Be gay or not be gay – Parte 2

O post anterior mal saiu do forno e já polemizou! O que é muito bom já que o MVG é um ambiente para expressão de pensamentos, ideias e reflexões, ações que se fazem tão pouco hoje em dia mundo a fora.

Gostaria de deixar apenas alguns pontos e questionamentos que a mim parecem prudentes no momento que “machos” e bissexuais não estão em evidência na sociedade e não se caracterizam facilmente como os heterossexuais e os gays:

1 – Existe uma diferença clara entre identidade sexual e moralidade. Ser gay não implica diretamente no indivíduo imoral que não faz distinção de respeito para com o outro. É possível dizer que o homem heterossexual que trai a esposa com uma mulher (ou com um homem) é tão igual quanto ao gay que trai o namorado sem que haja um concenso (do casal) em abrir a relação. Essa explanação diz respeito a valores morais mas que não está relacionada ao comportamento normativo do gay. Tem gay que trai, tem gay que não tai. Tem hétero que trai e não trai, e tem hétero que trai com outra mulher ou com outro homem. Esses são os fatos reais, independentemente de como se julga;

2 – Pela minha vivência nas ruas e pela experiência adquirida com os relatos e e-mails de usuários via “Minha Vida Gay” tenho abstraído para novas possibilidades quanto as variantes da sexualidade. Acho muito importante dividir valores morais de identidade sexual (como citei no primeiro ponto). Em outras palavras e para exemplificar, a mim, o “macho” citado no post anterior é um ocorrência real. Ele existe, são milhares e assumem um perfil heterossexual que gosta de transar com homens. Esse é um ponto. O outro ponto que é possível discutir é o valor moral de – quando casado e com filhos – tenha experiências homossexuais para liberação de seus desejos. Mas reforço: a identidade sexual é diferente do valor moral perante companheira, filhos e família;

3 – O “macho” é diferente do bissexual. A mim, o bissexual que era – outrora – apenas uma desculpa para o gay que não tinha “forças” ou condições de se assumir como homossexual é mais do que isso hoje: são pessoas, reais, que transitam entre a heterossexualidade e a homossexualidade. Apesar da identidade ser da bissexualidade, do ponto de vista social, são mais “camuflados” justamente por viver no trânsito hétero/homo. O que justifica a existência da bissexualidade é o fato de haverem homens que realmente se sentem atraídos sexualmente por mulheres e por homens durante longos anos. Já o “macho” é o indivíduo que se sente heterossexual, convive em meio a normatividade, mas não se sente gay só pelo fato de ter desejos sexuais por outros homens. Mais uma vez, não discuto aqui questões de moral ou se existe algum tipo de “equívoco/desequilíbrio psico-social”. Trato apenas como uma realidade vista, por exemplo, dentro das saunas;

4 – “Machos” e bissexuais vivem um tipo de anonimato social. Enquanto héteros e gays buscam uma visibilidade (e no caso de gays cada vez mais e sem chances de recuo), “machos” e bissexuais ainda passam por processos que compreensão e conceituação assim como transgêneros e transexuais. A diferença é que principalmente os “machos” (e bissexuais) quando juntos de seus pares opostos, se sentem livres para viver a normatividade social (que é hétero), embora gays também possam naturalmente viver a normatividade sem ruído algum (mas o “macho” costuma não entender assim). Pelas questões morais, culturais, éticas e religiosas (como os gays já passaram em décadas anteriores), “machos”, bissexuais, transgêneros e transexuais acabam por viver ainda numa “periferia social”; os dois últimos batalhando para também saírem da sombra.

5 – Será que “machos” e bissexuais conseguirão ter um lugar ao Sol em algum momento? Será que “machos” conseguem sair da sombra realmente ou ser “macho” depende da sombra invariavelmente? Acho que o conflito permeia os valores moral, psicológico e social perante essas “escolhas”. Independentemente de como a sociedade pode avançar com esses assuntos (tema para ampla discussão aqui no Blog MVG), “Machos” que se sentem heterossexuais mas que gostam de transar com homens e bissexuais que transitam entre a heterossexualidade e a homossexualidade são ocorrências reais. Estão espalhados pela sociedade, embora mais anônimos que revelados.

O que vamos fazer com isso? Simplesmente nos conformamos e nos encerramos na dualidade homo/hétero? A mim, talvez, valha a abstração, a começar por separar os valores morais dos valores da identidade (ou não identidade). Existem “machos” bem resolvidos”? Existem bissexuais bem resolvidos? Ou viverão em eterno conflito de identidade sexual até optarem por um rumo na dualidade? Estamos fadados a dualidade?

