Minha Vida Gay – Tempo de despertar?

Antes de mais nada, o Blog Minha Vida Gay está de cara nova! Depois de quase 4 anos seguindo um mesmo modelito, achei interessante dar uma nova roupagem, longe dos apelos gays e dos esteriótipos para seguir com o conceito estabelecido por todo esse tempo.

Sem muitas delongas, é isso queridos leitores. Espero que gostem! :)

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Embora a maioria das pessoas saiam de relacionamentos e automaticamente (se já não tiver alguém em vista antes do próprio término) engatem em um novo namoro, alguns indivíduos – sejam gays ou heterossexuais – vivem o que a psicologia chama de “luto”, conceito que já mencionei com brevidade em posts anteriores.

Viver o luto nada mais é do que passar por todos os processos das dores, fragilidades e sentimentos do término de um relacionamento. Curioso que as vezes a gente vive tal luto sem ao menos ter concebido efetivamente uma relação. Isso normalmente acontece porque idealizamos pessoas, criamos fantasias em nossas mentes e, se não há um amigo atento, um MVG à tira colo, um psicólogo ou um despertar de consciência própria, passamos a achar (ou acreditar) que tal relacionamento segue por um caminho, mas na realidade (plano real) a situação segue por outro. Assim, concebe-se as famosas relações fragmentadas, de migalhas, nas quais se privilegia uma das partes que terá o consolo de ter a outra parte a disposição sempre que bater a carência.

É muito comum a gente ver por aí situações nas quais um lado está “apaixonado”, fantasiando uma história com outra pessoa. E essa outra pessoa, de fato, está num ritmo ou com uma intenção totalmente diferente do lado que idealiza. É importante cuidar dessas “armadilhas sentimentais” muitas vezes frutos de carência ou até mesmo da falta de experiência.

No MVG, normalmente, trago um lado muito pragmático da vida e assumo aqui que entendo os relacionamentos afetivos como experiências que se aperfeiçoam a medida que são vividas. Assim, quanto mais nos permitimos relacionar, os casos bem sucedidos ou sem sucesso, acumulamos vivência.

Imaginem que na entrega a um novo relacionamento abre-se um mundo, que nos apresenta desde o físico até características, personalidades e o universo de vida da própria pessoa. Todos nós somos geneticamente tão iguais, mas a soma de repertório de vida de cada um com a personalidade individual fazem da experiência de se relacionar algo quase que inédito todas as vezes que nos entregamos a uma nova história.

Além disso, nós mesmos no decorrer do tempo nos modificamos. Alguns mais, outros menos, mas – no geral – a medida que o tempo vai passando e vamos acumulando vivências das mais diversas vertentes (estudos, trabalhos, amizades, relacionamentos afetivos) nos transformamos.

Comos seres orgânicos (e consequentemente maleáveis) podemos olhar para um mesmo livro sobre a estante e não notar diferença por anos. Até que um dia, de maneira quase que mágica, o olhar se transforma e aquele mesmo objeto ganha um novo significado ou uma nova representatividade.

Partindo desse pressuposto, que como seres orgânicos somos modeláveis com o passar do tempo, os sentimentos, as percepções e o sentido se modificam. Me refiro até a valores e condições de moral, claro que cada um com a sua particular rigidez ou flexibilidade.

Estou vivendo um tempo muito oportuno para me atentar a todos esses conceitos. São seis meses contados que terminei meu último namoro, relativamente longo, e comecei agora a querer a abrir lentamente a porta para novas possibilidades afetivas. Até então, como os relatos descritos, vivia o luto, estava com um bode imenso para assuntos de afetividade e buscava saciar meus desejos sexuais das maneiras mais práticas e comerciais possíveis.

Posso dizer que estou entrando no meu “limbo” emocional. É como quando o Neo do Matrix foi parar naquela estação perdida e cruzou com o casal de indianos e sua filha. Parte de mim estabeleceu um contato com o profano e o carnal negando a afetividade e a outra parte, a do afeto, começa a receber um foco de luz.

