Vida Gay – Eu, subversivo

Subversão: s.f. Ação ou efeito de subverter; prática de atos subversivos; revolta, insubordinação contra a autoridade, as instituições, as leis e os princípios estabelecidos.

Apesar de “bom samaritano”, existe um lado meu que é subversivo e que não tem nenhuma associação direta pelo fato de ser gay. As pessoas no geral ainda confundem bastante homossexualidade com subversão, mas eis um post para separar o “joio do trigo”.

Longe de querer fazer apologia à uma vida desenfreada e às drogas, e que fique bem claro que o autocontrole é definitivo nesses aspectos, ontem foi um dia que pratiquei um pouco do meu “inferno”.

Primeiramente que fazer uma balada numa quarta-feira, na festa “Cio” comandada pela DJ Gláucia++, na Lions Club (que outrora era na D-Edge) é sempre bacana, muito bacana aliás. Ainda mais nessa casa que tem uma varanda espaçosa e as pessoas não precisam necessariamente ficar num ambiente fechado comum em baladas. O Cio continua com um som incrível e se tem um “batidão” que eu gosto mesmo é o House.

Meu amigo “Ding” foi mais uma vez companhia em meio a “gente da noite” que se dá o direito de curtir a balada numa quarta-feira. Ele está de “férias por tempo indeterminado” pois largou seu emprego e viajará para fora do país para fazer cursos.

Coincidentemente encontrei um cliente/parceiro que tenho na timeline do Facebook e há tempos já desconfiava que também partilhava de nossa comunidade. Encontrá-lo, na altura do campeonato da parceria (mais de 7 anos) e na altura da minha própria homossexualidade, acaba se tornando algo mais natural possível.

Sair de quarta-feira é muito bom pois a cidade está vazia. A grande maioria dos cidadãos não pensa em baladas, o que deixa as próprias bastante selecionadas. Méritos da Cio, gente diversa: mauricinhos, fashionistas, homens, mulheres, gente mais madura, tatuados, heterossexuais, homos, hipsters, jovens, transexuais, modelos e outros “elementos selecionados” pincelados tipicamente de uma Rua Augusta ou, quiçá, do ideal do antigo Studio 54. Aquela atmosfera ainda existe! Da para encontrar “Andy Warhol” em festas assim.

Nesses contextos, além de uma música boa notória, diferente das gritantes-pop-dançantes-rotuláveis dos finais de semana a partir das sextas-feiras, as drogas também estão em evidência. E, como já havia comentado em algum post por aí, o amigo Ding é o único que confio para poder partilhar do padê.

O culto à subversão deve ser dosado. Dosado pela medida de um senso e das pessoas que te acompanham. Não é pra qualquer um, mesmo.

Nos meus últimos meses tenho pensado muito sobre diversas questões, das moralidades, das normatividades e o quanto o meu “eu individual” se restringe quando formo um par. Relacionamentos, a mim, ainda é um ponto de referência (e talvez seja por longos anos).

A grande questão é: “quando estou namorando eu devo realmente frear minha faceta subversiva, que foge para uma balada numa plena quarta-feira, madrugada a dentro, e que ainda se diverte com três carreiras de cocaína?”. Para muitos, muitíssimos, essa situação é de se deixar boquiaberto pela convenção social em que a droga se insere. Porque sim, o “espanto” vem pela convenção social a qual estamos inseridos.

Mas e quando se rompe com essa convenção – por intermédio dessa subversão que a própria sociedade institui o que é subversivo – e não se vicia, não se transtorna, não se mexe com a moral do dia seguinte e posso transitar entre “caixinhas” de realidades até antagônicas sem me descaracterizar ou sair do eixo? Pois hoje, tive reuniões ininterruptas das 11h as 17h sem deixar de cumprir com a minha “caixinha responsável”. Fui para a academia, tive lições com a nutricionista e continuo focado em minha saúde.

Que tipo de namorado me entenderia e que me permitiria transitar entre os amigos velhos, os novatos, os heterossexuais, as drogas, o mato e os carrapatos, o luxo de uma 5a. Avenida, a família, a vida work-a-holic, o papo cabeça, as baladas e os compromissos maduros do dia seguinte sem se preocupar, bloquear ou controlar? Sem preconceito pelo que lhe parece muito diferente de sua própria “caixinha”?

Quem são as pessoas que transitam entre os modelos sem se apegar ou negar nenhum deles, rompendo as vezes com os deveres e obrigações que eles mesmos nos colocam?

Porque a mim, no momento em que o eixo referencial é um relacionamento afetivo, me questiono: “conseguirei frear parte da minha pluralidade para ‘servir’ os modelos e a caixinha segura de um futuro namorado?”. Entrar num relacionamento normativo implica necessariamente no politicamente correto?

Porque a grande questão não é deixar de sentir determinados prazeres em concessão ao relacionamento. A grande questão é quando se faz falta do que você gosta e deixa de fazer, aquilo que não é necessariamente uma traição ao namoro ou desrespeito (mas que dependendo da caixinha em que se viva, pode-se pensar assim). E fazer falta, no caso do meu lado subversivo, não representa uma frequência, mas sim, pontualidades de experiências. Quem entenderia essas pontualidades a ponto de, se deixar deixar de vivê-las, brocho com a própria relação?

Quem é a pessoa que está aberta a subversão mas ao mesmo tempo sabe como administrar a normatividade, hoje, sem perder o equilíbrio emocional? Sem se sentir perdido ou culpado?

Por outro lado, sei também que das últimas vezes que formei par assumi aquela parte de mim “direita”, inserida nos bons costumes e bons hábitos perante namorado, pais e família. Atendi à expectativas. Eu mesmo fiz assim até hoje justamente para formar aquela boa impressão ao bolo todo que vem com o namorado. Para ser, sim, aceito. E todos esperam o “homem direito”. “Empresário bem sucedido? Que ótimo!”. “Respeitoso aos valores familiares? Excelente!”. “Cozinha, toca piano, é intelectualizado, se preocupa com o namorado e ainda é apresentável para toda e qualquer pessoa mesmo sendo gay? Melhor impossível”.

Mas que também gosta de, vez ou outra, fugir numa madrugada de quarta – plena semana – e dar uns “tiros” junto com o amigo ao som de música eletrônica “pesada”. Que fuma maconha quando se tem. Que convive tranquilamente com o velho, com a bicha louca, com o transexual, com o garçom do boteco, com o jovem inexperiente, HSH e bissexual. Que não vê a “família da propaganda da margarina” como a salvação para a vida.

