Minha Vida Gay – Momento de metamorfose ambulante

Eis que Nelson Rodrigues desce novamente no MVG para sair um pouco das caixinhas. Tudo bem, Nelson Rodrigues é um pouco pesado. Podemos falar então da comédia da vida privada…

Cheguei ontem cedo do Rio e saindo do aeroporto de Congonhas, de súbito, resolvo responder uma mensagem do menino (bissexual) que foi um dos primeiros que conheci na época que experimentava o Grindr (mais intensamente), como relatado no post “Transei um bissexual“. Ele havia deixado uma mensagem no Whatsapp há alguns dias atrás com um endereço que imaginava ser a sua casa.

Trocamos rápidas mensagens e nos pegamos desocupados e dispostos para nos encontrar. Ele sugeriu a ideia de conhecer a 269 (famosa sauna top aqui de São Paulo) e eu me questionei: “por que não?”.

Me enrola um pouco daqui e um pouco dali, acho que num jogo de se sentir seguro em homossexualizar sua tarde e – finalmente – tive a oportunidade de pegá-lo perto da sua casa para seguir caminho.

Furtivamente ele me cumprimenta com um selinho e traz uma mini garrafa de Red Label para relaxar quanto a ideia de ir a 269. Antes, por Whatsapp, lançou dezenas de perguntas sobre o local. A melhor maneira de descrever tal lugar é como uma balada/clube. Espaço de sauna mesmo são apenas dois, um no andar térreo e outro no primeiro andar que pouca gente usa nesse calor atual. Lugar espaçoso, com área de bar, piscina, armários, quartos, cinema e o “escurão”, onde definitivamente rolam as orgias.

Ajudei a desmistificar um pouco o ambiente, que para o imaginário do leigo é normalmente putaria, pintos e bundas em cada metro quadrado. Não é. Mas só indo mesmo para cada um qualificar.

Conversamos bastante no trajeto e notei pela segunda vez que ele me tem como um cara para a cumplicidade da vida. Foram já dezenas de assuntos sobre mãe, irmãos por parte de pai, pai, amigos, ex-namoradas, faculdade, trabalho, projetos pessoais e assim por diante. Uma camaradagem. Entre esses e outros assuntos, mais algumas dúvidas sobre a “temível” sauna 269.

Chegamos, reservei pela primeira vez um quarto single e ele ficou com um armário. O “Vitor” estava com vontade de buscar um terceiro elemento para um menáge. Mas afirmei a ele que das duas vezes que pintou a oportunidade comigo, foram casais que chegaram em mim. Não saberia tomar uma atitude naquele contexto, principalmente o levando pela primeira vez.

Inseguranças aqui e ali, subimos para o segundo andar, ele dispensou o armário pois a ideia era a gente se pegar um pouco antes e fizemos ótimas preliminares. Das bocas que beijei nesse tempo, a dele é top 3 – rs.

Não sei precisar quanto tempo depois demos uma ajeitada nas roupas, nos pertences, vestimos o figurino diminuto de toalha e chinelo e partimos para o movimento.

Para bom humor dessa nova jornada, dois acontecimentos: (1) logo que encostamos num dos cantos, um tipo almofadinha gordinho, de óculos rendondinhos de acrílico e espanhol se aprochegou passando a mão na minha cabeça e na do Vitor e soltou um “trio, trio”. Falei em inglês e rapidamente o Vitor tascou um espanhol em alto e bom som para dispensar o moço.

O Vitor é alto, corpulento, está se esforçando para ficar em forma (emagreceu bastante da última vez que o vi) e tem um rosto bonito (se a minha cunhada ler esse post saberá de quem estou falando) e tem um vozerão de barítono, mais grave que o meu. Pelo menos metade do andar pôde ouvir a dispensa – rs.

Logo disse: “Aí! Começamos bem!” – rs.

(2) Minutos depois do ocorrido, um menino passa pela minha frente dando gargalhadas! E não é que era um dos amigos do MVG que conheci pessoalmente?! Fiquei sem jeito e um pouco preocupado pois ele foi testemunha ocular de minhas desventuras – rs. Uma coisa é o MVG contar histórias (que poderiam até ser de mentira, mas não é, ok?). Outra coisa é um amigo, vindo do Blog, ver a pessoa que sou, in loco, realizando as práticas que aqui são relatadas! Me diverti também na hora, mas depois trocamos um Whatsapp para ver se tudo estava bem – rs.

Apresentei-o para o Vitor e seguimos.

A tentativa de menáge a trois foi frustrada. Vitor gosta de homens mais velhos, mais sarados e com “cara de macho”. MVG gosta de homens um pouco mais novos sem jeito de capitão caverna (fica a descrição extremamente superficial apenas para divertir).

Com as horas contando, barraca armada full time e na pegada de seus 20 e poucos anos acabou aderindo ao “escurinho do cinema”. Não demorou para um capitão caverna, alto, sarado e com alguns pêlos se aproximar de Vitor e eu seguir com minha caminhada solo.

Encontrei dois meninos, um japinha e outro lindinho. O lindinho não tirou os olhos e eu não tirei os olhos. Ficamos e assim contabilizei o “primeiro ponto” (exceto o Vitor) no placar – rs.

Próximo ao final do “expediente”, das seis horas bem aproveitadas pelo Vitor, nos encontramos algumas vezes, fumamos uns cigarros na área aberta e o placar do rapaz contabilizou em três ficadas (exceto o MVG). Logo brinquei: “cacete, o tutor perde de 3 a 1 logo na primeira partida. A idade pesa” – rs.

Entramos no quarto e o bicho me agarra para por fim em toda aquela excitação contida. Ele se entrega na cama e eu brinco mais um pouco:

Eu – “Quantos fizeram oral?”

