O que realmente une as pessoas?


Já parou para pensar porque simpatizamos mais ou menos por determinadas pessoas ou o que faz estabelecermos amizade com fulano e não com cicrano?

Depois que terminei meu relacionamento, algumas medidas e importâncias que eu mesmo deixei de lado, começaram a ter novas proporções. A exemplo disso, tenho me aproximado novamente da música, particularmente do meu piano e da minha voz. Tenho cuidado melhor da minha saúde, algo que estava “bem médio” (ou não me satisfazia o suficiente) enquanto namorava. Tenho ouvido novamente MPB, sonoridade que estava guardada no baú das mais de 7 mil músicas no iTunes. Acumulando poeira.

Ficou evidente que houve doação mútua em meu último namoro. Mas depois de 4 anos chegávamos a um limite na qual a doação foi perdendo espaço para as diferenças culturais. Culturais, no sentido de hábitos e conceitos de como entendíamos a família. Curioso como esse tema, família, foi tão influente em nossas vidas, nesse namoro. E foi bom até notar que os valores que temos sobre família eram bem diferentes. Mas aviso: só na prática para que esse assunto vire questão ou não. Pois, se não virar questão, outras virarão – rs. Porque relacionamento é um exercício – as vezes – heróico! rs.

No final da relação, e antes que se delongasse demais, estávamos nos anulando.

No momento que nos demos a liberdade, e fora algo consensual (embora cada um tenha a sua versão da história), algumas traquinagens voltaram nos primeiros meses da minha nova solteirice. Traquinagens que fez, inclusive, burburinho por aqui, para alimentar uma certa vaidade, a mesma do post anterior – rs.

Depois das traquinagens, vieram viagens. Talvez para sentir uma autonomia de poder estar só sem a necessidade de uma cara metade. Viagens que me levaram do fervo carioca ao espírito contemplativo e silencioso das montanhas e cachoeiras de Minas Gerais. Voltei diferente. Com um sentimento de paz. Com uma sensação revigorante. Tão bom que passarei meu aniversário de novo em Carrancas, agora no final do mês, quase que sozinho, tentando abrir mão das minhas próprias vaidades de novo.

E nessa mistura toda, de Abba a Zappa, que imperou nesses meses, solteiro, tenho me aproximado e ampliado o contato com seis amigos do MVG, três japa gays (ato inédito para mim, que tinha autopreconceito com orientais) e três “gaidas” (ocidentais), como denominaria o “Candy”.

Formamos hoje um grupo das “Divas de Sete”, que abre espaço para oito, nove, dez, (…), na medida do tempo, da ocasião, da intenção e da sintonia. Tempo, ocasião, intenção e sintonia não são propriamente barreiras. Mas é que é simples, gente: MVG é um só e não tem todo tempo do mundo para ampliar a comunidade! rs

Divas de Sete, na ordem de chegada: Sister Paulete e Sammantha, Madre Chicória, Brunildo, Enriketa (este, ainda de apelido final a definir), Candy e MVG – rs.

Fizemos um encontro inédito nesse domingo, em casa. Inédito, no sentido de juntar todos, aqueles que se viram e aqueles que ainda não tinham se visto. Vieram também os respectivos namorados da Sister e da Lady Sammantha.

Um encontro saudável, como sugeriu o namorado da Sammantha. E realmente foi bem gostoso.

Primeiro encontro: preservando nossas identidades.

O Brunildo teve que ir embora mais cedo porque seu “international love” o desejava para algo mais íntimo. Rolou aquela comossão, mas suas emoções e respeito por deixar alguém esperando eram mais fortes.

Dividimos nosso tempo com algumas diversões:

– Música: Sammantha veio com violão, Brunildo com a escaleta e cá estava eu com meu piano. Ponto alto a mim: “I am the Walrus” dos Beatles;

– Wii U: Candy trouxe controles extras e nos divertimos com “Wii U Party” – me corrijam se estiver errado com o nome do game! Ponto alto: Sister Paulete e o namorado da Lady Sammantha aprendendo a usar o controle;

– Dança: Candy é professor de dança de salão e nos honrou com algumas aulas básicas. Relembrar que na época da minha faculdade eu saia para dançar forró, ao som de Dominguinhos e Luiz Gonzaga, foi no mínimo saudosista. No mínimo inédito também formar par com outro carinha (o professor) e ainda ser intervido por não estar com a “pegada” boa! – rs;

– Guloseimas e soft drinks all day long trazidos por todos;

– Sessão de fotos.

Claro que diante de um encontro tão convergente – timidez individual a parte – teria que concluir esse post com alguns pensamentos filosóficos: o que realmente une pessoas que até pouco tempo atrás mal sabiam das respectivas existências? Será que apenas a homossexualidade em comum é determinante?

É certo que o contato fui eu, mas não é bem isso que me refiro. Me refiro a esse fenômeno subjetivo, da disposição alheia, quiçá da curiosidade, da vontade de abrir novos horizontes, de formar um grupo, de dispor um tempo individual para o coletivo. Do ato do encontro em si. Será algo simplesmente aleatório?

