Nossas questões para além da homossexualidade


Hoje é o Gayday de São Paulo. Estive na região da Paulista ontem e sexta-feira e, pelo que me pareceu, tal evento simbólico que é a Parada LGBTs 2014 não terá aquela repercussão maciça (de quantidade de gente) como nos anos anteriores. Aliás, em conversas com amigos próximos, fica evidente um baita desinteresse em participar de tal celebração, que chama mais a atenção dos gays que moram fora de São Paulo e dos estrangeiros. Vamos combinar que virou festa e andamos tão excessivamente orgulhosos que ficou chato.

Hoje é o Gayday de SP: feliz dia para quem é gay, que é "mao-meno" e quem não é! De qualquer forma, vamos falar de política?
Hoje é o Gayday de SP: feliz dia para quem é gay, quem é “mao-meno” e quem não é! De qualquer forma, vamos falar de política?

O dia de hoje deveria ter uma representação política. E essa palavra, “política”, anda com a reputação tão no chão e andamos tão desacreditados que eu resolvi fazer ao contrário: falar sim de política nesse texto.

Antes de tudo, para se falar ou discutir política, a gente não precisa seguir uma linha intelectual ou intelectualóide. Não precisa vestir óculos fundo de garrafa com armação de acrílico, não precisa fazer tipo esquerda, professor de história. Basta ter uma mínima noção do que é ser cidadão.

Além disso, se as diversas classes de brasileiros – das classes sociais e das diversas faixas etárias – continuarem a seguir com a ideia de que “política é como religião, não se discute”, acabamos assumindo nosso analfabestismo político. Acredito que, mesmo a gente sabendo muito pouco do assunto e tendo uma certa aversão, se não levamos alguns temas para a mesa de bar, ou para um Blog como esse que atinge mais de 10 mil pessoas por mês, a gente jamais vai diminuir o fosso que existe entre os palácios e a sociedade.

Em outras palavras, se a governança geral está uma palhaçada, repleta de corruptos, é porque contribuímos diretamente a isso. Como vamos aprender sobre política se “política não se discute?”.

Introdução realizada, gostaria de falar sobre partidos, esquerda e direita. Esqueçam esses conceitos. Desapeguem-se, partam para outra. Depois que os extremos oposicionistas Lula e Maluf – símbolos absolutos das oposições nacionais – fomentaram seus interesses para a candidatura do Haddad, a onda gigante da falência da esquerda e da direita bateu na praia. Não sejamos tolos, inocentes ou idólatras em achar que partidos têm interesses diferentes para classes distintas. Foi-se esse tempo. Vivemos a cultura do conchavo para se chegar ao poder.

Lembrem-se para sempre dessa cena:

Eis a cena inesquecível que define que esquerda e direita são conceitos que não existem mais. Esquerdinhas ou direitinhas podem insistir, mas não existe mais partidos com interesses de classes distintas.
Eis a cena inesquecível que define que esquerda e direita são conceitos que não existem mais. Esquerdinhas ou direitinhas podem insistir, mas não existem mais partidos com interesses de classes distintas.

Dando a continuidade a expressão da minha superficial cultura política (mas eu tento), a gente precisa ficar muito esperto com o populismo, que são ações de políticos para pegar eleitores pelo coração.

O Lula e a Dilma são muito bons nisso. Aumentar em 10% o Bolsa Família na véspera das eleições me parece bastante oportunista e populista. Para ilustrar essas ideias, replico aqui o post que escrevi na minha timeline sobre minha faxineira:

“Pra quem conhece a Geni que trabalha pra minha família desde que tenho 8 anos, sabe que veio da Bahia, de Oliveira dos Brejinhos. É uma dessas referências que a maioria aqui, me incluindo, tem uma leve noção na frente da tela. Apenas.

A verdade é que desse “Brasil da diversidade” a grande maioria conhece a realidade – que não a própria – pelo orifício do tubo de ensaio. Mesmo os tais esquerdinhas-sociais-média-classe, que insistem ainda em defender um partido e não entendem a diferença entre assistencialismo e projetos sociais.