Que assim, subverte a instituição familiar! =O

Tenho refletido sobre tudo isso e, por mais que o núcleo normativo pareça ser conduzido pelas boas práticas familiares, filosóficas e cristãs, não me completa para todo sempre. Como fazer? Como deixar de me sabotar, assumindo uma parte de mim que todos gostam de pensar em ter por perto, mas ao mesmo tempo, ter outra parte que o modelo se enche de estranhamento?

Minha caminhada solitária parece que vai durar ainda um tempo, dessa vez. Enquanto isso, acho muito difícil topar qualquer broto por aí. Eu gostaria de ser num próximo relacionamento, inteiro.

17 comentários Adicione o seu

  1. Fenando disse:

    Olá M.V.G, cara o seu blog é um dos blogs mais inteligentes e reflexivos sobre a homossexualidade na internet. De uns tempos para cá tenho notado uma mudança na sua abordagem dos temas, dos seus conceitos e principalmente nos seus relatos pessoais, voce esta passando por alguma crise existencial?

    Notei que para muitos gays voce se tornou um “modelo” de gay e muitos se influenciam com o que voce escreve aqui, isso nao te dá medo?

    Gosto quando seu lado inteligente e pensante aparece nos seus textos, mas quando seu lado bitch aparece dizendo que vai as saunas, relatando suas aventuras nas saunas e nas baladas é um pouco decepcionante, a imagem do gay integro, inteligente e maduro perde seu brilho, voce se torna mais um gay comum, que vai nas baladas caras de São Paulo, para fazer carão, dá um empresario esnobe e inacessivel nas baladas, depois se perde e se acaba nas saunas gay que é um ambiente de pessoas faceis e promiscuas ou faz alguma referencia ao consumo de drogas e alcool!

    A vida é sua, mas como leitor do seu blog esses seus relatos desconstroem a sua imagem e tira todo o brilho e credibilidade de moral e bom comportamento gay que o M.V.G tem nos apresentado nesse tempo todo.

    1. Caetano disse:

      Eu não acho que devemos pegar uma pessoa [MVG] e buscar alcança-lo. Pego esse post do Fernando pra desabafar sobre algo que vejo muitas vezes por aí. Não adianta: CADA UM É CADA UM. Cada um vive num meio diferente, tem uma história idem, tem personalidade idem, correntes e chaves diferentes, então não adianta buscar alguém estando em pele diferente. E quando falo em buscar falo em inspirar mesmo. Já tentei fazer isso profissionalmente e pessoalmente e posso dizer: nunca se pregue em um modelo único e sim naquele que se identifica, + uns similares, porque aí voce vai ter uma margem maior sobre o que tá buscando, e não ficar restrito ao um modelo só.

      Quanto ao MVG eu penso totalmente diferente do Fernando, eu acho que ele dá ótica dele, relata o que encontra e é isso que quero ler aqui. Acho que cabe o leitor ter discernimento e extrair o que achar de bom. Não acho legal ficar tomando alguem como referencial, mas isso é muito pessoal, sem stress.
      Faz tempo que gosto de saber desse lado “Dirty” dele, porque independente de quem ele seja, tenho certeza que ele tem desejos, fantasias, curiosidades……por mais que ele seja um cara experiente, sempre tem algo que queremos conhecer.

      Só acho que ele é muito moralista ;D Fico besta como uma pessoa vai pra sauna, acha ótimo e depois vem aqui descrever o lugar como algo obscuro. ;D Pra mim se é legal é luz! E não é que seja minha opinião ou esteja querendo impor uma verdade, mas MGV tu já reparou as vezes tu destrata de um ambiente que tu curtiu? As vezes MGV eu te acho policial de si mesmo, que a todo instante fica querendo buscar em si um vestígio pra se incriminar. Talvez seja a imagem do empresario que busque isso, ou são os proprios valores procurando algo contraditório, mas…..homi manda pastar esse detetive interno.

      Contudo fico muito feliz que nesse post sobre o subversivo você mesmo já comente sobre isso [que na verdade já foi subjetivo em posts anteriores]. É sinal de um novo MGV?

      1. minhavidagay disse:

        Daqui a pouco vou lançar um post novo, Caetano. Acho que te responde!

  2. Caio disse:

    Sabe MVG, longe de querer me intrometer na sua vida e te julgar, mas acho que você está levando esse lance de sair de caixinhas muito para o lado do extremo. Você diz manter um equilíbrio e tal, pois sabe das consequências caso exagere em algum ponto, porém também está se deixando levar demais por esta filosofia, que ao meu ver não se faz necessária para que sejamos críticos, refletores sobre nossas vidas ou até mesmo para curtir momentos.
    Não acho que “ah só de vez enquando dar uma extravasada desse tipo é válida”. Sim, defendo o extravasar, mas não dessa forma. Defendo com limites para que não prejudiquem minha integridade e de outrem.
    Não acho que sigo a cartilha do tradicionalismo, ou que penso que o modelo familiar do comercial de margarina exista, mas não chego ao ponto de buscar vivenciar o extremo oposto, mesmo que ache que esteja fazendo isso em doses “controladas”. Afinal, muitas vezes achamos que estamos no controle, mas já saímos dele há muito tempo (bêbados que o digam rs).

    Esse é até um ponto que levanto, principalmente agora que comecei a assistir a série Looking. No primeiro episódio os três amigos já compartilham um baseado, e como sempre é o momento que exalta o quão antenadas, modernas e cult são as pessoas que fazem isso. Conotando, que é bom demais, que quem não faz é travado e careta. Já meio que me cansei de ver personagens, gays inclusive, que são assim largados, que fumam, bebem muito, que se afundam em crises das mais bobas as mais profundas, que se drogam. Será que pelo menos a maioria é assim para não demonstrarem ou quase não demonstrarem o outro lado?

    É a minha posição em relação ao tema, e como já sei que você é um cara compreensivo, que mais do que saber que os outros podem ter visões diferentes da sua, diferentemente de muitos você as aceita e até exalta o clima de debate rs, então, você me entendeu.

    É óbvio que cada um é cada um, mas podemos também apresentar várias características em comum a muitos outros indivíduos. Definido isto, é claro que nem sempre vão buscar apresentar todos os personagens com todas elas, mas as vezes dar uma variada nos estereótipos é muito bom.

    Até.

