E por falar na “maldita”…

Prometo fazer desse post o último, nos próximos tempos, a falar sobre a maconha.

Rolou muita polêmica sobre assuntos de “aditivos” nos últimos textos e quero deixar expresso aqui minha opinião exclusiva sobre a cannabis sativa.

Não sou e nem quero ser mais um consumidor semanal da marijuana, mas sou mais um a me colocar a favor de sua descriminalização. Assim como cigarros e o álcool, a mim, a maconha é uma droga irreversível no sentido de que ela já está inserida no contexto social de muitas pessoas. Sabendo que tal droga está lá, evidente em todos os cantos e nas mais diversas situações sociais, manter a marijuana na categoria de crime só alimenta o esquema do tráfico. Meu raciocínio é esse por mais que existam outras conjecturas.

Não sou consumidor ativo há mais de anos, o que não me impede de usar quando se tem, na casa de um amigo ou na confraternização de outro grupo. Mas lembro bem dos anos de minha faculdade de comunicação social, quando a “marofa” era visão diária. Naquela época – e me refiro há mais de 10 anos – pelo menos 1/3 da sala usava em alguma situação. O que se dirá hoje em dia. A mim, a absorção da maconha nos pulmões da sociedade atual é algo irreversível. Não faz sentido relutar contra a descriminalização, a não ser que venha do tal discurso moralista, da “ponte” para outras drogas e assim por diante. Daquele 1/3 de fumantes ou ex-fumantes, somente da minha sala (fora das demais de toda faculdade) não houve notícia até hoje de alguém que tenha entrado no vício de outras drogas ou em processos de desintoxicação.

A exceção do moralismo, a lógica fundamentada na batalha contra o tráfico. Se faz bem ou mal, pergunte para o cigarro ou para a cervejinha dos finais de semana.

Um lado opinativo que vale lembrar, no caso dos gays, é que para alguns possa existir a associação do “ser gay” com “ser drogado”, pensamento confuso que promove o estereótipo. Diante disso, muito bem, meu ponto de vista é o seguinte: pessoas fumam ou não maconha. Pessoas. No meu imaginário, “ser gay” e “fumar maconha” nunca teve correlação direta. Pelo contrário (1): a grande maioria de meus amigos e conhecidos gays não usam da erva porque maconha deixa “mole” e eles querem estar “alegres”. Assim, bebem como putas.

Se as pessoas misturam “ser gay” com “ser drogado” é dever nosso esclarecer essas mentes mal utilizadas!

Pelo contrário (2): dezenas de países de primeiro mundo afrouxaram o nó contra essa tal droga em questão há alguns anos, o que – mais uma vez – me parece colocar o Brasil no balde dos países atrasados ou de valores retrógrados, ou “coxinha” ou whatever – qualquer adjetivo que seja usado para uma sociedade cuja mentalidade seja antiquada para as realidades atuais.

Juro por Deus que gostaria que as pessoas revissem um jeito de pensar: “as pessoas são influenciadas pelos outros”. Eu acho essa ideia deveras terceiro mundista, subdesenvolvida. O problema que muito se revela em nosso país não é do “espertinho” que tenta influenciar. Mas do “tolo” que – sem resguardo nenhum ou senso crítico – se deixa influenciar. Daquele que não batalha para superar as barreiras da baixo autoestima, do eterno espírito vitimista, da espera do grande Deus ou desses líderes que influenciam. O problema é da carência num contexto sócio-classista que se privilegia poucos, no âmbito social, político e religioso (dentro das famílias, no planalto e na igreja) e, esses poucos, tornam muitos a sua grande boiada.

Notem que as mesmas drogas, em países desenvolvidos, ressoam de maneira totalmente diferentes. Por que as tais “pesadas” daqui – na Holanda – tem um jeito diferente de se levar em relação ao Brasil? Seria a “culpa” da droga ou das cabeças que pensam (ou não) no contexto de determinado país?

Que tal a gente pensar diferente? Think different, como diria Steve Jobs.

Por isso reforço: o jovem menino não “vira” gay por influência do beijo na tevê. O jovem serial killer não atira no cinema por influência dos jogos agressivos de videogame. Eu que fumo cigarro (ou maconha) não influencio ninguém a fazer o mesmo. Vamos tomar consciência de nossas predisposições individuais ao invés de ancorar nossos valores no externo, na tal moralidade máxima social que – ao se tornar máxima – fica tão, tão míope. Fica discriminatória porque se faz de absoluta e não há verdade absoluta. Vamos olhar mais para dentro, mesmo que doa um pouco, para nos conhecer e reconhecer, para saber o que sou “eu” e o que é “meu pai” e o que é “minha mãe” e o que é “sociedade”. Aprender a dividir as coisas. Saber de nossos limites sem ter que entrar em regras sociais intransponíveis pelo simples fato de nos sentir acolhidos numa cama (tão apertada).