Não sei se essa situação acontece com todos, mesmo porque muitos dos leitores estão batalhando para conceber uma primeira relação. Mas acredito que consciente ou inconscientemente essa transição, de quem já namorou muito e ao mesmo tempo já ficou sozinho, seja uma etapa natural (natural para aqueles que não substituem relacionamentos).

Nesse limbo, surgem as dezenas de questões: será que já está na hora da entrega do coração para outra pessoa? Será que aproveitei tudo que eu gostaria da certa liberdade de quando se é solteiro? Será que o luto foi realmente vivido, sem resquícios?

Por mais que a nossa cultura geral afirme que para determinadas situações da afetividade não tenhamos controle, minhas evoluções na terapia diz ao contrário: temos a escolha e o controle sim para decidir se queremos estar abertos ou fechados para novas trocas afetivas. E confesso que essa autonomia da escolha está diretamente relacionada a alguns quesitos: vivência, maturidade e autoestima.

Estamos num mundo cada vez mais populoso. Consequentemente, a oportunidade de gays que nos atraem fisicamente aumenta (supondo que a atração física é a fagulha primordial). Mas a experiência diz o seguinte: “não é porque é um tesão que vou definitivamente entregar a minha afetividade”.

Quando jovens e necessitados de viver um “grande amor verdadeiro” guardamos dentro do peito uma partícula altamente condensada de energia, como o “Big Bang”. Quando é dada a hora, a partícula explode, seja culminando em um relacionamento bem sucedido ou não. Mas, de novo, orgânico que somos, quando não bem sucedido, temos a capacidade de recolher para o formato de partícula, para tentar “explodir” de novo, em outra situação, com outra pessoa. Basta se dar o tempo e não ficar preso a ideais ou ao passado.

Quando já vividos, de um acúmulo de relacionamentos como meu exemplo, o trecho de espaço e tempo percorrido de experiência, a maturidade adquirida e o autoconhecimento (que nos concede também os pilares que nos mantém com a autoestima no positivo) nos confere a chance de escolher “fechar para balanço” ou “abrir para a freguesia”.

Particularmente, estou num momento de querer deixar uma brechinha aberta para dar uma espiada. E nisso, afortunadamente, encontrei ontem uma pessoa – a qual troco conversas impessoais desde a sexta-feira antes do Carnaval – para jantar, conversar e ir ao cinema.

Foi a primeira vez, depois desses seis meses, que me permiti virar levemente a “chavinha” para não pensar exclusivamente no carnal/sexual e, sim, no afetivo. Fui até ele com essa intenção e não sei se atendi todas as suas expectativas. Talvez ele quisesse uma pegada mais forte no escurinho do cinema, coisa que faria tranquilamente no escurinho da sauna. Talvez ele quisesse um beijo mais ardente, um convite para ir para a cama.

Tanto faz no momento que se estabeleceu algum contato afeitvo, meio que sem compromisso de ambas as partes, meio que com um interesse mútuo semi-traduzível.

O fato de poder tentar algo de afetivo, por algumas horas com o “mino”, sem a função de querer atender as expectativas do outro é o sintoma da experiência, da maturidade e da autoestima. Eis o “limbo”: é o compromisso com o descompromisso. É o descompromisso com algo de compromisso. Não precisa ser nem oito nem oitenta porque hoje eu não preciso viver de expectativas.

Se de tudo isso sairão as centelhas luminosas, são outros quinhentos que ninguém precisa antever agora.

Para concluir eu diria: é mais prazeroso entrar num relacionamento sem nos colocar o propósito, sem ficar forçando a situação. Sem deixar que a carência, o desespero ou o encanto nos ludibrie. Respeite-se a si e confie no tempo.

Hoje eu posso dar mais crédito para a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida (como diria, de novo, o Vinícius).