  3. minhavidagay disse:

    Fernando e Caio,
    não acho que a questão seja de me justificar, mas mostrar meu ponto de vista. Então vamos lá:

    Primeiramente eu questiono: o “beijo gay” da novela da Globo é a tal da “má influência desnecessária” que vai fazer com que meninos jovens resolvam experimentar? Esse raciocínio é correto? Porque rolou o beijo gay na última novela vai ter menino querendo beijar outro menino por pura influência?

    A gente é gay por influência?

    Na mesma medida, existe a diferença entre influência e referência. O fato de eu estourar a minha “própria caixinha” do “bom samaritano” não quer dizer sobre influências. Quer dizer sobre referências, cujo senso crítico (como a de vocês) irá validar ou negar.

    Questiono também: qual é essa minha imagem que estou desconstruindo? Creio que, se passarmos pelos posts por aqui nunca quis fazer a linha do “homem gay do bem” exclusivamente. Falo sim das condutas morais necessárias, mas também tenho meu “lado B” como muitos (senão todos). Alguns adentram, outros não e o MVG está aqui para ser, acima de tudo, vivência.

    Quero lembrar que desde sempre, um post como http://minhavidagay.wordpress.com/2011/06/28/sauna-gay-garotos-de-programa/ não me tira de uma “linha editoral” ou não representa uma “crise existencial” dessa vez – rs. Achei engraçado o uso da tal “crise”.

    Do “inferno” que já vivi, estou revisitando algumas situações sem pisar em ovos. Digo “sem pisar em ovos” porque é terreno conhecido, com pessoas conhecidas há mais de seis anos.

    “Papais, dá pra verem que me tornei adulto?” – rs

    Sobre, de novo, me descaracterizar, não entendi bem onde estou virando o “empresário carão inacessível” ao vivenciar baladas, ao ir nas saunas ou qualquer coisa do tipo que saia do “politicamente correto”.

    Onde estou ficando esnobe, minha gente?

    Eu sinceramente acho que, o fato d’eu abrir uma lacuna na minha vida, e dar um pulo pra fora do que é politicamente correto incomoda.

    Desculpem o incômodo. E somente o incômodo.

    Estou revisitando meu lado B, revendo conceitos, saindo um pouco da minha “caixinha mais normal” para enxergar de fora, reconhecer outras “caixinhas” e rever meus valores. Posso? RS

    Aceito abertamente as mudanças e questiono, de novo, quem me acompanha?

    Vocês aceitam a transitoriedade das pessoas, as mudanças? Vocês aceitam a humanidade de cada um, fazendo bons feitos e praticando a subversão (mesmo que consciente)? Tenho que ser de todo “glorioso” ou posso ser “Clark Kent”? RS

    Posso acreditar que o problema da droga é daquele que usa e não a droga em si, e que dependendo de quem for, a droga não diz mais nada do que um aditivo para um momento?

    Tenho que virar vegano para o MVG manter a tal da “imagem”?!

    Caio, a caixinha que você coloca “os aditivos” não é a mesma que a minha. Desde o cigarro (rs). Podemos coexistir ou a gente vai ter que terminar o nosso “namoro”? RS

    Fernando, eu sou um livro aberto (escancarado até). Me questione de novo se estou preocupado com uma imagem? Aliás, qual é a bendita (ou maldita – rs) imagem que você tem do Blog? Afinal, creio que você esteja se expressando pela primeira vez e o problema real é a imagem que você idealizou e não a que eu entendo que seja! ;)

    Continuamos o debate?

    Termino esse meu comentário com a última frase do post “Céu e inferno”: “A verdade é que a realidade está dentro de casa, mas está fora também”.

    Ora, fiquem dentro de casa! Posso viver a rua como bem entender? Vocês me permitem?

    Um abraço,
    MVG

    1. Fernando disse:

      Ah vá… Rsrs

      M.V.G só expressei o que eu acho, se vc cria um blog e relata sua vida nele voce pode esperar de tudo, principalmente as reaçoes dos seus leitores!

      Nao vou ficar debatendo pontos de vista, isso é chato e o espaço dos comentarios vira uma disputa de intelectualóides que em muitas vezes nada nos acrescenta.

      A vida é sua, faça o que quiser e no blog poste o que quiser, só nao fique esperando sempre os nossos aplausos!

      Em nenhum momento me senti incomodado lendo alguma coisa nesse blog, em relaçao a voce “fazer carão” e ser esnobe na balada em alguns relatos tive essa impressao, se voce nao é melhor pra voce! Acredito que toda q referencia exerce um grau de influencia em algo ou alguma pessoa, querendo ou não voce taz isso com alguns leitores, você só nao admite!

      É isso e seja feliz da

      1. minhavidagay disse:

        Oi Fernando,
        ao contrário desses tais “aplausos”, acho bom acontecer todos esses debates entre “intelectualóides”, ou como prefiro dizer, “filósofos de botequim”. Estamos discutindo questões substanciais para as nossas vidas, não é verdade? Estamos falando de realidades que existem aí, “dentro ou fora de nossas casas”.

        Onde é que a gente pratica reflexões hoje em dia?

        São conflitos de valores, exposições, e se a gente não discute para formar opiniões e pontos de vista, até polemizando um pouco as vezes, e recebendo inclusive o contrário dos tais “aplausos” que você classificou, não se gera reflexões.

        Ao contrário de “chato”, acho toda discussão muito válida, fato é a existência do próprio Blog: fazer a cachola funcionar sobre os mais diversos temas que circundam ou não a homossexualidade. Só acho mesmo que não pode ficar só na teoria. Temos que superar nossas questões e colocar em prática, na vida, fora do Blog.

        Admito, sim, que o MVG tem influenciado pessoas para superar seus “nós” da própria homossexualidade. Mas até o momento, ninguém chegou até a mim para dizer: “puxa, MVG! Experimentei alguns ‘aditivos’ por sua recomendação e me dei mal”. Mesmo porque essa recomendação não existe e jamais existirá e o “aditivo” aqui é só bode expiatório para um contexto que tange a realidade de um relacionamento afetivo: o quanto temos a manha (ou não) de fazer concessões para desenvolver um relacionamento sem apagar demais uma das partes?

        Admito que “aditivos” têm essa aura do estragar a vida. Mas e se para alguns não for assim como se normatizou? Temos que mantê-los no estigma no malefício incondicional para proteger nossas “caixinhas”, nossa segurança individual, nosso conforto?!