E por falar na “maldita”, finalizo esse post com uma entrevista de Jean Wyllys que pipocou na minha timeline hoje e me inspirou para esse texto:

Sem mais sobre drogas por um tempo, vou pra Holanda no segundo semestre! rs

PS: Amy Winehouse, expoente extremo do uso compulsivo de drogas (pesadas, misturadas com cachaça, loucura total,  u-hu!) teve e tem diversos fãs devotos. Todos se tornaram drogados? Claro que não, cambada! A influência se faz apenas, e somente apenas, quando se deixam influenciar. Wake up, Wendy!

9 comentários Adicione o seu

  1. Caio disse:

    Eu também sou a favor da descriminalização da maconha (claro, com todas as restrições pertinentes). Afinal, como você bem descreveu motivos é que não falta. Já é uma droga super inserida na sociedade e está no mesmo patamar (não de letalidade, mas de consumo) de outras duas liberadas (cigarros comuns e álcool), então por que deixá-la na marginalidade?

    Ao mesmo passo quero colocar, como já bem disse anteriormente, que não faço uso de nenhuma delas (só de álcool, socialmente e na quantidade de dias por ano equivalente aos dedos de uma mão ceifada rs). Não preciso delas para nada, não me interessam e não me atraem. Desejo, mas não imponho, que os demais não usem, principalmente se forem próximos a mim. E não me envolveria (afetivamente) com alguém que usa e principalmente abusa delas.

    Outro ponto que quero enfatizar é o “ataque” de ambos os lados. Usuários de drogas mesmo que não tão pesadas, inclua aqui a maconha, muitas vezes reclamam que são discriminados pelos que não usam, mas ao mesmo tempo taxam quem não é como eles de careta, alienado, preso e submisso do sistema e outros blá blá blás. Oras, agora tenho que seguir a cartilha dos que compactuam com esse modelo de vida para não ser taxado disso ou daquilo? Se eles reclamam tanto da imposição de padrões, por que então querem impor o deles? A questão é, não é possível viver sem padrões, se um sai o outro entra, o que nós precisamos é saber lidar com cada um deles e conviver em sociedade de maneira amigável.

    Com relação as companhias, aprendemos com o tempo a ter discernimento e a saber escolher aqueles com quem queremos nos relacionar, por isso, concordo com você MVG com relação a influência do blog, o qual não deveria ser usado como manual de vida puro e simplesmente, mas sim como uma referência.

    Finalizo dizendo que poderemos sim ser amigos caso venhamos a ter um contato mais próximo (pessoal) em nossas vidas no futuro, desde que você não fume perto de mim XD. Afinal, você é mais do que um fumante ou usuário esporádico de baseados e carreirinhas rs.

    ps: espero que nos seus desabafos dos últimos posts eu não tenha sido um dos alvos, pois o que eu disse em relação ao tema não foi para dar uma de moralista em cima de você, foi apenas uma visão minha em relação ao contexto, seja qual fosse a pessoa em questão e ainda um posicionamento voltado para a minha vida, pois não quis interferir na vida de ninguém.

    1. minhavidagay disse:

      COXINHA! :P

      Vou te dizer uma coisa: namorei com um punhado de rapazes como você bem sabe. O que era maconheiro de carteirinha vinha com esse discurso de que não se envolveria com alguém que não curtisse. Chato, quadrado. O outro maconheiro de carteirinha (meu ex-marido), não me reprimia caso eu fumasse menos, mas eu acabava o reprimindo porque ele usava demais, a ponto de ficar surtado. Dos não-maconheiros (3) foi assim:

      1 – O primeiro namorado: tinha chiliques e fazia bico por usar maconha. Era um saco gigante não ter a liberdade para dar minhas pitadinhas;
      2 – O segundo namorado: era até ok, não experimentava mas sempre que eu fumava tinha que demandar uma atenção ímpar que me tirava da batida (Freud explica);
      3 – Meu ex brigou comigo no começo, usava a maconha para bode expiatório de vivências ou inseguranças pessoais. Conversamos bastante sobre o assunto e conseguia ter o prazer com a erva esporadicamente. Foi o que deu mais certo.

      Resumo da ópera e um conselho: essa ideia de não se envolver com alguém que não fume não é legal. É algo impositivo e reduz possibilidades. A gente precisa dar liberdade para as pessoas, desde que elas conheçam seus limites sem invadir a paz alheia.

