Relato gay – Um rolê pelo centro de SP


Meu “dormingo” veio de ressaca e apesar de uma noite boa de sono, tirei o dia para descansar, almoçar com meus pais e combinar a viagem que farei com três amigos para Minas no Carnaval, fugindo um pouco do tumulto e da cachaçada geral dessa época do ano. Nada contra, mas nada a favor também ao que se é institucionalizado nos dias de carná.

De carro, na vibe meio roots, cachoeira e mato, vamos para Carrancas (MG) e depois subir um pouco mais para a “Minas Histórica”, São João Del Rei e Tiradentes. Vou enforcar a sexta, dia 28 de fevereiro, e a quinta, 06 de março, já exercendo um pouco mais da autonomia que me prometi esse ano.

Mas ontem dei um amplo rolê com a minha amiga “Ela” pelo centro de São Paulo, incrivelmente em ebulição. Por volta das 22h estava em seu apartamento na Vila Madalena e seguimos com meu carro para a região da Paulista. Como havia combinado, estaria a disposição Dela já que fazia um ano praticamente que não fervia. Eu, modestamente, desde do ano novo não havia perdido um final de semana com alguma ocupação na rua, entre os milhares de gays que estão aí, buscando algo mais nas horas livres.

A primeira parada foi no Astronete na Rua Augusta que, em outros tempos, ficava na Bela Cintra. Meu ex chegou a comemorar um de seus aniversários na antiga casa.

Teoricamente era para predominar de sapas, mas depois de caminhar alguns minutos rumo ao baixo Augusta em meio a milhares de pessoas dos mais variados tipos possíveis que preenchiam a rua, ao chegar na porta da balada tínhamos a impressão que havia muito mais heterossexuais. Nos aproximamos dos dois seguranças e logo perguntamos: “A noite de hoje é destinada para que público?”.

Um deles: “Ixi, rapaz, é muito difícil de dizer. Outro dia entrou um homem dizendo que era heterossexual e no final saiu de mãos dadas com um homem – rs”.

O outro em tom bem humorado: “Pois é… aqui nunca dá pra saber direito o que é o quê”.

Aproveitando a brincadeira eu pergunto: “E vocês acham que a gente é o quê?”.

Eles: “Ah, vocês são héteros”.

Risadas internas e adrentramos a Astronete para ver qual era da noite. Ficamos alguns minutos suficientes para esvaziar a garrafa de nossas long necks. A balada estava vazia, com um público bastante indefinido mesmo, outros notoriamente gays a ponto de fazer comparação com o “Serginho do BBB”, numa versão quarentona (rs).

Fomos embora.

Subíamos a Augusta e sugeri que entrássemos na Frei Caneca. Pegamos a primeira rua a esquerda e caminhamos reparando no movimento geral. Me impressionei com a quantidade absurda de jovens que entupiam o cruzamento da Frei Caneca com a Peixoto Gomide, próxima a famigerada Lôca (e o Bar do Zé). Nunca tinha visto aquele ponto tão cheio de gente, dificultando inclusive a passagem de carros naquele cruzamento. A maciça maioria era muito jovem mesmo, 14 anos ou menos. Fiquei impressionado com a situação me questionando: “Isso é diversão prazerosa para quem tem 14 anos?! Tomar cachaça até cair e se achar adulto por isso?!. Me parecem tão largados”.

Registrei essa foto aqui:

Muvuca incrível na Frei Boneca
Muvuca incrível na Frei Boneca – Jovens e menores entupindo o cruzamento

Por lá, “Ela” encontrou uma conhecida sapa que já estava partindo para casa. Seguimos nosso caminho e paramos numa padoca para que minha amiga comprasse uma água. De súbito, toca meu Whatsapp:

conversa_whatsapp

Quem chamava era o amigo que havia me levado na Lions na sexta-feira da semana passada. Perguntei para “Ela” se seria legal ir na Yacht. Estava com dois vips por lá mas priorizava minha cia para que ela fizesse a sua noite.

“Ela” estava se divertindo com toda aquela agitação nas ruas. A mim era novo (de novo) rever tudo aquilo e confesso que não pretendia me envolver com ninguém e deixaria que minha amiga escolhesse sua diversão. 37 anos ajuda bastante a você estar na rua, conviver com a multidão e não entrar necessariamente naquela vontade de marcar ponto para fazer a noite feliz.

Peguei meu carro próximo a Paulista, na Augusta, e partimos para a Yacht Club, balada que não havia conhecido ainda e que estava na minha “lista”.

Chegamos a Rua 13 de Maio rapidamente, depois de enfrentar percalços para atravessar aquele cruzamento da Frei Caneca com a Peixoto Gomide: a moçada definitivamente não saia da rua e eram bolos de jovens! rs

Fila imensa para quem era de lista. Na porta da balada passo os dados e para nossa triste surpresa: “Sinto muito, mas os nomes não estão na lista”. Logo pensei: “Puxa vida, tomei um balão do meu contato”.

Eu: “Bom, já que não está na lista a gente entra de qualquer jeito, né?”.

Ela: “Claro, simbora amigo”.

A hostess sussura algo que não consegui entender e entrega nossas fichas amarelas.

Entramos por uma área diferente de qualquer jeito e lá estávamos dentro da Yacht. O lugar estava um inferno. Lotado, mais quente que a 269 e sem chances de ficar de toalha na cintura e chinelo! rs. O bom é que definitivamente 90% do público era devidamente selecionado. Gente jovem (não tão jovem quanto a molecada da rua), muitos lindos. A Yacht é bem decorada e o som é de primeira. Vale totalmente a recomendação!