        Eu estou revendo esses conceitos, mesmo, e está aqui escancarado. O que é substancial para a minha vida (mesmo que subversivo para a caixinha do “bom homem brasileiro”, brasileiro sim porque na Holanda é ao contrário) e que se eu subtrair quando começar o próprio relacionamento pode se tornar tão pesado que vai abalar a própria relação com o tempo? O foco é esse, Fernando, e você não se deu conta: eu quero ser melhor num próximo relacionamento. Esse é o ponto central de toda a história.

        Sinceramente, prefiro mais intelectualóides aqui do que leitores passivos, apenas espiando! Sejam eles com os tais aplausos ou com o oposto, que me parece ser as vaias. Correto?

        Para ter um Blog como o MVG tenho que ser o primeiro a saber das infindas reações dos leitores.

        E sei que quanto mais polêmico os temas, quanto mais fora das condutas morais estabelecidas, mais chance de se gerar o incômodo.

        Mas que venham as dicussões de filósofos de botequim sim. É isso que torna o MVG enriquecedor. Funcionamos também com provocações.

        E sinto muito: não será a todo momento que serei o “MVG” ideal. E se assim as consequências forem as vaias, que sejam as vaias, oras bolas! rs Por trás dessa tela tem carne e osso e, no momento, não me preocupo em preservar nenhuma imagem, a não ser a da minha humanidade.

    2. Caio disse:

      MVG, de forma alguma eu quis me impor em sua vida. Sim, critiquei sua atitude, pois a achei desnecessária (não a fato de você tê-la redigido aqui onde é seu espaço, afinal ela aconteceu e você quis contá-la), sendo ela feita por qualquer um, pois sou da opinião: “não as drogas”. Mas você é adulto e livre para usá-las como quiser. Não acho que você seja um formador de opinião e que com suas atitudes vai influenciar os outros (pelo menos não deveria, afinal como você disse referenciar é bem diferente) ou que só tenha que expressar temas/vivências bonitinhas no seu blog, podendo ser até hipócrita por estar expressando algo que não seja seu real posicionamento.

      O que disse em meu comentário é que defendo o direito de cada um extravasar e ainda como quiser, desde que não prejudique outros, porém, que não vou de encontro com sua atuação neste contexto (pode curtir, mas para mim não é preciso se chegar a extremos). E para além do seu caso, aproveitei para desabafar sobre o fato da mídia só reproduzir os mesmos estereótipos que sempre demonstrou e que eu já estou cansado disso, pois nem todos nós (gays) somos assim ou vivemos assim a maior parte das nossas vidas.

      E ainda veja que em parte a resposta do Fernando tem relação com a minha, mas a minha foi um bocado diferente e sequer passou pelo campo pessoal (não critiquei você, que fique bem entendido). Afinal, posso discordar de certas atitudes que as pessoas têm, não posso?

      É isso.

  4. Wellington disse:

    Primeiramente, não quero que meu comentário venha como critica ao seu modo de vida, afinal a vida é sua e você tem todo direito de usufruir da maneira que bem entender, continuarei acompanhado o blog, afinal me viciei nisso aqui mais do que em Lost. kkkkkk
    Entendo perfeitamente que sua ideia não é estimular as pessoas a utilizar drogas, mas os seus relatos dão sim uma conotação positiva para algo que é explicitamente negativo.
    Inicialmente quando tive contato com o blog, fiquei impressionado com a coerência que você expõe suas ideias, fazendo com que eu mudasse vários pontos de vista, porque seus argumentos eram plenamente convincentes. Se me permite dizer até criei uma paixãozinha platônica, afinal suas reflexões mexiam muito comigo, e lamento não ter tido contato com o blog antes de me assumir, pois teria sido muito esclarecedor.
    Perdi um pouco dessa paixaozinha platonica quando fiquei sabendo das drogas(desculpa mas sou bem careta, quase do tipo que acredita na propaganda de margarina), mas essa questão também serviu para mostrar que você também é humano e tem seu lado negativo, e consequentemente comete seus erros.
    Acho que o lado B, como você chama, as vezes é importante para se descobrir. Eu mesmo passei por isso, decidi ir pra uma sauna gay, e transei muito, e depois daquilo me senti culpado, não por transar com outros homens, mas por fazer aquilo, daquela maneira. Eu sequer conversei com os caras, mal conseguiria reconhece-los na rua caso os visse. Oportunidade em que eu me questionei se era isso que eu queria para a minha vida. E decidi que não, eu queria e ainda quero um relacionamento sério, com alguém que seja realmente importante, e não apenas mais uma transa. Então decidi me abrir com as pessoas mais próximas e enfim revelei minha homossexualidade.
    Por fim, não sei se consegui expor meu ponto de vista, afinal acho que nem eu ao certo sei qual é. Só quero dizer que você já teve seu lado B, e nos diversos posts que você fez reconheceu que aquele não era o verdadeiro eu. Portanto espero que você saia dessa logo, e volto a ser o cara incrível que todos os seguidores deste blog aprenderam a amar.
    Falo isso porque se encontrasse o blog hoje, talvez não estaria acompanhando por descordar desse ponto de vista, não que discordar seja algo ruim, afinal debate sempre engrandece, mas assumo que não acompanharia o blog por não me ver refletido no personagem central, que fora desse lado B, tem muito a ver comigo(não quero parecer o certinho também tenho meus defeitos, mas acho que as drogas são algo pesado demais).

    Um grande abraço
    Wellington

    1. minhavidagay disse:

      Oi Wellington,
      tudo bem?

      Lendo seu comentário, do Caio e do Fernando, entendo o tipo de preocupação que vocês têm, cada um a sua maneira de se manifestar. E é interessante pois, apesar da virtualidade do MVG ou de até querer negar, me parece que existe um vínculo afetivo com as coisas que acontecem por aqui. Esses comentários, nesse post em questão, tem me ajudado a dimensionar mais um pouco o tipo de relação que os leitores estão criando, cada um a sua forma de mostrar certa preocupação ou, simplesmente, um ponto de vista relativamente imparcial.

      O MVG é, acima de tudo, um diário aberto da minha vida, cujos relatos e reflexões sobre os diversos temas, podem trazer simpatia (a maioria das vezes) ou estranhamento, como no caso desse post. Acho que é a primeira vez, em quase 4 anos de Blog que vejo críticas mais recorrentes, não no sentido de “vaias” como comentei ao Fernando, mas sob alguns pontos de vista:

      – Da preocupação com o que eu falo, da suposta influência que possa existir nas pessoas que passam por aqui;
      – Da preocupação com a minha pessoa, seja de maneira fria ou “punitiva” ou como conselho ou preocupação;
      – Do pensamento sobre as drogas, de maneira geral.