Nem questiono valores de permanências ou impermanências pois isso não está sob controle de ninguém. Ouvi de um deles, um tempo atrás, que essa manifestação só acontece por causa de mim. Porque são pessoas muito diferentes. Será mesmo?

Ok, todos nós temos diferenças. Mas quais são as semelhanças que proporcionaram essa ocorrência?

A mim, sem exageros, é tudo muito subjetivo, no sentido do tempo certo, de certa sintonia e da exata dinâmica que se estabeleceu e não se tem controle. De uma certa vontade de “quero mais”. Não é necessário existir tradução para essas questões quando o experenciar é a prática mais elevada. E já que estou retomando meu contato com a velha MPB, citar Vinicius de Moraes (apesar de machista – rs) seria bastante apropriado para o post de hoje: “a vida é a arte do encontro embora haja tantos desencontros pela vida”.

E fica assim, como tiver que ser.

Valeu meninos. <3

 

 

8 comentários Adicione o seu

  1. Gabriel disse:

    Haha este é o post mais divertido que você já escreveu faz um tempo rs. Adorei dar assunto pra uma brincadeira feliz do cotidiano que você fez com amigos que conheceu pelo blog, mostrando que quando sete homens gays se reúnem, não é só pra fazer bacanal rs Desejo tudo de bom para o grupo das divas das sete, e tomara que, daqui a um ano ou dois, ele cresça até se tornar o Divas das Vinte. Aliás, me interessei bastante em saber qual é’ a diva que está usando este estiloso par de botas brancas, estilo paquita da Xuxa. Ta chiquerrima!!!!

    Estou de bom humor hoje, acho que da pra notar fácil. E como posso estar feliz em uma semana de provas? A razão é’ muito simples: pela primeira vez, consegui seduzir alguém o suficiente para que ele se torne meu namorado. É o mesmo colega da faculdade com quem fiz amor no carnaval. Hoje, nós reunimos para estudar (até parece) em uma salinha escondida da biblioteca da escola, e em pouco tempo a pegação começou. E depois que ele disse o quanto gostava de mim, aproveitei a oportunidade pra pedir o namoro. Nunca pensei que fosse tão fácil rs.

    Agora me sinto mais realizado, e com
    uma companhia sólida para me ajudar a sair do armário. É’ muito bom ter alguém que você sente atração próximo de você, sem precisar recorrer a internet para se encontrar. Já estou até planejando a próxima hora em que vamos ficar sozinhos rs

    Mas a melhor parte de tudo é’ o sentimento que tive hoje. A felicidade de pensar que, finalmente, estou encontrando alegrias e prazeres na minha própria vida, e não apenas na dos outros. Namorar e transar, ir a academia, tentar tirar carteira, etc, são ações que dão cor aos meus 19 anos, e aos de mais ninguém. Estou pouco a pouco construindo minha vida gay, ao invés de invejar as que outros gays (inclusive você MVG) construíram, independente de serem muito mais velhos que eu. Pois se tem uma coisa que odeio, e’ sentir que a vida é’ uma grande festa no apartamento do lado, para a qual eu não fui convidado.

    Aguarde, pois em breve farei parte do grupo das bichas do MVG ;-)

    Agora ta na hora de estudar. Até a próxima!

  2. deve ter sido muito legal mesmo esse encontro, deu até inveja (branca kkk) se eu falar magical mystery tour ou across the universe perto de algum amigo meu fora a Aline eles vão perguntar o que é kkk. Beatles + wii u + soft drinks, pra ficar perfeito só faltou o jogo ser o smash bross. sorte q não lançou ainda pra wii u. Uffffa assim da menos inveja kkkk.

  3. Gustavo disse:

    Muito bom o post, meu querido MVG!! (pra variar!! rs)
    Este fim de semana tb tive um encontro com 2 grandes amigos, irmãos msm (e não “brothers”…rs), com vidas, perspectivas e cabeças completamente diferentes da minha, mas com os quais tenho uma amizade difícil de descrever… daquelas que são poucas na vida, e que não dá pra explicar “o que foi que nos uniu”.
    Mas quer saber? esse é o tipo de coisa que é impossível (e desnecessário, eu acho) teorizar a respeito!
    Amigo é a melhor coisa que a gente conquista nessa vida, e se uma pessoa merece ser chamada de amigo (e não simplesmente um colega, conhecido…), então não precisa questionar o que os uniu!! Basta ser grato aos céus!! rs
    Sorte sua ter o blog como canal pra conhecer várias pessoas que, eventualmente, venham a se tornar seus amigos!

    PS: eu acho q vc é o de bermuda na foto, acertei?? kkkkkk

    1. minhavidagay disse:

      Ahahahahaha… eu mesmo, Gustavo. Afinal, estava em casa e podia ficar mais a vontade :P

      1. Gustavo disse:

        Foi bem o que imaginei!!
        Afinal, tb não fiquei reparando nas suas pernocas qdo nos conhecemos!! ;-)
        kkkkkkkk

        abs cara!!!

      2. minhavidagay disse:

        Ahahahahaha… só nos braços, né? :P

      3. Gustavo disse:

        kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
        Claro!! Tb não sou cego, né? kkkkkkkkkk

      4. minhavidagay disse:

        Ahahahahaha… sakei rs

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