Gays orientais

Conhecer gays, sejam os descendentes de japoneses, coreanos, chineses (ou mestiços), é uma novidade para mim que sou japonês.

Quem acompanha o Blog MVG sabe o quanto internalizei o preconceito por ser oriental e o quanto – felizmente – tenho superado essa barreira. Barreira que inclusive durou mais tempo que o bloqueio que tive por ser gay.

Meu repertório cultural vindo dos meus pais nunca teve expressiva influência de minhas origens. Talvez meu avô paterno tenha sido a representação máxima da “orientalização”, quando eu era jovem, adolescente e adulto e pude conhecer de suas histórias de vida, sua aventura solitária de desembarcar no Brasil e ter contato frequente com ícones, livros e objetos tão característicos em seu quarto.

Durante 5 anos cursei uma escola de japonês, aqui do bairro, perto de casa. Lembro um pouco de tudo e – as vezes – até entendo alguma coisa. Mas o que ficou mesmo armazenada em minha memória foi a capacidade de escrever em “hiragana”, “katakana” e alguns “kanjis”, as três formas de escrita.

Em almoço hoje com meus pais, lembrávamos saudosamente da minha infância na praia de Toque Toque Pequeno, do litoral norte de São Paulo, quando em 1983 meu pai acabava de construir a casa. Tinha apenas 6 anos de idade e posso afirmar que foi lá que cultivei as primeiras amizades mais duradouras. Os amigos e amigas eram todos ocidentais. Entre meus pais nunca houve uma preferência por fazer amizades com outros orientais, coisa que não era (ou não é) tão comum assim.

Embora meu avô carregasse notoriamente aquela necessidade de preservação da “raça pura”, frequentava minha infância, meus amigos e minha memória de Toque Toque e, liderava aquela turma toda de pequenos desbravadores da natureza para caçar guarú no rio, caçar girino (que nas temporadas de dois meses de férias de final de ano viravam sapos), pitús e – obviamente – nos ensinava a pescar, a preparar a linha e o anzol das varas de bambú. Foi também quem ensinava a andar de bicicleta, fazer e empinar pipa, construir casa em Chapéu de Sol (típica árvore do litoral de SP) e brincar de guerra de areia.

Atravessávamos a pé a estrada e subíamos a serra íngrime, ele a frente com o facão e todos os pequenos atrás – na situação, um pouco mais velhos – para beber água pura da cachoeira e do lago que se formava depois da queda.

Apesar do discurso, nunca repudiou meus amigos por serem ocidentais e – assim – não vivi no contexto comum as famílias japonesas, quando pais ou avós enfatizam os hábitos e os costumes do oriente.

Aquela turminha da praia, inclusive liderada por mim por ser um pouco mais velho (ou por talvez ter a pegada de liderança desde criança), eram felizes. No almoço de hoje pude relembrar da infância inocente e extremamente aventureira que tive em TTP. Não é a toa que o mar de ressaca nunca me provocou medo. Atualmente até a praia de Toque Toque Pequeno tem placas vermelhas e salva-vidas sarados, mas naquela época essa infraestrutura e os gostosos eram inexistentes. Então dava eu e meus amigos meninos em meio as ondas gigantes da praia de tombo, nas fases de maré alta tomando caldos, ralando a bunda, a cara, as costas, enquanto as meninas brincavam na beira com areia.

As sungas tinham forros (não reparei se hoje ainda tem) e aquilo tudo enchia, para desespero de meu pai que tinha que desentupir o ralo do chuveiro vez ou outra porque eu e meu irmão nunca ou quase nunca conseguíamos tirar todo excesso de areia.

Quando voltava para São Paulo, meus amigos mais próximos da escola e os vizinhos também eram ocidentais. Mas uma vez por por mês, aos sábados, meus pais se reuniam com seus amigos do “Tanomoshi”, um tipo de confraternização tradicional entre famílias japonesas e seus filhos. Os meus “amigos do Tanomoshi” tinham aquele perfil mais contido, quieto e reservado. Olhando pra trás hoje – e precisamente nesse momento – acho que sempre tive uma natureza mais aberta, mais falante e sem muito o senso criterioso da discrição, tão comum ou imaginadamente comum nos hábitos orientais.

