Festa Ursound – Uma experiência antropológica


Antes do encontro no domingo com as “Divas de Sete”, no sábado fui até a Liberdade com a amiga “Ela” do Blog QGSE. Almoçamos no velho e bom “Espaço Kazu” e, afortunadamente, tomei uma cantada de um estrangeiro que se encontrava por lá e não tirava os olhos. Um belo exemplar loiro de olhos azuis. Mas isso é apenas um detalhe para sugerir que a Liberdade é um bairro bem frequentado por gays. Talvez a Liba mereça um post em breve.

Minha amiga se empolgou de ir até a Praça Benedito Calixto, outro ponto do circuito GLS de SP, e me questionei: “por que não?’. Um grupo de amigas estavam por lá e a certa resistência que tive para ir foi saber que encontraria conhecidos de old times, amizades, ficantes ou colegas que havia perdido contato, relacionamentos que se estabeleceram antes do meu último namoro e que não tinha muita certeza se estava a fim de rever. Nada contra as pessoas em si, mas sei que a minha vibe atual rola em frequências bastantes diferentes daqueles que devoram o meio gay todos os finais de semana. São os assuntos, minha gente. Ficar assuntando dos ficantes de hoje, de ontem e de amanhã, das baladas e das festas mais hypadas não fazem parte do meu menu principal hoje em dia. Sintoma dos 37 anos? Talvez! (RISOS).

Daí, potato! Mal aterrisava próximo a banda de chorinho na feirinha, reencontrei o Charosk com um amigo. Foi bom revê-lo.

Certa hora, “abandonei” o grupo das meninas e fui até eles para fazer os updates da vida. Daí que veio o convite de conhecer a tal da Ursound, festa que começou mensal e agora é quinzenal. O nome já sugere um pouco da vibe: destinada para os famosos ursos, magros ou gordos, mas preferencialmente com pêlos! – rs (em outras palavras, os lisinhos também são bem quistos para serem devorados! rs)

Ir ou não ir? A questão perambulou a minha mente por horas. Teria o encontro com os amigos do MVG no dia seguinte e estava na rua há horas. Mas no final a curiosidade por uma balada nova, diferente dos meus padrões de gosto, e até mesmo por incentivo da amiga Ela, me deram uma forcinha para decidir por “sim”.

O ponto de encontro foi na casa do Charosk, promessa de visita que se cumpria depois de dois anos. Apezim arrumadinho, todo decorado, digno de um ariano com ascendente em câncer – rs. Falamos sobre a vida hoje, a vida ontem, ex-namorados, casos e expectativas. Charosk, ao contrário do rapaz que se apresentava frenético há alguns anos atrás, me parecia mais sereno.

Já próximo a Ursound, no Hotel Cambridge no Centro, paramos num boteco ao lado da Trash 80’s. Charosk tinha avistado alguém conhecido. Trocamos ideias e depois meu amigo comenta: “sabe que os ursos são como sapas. Brigam entre si, são emotivos, ficam desiludidos e depois retomam contato. É um vai e vem”. Achei no mínimo curiosa sua definição comportamental sobre os ursos.

Na porta da balada Charosk questiona: “está preparado? – rs” – eu: “acho que sim – rs”.

BOOM! Logo na entrada, todo o mito da noite, dos gays bem vestidos, amurrados, penteados e de fina estampa escorria ralo abaixo. Uma pista repleta de pessoas “normais”, não totalmente desleixadas. Pessoas de 50 ou 60 anos e de todos os estilos. Magros, gordinhos, gordos e gordões. Gente com estilo de rapper, com boné largo na cabeça, camiseta larga de time de basquete e correntes no pescoço, bonitos sarados do estilo Yacht Club, jovens, barbudos, carecas. Uma verdadeira experiência antropológica.

E foi lá que curiosamente encontrei dois amigos: o primeiro gay que pude considerar como amigo, ex do meu primeiro namorado e um amigo do ginásio que outras vezes nos esbarrávamos nas baladas. Ah, também vi de longe e de relance o amigo que divide apartamento com a Sister Paulete.

Tudo para relembrá-los que o meio gay mesmo em SP é um ovo de codorna.

A experiência foi interessante e levei mais tempo para dedicar um post à Ursound para absorver as impressões. É legal porque, assim como a Lôca, existe um descomprometimento com os “uniformes” e as poses. Notar que os ursos tiram as camisas e camisetas assim como fazem as barbies na The Week, sem a preocupação com os padrões estéticos adotados pela mídia, também foi curioso. Desapego.

O apelo da Ursound, a mim, soou como uma reação aos rótulos. Nesse aspecto sócio-cultural me pareceu bastante válido.

A pista foi comandada pelo DJ Bispo, da falecida “A Torre”. O cara é fera, embora a música dance atual e dos anos 90, das negras e branquelas gritantes, não seja totalmente do meu agrado – rs.

O Charosk, em sua preocupação como amigo e anfitrião, perguntou repetidas vezes se eu tinha gostado, achando que estava odiando. Naquele momento falava que achava que sim, mas que precisava processar  – rs.

Cá está o meu depoimento!

 

1 comentário Adicione o seu

  1. Black and Rainbow disse:

    Putz, que incrível, tenho muita vontade de ir na Ursound! Já apreciei bastante a “comunidade ursina” (hoje estou mais eclético, rs), mas não sabia dessa semelhança comportamental entre os ursos e as sapas. Acho que preciso fazer uma pesquisa de campo.
    Agora sobre a frequência de gays na Liberdade, descobri a pouco tempo também. No final do ano passado dei um pulo lá com a minha mãe (só pra comer alguma coisa e tal) e notei um cara me olhando, retribui o olhar e ficamos só nisso, cheguei a ver alguns casais gays também.
    Até mais.

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