      Eu realmente não acho que um indivíduo experimenta drogas por influência. Experimenta quando se tem vontade, da mesma forma que um indivíduo não experimenta uma relação homossexual por influência, mas quando se deseja. Assim como também não acho que os “jogos violentos de videogame” influenciam as pessoas a serem violentas. A intenção da violência ou não violência está reservada na psique de cada um. A influência (externo) tem um papel até uma parte e não define se a pessoa será influenciada ou não. O indivíduo só se influencia quando, no fundo, existe o desejo sobre aquilo que é influenciado. Esse é um ponto.

      O segundo ponto é sobre a preocupação de vocês três quanto a pessoa (não o MVG). Cada um, a sua maneira, está manifestando sobre o ponto de vista: “puxa, o MVG sempre foi tão lúcido e inteligente. Porque está entrando nessa agora?”. Agradeço bastante esse encejo, meio até paternal ou maternal ou fraternal. Mas, como eu diria ao meu pai se fosse o caso: “O fato de viver uma pontualidade, que foge do que a sociedade espera de um indivíduo íntegro, não subtrai os quase 4 anos de postagens esclarecidas. Eu sou um pouco de tudo que escrevi e sou também um pouco desse post em questão”. Sei que a aceitação de viver até mesmo uma pontualidade é difícil. A antagonia incomoda! Assim, peço apenas que vocês se conformem. Logo menos outros temas e outras histórias virão e estarão abertos para quem quiser se referenciar (como sempre). Estou bem longe de sair do eixo como em 2009/2010. Não estou vivendo meus “infernos”, enfiando os dois pés na jaca como a maioria do senso moral diria. Tenho um autocontrole do que sou e sei bem, bem mesmo, onde estou pisando. São cenários e situações já vividos, portanto, revisitados. A subversão que se manifesta, vez ou outra, faz parte da minha personalidade e sei que a grande maioria não se sente confortável com isso. Eu preciso sair da minha “caixinha”, visitar outras “caixinhas” rompendo com meu próprio moralismo, olhar “de fora” a minha realidade, para enxergá-la novamente. Esse processo pode ser particular, mas é verídico. É a maneira que eu funciono e sei, sei bem como é difícil para as pessoas entenderem.

      Gente, estou longe de pirar. Estou longe de me descaracterizar. Todos nós passamos por esses processos. A diferença é que aqui existe uma exposição. Agradeçam a exposição inclusive dessas referências pois a maioria maciça deixa seu “lado B” escondido porque a sociedade pune, é imoral, é feio, descontrói uma imagem. Mas existe, está lá fora. Descosntruir significa a possibilidade de reconstrução, e as vezes, de uma maneira muito mais sóbria e lúcida.

      De alguma maneira, sem querer me gabar, sinto vocês enamorados por uma imagem do MVG. Que bom, é sinal que as palavras aqui fazem mais sentido, mexem com realidades individuais, provocam, traduzem um pouco do que cada um sente mas não se sabia até então entender. No momento, abro mão um pouquinho desse MVG “ideal” para mostrar que também tenho meus “monstros”. Sou falível, gente, “falho” até com meus leitores. E que bom que seja assim. Que bom que isso aqui não é um negócio que deve seguir uma linha de conduta sempre retilínea, metas profissionais e resultados financeiros para encher meu bolso e para atender as demandas de “consumidores”.

      Esse é o espaço que (também) me humanizo. Impossível mudar essa condição.

      Um abraço Wellington!

  5. Wellington disse:

    Como eu disse no relato anterior e reitero aqui, você possui uma coerência impar, e até quando está errado(desculpa tomei a liberdade de julgar, apesar de não ter qualquer direito sobre isso), você consegue expor o fato, demonstrando que isso tem sim seus prós.
    Acho importante despertar a importância que o blog tem para muitas pessoas, e é claro que é uma referência para muitos, incluindo aqui o cara que esta escrevendo este comentário.
    Concordo com você que ninguém é influenciado a usar drogas apenas porque alguém estimulou, há sempre um pré interesse, é exatamente ai que entra meu ponto, esse pré interesse deve ser desestimulado de todos os lados, sejam amigos, internet e etc. Afinal o efeito da droga deve ser algo fantástico, te faz ter sensações que você jamais teve, mas as consequências são muito severas para aqueles que não conseguem manter controle, e convenhamos que são poucos os que mantém esse controle. e espero de coração que você seja essa exceção e que sua reconstrução, como você disse, venha logo.
    Agora vou utilizar meu lado fraternal, e dizer que acharia injusto não expor a preocupação com você afinal, você me ajudou tanto, e quero poder retribuir isso, portanto se tiver qualquer necessidade fique a vontade para mandar o email.
    Por fim, claro que você erra e isso possui um caráter de humanização também importante para dar veracidade a tudo que aconteceu aqui. Mostrando que você não é aquele personagem fictício, em que o bom moço é tão bom que até irrita(acho que tenho um lado meio sombrio, sempre gostei mais dos vilões, kkkkkkk), mas mostra que erros e desvios fazem parte da vida. Quero apenas que você saiba que estou na torcida para que o desvio seja pequeno e a reconstrução seja imensa.
    Pois a ideia do comentário não é de crítica, mas sim de apoio.
    Por fim, uma grande abraço e espero que ainda nos encontremos por ai. Afinal continuo sendo um grande fã (ops acho que não perdi completamente a paixaozinha platônica. kkkkk)

    Beijos

    Wellington

    1. Wicked disse:

      A opção de ser esse inteiro sempre esteve a disposição para todos nós. Nosso medo de mostrar nossos outros lados, “the dark side of the moon” (na visão das pessoas sobre nós), por medo de perder ou do julgamento dessas pessoas muitas vezes nos levam a escolher contra a gente. A opção, como eu disse, continua ali. Cabe a coragem de suportar as consequências dessa escolha e a humildade de aceitar que somos humanos (yin-yang).

  6. Ali disse:

    Post Polêmico!! kkkkkk

    Sinceramente,me espantei ao saber que VOCÊ consumiu cocaína.Não é pelo fato do consumo da droga “per si”,mas unicamente pelo fato de VOCÊ relatar ter feito. Isso prova que existe sim uma relação mutualística de admiração pela sua figura de “MVG Yin” aqui no blog,que quando você relata situações como essa e a da sauna,parece que se forma esse consenso coletivo simultâneo entre os leitores,de uma certa “decepção” com a tua pessoa MVG.

    Poxa,já está mais do que na hora de nós aprendermos a lidar e encarar o “MVG Yang”,não é?!