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Agora, um pouco da moral:

O “macho” que não é casado e não tem filhos se isenta um pouco mais dos valores morais, correto? Mas será que mesmo assim se isenta da periferia que a sociedade o coloca? Será que se isenta da periferia que se coloca? Será que todo “macho” é invariavelmente casado nos moldes da heterossexualidade e dar os pulos na putaria com outros homens será um padrão para a vida toda, longe das vistas de sua esposa?

Como se forma a cabeça desse homem que quebra com a ética, com o respeito e com a moral do núcleo social e familiar normativo, pulando a cerca com outro homem por fases intermitentes durante a vida e priorizando seu desejo individual em detrimento a própria moral?

12 comentários Adicione o seu

  1. Caio disse:

    MVG, se héteros traem suas mulheres com outro(s) homem(ns) é porque não são héteros kkkkkkkkkkkkkkkkk. Entendemos o que você quis dizer, mas não pude perder a oportunidade para expressar isso rs.

    Bem, o que posso dizer a mais do que já disse sobre o post anterior é estes tais “machos” que se quiserem que mudem de atitude e sejam mais verdadeiros consigo mesmos, tenho certeza que pior não fica. O povo ainda fica muito atrelado ao que os outros vão pensar e dizer. Temos que mudar isso, eu já não me importo tanto quanto antes e cada vez mais vou “evoluindo” neste ponto. Sugiro o mesmo aos outros.

    Você tinha dito que os tais citados fogem do rótulo de GAY, mas buscam o rótulo HÉTERO. Para mim é uma completa incoerência já que ambos estão no mesmo patamar, são apenas termos opostos um do outro. Bom, não vou entrar na questão do porquê disso, pois você comentou sobre e eu sinceramente me cansei disso.

    E mais um detalhe, muitos desses caras são tão problemáticos que mesmo num momento a sós com outro homem sem ninguém por perto, sem a chance de alguém saber o que aconteceria ali depois, eles são cheios de “fricotes”, de não me toque ali ou aqui, pois isso é coisa de gay, ou ficam se culpando, ou não têm segurança no que estão fazendo. Não aproveitam a vida e mesmo acontece com aquele que está com ele, que fica desapontado.

    Eu espero não encontrar sujeitos assim, mas sim o oposto, homens interessantes ao meu jeito, desencanados e de bem consigo mesmos. Não há nada melhor. Não é a toa que algumas pesquisas e até mesmo as pessoas diretamente têm reclamado do desempenho sexual por aqui. São um bando de limitados, isso só para dizer em relação ao envolvimento tradicional, sem entrar no mérito de nenhuma fantasia meio esquisita rs.

  2. Ali disse:

    MVG,eu também não nego que os “machos” sejam uma realidade.O que eu quis dizer antes,é que a imoralidade deles está centrada no fato de muitas vezes viverem DE e NA MENTIRA,e desde que o mundo é mundo,MENTIR É UM ATO DE IMORALIDADE.
    Entende-se Imoralidade como sendo o ato ausente de moral!!

    Moral,segundo a Wikipédia:
    “Moral deriva do latim mores, “relativo aos costumes”. Seria importante referir, ainda, quanto à etimologia da palavra “moral”, que esta se originou a partir do intento dos romanos traduzirem a palavra grega êthica.
    E assim, a palavra moral não traduz por completo, a palavra grega originária. É que êthica possuía, para os gregos, dois sentidos complementares: o primeiro derivava de êthos e significava, numa palavra, a interioridade do ato humano, ou seja, aquilo que gera uma ação genuinamente humana e que brota a partir de dentro do sujeito moral, ou seja, êthos remete-nos para o âmago do agir, para a intenção. Por outro lado, êthica significava também éthos, remetendo-nos para a questão dos hábitos, costumes, usos e regras, o que se materializa na assimilação social dos valores.
    A tradução latina do termo êthica para mores “esqueceu” o sentido de êthos (a dimensão pessoal do ato humano), privilegiando o sentido comunitário da atitude valorativa. Dessa tradução incompleta resulta a confusão que muitos, hoje, fazem entre os termos ética e moral.
    A ética pode encontrar-se com a moral pois a suporta, na medida em que não existem costumes ou hábitos sociais completamente separados de uma ética individual. Da ética individual se passa a um valor social, e deste, quando devidamente enraizado numa sociedade, se passa à lei. Assim, pode-se afirmar, seguindo este raciocínio, que não existe lei sem uma ética que lhe sirva de alicerce.”