O Blog MVG é até um exemplo disso, no momento que aproximo os leitores pelas minhas intimidades. Por isso, nem pensem em achar que o MVG é um japa apegado as tradições e reservado! rs

Não digo que os descendentes de italianos, portugueses, negros, índios, alemães, espanhóis, dentre outros que constituem o povo brasileiro são sempre expansivos. Mas, pela regra, japonês sempre me pareceu mais recatado.

E talvez eu tenha sido diferente desde moleque. Estou refletindo sobre isso agora…

Nas longas férias da praia, meu pai subia periodicamente para a capital: trabalho. Ao nível do mar ficava por lá com minha mãe, meu irmão e meu avô. Meu “ditchan”, também muito hábil na prosa – apesar de um sotaque imenso que tinha e esse tal “preconceito racial” que teorizava – era amigo dos verdadeiros caiçaras. Digo verdadeiros porque hoje não existe mais no litoral de SP “o caiçara”.

Lembro das vezes que nos aventurávamos a entrar nas canoas de madeira para recolher a rede, distante da praia, junto com eles. Quanto mais peixes, mais gaivotas sobrevoavam sobre nossas cabeças com seus vôos rasantes parecendo não haver receio do bicho homem. A fome sempre falava mais alto.

Meu irmão, mais contido, não participava dessas aventuras mais “arriscadas”.

Das redes para a canoa não vinham somente linguados, bonitos, peixe-galo, corvina, pescadas, peixe-espada, dourados, peixe-voador, cação e lulas. Muitas vezes vinham arraias, tubarões, marlins e tartarugas, numa época que essa coisa de pesca predatória e mar poluído não eram conceitos e o que existia era o “modo de subsistência do caiçara”.

É impressionante como a nossa memória é ávida nessa fase da vida e dizem que, quando nos tornamos bem velhos, é a memória da infância que mais ressalta. Boas lembranças, vivas e coloridas, para uma sexta-feira.

O convívio com orientais tem realmente chamado minha atenção. Depois de conhecer o “Junior” na 269, ter trocado Facebook e ter percebido que o seu próprio convívio – apesar de 21 anos e de ser uma geração bem mais nova – é predominantemente com outros orientais gays, até sonhei com situação semelhante.

Não sei o que farei direito com essa atenção que tenho dado, mas sei que esse contato desmistifica um monte de preconceitos que outrora se estabeleciam dentro de mim. Estou até impressionado em notar na comunidade “Rice Queen” do Facebook que jovens gays e orientais com uma década a menos do que eu preservam uma afeição pela cultura oriental muito mais intensa do que eu mesmo, com quase 37 anos.

Antes acharia tudo isso estranho, meio exclusivista. Hoje me parece até excitante a possibilidade de conviver mais próximo a essas pessoas. Não sei o que vai dar, não me perguntem – rs.

O caiçara-japinha, idealizador desse Blog, dono de empresa, e recém solteiro talvez queira hoje ser menos caiçara e mais japa. Mistura doida e boa essa que está acontecendo na minha cabeça. E a sensação do que pode dar, sem pensar muito, é a melhor, mesmo que não dê em nada.

Sabadão deixei em segundo plano os vips que consegui para a Yacht Club. “Ela”, do Blog QGSE, quer sair para ferver um pouco depois de algum tempo sem sair pra balada e vamos para uma mais de sapas. Farei essa cia pois qualquer lugar novo a partir de “ontem”, é muito bom para essa fase. Mas já avisei: “se as bolachas do pacote estiverem muchas, saltamos para a Yacht para curtir os bonitinhos”.

Volto com novidades.

