábado que vem vá conhecer o Club Yacht, por recomendação de meu amigo.

8 comentários Adicione o seu

  1. Caetano disse:

    Macho vai te aquietar kkkkkkkk

    Brincadeira MGV ;D
    Cara as sugestões de post que eu comentei há umas postagens atrás era muito sobre a noite paulista, tu falou que passou o ano de 2009 inteiro farreando ai fui pesquisar mas faltou mais detalhes cara, informa teus leitores (rs). Busquei o Sonique no google e parece que faliu! Mas de acordo com os “gay guides”, lazer (rs) é o que não falta por aí, aqui em Fortal tb cresceu assustadoramente, a cena gay aqui tá forte, só falta coragem, mas eu ja fui numa balada com meu professor!

    Não conheço SP mas esse negócio de carão não é só aí, aqui em Fortal também tem, principalmente nos estabelecimentos de alto luxo, em clubs heteros e gays, mas é normal, pior é ver a galera provocando no chão ou se fazendo só porque tomou dois goles de tequila ou whisky!

    MGV aproveita tu tá na pista cara! Tem tanto casado querendo ser solteiro…..ô dicotomia essa ahuahuauuauha

    1. Mas que interessante. És de Fortaleza? Se sim, também sou.
      Rs

  2. Rodrigo disse:

    MVG,
    Carão = comportamento heterossexualizado?
    Na D´edge também é assim?
    Você já foi à Sunset no MIS?

    1. Caio disse:

      Rodrigo, o termo “carão” não é necessariamente heterossexualizado, apenas significa um tipo de expressão facial que alguém faz de maneira a encarar outra(as) pessoa(s) que está(ão) por perto. Tem denotação de desgosto, de não aprovação. Usado em geral quando não queremos que os que são observados se aproximem. Já as duas últimas dúvidas eu não sei responder, pois não sou de Sampa.

    2. minhavidagay disse:

      Oi Rodrigo!

      Não tinha notado seu comentário, mas vi agora que sinalizou o Caio te respondendo.

      Carão = ar esnobe, nariz empinado, arrogância ou prepotência diante do outro;

      D-edge = sim, nas sextas dá um público carão, embora já tenha ficado por lá algumas vezes. Gosto muito da decoração, das luzes e do som house. Pelo menos tocava nas épocas que ia. A festa as sextas se chama Freak Chic. Não sei como está hoje porque não voltei ainda;

      Ainda não fui na Sunset do MIS. Já houvi falar e parece que também é destinado a esse mesmo perfil. Pelo menos, meus colegas “carões” do Facebook já foram – rs.

  3. Júnior disse:

    Eu já fui para essa balada e realmente o que você descreveu acima, engloba tudo o que tenho a dizer. Resumindo: é uma balada morna ao meio de frequentadores ‘heterossexualizados’. Ou seja, o lugar é bom para quem busca algo mais sossegado e perceber que aparentemente, muitos ali não desmunhecam e falam com vozes finas/anasaladas. Me senti muito bem por lá, mas ressalto aqui que fui somente uma vez para essa balada. De quebra, acabei conhecendo de perto o ator Paulo Gustavo (Minha mãe é uma peça), onde admiro muito o seu trabalho.

    Obs: Se você, autor do MVG, foi o único japônico do local, acho que deveria se sentir especial em relação a esse ponto. Afinal, não encontramos facilmente por aí, uma pessoa com seus traços em baladas e redes sociais. Você por lá, chamaria minha atenção #com_certeza!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Júnior!

      E realmente, notei um tipo de “atenção”. Provavelmente por ser o único japônico 100% por lá – rs.

      Abraço,
      MVG

      1. Júnior disse:

        Olá, caro MVG.

        A atenção que eu me referia, era de me sentir atraído por você. E não simplesmente em te ver como um único japonês por lá.

        Até mais.

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