    MVG,não existe apenas um modo de ver a moral,ou uma ótica sobre ela.Esqueça um pouco a moral religiosa cristã,estou falando do significado Greco-romano,filosófico de moral,entende?

    Nossa sociedade toma a moral cristã como se fosse verdade universal,basta você procurar a palavra “Imoralidade” no Google e vais achar uma avalanche de textos de sites religiosos,ultra-conservadores etc… Relacionando deliberadamente Imoralidade com pornografia,nudez,homossexualidade,divórcio,aborto e tantas outras bobagens.

    Esqueça esse tipo de moral MVG!

    A mentalidade e o debate contemporâneo,tendem a fugir e refutar as discussões que envolvam moral e ética,e quando o fazem,tendem a relativizar e abstrair tais valores.Isso é uma das deficiências do discurso na atualidade!
    Portanto,estou aqui para discutir o Êthos(a interioridade do ato humano) e o Éthos (questão dos hábitos, costumes, usos e regras, o que se materializa na assimilação social dos valores).

    É o que eu havia falado antes MVG,não importa a orientação sexual,o sexo,a raça do indivíduo que comete o ato,a moralidade e a ética são inerentes ao SER HUMANO,estão ao nosso redor em todos os momentos de nossas vidas,pois são ambos GERADOS POR NÓS MESMOS.
    Se o cara é “macho”,não se identifica como gay embora goste de homens,pouco importa,isso não diminui e muito menos elimina o FATO,que isso também é uma realidade,de ele estar MENTINDO e considerar esse ato como algo superior a própria verdade.

    Se ele faz isso casado ou não,tendo filhos ou não,que diferença isso faz??

    ” Existe uma diferença clara entre identidade sexual e moralidade”

    Pode até estar certa essa sua afirmação,mas posso dizer com propriedade,que a identidade sexual é INFLUENCIADA pela moralidade,não existem atos humanos que não sejam influenciados pela moralidade,pois todo ato humano é em essência um “ato moral”!
    Deriva de uma escolha,e essa escolha deriva de uma distinção do “sujeito moral”,daquilo que é certo ou errado,bom ou ruim etc…

    Repito,um ATO é moral ou imoral INDEPENDENTEMENTE da condição do indivíduo.
    Exitem homossexuais morais e imorais,heterossexuais morais e imorais,mulheres,negros,japoneses idem.

    Falo tudo isso como sendo uma análise AMORAL dessa situação:
    Amoralidade: “Uma conduta amoral é aquela que desconsidera uma moral prévia para o seu proceder.”

    Não me importa se o cara é “macho” ou não,se o cara pensa em homem enquanto namora mulheres e tal,estou tratando e julgando a situação sem uma “moral prévia para o seu proceder”,embora eu saiba que a moral e ética são a base da minha opinião.

    Com relação a Dualidade,vou usar metáforas pra exemplificar melhor o meu pensamento:
    Você já conseguiu olhar para os dois lados ao mesmo tempo?
    Já conseguiu ir para a direita e a esquerda ao mesmo tempo?
    Já foi pra frente e pra trás ao mesmo tempo?

    Se você já conseguiu isso,meus parabéns! MAS se não conseguiu e foi para um lado para depois ir para o outro,saiba que isso não é dualidade,isso é PARCIALIDADE!!

    Ainda não sei se você está falando de dualidade ou parcialidade?
    Se você fala do indivíduo ou da essência que gera o ato do indivíduo?
    Não sei se você fala da legitimidade e veracidade do ato do indivíduo??

    Muitas dúvidas,abraços!!

    1. minhavidagay disse:

      Te entendo totalmente, Ali!
      E sei que a moral cristã e a moral filosófica tem intersecções. Falo de ambas.

      O exercício aqui, dos últimos dois posts, é que os leitores participem mesmo com opiniões, pontos de vista e críticas sobre padrões comportamentais reais, existentes, palpáveis mas que ficam numa “penumbra”, quase que numa indefinição social.

      Mas se são numerosos e estão por aí convivendo socialmente de dia e de noite, precisam também ser “estudados”, mesmo que de maneira informal pelo MVG. Vivem a normatividade hétero, fogem para a normatividade gay quando o assunto é sexo mas depois desaparecem. Quem são eles afinal?