21 comentários Adicione o seu

  1. Gabriel disse:

    Belo post, MVG. Diferentemente da grande maioria dos demais textos do blog, você falou sobre ser humano primeiro, e ser gay em segundo plano. Nada mudaria se este post tivesse sido escrito por um hetero. Não sou oriental, ate porque aqui no Rio de Janeiro as chances de ser um são mínimas, mas tenho um amigo que o e’, e, assim como voce, nunca encontrou impedimentos para fazer amizade e relacionar-se com ocidentais. Ele e’ uma pessoa muito sociável por natureza, e faz amigos facilmente, provavelmente devido a maneira mais “livre” como foi criado. Gosto muito dele e aprendo com seus exemplos sempre que posso, e, se Deus quiser, nossa amizade continuara por longos anos.

    Infelizmente, não posso concordar com o belo conteúdo deste post, sobre praias, brincadeiras e rodinhas de amigos, em outras palavras, infância. Não sou oriental, mas mesmo assim servi ao estereotipo durante meus primeiros anos. Sempre fui uma criança introvertida e recatada, que vivia enfiada nos livros e tinha poucos amigos, isso quando tinha um. Sofri bullying no primário e, mesmo morando perto da praia, posso contar nos dedos o numero de vezes que fui ate la. Me sentia diferente por ser ruivo, e tambem gay, embora ainda não soubesse disso, e preferia me isolar a sofrer pela timidez assustadora. Agora já e’ tarde, e os tempos despreocupados da vida, que eu sinto ate hoje que não aproveitei, não voltam mais. Receio que, aos 30 e poucos anos, as lembranças que terei da minha infância serão apenas de filmes e desenhos animados, ao invés de aventuras em parques e brincadeiras de imaginação. E isso, claro, incluindo apenas as lembranças boas.

    Resultado: sem me engajar em atividades de liderança, me tornei esta pessoa passiva e submissa que sou hoje, sem confiança nas próprias agilidades e incapaz de enxergar o valor do esforço. Sinto muito, MVG, por desvirtuar o tema do post, sobre ser gay e oriental, mas precisava desabafar pra alguém aquilo que meus pais não gostam de ouvir. Espero que seu autopreconceito desapareça com o tempo, completamente, ate o dia em que, quem sabe, voce acabe namorando outro japinha. E quando estiver na cama com ele, conversando sobre a vida, fale o pouco da sua infância. Talvez essa seja a coisa mais próxima a isso que ele tenha experimentado.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Gabriel!
      Tudo bem?

      Acho que você pegou um pouco pesado com você mesmo no “resultado”! Não condiz com todos os ganhos e conquistas narrados de maneira vivaz nos seus últimos dois e-mails. Quando digo vivaz, não me refiro as coisas sempre darem certo, mas você estar buscando por novas experiências, estudos e possibilidades para a vida. Que trarão percalços e frustrações também. Adultecer não é fácil… e não tem que ser fácil.

      O tempo da minha infância foi realmente bom e de certa forma fui afortunado. Enquanto meus amigos viviam – já naquela época – em seus apartamentos, sob a “prisão domiciliar” que existia pela falta de segurança nas ruas, na praia eu podia viver livremente e podia desvendar os “limites” que a natureza oferecia. Foi um modelo que meus pais encontraram para satisfazer suas necessidades e incluir eu e meu irmão nesse contexto. Não posso reclamar de um segundo.

      Mas eu me aventurava bastante. Meu irmão era muito mais contido em todas as aventuras. Preferia ficar em casa mais tempo, mesmo sabendo de todas essas possibilidades que lá fora a gente criava.

      E acho que tudo é questão de ponto de vista, personalidade e da necessidade de manter o foco nas boas experiências. Poderia ter citado o dia que encontramos o corpo de um mergulhador afogado e como aquilo ficou registrado na mente de jovens “ingênuos”, no lidar com a morte de uma maneira um tanto trágica. Poderia ter falado do dia do acidente de bicicleta com meu amigo, no condomínio, quando perdeu o controle e foi ralando o rosto no muro irregular a ponto de ter um dos olhos ter saído do lugar e ficado pendurado. Não teve operação plástica suficiente que não manteve algumas marcas. Poderia ter falado das brigas homéricas que o pai da minha amiga tinha com ela, na frente de todos, e que ela carrega os traumas dessa pressão psicológica até hoje, ou do dia que – lá na praia – eu praticamente sai para esmurrar meu pai porque ele vinha pra cima de mim totalmente agressivo, pelo simples fato d’eu ter perdido o elástico do carrinho de praia.

