Homenagem a Philip Seymour Hoffman

Eu não sei se é apenas impressão, ou fruto de um olhar mais tendencioso pela idade, mas os bons atores, aqueles capazes de se reinventar nas telas e oferecer brilho na atuação – sem os artifícios de efeitos especiais – estão indo muito cedo.

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Philip Seymour Hoffman foi encontrado morto hoje em seu apartamento em Greenwich Village, NY.

Para quem assistiu Capote, fica praticamente impossível de esquecer de sua atuação, daquelas performances que não se sabe dizer o que é o ator e o que é realmente o personagem. Eu, particularmente, continuo sendo fã.

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Seymour cumpriu magistralmente bem seu papel personificando o jornalista homossexual Truman Capote, o que invariavelmente lhe conferiria o Oscar daquele ano. Mas isso foi apenas um detalhe. Dando uma passada geral em seu trabalho, até mesmo como vilão do pop “Missão Impossível”, não me recordo de nenhuma atuação que não tenha sido, no mínimo, boa.

Totalmente fora do contexto MVG de ser, resolvi abrir essa exceção. Eis um daqueles caras que nunca precisou fazer parte de algum perfil de galã ou do modelo de beleza para poder preencher a tela e envolver a minha atenção. Se o assunto é o profissional e o talento, ele é fatalmente uma de minhas inspirações para, no mínimo, tentar replicar de alguma maneira em minha vida.

Já havia comentado um tempo atrás que muitos desses “grandes” não se sustentam sob a pressão da fama. E, a mim, mais uma possível overdose (de heroína) só valida esse meu pensamento.

Talvez uma analogia que possa fazer para o Minha Vida Gay (e nesse momento penso um pouco das experiências do amigo Fernando Lima – rs) é que beleza física, standard, não diz respeito diretamente à profundidade em relacionamentos, sucesso na vida e tudo mais. Boniteza pode até conferir um status, mas tão volátil como o vento.

Ser belo, modelo de beleza, não vai facilitar nem complicar a nossa vida mediante todos os desafios que temos pela frente embora a gente queira acreditar que “os bonitos” se dão melhor (bobagem). Alguns, por intermédio desse artifício, podem até usar dessa “qualidade” em profissões correspondentes. Mas no geral, beleza, não nos insenta de nossas questões como seres sociais que visam um crescimento, que passam por apuros e buscam suas glórias.

Eu gosto é mesmo de profundidade. Philip Seymour Hoffman é exemplo disso.

Fica aqui a minha breve homenagem.

3 comentários Adicione o seu

  1. Gabriel disse:

    Bela homenagem, MVG. Porém, eu discordo com você quanto aos bons famosos estarem indo muito jovens, e se estão, isto certamente não é novidade a muito tempo. O que eu acho que acontece é aquele velho ditado: “only the good die young”. Em outras palavras, pessoas competentes, talentosas e que fizeram coisas positivas e úteis para a humanidade sempre morrerão cedo, porque aqueles que ficam sentirão falta delas por longos anos. O oposto ocorre com criminosos ou ditadores. Eu, por exemplo, já estou me preparando para a morte da grande atriz Fernanda Montenegro, que mesmo já sendo idosa, vai fazer tanta falta quanto uma atriz de 20 anos.

    Falou e disse. A beleza é a mais injusta das qualidades humanas, mas também a mais transitória. Não importa o quanto tentarmos, iremos envelhecer e aos poucos perder o corpo e o rosto que tanto lutamos para construir. Já viu fotos da brigite bardot como ela está agora? Porém, coisas mais difíceis de conquistar, porém mais recompensadoras, duram até o último dia de vida. E devemos ficar gratos por isso.

    Enfim, RIP Phillip Seymour Hoffman. N assisti os filmes dele então n senti a perda, mas sempre é triste ver um ator talentoso morrer antes que possa mostrar tudo o que tinha. Só vou deixar um comentário polêmico: talvez a morte não tenha sido uma overdose, pois a única pista que aponta para isso foi a seringa injetada. Sei que pode ter parecido absurdo, mas podem te-lo matado, ou morrido de um ataque cardíaco. Vai saber

  2. Caetano disse:

    Ele era muito bom mesmo, lembro dele em Capote e marcou demais. Também assisti dúvida e ele pra variar em uma atuação de prender o telespectador. Poderia render muito ainda…..

    Dos jovens o que mais sinto falta são da Amy e da Cassia [apesar dos 39 a alma era jovem], Renato só o conheci em modo póstumo mas curto muito a discografia. O Restante pra mim ninguém marcou demais.

  3. Ali disse:

    Triste,Lamentável mesmo!!
    Admirava muito o trabalho dele também.Nunca vou me esquecer da atuação perfeita dele em dos meus filmes favoritos,”Felicidade” do Todd Solondz (1999).
    Grande atuação,grande filme!
    R.I.P. Philip Seymour Hoffman.

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