      Eu tenho um tipo de sede por entender esses outros padrões. Para isso, preciso sim me livrar das minhas opiniões que se conferem semelhantes as suas, como a do Caio. Não penso que são cobaias, mas sei que quanto mais acesso temos e trazemos essas informações para a sociedade, mais chances temos de esclarecer as nossas próprias vidas em sociedade.

      De fato, não sabemos quem são essas pessoas pois não estão nem lá nem cá, entende? O que elas fazem? O que elas gostam? Como funcionam suas cabeças?

      Esse é um dos meus propósitos: uma sociedade mais esclarecida. Ou, de uma maneira mais humilde, eu com mais esclarecimento, pela influência do contato, da troca, e não de “ideais morais ou psicológicos” apenas.

      De total forma, eles dão um foda-se para as moralidades sociais e um foda-se para sessões de terapia. E mesmo assim estão aí, construindo carreiras, formando família, tendo filhos e, sim, fodendo com um “macho” quando possível! rs

  3. Ali disse:

    “Será que “machos” conseguem sair da sombra realmente ou ser “macho” depende da sombra invariavelmente?”

    Se ele continuar tratando sua sexualidade como se fosse uma sombra,É ÓBVIO que irá continuar sendo uma sombra e vivendo desse jeito.

    Quem prefere viver nas sombras realmente procura um lugar ao sol??

    Se o “macho”(aspas infinitas pra isso) ainda não sabe e prefere nunca saber o que prefere ou do que realmente gosta,o que iremos fazer a respeito disso?
    Falar para eles a respeito de “dualidades” ou “parcialidades” ou dissermos que ele pode ser o que quiser?
    Me parece mais politicamente correto sugerirmos a segunda opção pra eles,mas como já dizia São Paulo (embora eu não seja religioso):
    “Tudo posso,mas nem tudo me convém!”

    1. Ali disse:

      “De total forma, eles dão um foda-se para as moralidades sociais e um foda-se para sessões de terapia. E mesmo assim estão aí, construindo carreiras, formando família, tendo filhos e, sim, fodendo com um “macho” quando possível! rs”

      Eu sinceramente não consigo ver isso com otimismo!
      Parece que eles realmente dão um foda-se para as moralidades sociais,pena que suas famílias.esposas e filhos não saibam o quão prafrentex os “machos” são.

      Ironia mode ON!!

      1. minhavidagay disse:

        Rs… Por isso digo, não estou avaliando pelo prisma ético (bom ou ruim) ou moral (certo ou errado). Minhas reflexões sobre esse perfil de homem e que avaliam pela moral ou ética vocês já bem sabem.

        Acho que me fiz entender! Rs

  4. Wong Foo disse:

    MVG, você estava no JK hoje (28)? Vi uns 2 japas e fiquei achando que era você hahaha

    1. minhavidagay disse:

      Oi Wong Foo!
      Não estava não (rs).

  5. Gustavo disse:

    [Post excluído a pedido do leitor]

    1. minhavidagay disse:

      Oi “Eu”,
      tudo bem?

      Me sinto bastante confortável para trazer algumas palavras a você. O intuito de ambos posts “be gay” foi para trazer a abstração pessoal e, como te disse, estou vivendo um momento da vida de me desapegar um pouco dos meus valores morais para buscar entender – na prática – com relatos como o seu e com as experiências na rua, como vivem os homens +/- do seu perfil, dentre outros por aí que estão em lugares destinados ao público gay.

      Acho fortemente válido o seu depoimento aqui e sei que para alguns causa desconforto. Assim, de certa forma, parabéns pela sua coragem em se expressar aqui como esse tipo de homem que tem casos fortuitos com outros homens e, em boa medida, se mostra resolvido.

      Me preocupa bastante um outro aspecto: de que nós, os gays assumidos, a medida que vamos ganhando um lugar ao Sol como tem acontecido nos últimos anos, ou seja, tenhamos a nossa homossexualidade como algo natural perante a sociedade, entremos num processo semelhante ao que o hétero tem com o gay: de agir preconceituosamente e até com fobias diante outras tantas variantes de identidade ou não-identidade que existem por aí.

      A minha experiência com o Blog, a minha vivência nas ruas e em relacionamentos duradouros vêm me apontando cada vez mais para essas abstrações. Por exemplo e falando de modo prático: toda moral e a normatividade existente no meu último namoro, no trânsito de relacionamentos “normais” entre os familiares das partes, a fidelidade e tudo que para a sociedade parece tolerável, não foram suficientes para preservar meu próprio namoro. Isso não é uma reclamação ou desabafo. Apenas uma constatação.