Achei curioso quando ontem falamos, em nosso dialeto popular, sobre opiniões da “governanta”:

A Geni é uma mulher que trabalha de domingo a domingo se for preciso e acha ruim ver o povo de lá encostado no Bolsa Família. Disse que o governo, nesse tempo de eleição, está construindo agora poços ‘anestesianos’ e caixas d’água por causa da conhecida seca. E disse que o povo lá é tudo ignorante por votar na Dilma (que segundo ela não fez nada e só deixa o povo encostado).

Geni é mulher, feminista (ou matriarca) no sentido de ser a provedora material e moral de sua família toda aqui em SP. É uma evangélica que deixa de ir à igreja no domingo se for preciso trabalhar (fala isso com orgulho) e acha que seus conterrâneos são todos ignorantes pela maneira que escolhem seus candidatos.

Ela votou na Dilma nas últimas eleições, assim como eu.

Descobrir que compartilhamos do mesmo pensamento me deixa mais tranquilo. é mais alguém da minha “bolha do cotidiano” que teria tudo para ser mais uma ignorante ou uma idólatra tratando partido ou candidato como time de futebol ou astro de rock, respectivamente.

Porque no final, de novo, nosso interesse é resguardar a nossa bolha.

Essa coisa de ver o “partido do povo” com certo romantismo é, desculpe novamente pela expressão, uma babaquice-robin-woodiana. não tem estrela nenhuma preocupada com cidades do tipo Oliveira dos Brejinhos.

Nem eu, nem você, cheer leader do PT”.

Se a política – a você – parece perdida, você anda desacreditado de tudo e ainda quer preservar a aura da esquerda ou da direita, uma dica: foque no candidato, na pessoa e não no partido. Sugiro prestar muita atenção nos debates políticos ao vivo (mais do que nas propagandas eleitorais que são repletas de efeitos cativantes de marketeiros). Procure por um candidato (e não partido) que tenha planos estruturais claros; que não faça apenas um discurso emocional.

Administrar um país, a mim, é semelhante a administrar uma empresa. São necessários projetos, planos, ideias, propostas, estratégias e uma precisão na manutenção. Antes do Plano Real, o Brasil era um outro país e não se acreditava ser possível transformar aquele contexto de inflação, enorme desemprego, economia fechada e desestrutura geral. O país avançou muito nos últimos 20 anos, mas um bom governante não pode ser um parasita de um modelo implantado para pregar uma ideia de que é herói, para criar fãs.

O governo atual me parece querer perpetuar a dependência. Uma sociedade avançada é composta por indivíduos independentes moralmente, materialmente e intelectualmente.

Ser fã de um candidato ou um partido é um atestado de ignorância. Político deve ser um bom estrategista, ter boas parcerias, um alto poder de articulação e ser hábil para executar e manter projetos estruturais. Cativar pessoas pelo coração nada mais é do que um fomento ao “panis et circenses”. E se você não sabe o que é “panis et circenses”, procure saber. Tem grande chances de ser mais um manipulável, que se deixa levar demais pelo coração e vai se sentir perdido na hora da eleição.

Estamos nessa vida para buscar consciência das coisas com senso crítico. Romantismo, amor, leveza são todos ideais conquistáveis. Mas se não há suor, labuta, um pensar, raciocinar, refletir, corremos um grande risco de levar a vida pelas ondas da ignorância e da alienação.

Vamos tirar um pouco de nossa frente as questões existenciais particulares. Pense política, pense na emancipação coletiva.

 

 

14 comentários Adicione o seu

  1. Felipe disse:

    Cara, simplesmente perfeito! Parabéns pela forma simples e direta de enxergar as coisas. Admiro seu posicionamento contra o modus politicamente correto! Acrescento ao seu texto que virou modinha ser “esquerda caviar”. Assim como você, não sou ingênuo de achar que ainda haja diferenças significativas entre direita e esquerda. Vejo sim projetos diferentes de pensar a gestão pública, enquanto uns somente pensam no curto prazo com predominância de ações de curto alcance, outros pensam na modernização da máquina pública em que se visa o reconhecimento do esforço, meritocracia e possibilidade de desenvolver a autonomia na grande massa.