    Todos nós deveríamos ter um pouco de discernimento com relação tanto ao Yin quanto ao Yang de qualquer pessoa!!

    Mas vejamos MVG,quero fazer um paralelo entre o seu relato e o exemplo que vou citar:
    Voltando ao caso dos “machos”,HSH ou qualquer outra nova nomenclatura politicamente correta que possa ser criada.
    No caso do “machos”,penso que no momento em que eles se derem conta de que PODEM sim se envolver afetivamente com outro homem,podem sim se apaixonar e até namorar outro cara,sem precisar abrir mão de seus desejos pelo sexo oposto,nem precisar deixar tudo apenas na superficialidade do sexo com homens… Ele irá finalmente perceber que as barreiras que ele próprio criou,de que sexo é apenas com fulano e namoro é apenas com sicrana,na verdade NÃO EXISTEM.
    Ele pode perfeitamente se envolver sexual e afetivamente com ambos os pares,com apenas um deles ou talvez com nenhum deles.Tudo vai partir unicamente da EXPERIÊNCIA adquirida como você falou Mvg,da ultrapassagem da EXPECTATIVA através da própria vivência e experiência adquirida.
    Nesse ponto acho que convergimos!
    O “macho HSH” PODE através da experiência,se tornar um bem resolvido bissexual,um homossexual ou heterossexual.Ele apenas não pode simplesmente ficar preso nessas barrerias “intransponíveis” no qual ele mesmo se coloca.
    No momento que ele perceber que PODE se apaixonar,casar e ter uma família tanto com um homem quanto com uma mulher,e perceber que uma “caixinha” NÃO EXCLUI a outra “caixinha”,será um momento de grande esclarecimento para esse assunto e o “macho” vai ver que tudo se encaixa perfeitamente.

    Bom,dado o exemplo acima citado,agora gostaria de te fazer umas perguntas MVG!

    Por quê você ainda insiste em criar essas barreiras invisíveis pra tua própria vida??
    Por quê você ainda não percebe que uma caixinha não exclui a outra?

    Ou se esse for o caso

    Por quê você ainda não percebeu,ou não quer admitir,que o estilo de vida do “MVG Yang” não é compatível com o estilo de vida do “MVG Yin”?

    Pode até ser que você consiga conciliar o fato de gostar de dar uns “tiros” de vez em quando,gostar de ir em saunas etc… Com um relacionamento estável bem coxinha.

    Tenha muito cuidado MVG para não criar muros com seus próprios tijolos,que sejam tão altos e intransponíveis,que você não consiga ver nada além deles!!

    Com base naquilo tudo que você já experimentou e vivenciou nos seus relacionamentos e na solteirice até agora,já não está na hora de você reconhecer que ambas “caixinhas” não são compatíveis em um mesmo mundo?!
    Veja bem,você já teve a EXPERIÊNCIA e a vivência dessas situações antagônicas,já percebeu que precisa viver uma ou a outra “caixinha”.
    Basta agora você perceber que consegue vivenciar as duas ou admitir que não consegue conciliar nenhum delas e vai ter que optar por uma ou outra.

    Nesse caso,eu concordo com aquele velho ditado que diz:
    “Errar é humano,mas insistir no erro já é burrice”!!

    Se você vai desconstruir esse muros imaginários construídos com suas próprias neuras e tocar o barco pra frente?!… Isso já é uma questão estritamente SUA!
    Até mais!!

    Ps:
    Não me santifico e nem procuro me santificar,já consumi cocaína e maconha algumas vezes em um passado bem remoto.Já tentei conciliar essas experiências “transgressoras” junto do meu relacionamento com o maridão,mas no fim percebi que esses dois mundos não conseguiriam viver em sincronia um com o outro,então ambos,eu e ele,decidimos descartar um desses mundos para o bem do nosso relacionamento.
    Hoje fazemos um casal de estilo mais “formal”,nos sentimos bem e felizes assim.
    Acho que certas coisas são muito mais divertidas e proveitosas de fazer quando se está solteiro, e outras coisas são mais divertidas quando se está em um relacionamento.
    Ambas as circunstâncias não se excluem,mas fazem parte de um passado que faz bem em apenas ser LEMBRADO.

    1. minhavidagay disse:

      Legal Ali,
      você tocou no ponto que gostaria de trazer à discussão.

      Está bem claro por aí, nos conteúdos do MVG que particularmente sempre fui partidário à monomagia, a relacionamentos homoafetivos que tangem a heteronormatividade mais careta / coxinha a qual você sempre reforça que está inserid@.

      Pois bem: durante 11 anos vivi relacionamentos assim. Foram super válidos e consistentes pelo tempo e pelas trocas. Me fizeram crescer como indivíduo, descobri formas diferentes de amar pessoas diferentes, conheci o sentido do companheirismo, fui incluso felizmente em muitas famílias (em níveis parentescos, fraternos e afetuosos) e vice-versa, dividi o mesmo teto e – até onde sei – consegui manter a fidelidade (tão desejada) perante todos meus ex-companheiros. Pincelei apenas algumas das características do modelo que você está tão habituad@ há 10 anos.

      Agora levanto o seguinte: eu sou gay e por anos sei que vivi esses padrões “Lado A” por forte influência da necessidade de me autoafirmar perante a sociedade. Inconscientemente havia um desejo de provar que eu poderia ser incluso, aceito, tolerado como gay numa sociedade heterossexual. Essa vontade foi um dos pilares que me impulsionou para tal modelo, super com “cara de hétero”, “coxinha”, careta. Mas esse processo autoafirmativo passou pois já estabeleci as conexões necessárias sob diversos âmbitos da vida.

      Mas como bem sabemos, quando espiamos para fora dessa caixinha, sem muito esforço, a gente vê outros gays vivendo diversos outros modelos, pelo simples fato de não haver a imposição de se viver a heteronormatividade. Conheço casais casados há mais de 10 anos que vão a sauna de vez em quando. Outros, contratam michês ou abrem o relacionamento para um terceiro elemento. Outros, formalizam a relação aberta e preferem cada um “catar” alguém separadamente. Já vi também, embora mais raro, três gays vivendo um relacionamento afetivo.

      O que acontece – e contra fatos não existem muitos argumentos – é que todos esses modelos são reais, estão aí, quando a gente resolve espiar para fora de nossa “caixinha confortável e segura”. Não estou julgando o quanto dura e, sabe-se lá se estamos falando de distúrbios psicológicos (prato cheio para você).