      Valores morais sejam os filosóficos, familiares ou religiosos, pelo menos a mim, não sustentam um relacionamento.

      Natural e bastante oportuno eu estar num momento de “expansão”, por assim dizer. Me permitindo desapegar dos meus moralismos (comuns a sociedade geral) e partindo para um exercício de abstração mesmo, o que me permite olhar realidades diferentes da minha sem a intensidade da moralidade individual.

      O fato é: eu, MVG, gay assumido, acredito em você, homem que gosta de ter pegação com outros homens de maneira fortuita. Para isso, confesso, estou deixando o aspecto normativo e moral de lado, seja o cristão ou filosófico, e abstraindo mesmo. Da mesma maneira que outrora taxava todos os bissexuais como “gays em processo de formação” e hoje sei que nem todos usam da bissexualidade como “esconderijo da homossexualidade”, estou assumindo que alguns homens (talvez seja seu caso) consigam transitar entre a homossexualidade e a heterossexualidade preservando uma identidade heterossexual a maior parte do tempo.

      Que nome dar a essa “categoria”? Não sei ainda e caímos na questão das “caxinhas”.

      O que me parece mais importante é que homens com perfis semelhantes ao seu existem aos milhares, vai saber se não milhões. E temo realmente que nós, gays assumidos, nos tornemos tão reativos às condições que não as nossas que passemos a ter fobias e preconceitos.

      Já havia citado em um post anterior: assim como existe o machismo, o gayismo pode se tornar uma realidade, se já não se tornou. E antes que esse conceito vire assunto de mídia de reputação, já sou um dos primeiros gays que não quero me tornar gayista! Quero sim ter a capacidade de abstração e tirar o moralismo que me encheria de argumentos contra a sua postura (no que diz respeito a sua esposa), para poder atingir uma compreensão sobre a tal diversidade.

      Eu tenho desejo de conhecer cada vez mais as diferenças, não somente as caricatas e visualmente marcadas que são fáceis de se identificar, para não ter que alimentar meus próprios preconceitos. No momento, a moralidade da sociedade “normal”, não me garante a segurança, paz de espírito e conforto, que funcionam para a maioria.

      Agradeço sua lucidez no relato e, como disse por e-mail a você, está aberto agora para críticas diversas.

      A minha é exatamente essa.

      Um abraço,
      MVG

  6. Gustavo disse:

    [Post excluído a pedido do leitor]

  7. lebeadle disse:

    Tem muitas nuances aqui nesse post, vou focar nas que mais chamaram minha atenção; primeiro é um fato a existência dos bissexuais e ‘machos’, se forem felizes assim e respeitarem os direitos alheios, beleza, mas considerando que a realidade é um tanto quanto diferente desse ideal moral, acredito que os bissexuais passam por uma luta equivalente à dos gays para se aceitar como tal e praticar os atos bissexuais, ainda que por uma parte correspondam à heteronormatividade, conheço o caso paradigmático do ator Michael Redgrave que era bissexual assumido pra esposa e mantinha longos envolvimentos com parceiros do sexo masculino.

    Quanto aos ‘machos’ já vejo e concordo que vivem na sombra pois não têm consciência de si próprios ( será que é sempre necessário afirmar uma identidade?), gostam de “brincar com homens” de vez em quando; acreditam que o que é ativo não é viado, etc, e acho que viverão sempre assim nem preto nem branco: cinza.
    O que acho mais ridículo, e esse é o lado político, é um cara desses entrar em onda de discurso homofóbico desrespeitando em primeiro lugar o valor jurídico fundamental da Dignidade da Pessoa Humana. Acredito que o mínimo que podem fazer é se posicionar eticamente no sentido de respeitar a individualidade de cada um e a luta pela visibilidade de quem quer ser visível.
    E isso é possível, conheço gente que é bissexual e respeita os gays e tem consciência suficiente pra não ficar tirando onda de discriminar os homos, muito pelo contrário apóiam e defendem, é questão de educação e consciência.
    Num lugar que trabalhei tinha um chefe que, pelas histórias correntes, cabia nessa discrição de ‘macho’ e que adorava a galera gay. Soltava umas piadinhas, participando do consenso hetero de quando em vez, mas respeitava a galera, se aproximava de alguns abertamente, convivia bem, e nesse instante ele é que passava a ser objeto do falatório geral. Seria um caso de ‘macho’ consciente? Outra coisa, que pensei agora debulhando essas reflexões, é que existem os heteros simpatizantes, aqueles que são até amigos pessoais dos gays, poderia dar um post…

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