Ele – “Alguns”

Eu – “Esquece de receber oral”

Eu – “Quantos beijaram sua boca?”

Ele – “Já te falei, caralho! Três!”

Fechamos a noite bem e ele gostou. Saímos rumo a sua casa, acompanhados de suas dezenas de anseios da vida e família. Das loucuras com suas meninas e de uma certa fidelidade comigo dizendo: “depois que a gente ficou e transou aquela vez, não sai com nenhum outro cara”. Posso sugerir que sou um tipo de amigo-confidente ou whatever nome que se possa dar para esse tipo de relação.

A sensação de ter algo de intimidade com um bissexual ou “macho”, que outrora abominava a ideia de alguém se aproximar de sua casa (onde moram também mãe e avó) me aponta para um ensaio de relacionamento aberto. Essa é a única e valiosa experiência que eu me aproprio realmente no momento que – solteiro – tenho revisado todos os anos somados de relacionamentos normativos. Longe de ter desenvolvido um sentimento de paixão pelo rapaz. Mais longe ainda a ideia de conceber algo sério com um menino que vive suas transições, com uma estaca firme no modelo heterossexual de vida mas com pequenos saltos ao que se é homossexual.

O homem, não sei se todos, tem essa capacidade de dividir bem as emoções do prazer físico, a exemplo bem narrado de meu amigo Ding no post “As diferentes maneiras de lidar com a sexualidade“.

Assim, me aproprio também dessa “capacidade” para viver essas experiências. Será que consigo? Será possível? E, acima de tudo, depois que o sexo esfria entre eu e meu futuro e hipotético namorado, será que teremos a capacidade de viver experiências como tive com o amigo Vitor para que a relação se perpetue mesmo depois que cansarmos de nosso sexo? A sentimentalidade mais rasa entre eu e Vitor é a única causa para que situações como essa se tornem realmente possíveis?

De novo, solteiro, não estou parado e estou bem longe de querer me conformar apenas com o modelo standard que vivi por 11 anos somados (e não desqualifico de jeito maneira o gay que quer esse tipo de padrão. Quem sou eu para julgar depois de 4 namoros e um casamento?).

Mas sei que boa parte das normas das relações monogâmicas tem suas influências culturais e sociais.

Daí, repito: como gay, será que só a luz das normas morais-latino-cristãs-ocidentais nos garantem a integridade e honestidade como indivíduos ou como um casal? Não posso ser um cara bom, trabalhador, resolvido e honesto e promover esses tipos de situações numa parceria com um futuro companheiro?

Estão aí as minhas experiências. Pé no chão, respeitando a máxima de que “o que um não quer, dois não fazem”. E continuo em minhas buscas.

3 comentários Adicione o seu

  1. Não olhou se era eu quem estava lá na sauna? Ehueheuehueejeu!!

    Em minha opinião eu apoiaria totalmente uma relação liberal para você MVG. Acredito que de relação monogâmica já manjas demais e conhecer novas coisas é sempre bom.

    Abraços do CR!!

  2. Ali disse:

    Dois adendos:
    1- “O homem, não sei se todos, tem essa capacidade de dividir bem as emoções do prazer físico, a exemplo bem narrado de meu amigo Ding no post “As diferentes maneiras de lidar com a sexualidade“.

    Impressão sua e do Ding, homens são tão inseguros e ciumento/possessivos quanto as mulheres, a única diferença é que ELES sabem mascarar isso muito bem. A suposta capacidade do homem saber fazer essa “diferenciação” só perdura até o momento em que ele percebe que pode fazer as duas coisas ao mesmo e notar que se sente mais SEGURO desse jeito!
    Uma vez um amigo meu que estava fazendo terapia, passando por dificuldades em aceitar o término de um relacionamento, término esse causado pelo excesso de ciúmes dele, jogando conversa fora comigo,até que eu o questionei o motivo de ele ser tão ciumento nos relacionamentos dele,foi aí que ele lançou a seguinte pérola:

    “Por que você acha que as pérolas e os diamantes são muito bem guardados e são tão valiosos?
    Ora,é justamente para que nenhum “zé ruela” se apodere deles e jogue-os aos porcos!”
    kkkkkkkkkkkkkkkkk

    2- “Daí, repito: como gay, será que só a luz das normas morais-latino-cristãs-ocidentais nos garantem a integridade e honestidade como indivíduos ou como um casal? Não posso ser um cara bom, trabalhador, resolvido e honesto e promover esses tipos de situações numa parceria com um futuro companheiro?”

    Claro que PODE,mas não sei se você ou “ele” CONSEGUEM!
    Lembra da relação entre Querer/Poder?!

    Abraços.

  3. Pedro disse:

    Inteligente o artigo, mas não acho que intimidade seja algo difícil de se ter com alguém. Tem gente que é muita aberta, fala de tudo e mais um pouco, principalmente se ela não teve a oportunidade sincera de se abrir (O que me aparenta ser o caso do tal Vitor) E é muito complicado esse lance de relacionamento aberto, porque ciumes vai rolar, sempre rola. Ninguem gosta de ser deixado de lado, mesmo de forma consentida. Falam que o amor tem que ser livre, que amar é desejar felicidade de forma generosa, sem egoismo, sacrifícios e tal. Sinceramente, é bonito, poético. Mas na prática, já dá um puta trabalho ter um relacionamento com alguém de forma satisfatória, pra vim outra pessoa sem responsabilidade nenhuma e indiretamente influenciar na vida emocional de um dos parceiros e assim do casal. Tudo isso com o origem de uma mera sensualidade, um simples desejo. Não vale a pena.

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