      Poderia falar dos pais de um colega do condomínio que perderam a direção do carro na volta para a cidade, desceram serra abaixo e morrem instantaneamente.

      Mas preferi focar nas boas lembranças que não tem representatividade pela quantidade, mas pelo bom sentimento que me traz hoje.

      Como disse, não condiz o certo lamento de seu comentário com os últimos dois e-mails que recebi e desculpe se estou sendo um pouco duro com você. Quando você narrou sua experiência em São Paulo eu realmente senti a vivacidade e os bons sentimentos de sua experiência, como te disse na resposta.

      Você tem uma vida magnífica também. É importante dar atenção para as pequenas passagens boas e deixá-las te preencher.

      Bjo,
      MVG

  2. André disse:

    Ótimo post MVG! Tudo a ver comigo! Rsrsrs. Podemos dizer que eu sou um dos seus leitores assíduos que nunca se manifestaram via comentário, mas que sempre achou extremamente interessante cada post publicado por aqui.

    Bem, assim como você sou um japa-gay que ainda, aos poucos, está adentrando nessa vida gay. Identifico-me MUITO com o que você escreve e às vezes parece que consigo me ver na sua posição. Minha vida gay se iniciou aos 22 anos quando resolvi me assumir para minha melhor amiga numa viagem a Nova York, o que representou de certa maneira a vitória em uma batalha épica que eu travava entre mim e eu mesmo. Mas só que essa batalha também foi intensificada pelo fato de ser descendente de japonês e ter os olhinhos puxados estampados na cara. Desde a minha infância sempre sofri bullying pelo fato de ser o único ou um dos únicos japinhas da turma, que consequentemente era o CDF tímido, que depois mais tarde virou aquele do pau pequeno. Foi somente na época do cursinho que comecei a conviver com outras pessoas orientais, já que era praticamente inevitável. Mas com a mentalidade que tinha, mesmo que eu tivesse a chance de andar com orientais naquela época, acho que optaria por andar com ocidentais para justamente tentar me “encaixar” no grupo que era maioria. Assim, negava muito ser oriental.

    Ao mesmo tempo, a cultura japonesa sempre esteve presente em casa, mas, digamos assim, de forma harmônica com a brasileira. Por exemplo, nos jantares sempre havia o gohan (arroz branco japonês grudado) em determinados dias e em outros, o “arroz branco brasileiro soltinho”. Acho que outro fator que contribuiu para isso foi o fato de ser sansei (terceira geração de japoneses no Brasil) por parte paterna e yonsei (quarta geração) por parte materna. Assim, os únicos avós que eram extremamente ligados com a cultura japonesa eram os paternos, já que vieram para SP quando crianças, sendo que minha batchan ainda fala com sotaque. Por parte materna, tinha um avô mineiro e tenho uma avó do interior de SP. Como os meus pais trabalhavam muito, fui criado pelos meus avós maternos e assim, cresci num ambiente mais ocidentalizado. No entanto, eles sempre faziam questão de me apresentar certos aspectos da cultura japonesa. Meu avô me ensinou a fazer origami através do tradicional tsuru. Minha avó ia também aos “Tanomoshi” e cozinhava muitos “manjus” para levar para lá. Ambos também sempre demonstravam aquele preconceito japonês, falando que tinha que arranjar uma namorada também japonesa (coitados deles de pensar que teria uma “namorada” rsrsrs).

    Assim, não gostava de ser japa fora de casa, mas dentro, adorava. Daí veio a questão de ser gay. Acho que desde que eu tinha uns 13, 14 anos, lembro que ficava pensando comigo mesmo: “já não bastava ser japonês, e agora sou gay?”. Com tudo isso, veio mais negação atrás de negação. Batia aquele medo (besta) de ser não ser aceito pela sociedade, pelos amigos e pela família. Foi aí que começava a cada vez mais a cavar meu próprio buraco. Mas foi com a internet que consegui voltar à superfície terrestre e principalmente as suas palavras tiveram grande influência nisso.