      Estou falando de fatos. De pessoas que se encontram e se realizam assim e – possivelmente – não querem mexer nisso pois esses modelos os sustentam.

      Está longe de ser burrice, Ali, ahahahah.

      Então, como havia dito, as drogas são só bode expiatório para o tema desse tão polêmico post. O que me refiro, e que você conseguiu chegar é essa questão de quanto é possível sair do modelo coxinha/careta e ser feliz. Sabe que tenho os dois pés fincados nesse modelo mais tradicional. O Blog está aí para não me fazer mentir. Foi mais de uma década seguindo a “caretice”. E sei que ela funciona, como sei. Mas será que me sustenta hoje? Talvez esteja querendo colocar a prova.

      Assim, solteiro, estou me dando um belo direito de rever essas questões. Para mim está nítido que você defende a “coxinhice” desde sempre – rs (e não tem como ficar brigando). Mas eu, particularmente, estou totalmente disposto a entender melhor qual é de todas essas variações possíveis e factuais de relacionamentos homoafetivos.

      O óbvio (e até limitado) é resumir todas essas variações na tal safadeza do homem, no apego ao sexo. Mas ao mesmo tempo, sabemos muito bem que a monogamia e todas as normas do modelo padrão são convenções sociais (Laerte Coutinho, sua “amig@”, é uma das melhores interlocutoras sobre esse assunto). Existe uma boa lacuna entre um argumento e o outro, não acha?

      Por fim, querido Ali, não acho que o assunto tange o erro e o acerto. Estamos falando de variações, possibilidades. Estamos falando de realidades. Eu, agora, como um ser solteiro posso sim (e devo) me desapegar. Estou dando espaço para essa diversidade, que está na ruas e colocando meu senso moral “coxinha” um pouco de lado. Nada depressivo, sem crises existenciais extremas, sem grandes loucuras, vícios ou paranoias.

      Sobre a questão do HSH/Macho que é um tema que você gosta de abordar, eu também te dou uma dica: no exercício de abstração que você fez eu complementaria com o seguinte: no momento que a bissexualidade seja uma condição mais normativa, essa “concessão” está aberta para mulheres. Já pensou na possibilidade de um casal homem VS. mulher bi abrirem concessões mutuamente? Para tal HSH/Macho seria bastante interessante se envolver com tal mulher, o que resolveria (muito) seu caso e tornaria normativo o exato modelo que está sob crítica.

      Um beijo e bom domingo,
      MVG

      1. Ali disse:

        Oi MVG,não te respondi isso antes porque andei bastante ocupado ultimamente.
        Prosseguindo:
        “Sobre a questão do HSH/Macho que é um tema que você gosta de abordar, eu também te dou uma dica: no exercício de abstração que você fez eu complementaria com o seguinte: no momento que a bissexualidade seja uma condição mais normativa, essa “concessão” está aberta para mulheres. Já pensou na possibilidade de um casal homem VS. mulher bi abrirem concessões mutuamente? Para tal HSH/Macho seria bastante interessante se envolver com tal mulher, o que resolveria (muito) seu caso e tornaria normativo o exato modelo que está sob crítica.”

        Concordo que se a bissexualidade fosse mais bem aceita e vivida mais abertamente pelos indivíduos,não aconteceriam com tanta frequência essas vidas duplas que muitos homens e mulheres impõem-se.

        Discordo de você quando diz que o “HSH/Macho” é uma identidade sexual.Até certo ponto pode ser,mas não uma identidade FIXA,entende?!
        Penso que esses caras estão em uma “Fase de Transição”,onde eles estão experimentando os mais diversos prazeres proporcionados pelo sexo e as delícias e o conforto gerado pelos relacionamentos afetivos.

        Quando a bissexualidade se tornar mais bem aceita e encarada de maneira quase espontânea,assim como as orientações sexuais divergentes da heterossexualidade,penso que esses caras vão perceber que esse comportamento deles não vai fazer mais nenhum sentido!!

        Por exemplo:

        “Por quê ele vai continuar a viver desse jeito se ele pode muito bem se relacionar com quem quiser,sem precisar se esconder de ninguém?
        Ele pode namorar e transar tanto com homens quanto com mulheres sem precisar pôr em conflito as caixinhas que ele quiser entrar.”

        Mas para isso ele tem que estar disposto a viver esse dois lados.Se continuar insistindo em ter que optar por uma caixinha ou outra,tendo que NECESSARIAMENTE excluir uma delas;Sinto muito,mas ele mesmo se impõem esse dura realidade e eu sinceramente não estou disposto a tirá-lo de uma enrascada na qual ele mesmo quis entrar.
        O preconceituoso e moralista nesse caso é ELE e não eu!!

        Quando eles perceberem que podem viver suas sexualidades mais livremente,sem grandes neuras,perceberão que não há necessidade de continuarem vivendo desse jeito e nem submetendo seus possíveis parceiros(as) a esse tipo de situação.

        Acredito que com isso eles podem se tornar bissexuais bem resolvidos,se tornarem hétero ou homossexuais da maneira deles e respeitando o tempo que isso leva.
        Mas continuo a acreditar que ser um “HSH” seja apenas uma fase,uma fase de intensas experimentações que já tem os dias contados para acabar e se reduzir drasticamente no momento em que eles perceberem que uma caixinha não exclui a outra,que podem ter mais liberdade para se relacionarem com homens e mulheres,corroborando para serem pessoas mais bem resolvidas com suas sexualidades,seja ela qual for.
        Mas continuar nessa rotina de “andar de mãos dadas no shopping somente com mulheres,mas na sauna e na pegação podem vir até 100 homens” já está fadado ao fracasso no momento que essa nova realidade se fizer presente,algo já bastante visível no nosso Brasil atualmente.

        Discordo da questão dos HSH/Macho se envolverem com mulheres que aceitem que o marido tenha amantes,porque veja bem:

        Parte-se do princípio de que o casal,tanto ele quanto ela,saibam perfeitamente diferenciar o AMOR do SEXO, a AFETIVIDADE da SEXUALIDADE. Baseando-me na realidade que observo e nos relatos de vários pacientes que constantemente me pedem ajuda nessa questão e lotam as sessões de terapia para casais,digo que os casais NÃO SABEM fazer essa diferenciação,não sabem separar as coisas e dizer onde termina um e começa o outro.

        A mulher fica com o coração e os sentimentos somente a ela pertencem,o amante pode desfrutar de todo o “resto”.