  2. lebeadle disse:

    Lembremos das ‘Jornadas de Junho’ de 2013, agora é a hora das eleições gerais, oportunidade de mudar pelo voto. Também acho válido além dos debates, as entrevistas com os candidatos. Procurem saber dos projetos que eles têm para o país tanto para o quatriênio 2014-2018 quanto para o futuro pois os estadistas devem pensar para além de um mandato.
    Acredito que um ponto básico a se observar, no que diz respeito aos projetos, é a questão do desenvolvimento do interior do país; essa concentração excessiva nos grandes centros do desenvolvimento é algo que já se mostra excessivo; só a descentralização garantirá equilíbrio ao país, diminuindo o inchaço que já se observa nas megalópoles, vide o caso de São Paulo, com 12 milhões de habitantes e repleta de problemas; é provável que se o desenvolvimento não estivesse tão concentrado na cidade e em seu entorno, a população teria mais qualidade de vida, possibilitando mais dignidade cotidiana aos que vivem submetidos ao estresse de um grande centro. Basta ver um post onde o MVG descreve que passou oito horas no trânsito num feriado, meu amigo, o cara já aí perdeu boa parte de seu tempo de descanso e ainda se estressou. Isso é um caso prosaico mas quantos outros há que os viventes das megalópoles não sofrem no seu dia-a-dia?

  3. Tommy disse:

    Eu adoro o blog,mas quando o autor passa a tratar de política e questões sociais perde completamente a sensibilidade. Parece não entender nada da história do país e das necessidades de uma sociedade justa e igualitária. O discurso do autor do blog soa como se quisesse e desejasse a miséria, pobreza, desigualdade, um tanto irônico em se tratando de alguém que é emocionalmente tão bem fundamentando quando o assunto se refere às relações que envolve os gays. O que o incomoda tanto? Por que os beneficiados com o bolsa família são tão atacados por você? E mais, o fato de mais de 30 milhões de pessoas saírem da pobreza através de um programa premiado mundialmente ainda manter em vc uma ideia simplista de que ele serve para premiar vagabundos? Acho melhor confessar que defende privilégios de classe e não a repartição das riquezas.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Tommy!

      Antes de mais nada, o MVG é interiamente social, mesmo quando tanjo o tema da homossexualidade e os assuntos que nos envolvem.

      Agora, para variar, acho que você está depositando bastante sentimentos em seus argumentos e, ao mesmo tempo, acho bastante válido a discussão. Prêmios internacionais – a mim – não importam quando extraio um depoimento de alguém (a Geni, minha faxineira) e da realidade de seus familiares em Oliveira dos Brejinhos. Foi apenas um exemplo que certamente se irradia por dezenas das cidades do norte e do nordeste. Você acha que um “prêmio internacional” consegue enxergar as entranhas de nossa realidade? Aliás, você acha que projetos sociais deveriam ganhar prêmios? A mim, projetos sociais e gestão de governo não têm que ganhar prêmio nenhum. É obrigação óbvia e natural para quem se governa. Não precisa de aplausos de países que já chegaram em algum lugar hipoteticamente melhor.

      Apesar do tom “apaixonado” de seu comentário, e não querendo desmerecê-lo, mantenho meus ideais aqui colocados. Mantenho seu comentário (pois é o que dá riqueza a discussão) e retorno para complementar. Jamais poderia confessar ou assumir que defendo privilégios de classe e não da repartição das riquezas. Mas, ao mesmo tempo, como cidadão, traço uma opinião crítica contra o Bolsa Família porque o modelo é falho e está sendo usado agora como ferramenta para persuadir eleitores.

      O Bolsa Família foi uma das maneiras de trazer mais apoderamento para quem precisa. Mas, sinceramente, está bem longe de ser o melhor, no sentido de ser mais estratégico, de longo prazo e alcance e efetivamente inclusivo, como comentou o leitor Felipe acima. Para meus olhos, é sim populista, numa tentativa de conquistar “fãs” que aparentemente ficam inflamados quando alguém traça uma crítica negativa aos projetos governamentais que estão sendo realizados. Não temos que tratar como ferro e fogo.

      Nenhum partido, muito menos candidatos merecem fãs. Não é por aí que se faz uma política consciente. Precisamos ser mediadores e observadores de uma boa conduta governamental e nada mais. Político-herói é uma contradição e um sintoma de subdesenvolvimento.