 

 

5 comentários Adicione o seu

  1. Gustavo disse:

    E aí meu amigo,
    achei muito maneira a cara nova do blog! Usar esta foto de fundo, com toda a “significância” que ela teve naquele recente post, foi uma ideia incrível (pena que aqui não dá pra ver suas pernocas!! kkkkkk)!!!
    Tenho apenas uma pequena sugestão, se for possível fazer este tipo de alteração: dar mais destaque ao “deixe seu comentário”.

    Quanto ao tema do post, não sou muito fã de frases feitas, mas há uma frasezinha bem piegas, que como a maioria das frases piegas acaba dizendo umas coisas boas pra gente: “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho!”
    Acho que essa “busca” a que vc se refere, e à qual todos nós estamos submetidos, deve ser trabalhada no sentido de se enxergar e valorizar as coisas boas / momentos bons / felicidade – que estão na própria busca em si, ao longo do nosso caminho!
    Vivemos muito em função de “algo que virá”: um emprego melhor, mais dinheiro, um amor pra toda vida, o casamento, um filho… e perdemos muito tempo não aproveitando aquilo que já está aí!
    Acho que vc fez isso (aproveitar o presente) ao longo deste tempo de solteirice, sem se impor a obrigatoriedade do luto, mas tb sem a expectativa de algo que poderia estar por vir (como um novo amor?!?!?).
    E a própria vida (ou o tempo) se encarregam de trazer novas mudanças e experiências pra gente…. se serão boas ou ruins, depende de muita coisa, e não dá pra saber se antemão! Mas a tal da maturidade ensina a gente um pouquinho a otimizar a parte boa e tentar evitar a ruim, né?

    Espero que vc (e todo mundo) continue se permitindo ser feliz, e enxergar a felicidade da busca! Esteja ela numa night louca com pó branco (rsrs), numa noite quieto em casa lendo livro, em um novo amor, ou numa feijoada num boteco de rua com uma boa companhia! ;-)

    É vida que segue seguindo!! rs

    abs

    1. minhavidagay disse:

      É queridão! Nosso grande desafio sempre será viver o “aqui e agora”, que é realmente um dos melhores mundos.

      E a tal da maturidade acaba nos mostrando que esse é o melhor caminho mesmo.

      Maneiras suas reflexões!

      Forte abraço das pernocas! :P

  2. Gustavo disse:

    Xiii… falei da “busca” aqui, mas agora vi que vc se refere a ela lá no post mais recente (“Quero me encontrar…”).
    Enfim, acho que dá pra entender assim mesmo…
    Isso que dá ficar colocando vários post um atrás do outro!! Neguinho se perde!!! kkkkk

  3. lebeadle disse:

    Essa coisa de relacionamento exige paciência, é preciso encontrar um ponto, um tom, para que o rio possa fluir. Cerca de alguns dias tive a impressão do que é um beijo pela primeira vez e isso de alguma forma dá forças pra continuar, pra acreditar em boas coisas e faz com que más recordações passadas possam se anular em vista de tantos horizontes promissores. Busco algo como uma nova educação sentimental, uma reunião estética dos valores ocidentais e orientais na busca por transformar virtudes espirituais em algo de cunho material também, uma aproximação com o corpo; uma reunião entre corpo e espírito, rompendo um pouco com esse idealismo excessivo em que me vejo enredado.

  4. Caio disse:

    Humm não concordo muito com relação a proporcionalidade de caras atraentes ao passo que a população cresce rs. Antes eu pensava assim, mas aqui pelo menos essa premissa não é válida, a cidade inchou muito, porém acho que deu uma desregulada rsrsrs. Em Sampa é diferente, pois aí é um polo de grande atração de várias partes do país, inclusive do exterior, então…

    Que bom que superou os possíveis desajustes da relação que acabara de terminar. Vai fundo, busque um outro alguém :p

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