        Aham senta lá Cláudia! Isso é muito bonitinho na teoria,mas na prática é exatamente o contrário.
        Como você pode querer controlar os SENTIMENTOS do outro?
        Como você pode impedir o parceiro(a) de se apaixonar por outra pessoa com quem ele(a) já teve um contato mais íntimo??

        Não estou falando de “fazer amor” ou transar com amor” não!! kkkkkkk
        Quem quiser acreditar nisso que acredite então.

        Muitos dos meus colegas de profissão dizem que isso é perfeitamente possível,mas não passa de balela MVG,já que a maioria só fala isso para serem “moderninhos” e falam tudo isso estando dentro de seus relacionamentos monogâmicos,coxinhas,possessivos,não admitem traições etc…
        Estão confortáveis dentro de seus relacionamentos tradicionais,quando chegam em casa depois do trabalho lá está a esposa ou marido esperando em casa com os pimpolhos.
        Sexo fora do casamento? Nem pensar!

        Que maravilha,não é?! kkkkk

        Uma análise direta pra compreender melhor isso:
        Amor e sexo ou afetividade e sexualidade,não são como água e óleo que não se misturam,ambos são como água e sal ou água e açúcar,que se misturam e se solvem juntos. O limite que separa o amor do sexo tem a mesma consistência de um FIO DE CABELO,que quando menos se espera se ROMPE,na menor das atribulações que uma pessoa solteira ou um casal possam sofrer.

        Se o homem também tem o direito e a liberdade para ter seus casinhos com amantes,a mulher também pode ter essa mesma liberdade,já que foi de comum acordo.
        Aí é que a “cag@#$” está feita!! rsrs
        Vai tudo bem,as mil maravilhas,ATÉ QUE…

        1-O marido se APAIXONA pela outra pessoa,e é o fim do mundo quando ela descobre que essa “outra pessoa” é uma MULHER!!

        2- Homens jovens sofrem mais com o fim de um relacionamento,acredita?!
        Sentem mais as consequências dos problemas do casal durante um relacionamento também!

        http://virgula.uol.com.br/legado/segundo-pesquisa-homens-sofrem-mais-com-o-fim-do-namoro-e-altos-e-baixos-de-uma-relacao

        Então quando o homem desconfia ou descobre que a mulher anda distante,fria e os sentimentos “fortes” que alimentavam a relação agora estão focados em uma outra pessoa e não mais nele,pode ter certeza que o “cabra” vai murchar aos poucos.

        3-Saber diferenciar CIÚMES de POSSESSÃO é muito importante também.Algo que tanto eu como você sabemos,não é preciso ser um especialista na alma humana pra saber que esse limite é quase desconhecido pelos casais.

        4-Nunca esquecendo também de alertar ao “HSH/Macho”,que ele não deixe que a cabeça de baixo pense mais que a de cima.É lamentável quando a relação vira refém do sexo e a única coisa que importa para UM dos cônjuges é satisfazer a sua libido não importa o que tenha de fazer.
        Tem ainda essa probabilidade de que o “macho” fique sempre nessa sanha de não saber controlar os seus desejos sexuais e tenha que SEMPRE dar uma “pulada de cerca”.

        Isso corrobora para aquele velho preconceito de que os bissexuais tanto homens quanto as mulheres,não conseguem se manter em relacionamentos monogâmicos e nem saibam se manter fiéis ao parceiro(a),precisando SEMPRE buscar satisfazer aquilo que lhes “falta” na cama.Triste!

        Por essas e outras que eu não acredito que os “HSH” sejam uma identidade sexual fixa,justamente porque eu acredito que seja algo temporário e momentâneo.

        Não acredito que um relacionamento aberto entre um “HSH” e uma mulher possa dar certo,pelos motivos que eu já citei acima.

        Acredito que eles possam se tornar bissexuais ou whatever bem resolvidos,se PERMITIREM-SE vivenciar isso.

        Acredito que sendo eles pessoas bem resolvidas,eles podem muito bem se relacionar com quem quiserem,sem precisar excluir caixinhas por motivos de auto-preconceito e neuras típicas de pessoas em conflito consigo mesmas.

        Por enquanto é isso,até mais!!

  7. Bruno disse:

    Ética nada mais é do que valores morais aceitos por uma maioria. Já foi ético escravizarem escravos. Queimarem mulheres. Etc.

    Muito me espanta quando homossexuais, (que não são aceitos pela maioria), se incomodam com outros valores considerados “errados” por uma sociedade que subjuga os próprios homos.

    Não quero dizer que por isso, gays tem que ser contra valores éticos, mas eu acho burrice se incomodar com algo que não vai afetar em nada o próprio espaço. Um absurdo. É praticar o mesmo preconceito que sofre, um reflexo que resulta numa inversão de valores em outros assuntos.

    Nunca usei drogas, não tive a curiosidade pra tal. Detesto sabor de álcool e baladas. Namorei um rapaz que gostava de tudo isso, sem problema algum. Ele tinha o espaço dele e jamais me ofereceu alguma coisa. Por quê isso? Respeito. De verdade. Ninguém enfiava a mão na cara do outro falando o que é certo e o que é errado porque eu detesto julgar, justamente por ser muito julgado por essa sociedade hipócrita que gosta de falar, mas no fundo tem esse lado B, bem escondido dos olhos alheios, porém acredite, ativos como qualquer um.

    Ninguém é influenciável porcaria nenhuma. Se fez, foi porque SURGIU A OPORTUNIDADE e aproveitou. Culpa os outros pra tirar o cu da reta. E se incomoda com outros que fazem, porque em alguma parte do inconsciente (pois é, não deve nem saber) queria estar fazendo alguma coisa do tipo.

    Pense um pouquinho em pessoas que LUTAM contra o homossexualismo. É muito importante pra essas pessoas que não haja fornicações entre homos por aí. Soa ridículo né? Que se foda o que realmente lhe diz respeito. Reclama da política abusiva que o país tem, mas vão fazer passeata contra gays. Olha meu caro, você não difere em nada dessas pessoas por ser contra coisas “lado b”.

    Enfim… Não te invade o espaço? Não atrapalha ninguém? Ta reclamando por falta de louça pra lavar. Falta raciocínio lógico

    Mensagem não foi direta à ninguém. Vista a carapuça a quem servir.

  8. lebeadle disse:

    Ei gatão quem disse que vc está só? Tamo junto. E a resposta pra todas as suas questões é encontrar alguém com os mesmos propósitos que os seus disposto a arriscar e ver se rola esse contrato.

    Abraços e beijos pra afastar a solidão

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