      O Bolsa Família manipula, sim, os mais de 30 milhões que passam a ficar mais e mais dependentes. Eleitores rendidos a um modelo vicioso. Com o Bolsa Família promovemos a dependência do indivíduo, sendo que – para constituir uma sociedade íntegra – precisamos fomentar a independência. Lembra o que está escrito na bandeira do Brasil? Estamos fazendo o oposto.

      Esse tipo de idolatria, reforço, é um atestado de ignorância. Não devíamos ter ídolos na política e sim, tratá-los como profissionais que não fazem nada além de suas obrigações a não ser governar o país. E o nosso papel é mediar no momento que temos um senso político.

      Destruam todos os prêmios, promovam a independência e emancipação de quem precisa. O papel de um governante é de apenas governar e bem, dando condições para que as pessoas prosperem por esforços próprios.

      Assistencialismo e vitimismo são profundamente problemáticos e retardam o processo de crescimento de uma sociedade.

      1. Tommy disse:

        Gente, respeito teus comentários,mas estão fora da realidade, fora de estudos embasados, apenas vejo uma revolta pessoal e banal da tua parte. Se eu percebesse alguma abertura no teu discurso para entender a realidade sem tanto preconceito eu até me dignaria a apontar estudos, livros e análises com mais fundamento,mas seria perda de tempo, você não demonstra nenhuma sensibilidade. O que realmente importa aqui é a realidade, são pessoas tendo acesso aos alimentos, aos estudos e tendo capacidade de se guiar de forma independente, diminuição das desigualdades e disparidade entre as pessoas, fatos que geram asno entre as elites e entre pessoas como você, aparentemente. Ainda bem que opiniões como a tua são facilmente superáveis e estão na contramão do pensamento e políticas mundiais há séculos.

      2. minhavidagay disse:

        Muito calor no seu discurso, Tommy. Não tem como discutir com radicais, sorry.

  4. Adônis disse:

    Tenho começado a assistir entrevistas com os candidatos à Presidência. Ontem assisti no Canal Livre, programa da Band uma entrevista com o Eduardo Campos e assisti trechos do mesmo programa entrevistando Aécio Neves no Youtube.
    Concordo que devemos estar atentos aos discursos dos candidatos antes das urnas, principalmente aos da oposição, já que o discurso governista todos conhecem, e perder o medo de mudar. O brasileiro tem predileção pela estabilidade em detrimento do progresso, e isso reflete muito nas campanhas que se tornam shows de revisão do passado, quem fez isso ou não fez, reduzindo o já quase inexistente debate(visto a tendência apolítica da sociedade brasileira) à troca de farpas, sem apresentar projetos de país!
    A minha visão desses 12 anos de PT é que foi um governo sem foco num país do futuro, num Brasil desenvolvido e imponente. A ampla distribuição de renda feita não tocou no maior problema do Brasil, que é a produção de riquezas. O que adianta distribuir renda se essas pessoas que a recebem não produzem mais riqueza com a que é distribuída? O sistema me parece insustentável, o gasto com o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida (imóveis descartáveis) e Minha Casa Melhor ( móveis descartáveis) criam um clima de acomodação que tem por consequência negativa endividar o Estado, que aumenta impostos, que diminuem o poder de compra do trabalhador (que o PT diz proteger). É um círculo de falência de todo o potencial que o Brasil pode atingir. Mas vão falar que o Brasil produz muita riqueza, mas qual a característica dessa riqueza? Essencialmente agroexportadora não é? E como tal carece de valor agregado, que ganha fora dos territórios tupiniquins acabamos sendo o proletariado do mundo, independente da classe( nossa elite é majoritariamente agrária ou se fundou a partir dela), os países desenvolvidos aplicam a Mais-valia a séculos nesse país. Até quando?
    Analisando o histórico da minha família , depois de muito trabalho, eles montaram uma empresa, eu acompanhei todo o crescimento deles. Somos de Minas e fomos para o interior de São Paulo em busca de melhores condições, meu pai era pedreiro, minha mãe professora. Estudei em escola pública, escola particular e frequentei cursinhos “dazelite” ano passado , morando um ano em BH. O que vi foi o avanço de pessoas proletárias a um nível burguês de vida, acredito que meus pais não avançam mais por terem tido pouca formação, até hoje tropeçam muito para administrar uma empresa, deram a “cara a tapa”, estão subindo socialmente na base da tentativa e erro. O que eu quero dizer é que embora existam enriquecimentos instantâneos a maioria das pessoas que tem vontade de progredir não conseguem do dia para o outro( com exceção da “esquerda caviar” (tenho um caso na família também,só que com parentes distantes rsrs),mas o que vejo na mentalidade da minha cidade hoje (interior de minas) é que as pessoas se acomodam com pouco , geralmente um carro na garagem. Assim não dá! No Brasil não criou-se um espírito capitalista de sempre buscar o melhor, a maneira de fazer bem feito, de conhecer o novo.