    Hoje em dia, aceitei o ser japonês, já que hoje mais da metade das minhas amizades na faculdade são de orientais. Comecei a me sentir mais normalizado no meio deles! Rsrsrs. O aceitar ser gay ainda se encontra em fase de construção. Estou me assumindo aos poucos e devagar, inclusive também para essa turma de orientais. Mas a questão de ser gay e oriental ao mesmo tempo só ouvi falar de você! Rsrsrs. Desde a minha primeira assunção, em 2012, até o ano passado, eu me encontrava naquele estado de espera. Hoje, sei muito bem que tenho que fazer acontecer com as minhas próprias mãos. Me encontro aberto e pronto a tudo que tenho que vivenciar nesse mundo gay que eu sei que é apenas o começo de tudo!

    Fica aqui o meu muito obrigado a você, mesmo você não tendo consciência do quanto me ajudou! E se quiser mais um japa-gay no seu círculo de amizades, estamos aí! Rsrsrs. ;)

    1. minhavidagay disse:

      Oi André,
      tudo bem?

      Muito legal ver seu relato e perceber que é mais um que recebeu contribuições do Blog Minha Vida Gay para uma busca de emancipação e paz com a própria sexualidade.

      Fico bastante agradecido por deixar seu relato por aqui para que também sirva de referências para outros orientais gays (ou não) quanto a buscar se resolver e assumir.

      Sobre a aproximação para o círculo de amizades, me escreva no queroumtoque@gmail.com e vamos falar.

      Um abraço,
      MVG

  3. Wellington disse:

    Super interessante o post, e mais uma vez dando lições de vida a todos q lêem.
    O post demonstra mais uma vez que os nossos demônios internos, são justamente isso, Demônios INTERNOS.
    Acho orientais extremamente atraentes, da mesma forma q acho isso sobre os ruivos(aproveitando para estimular o amigo do comentário). E ao se sentirem inferiores por estas características, nos faz refletir o quanto aquilo q nos incomoda realmente tem relevância, ou se somos nós quem criamos este bloqueio, por características que talvez outras pessoas achem incríveis.
    Partindo para a segunda fase do post, Acho ótimo reviver uma época linda de nossas vidas, a infância, que assim como todas as fases da vida tem seu lado bom ou ruim, particularmente prefiro resgatar o lado bom. E como a minha vida esta recheada desses bons momentos consigo resgatar ótimas lembranças.
    Contando da sua liberdade e aventura lembro das minhas experiências no interior com os meus avós, até os levei para acampar. Kkkkkkk
    Por fim desejo muito sucesso para o blog e para você.
    Um grande abraço
    Wellington

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado pelos comentários, Wellington!

      Um abraço,
      MVG

  4. Caio disse:

    MVG, os seus pais sabem falar pelo menos um pouco de japonês? Se sim, vocês ainda se comunicam um pouco neste idioma? Sabe, achei bem inusitado o fato de que a segunda língua mais falada no Brasil (depois do português) é nada mais nada menos que o japonês rs http://aulasaprendamais.blogspot.com.br/2012/03/qual-segunda-lingua-mais-falada-no.html

    Bom início de semana.

    1. minhavidagay disse:

      Realmente… é uma novidade! rs
      Mas será que essa fonte é de confiança?

      Bjo e boa semana, Caio.

    2. minhavidagay disse:

      Oi Caio!
      Meu pai fala fluentemente. Minha mãe não.
      Não nos comunicamos em japonês. Nem tivemos esse hábito dentro de casa.