Minha amiga: “Vamos pegar algo no bar? O que você quer?” – olhei para as opções e de cara vi a garrafa de Jack Daniels. “Simbora com um scotch”. Nos aproximamos do bar e um primeiro olhar trocado veio com um menino branco, loiro e, sim, bonito. Foi para atrás de mim naquele velho truque de ficar dançando e encostando costas com costas. Não dei bola, mas comecei a reparar muito mais nas artimanhas – rs.

Dançamos praticamente a noite toda no mesmo lugar, não dava para se movimentar. Um menino de camiseta vermelha, devidamente colada, moreno e relativamente sarado vinha com seus olhares para mim. Gostei da situação, mas me senti bastante responsável em não largar a minha amiga. Não tinha para quê contabilizar mais uma ficada numa noite que estava reservado para curtir eu e Ela.

Arriscamos umas três vezes a cruzar a pista inteira, as vezes para eu fumar, as vezes pra gente fazer um number one. Numa das idas ao banheiro um moço bonito chegou em mim. Me afastei e segui o percurso com a minha amiga. Ela fala: “Amigo, você fica a vontade para dar suas investidas. O menino que chegou em você era bonito”. Eu: “Tranquilo, querida. Vim hoje curtir com você e não quero te largar sozinha”. Pensava comigo dos “pontos” que tenho acumulado desde o dia 1o. de Janeiro (noite da virada) e me sentia tranquilo.

Cavalheirismo a parte, a gente sabe o quanto é bode se soltar na balada e alguém ficar sozinho. No caso dela ficaria alone invariavelmente porque não havia rachas naquela mar de machôchos! rs

Pra variar encontrei o mesmo ex de um amigo que havia cruzado na Lions (vide o post dedicado). Estava sozinho, muito simpático, me viu dessa vez e veio entusiasmado me cumprimentar.

Dançamos muito até as 4 da manhã, quando os bonitos já estavam suados, descabelados, com as roupas amassadas e com os olhares de cachaça (rs). Outras oportunidades se aproximaram, olho no olho, mas estava suficientemente bem em fazer a cia para Ela. Pensei comigo: “ótimo lugar para vir de carreira solo se a ideia for azarar”.

O zero a zero as vezes cai bem.

PS: Saímos da balada e para a minha alegria, o vip rolou! Paguei só o que consumi (R$ 44,00) e vai entender o que houve. Cheguei até a confirmar no Internet Banking depois para ver se era isso mesmo. Para Ela, todavia, foi cobrado o valor de entrada (R$ 50,00) + o que bebeu. Vai saber…

6 comentários Adicione o seu

  1. Luan Gnostico Gmail disse:

    Você recebe emails nesse endereço e também da algum tipo de ajuda ou auxilio assim como no blog ?

    Enviado via iPhone

    1. minhavidagay disse:

      Sim, Luan!

      Recebo e-mails no queroumtoque@gmail.com e na medida do possível me correspondo com alguns leitores.

  2. Gabriel disse:

    Bonjour, MVG! Já estava aguardando ansiosamente pelo relato da experiência em uma balada “diferente” do habitual, em q nem tds os membros são homens gays rs. Eu tinha certeza q vc pegaria algum cara bonito, fiquei surpreso quando n. E q sorte com o preço da yatch, hein?

    Eu acho que você fez a coisa certa ao n se separar dela, mas claro q isso só foi possível porque você n bebeu muito nem conhecia quase ninguém na balada. Na minha festa de formatura, prometi ficar sempre ao lado das minhas amigas, mas acabou q nós primeiros 5 minutos lá dentro já nós separamos rs. Era gente demais, opções demais. E no final foi melhor assim, conversar com as mesmas pessoas em uma festa é’ mt sem graça rs

    Essa de adolescentes novos lotando as ruas de madrugada é’ coisa da juventude brasileira mesmo… Em outros países onde já habitei, boates eram só pra maiores, assim como bebidas, e isso era rigidamente exigido. Você só via pessoas da sua idade na balada a partir da faculdade, e uma festa adolescente típica e’ algumas garrafas de cerveja na casa de algum amigo. Mais prático, mas também mais chato para uma geração que, como eu, não sabe e bem quer esperar. Já viu alguém de 16 anos dizer q n tem problema em esperar até mais tarde pra sair, porque ainda tem toda a vida pela frente?

    Enfim, agora quem precisa ir a baladas sou eu. Ainda mais na França, onde tudo é’ liberado e homem bonito e’ rotina. Tem um distrito gay famoso em paris. Vamos ver no que da. Ficar sem ir lá no fim da viagem vai ser um grande arrependimento.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Gabriel!
      Tudo bem?

      Qual o nome do distrito gay em Paris?

      Bjo,
      MVG

      1. Gabriel disse:

        Se chama “le marais” e fica perto do louvre. Praticamente tudo relacionado ao movimento GLS está concentrado lá. Tentarei ir na sexta ou no sábado, será difícil achar tempo (tenho outras 2 excursões) mas com calma td se ajeita. Ainda tenho 2 semanas!!

        Um beijo bem terno,

        Gabriel

      2. minhavidagay disse:

        Oi Gabriel!

        Obrigado pela informação. Conhecerei alguns países da Zooropa esse ano e a recomendação será útil, ehehe ;)

        Um beijo,
        MVG

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