Quando um namoro acaba, como curar?

Acho que o meu momento é bastante apropriado para falar sobre esse tema. Já faz um tempo que terminei e o sentimento de superação se estabelece.

Quando o término de um relacionamento afetivo é recente, bate aquele sofrimento, a tristeza, o sentimento de perda, a culpa, a raiva, as centenas de desculpas mentais para justificar o próprio rompimento e uma boa parcela de revolta.

Ninguém gosta de rejeição e muito menos viver um término gostando ainda do outro.

Se não me falham os cálculos, são seis meses que terminei um namoro que durou 4 anos (3 anos e 11 meses para ser mais preciso) e vejam só: estou vivo!

No post anterior citei o Deus Chronos e volto a falar dele nesse (e possivelmente em outros posts também): o Tempo, que deveria ser uma divindade, é realmente incrível. Quando o término é recente nos sentimos perdidos, sem chão, decepcionados e as vezes até mutilados: é como se tivéssemos arrancado uma perna.

O relacionamento pode durar 2 meses ou 10 anos, mas o apego – que é um dos grandes aliados quando o namoro está firme – vira o grande monstro quando a relação termina. Ficamos acostumados com uma série de hábitos juntos com o parceiro. Desde os pequenos, como mandar “bom dia” pelas manhãs até os presentes, objetos na estante e lugares que frequentávamos que – invariavelmente – trarão lembranças do ex.

Criamos expectativas e planos. Como se desprender de tudo isso? Difícil, não?

Há pessoas que preferem devolver os presentes e deixar de frequentar – com todas as forças – os lugares que possam trazer memórias da pessoa. Outros preferirão superar de maneiras diferentes, não se restringindo a lugares, nem “queimando” objetos, mas apenas superando.

Tem gente que leva semanas para tocar o bonde. Outros levam anos. Ficam traumas, fantasias e ideais. E como lidar?

Dizem que um novo amor substitui o outro. Eu, pela minha experiência, duvido disso pois podemos substituir pessoas mas não sentimentos. Assim, eu prefiro acreditar no tempo, de novo.

Como já passei por meia dúzia de términos, a sensação de falta de chão foi minha companheira por muitas vezes também. Cada pessoa, uma pessoa, cada história, uma história, mas términos sempre vão trazer aquele sentimento de desigualdade, de que alguma pessoa ficou mais lesada do que a outra e que o sentimento de orgulho nos invade.

Já sugiro: não entrem nessa. Ficar muito tempo pensando se o outro “se deu bem” em relação a você só vai retardar seu processo de superação, quando não te amarra ao passado e te enrigece. Prefira sempre atingir uma paz interior sem comparações. Sem buscar hipóteses sobre o outro, sem uma cultura vitimista apontando culpados. Controle o orgulho!

Quero lembrar que tudo que a gente constrói em par, destrói em par também. Mas temos uma tendência forte a achar que o outro é o que nos prejudica.

Falo por nós, gays: a paixão e ódio são parceiros. Se ambos convergem emitimos paixão um pelo outro. Se acontece a rejeição o sentimento intenso vira ódio. Caminhar com ódio e desgosto faz bem? Claro que não. E as vezes a gente até somatiza, atingindo o físico. E quando não é o físico, é a cabeça que fica perturbada com lembranças e idealizações.

São seis meses que terminei um namoro de 4 anos. E repito: estou vivo. Não somente vivo como mais esperto porque é quando passamos por turbulências, é quando “fracassamos” que efetivamente amadurecemos e aprendemos alguma coisa dessa tal vida.

Ainda não me sinto preparado para um novo amor, tampouco minha maturidade permite encontrar um rápido substituto nessa história clichê de “um amor substitui o outro”.

Mas se cheguei aqui, com esse tipo de controle, me permitindo viver o aqui e agora e – acima de tudo – me respeitando, é porque eu já tomei alguns belos tombos na vida. Já deixei escapar entre meus dedos grandes relações. Já me perderam também na mesma medida. E sei que o fosso que abre e que nos traz um sentido de desamparo acaba se fechando.

Precisamos viver tudo isso nessa “arte” que é se relacionar. Se não nos permitimos viver o começo, o meio e o fim dessas histórias, condicionando-nos aos términos ingratos e às desilusões, tendenciamos a viver do passado.

Somos capazes de viver felizes do passado, queridos leitores?

Não. Não mesmo. O passado pode virar um muro imenso para as passagens do futuro. Mas na maioria das vezes a gente se prende.

O bom negócio é olhar pra frente. A gente sobrevive. Agora, se você mesmo não quer superar, se colocando como uma vítima dos erros e desajustes alheios, idealizando pessoas que passaram, o problema é todo seu.

2 comentários Adicione o seu

  1. lebeadle disse:

    Acredito que você sobreviverá a tudo isso, caro. A ferida ainda está aberta, tudo é muito recente mas a sua vivência lhe mostra outras possibilidades. Não dizem que Deus quando fecha uma porta abre uma janela, pois então.
    Abraços, beijos e tudo de bom sempre!

  2. Bom… Nunca achei que términos fossem tão complicados, ^^’.

    Dar-se tempo é o que é necessário, nada de forçar a barra. No mais, só estaria repetindo tudo o que você já disse.

    Abraços do CR!!

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