  5. OI MVG TURO BOM? JÁ FAZ TEMPO QUE ACOMPANHO SEU BLOG E OS POSTS…. ACOMPANHO MAIS PELOS EMAILS DO QUE PELO ACESSO AO SITE EM SI…. HOJE ESTOU ACOMPANHANDO PELO SITE MESMO…. O QUE GOSTARIA DE DIZER É O SEGUINTE…. GOSTEI DO TEU POST, E ACHEI LEGAL A FORMA QUE VOCÊ DESCREVEU SUA INFÂNCIA E SEUS PRÓS DA MESMA E ATÉ UNS CONTRAS COMO MOSTROU EM RESPOSTA Á UM LEITOR DO BLOG… GOSTARIA DE TE PERGUNTAR SE VOCÊ TEM ALGUM ENDEREÇO DE EMAIL PARA CONTATO E POSSÍVEIS CONVERSAS AMIGÁVEIS, DO TIPO : CONSELHOS / AUTO AJUDA, ETC… OU ENTÃO SE ESSE ENDEREÇO DO EMAIL QUE VOCÊ NOS MANDA DOS SEUS POSTS DO BLOG FUNCIONA COMO RECEPTOR DE EMAILS DOS LEITORES QUE QUEIRAM UM CONTATO MAIS PRIVATIVO…. PODERIA ME INFORMAR POR FAVOR ? POSTERIORMENTE VOU CRIAR UM POST SOBRE SER GAY E SER AFEMINADO – EFEMINADO ( NO MEU CASO, EU SOU ) E SOFRER / PASSAR PELOS TIPOS DE “PROBLEMAS” E ATÉ MESMO “PRECONCEITO-PRÉ-CONCEITO” NESSE MUNDO GAY MESMO…. FAVOR ME DÊ A RESPOSTA. OBRIGADA DESDE JÁ PELA FUTURA ATENÇÃO. ABRAÇOS .

    1. minhavidagay disse:

      Oi Renée!
      Tudo bem?

      Me escreva para queroumtoque@gmail.com.

      Um abraço,
      MVG

  6. Eu só queria saber porque a maioria (estou mais ou menos generalizando) dos japoneses além de terem preconceito com eles mesmos, são preconceituosos com brasileiros. eu nasci aqui no Brasil mais meus pais são italianos. eu sempre gostei de japoneses. mais nunca se quer consegui ficar com um. Sempre é a mesma coisa, a cultura é melhor, a formação escolar é melhor, e bla bla bla wiskas sache. Parece que os Japoneses acham que tudo deles é melhor, principalmente os gays. eu conheci um garoto muito legal e pensei que fosse dar certo. ele não quis ficar comigo pq sou brasileiro, ele quer ficar com alguém do canada ou da australia. eu só servi para satisfazer uma vontade que ele tinha (sexo). Porra nem português direito ele fala muito menos inglês, além de ser lindíssimo (SQN) ele ainda consegue fazer com que eu seja pouco pra ele. eu já estou deixando de gostar de japoneses, não é a primeira vez q sou colocado em uma posição inferior por um japones. É ridículo isso. e eu não consigo entender. eu tive um amigo no trabalho que até estudou no japao. ele até era bom no que fazia, só que o difícil mesmo sempre quem resolvia era eu. e mesmo assim ele sempre dava um jeitinho de me diminuir e se colocar em uma posição superior a minha. até que me cansei e deixei ele ser mandado em bora. simplesmente cansei d ficar revisando o que ele fazia. se ele era tão bom assim como dizia eu não ganharia quase o dobro do salario dele. eu acho bobeira isso q a maioria dos japoneses fazem. fora que muitos que conheci quiseram apenas se aventurar comigo pq eram casados com mulheres. me desculpe se eu estiver errado, mais não consigo entender. É simplesmente por uma questão de gosto ou preconceito o fato dos japoneses não ficarem com brasileiros e por que isso? não entra na minha cabeça. ficasse no japão então já q não gosta d nada daki e todos por aki são tão inferiores. eu estou com 28 anos e até hoje não namorei de verdade sério tipo trazer em casa e apresentar pra mamãe e essas coisas assim. sabe por que? toda minha família me apoia. todos vivem perguntando qndo vou namorar. eu não queria apresentar qualquer pessoa para eles. e quero desencanar de japoneses porque acho que jamais seria feliz com um se tivesse que conviver com alguém que se sente melhor q as pessoas q o rodeiam. e não queria uma pessoa que fosse assim dentro da minha família. não sei porque desenvolvi esse gosto. mais daqui pra frente eu não queria mais gostar de japoneses nem sei como vou fazer isso. desculpe pelo desabafo.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Fabio,
      tudo bem?