      Desejo que você se apaixone por um fumante, maconheiro de plantão e que beba socialmente até cair. Vai te dar trabalho, mas vai te fazer amadurecer! rs rs rs mandinga feita! ;)

      Ah, e se a gente se encontrar pessoalmente vai tomar uma baforada na cara de cigarro, alho e cachaça! Ahahahaha

  2. Wellington disse:

    Olá MVG,
    Td bem?
    Concordo plenamente com você sobre a legalização da maconha. A criminalização não tem mais sentido de existir, e continuar com essa política só fortalece o tráfico, e coloca o Brasil como uma país atraso em mais uma questão.
    Todavia, diferente de você acho que as pessoas são sim influenciáveis, e aqui entra o ditado: ” diga com quem tu andas e direi quem tu és”. Isso não quer dizer que a pessoa não tem responsabilidade por seus atos, ela fez aquilo por que quis, e deve assumir toda a culpa por eventual problema, mas acho que mídia, amigos tem o poder de influenciar as pessoas.
    Por conta disso meu comentário anterior.
    Evidentemente me encaixo no perfil coxinha, que sequer bebe(ta que neste caso é mais por uma questão de paladar, do que por questões morais ou filosóficas),
    Meu contato mais próximo com a maconha foi recente em um fds fomos eu e meus amigos pra praia(onze ao todo). Três deles já utilizavam a maconha, e eles nunca haviam utilizado perto de mim, sabia que eles utilizavam mas isso não me afetava em nd. Todavia neste fatídico fds, não só eles decidiram utilizar na minha frente como os demais também utilizarem, restando de um grupo eminentemente coxinha apenas dois soldados não iniciados na maconha.
    Assumo que a situação me deixou um pouco deslocado e me senti meio constrangido por estar diante daquilo. Mas superei, afinal são meus amigos e eu continuo amando-os.
    E por fim, concordo de novo com você(foi dois a um), que ser gay não está relacionado com ser drogado, tanto que neste grupo de amigos todos são héteros, e único gay do ambiente(eu) não utilizou a droga, portanto é realmente absurda essa associação.
    Agora aproveitando o o comentário do Caio:
    Eu como o Caio, pretendo encontrar alguém que não use nenhum tipo de droga, acho que ficaria mais confortável nesta situação. Mas não sei se excluiria plenamente a possibilidade de me relacionar com alguém, por isso(mas assumo que ganharia uma conotação bem negativa).
    Concluo dizendo que adorei a sua resposta, extremamente engraçada e com alto grau de intimidade, uma resposta não de um blogueiro, mas de um amigo
    Ps.: de certa forma me sinto aliviado de saber que será o ultimo post sobre o tema, pois não vejo a hora de falarmos novamente de relacionamento (acho que é sobre isso que estou precisando ouvir, olha a carência, kkkkkkkkk)
    Um Grande Abraço

    Wellington

    1. minhavidagay disse:

      Oi Wellington,
      tudo bem?

      Você não quer sugerir um tema para eu criar um post?

      Bjo,
      MVG

      1. Wong Foo disse:

        Que tal seguir um pouco com heteronormatização dos gays? Estou vendo isso acontecer cada vez mais

      2. minhavidagay disse:

        Boa! Obrigado Wong Foo!

      3. minhavidagay disse:

        Wong Foo,
        o post atual foi dedicado a sua questão.

        Não sei se você referiu exclusivamente a masculinidade VS. feminilidade dos gays. Creio que não. De qualquer forma, no meu ponto de vista sobre o gay ser feminino ou ser masculino é o seguinte: nada mudou. Aparentemente o gay hoje pode estar cada vez mais preocupado com o shape. Essa cultura da estética avançou a partir do final dos anos 80 e já se absorveu socialmente. Mas, os homens afeminados vão continuar existindo, mesmo que musculosos, barbados e com “jeito de homem”.

        Esse é meu ponto de vista. Entrei nas baladas ultimamente – local com grande concentração de gays de gerações cada vez mais novas – e está tudo a mesma coisa. Os caras podem estar, na grande maioria, nos trinques com o corpo. Mas quem afeminado nasce, afeminado será forever. E não vejo mal algum em ser assim.

        Bjo,
        MVG

      4. Wellington disse:

        Oi MVG,
        Td ótimo e com vc?
        Não consigo pensar em nenhum tema em especifico para sugerir, e adorei a sugestão do Wong Foo, e consequentemente seu último post.
        Não fugindo todavia da questão da sugestão, poderia abordar mais a sua vida aos vinte três anos, qdo você acabou de assumir sua homossexualidade e também decidiu abrir a próprio empresa.
        Pois encontro-me neste momento e estou totalmente perdido. Ainda não vivi completamente a experiência da vida gay, não circulei pelas baladas, e locais “típicos”, não contei pra todo mundo que eu considero importante sobre minha orientação, apesar das pessoas mais importantes já saberem(pais, irmã e alguns amigos). Encontro-me naquela situação ainda mais esquisita, em que não só tenho que me podar sobre o que dizer, como também podar algumas pessoas que me cercam e já sabem. Além do que tenho a impressão de que estou vivendo uma adolescência tardia, onde não sei como abordar as pessoas, não sei como um funciona um relacionamento por dentro, e até uma certa inabilidade na arte de flertar, kkkkkk.
        Por fim, ainda me vem uma pressão também interna, por abrir meu próprio negocio, e a consequente instabilidade financeira do negócio próprio em começo de carreira.
        Enfim, acho que um relato do período “saindo do armário” seria interessante..
        Bjs
        Wellington

      5. minhavidagay disse:

        Oi Wellington,
        tudo bem?

        Gostei do tema! Vou preparar algo para o próximo post.

        Beijo,
        MVG

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