      Curioso que você não é o primeiro a trazer esse tipo de percepção sobre os japoneses. Você mora em São Paulo ou em alguma cidade do interior?

      O que sei é que existem ainda no Brasil núcleos de famílias japonesas espalhadas por todo território que preservam fortemente a tradição. Tradição, no sentido de não misturar sua cultura.

      Mas isso, mesmo aqui em SP, acontece com outras etnias. Convivi durante 4 anos com a grande família do meu ex-namorado, predominantemente italianos e totalmente fechados a mistura. Uma das primas namorava um negro e o rapaz era alvo de muito, mas muito preconceito.

      Na natureza de uma família tradicional, meu ex naturalmente se afeiçoou por amigos da mesma cultura e, uma de suas melhores amigas é negra 100%, de família negra total e que “proíbe” a entrada de um branco em seu contexto. Isso é uma realidade vista e vivida.

      Então, entendo seu discurso como uma generalização sim. Meus relacionamentos foram longos e sempre com ocidentais. Meu problema era o inverso, do autopreconceito, e hoje me sinto superado e não restrinjo me relacionar só com ocidentais.

      Sinto no seu discurso uma frustração, que até soa como preconceito. Será que você não idealiza tanto estar com um japonês, nos colocando num patamar superior que, quando cai a ficha, nota que somos tão falíveis e humanos como qualquer outro?

      Claro que existem algumas diferenças de valores culturais. A palavra “honra” por exemplo. Raramente você ouve alguém praticar ou usar dessa palavra entre ocidentais. É como se esse conceito não fizesse parte da cultura.

      Já os orientais, no geral, tem tal sentimento da honra meio que registrado no DNA. Só de pensar que os samurais praticavam harakiri quando desonrados, ou quando os kamikazes se atiravam como ultimo ato antes da perda, dá para entender um pouco disso.

      Eu diria que em tempos modernos, tal conceito de honra soa assim: quando um ocidental erra, o nível de desapego e permissão é alto. “Deixa pra lá, errar é humano”.

      Já, na cultura dos japoneses, quando erramos, normalmente bate um peso de responsabilidade muito grande, de querer contornar o erro, remediar, compensar.

      São algumas nuances culturais, que não são regras.

      Um abraço,
      MVG

  7. Obrigado pela resposta. Eu moro em São Paulo. Frustrado eu estou mesmo. Mais é como você falou deixa pra la né. sera que realmente funciona assim? Esse peso de responsabilidade não percebi na ultima pessoa que fiquei bem pelo contrario, me arrependi por deixar alguém simplesmente me usar. e dessa vez ele nem era casado com uma mulher. mais o tempo cura isso, afinal tenho muito que viver e tenho q conhecer uma pessoa que seja além de um namorado, um amigo e companheiro.

    1. minhavidagay disse:

      Vou escrever um post sobre nossa conversa. Foi inspirador. Valeu! ;)

  8. Pedro disse:

    Parabéns pelo post, compartilho com muito do que escreveu, uma linda história por sinal. Sou de uma safra um pouco mais velha de que a sua, nem por isso, deixo me inferiorizar.
    Gosto muito de uma boa leitura, e encontrei aqui, um deleite para meus olhos e porque não dizer para o conhecimento interior.
    Gostei muito do que escreveu, assim como você, tenho descendência nipônica.
    Sou fã da cultura, e amante dos nossos antecessores.
    Quero muito trocar muitas idéias contigo, caso queira, é claro.
    Um forte abraço.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Pedro!
      Tudo bem?

      Manda e-mail para queroumtoque@gmail.com. Vamos falar mais.

      Um abraço,
      MVG

  9. Joao disse:

    Primeira vez aqui no blog e achei interessante a temática e o fato de ser de um descendente de japonês
    Meu primeiro grande amor (platônico) foi um japonês. Trabalhávamos junto, primeiro veio uma grande amizade e depois um grande amor. Mas éramos inexperientes (embora com mais de 30 anos), não assumidos e ele era casado com mulher e filho no Japão. Os medos e as duvidas não deixaram que nada acontecesse (apenas alguns amaços depois de ficarmos bêbados umas duas vezes). O fantasma da homossexualidade e o medo de viver o que realmente somos fez com que machucássemos um ao outro invés de viver o amor e o pior momento da minha vida foi quando ele voltou para o Japão. Achei que não fosse suportar a ausência dele. O amor e a dor do amor me fizeram crescer e amadurecer muito. O amor por esse japonês me fez aceitar quem eu sou e fez também eu me sentir atraído por orientais (o que não acontecia antes desse japonês aparecer na minha vida). Como eu amo os olhinhos puxados!!! lol
    A partida dele para o Japão me deu coragem pra ser quem eu sou e poder viver a minha primeira experiência homossexual. Foi um relacionamento com um chinês que durou pouco, mas foi fundamental para eu prosseguir a minha vida. Por acaso do destino, depois disso eu tive dois japoneses na minha vida, incluindo o meu atual namorado, o maior amor da minha vida. Esses dois japoneses ajudaram a derrubar vários estereótipos. Um é bem dotado e o outro é peludo lol. Os dois são extremamente workaholics, competentes e frios, mas na intimidade eles são descontraídos, doces, amáveis e foi/é grandes companheiros. No mais, os dois maiores parceiros sexuais que eu já tive são esses dois japoneses. Nunca tive sexo tão bom como eu tive com eles.
    Infelizmente foi minha vez de partir, e eu retornei para o Brasil. Agora só me resta contar os dias para as minhas férias para ir encontrar o meu samurai. Apesar da distância nos falamos todos os dias (várias vezes ao dia) com a convicção de que o amor sobrevivera a diferença cultural e a distância.
    Acho interessante ver alguns descendentes de japoneses terem um certo complexo devido a etnia. Tenho vários amigos descendente de japoneses, e nenhum deles nunca falou algo sobre isso. Quanto aos japoneses “made in japan” que eu conheço, eles são extremamente orgulhosos quanto a origem algumas vezes beirando a arrogância. Apesar de todos os problemas, uma coisa que eu aprendi é que não existe barreira e preconceito quando o sentimento é verdadeiro, e se o sentimento não é verdadeiro, eu não faço questão. Parabéns pelo blog.

  10. Diego Aires disse:

    Republicou isso em Rice Queen Bre comentado:
    Relato incrivel e lindo de se ler de um gay oriental.

    Vale a pena ler de novo! :D

  11. Masashi disse:

    Bem, sou mestiço e apesar de altos e baixos por esse e outros motivos minha criação foi igual a de um “sangue puro”. Todos meus relacionamentos desde criança (época de escola) sempre namorei japonesas e japoneses. Os anos se passaram e a mais ou menos alguns meses atras separei de meu primeiro namorado ocidental. Ele e brasileiro, e apesar de muitas diferencas entre ele e eu cultural ate que deu certo a relacao por um bommmm tempo rs. mas quero deixar claro que nao tenho problemas em me relacionar com homens ocidentais, essa coisa de se relacionar com orientais e enraizada em nos desde pequeno, claro que no caso do amigo acima Fabio, o rapaz era um enganador… mas nao podemos generalizar as coisas ne meu povo? rs

  12. Mari disse:

    Eu to procurando algum casal gay com descendência que queira ir para o Japão. Eu sou da 3ª geração e quero levar minha namorada pra lá. Podemos fazer uma troca e nos casar.. infelizmente essa é a única forma de irmos para lá. Interessados mandem email:moraes90@hotmail.com.br

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