    Comecei falando de política e terminei falando de mentalidades, acho que são correlacionadas, voltando, até agora o discurso do Aécio ao meu ver é o que toca nesses pontos, é preciso avançar ou ficaremos para sempre subdesenvolvidos.Ainda é cedo para definir voto , só sei que não voto na Dilma, o Eduardo Campos não falou nada de objetivo na entrevista que vi ontem, não me transmitiu muita coerência.
    MVG, por favor continue falando de política, acho que é muito positivo ao blog, antes de gays somos cidadãos brasileiros!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Adônis!

      Muito obrigado pela compreensão do teor dos posts políticos aqui no MVG! O princípio, para aqueles que entrarem no Blog MVG e se depararem com textos e comentários sobre política, é que a gente foque no candidato, não em partidos. Eis a primeira dica que reforço.

      Esqueçam um pouco essa rivalidade entre “esquerda” e “direita”, conceitos ultrapassados, que só cria atrito desnecessário e gasto de energia. Nem os candidatos trabalham mais esse sentido de oposição! Eles não estão mais preocupados com as classes e sim com o poder.

      Nós mesmos devemos parar de querer privilegiar a classe que nos encontramos, seja a mais ou menos favorecida. Pensem no Brasil como um todo, como uma máquina que precisa crescer coletivamente, independente, com indivíduos emancipados capazes de produzir com o próprio esforço.

      Deixo aqui o registro do meu post sobre minha viagem à Nova Iorque o ano passado, sob o ponto de vista de consumo, e como gostaria que a grande maioria dos brasileiros pudessem viver, se o único viés fosse o poder de compra:

      “Poder de consumo para todos!”

      Precisamos de um presidente que entenda dos diversos mecanismos para chegar numa sociedade mais igualitária, de maneira geral. Que seja um estrategista, criativo, comunicativo. E que nos conquiste pela inteligência e não pelo coração! Um presidente precisa ser um grande profissional e não um grande héroi popular!

      Mas para isso, por outro lado, precisamos também parar de defender o nosso “time” (sejam os mais apoderados ou os menos) como se fôssemos rivais! Vamos acordar!

      O “gigante” que levantou o ano passado era acéfalo porque pensamos de maneira fragmentada, pensamos no nossos problemas apenas, um culpando ou reprimindo o outro. Pensar no coletivo não é olhar apenas para o menos abonado. Pensar no coletivo não é a ostentação de quem pode. É olhar a sociedade como um todo.

      Estamos todos num mesmo barco chamado Brasil.

    2. lebeadle disse:

      Agradeço às referências, vou assistir.

  5. Adônis disse:

    Eu entendo esse posicionamento de que a política é um jogo de PODER. Por outro lado, acho que as medidas econômicas de um governo tem sim um “lado”, um lado muito mais material, de mais consequências concretas do que a política .O erro é atribuir bandeiras partidárias a essas ações econômicas tomadas pelo Estado, e fazer uso político delas,( privatizar é sempre ruim, ou estatização é somente negativa, por exemplo) um bom governante deve saber transitar entre esses modelos econômicos para o progresso do país( progresso cultural e material )
    Coloquei o exemplo da minha família porque cresci odiando essa demonização que se faz do sistema capitalista,a intenção não era defender o meu quinhão.Ao passar pelos dois lados vi que se a sociedade abandonasse mais o ódio de classes(que o atual governo promove) conseguiríamos dialogar melhor, para o estabelecimento de políticas econômicas eficientes que melhorariam o nível de vida de modo geral, queria mostrar que acredito mais nesse espírito do capitalismo de estimular o progresso(não só material) do que no socialismo econômico(economias planificadas) que através de uma equidade imposta acaba igualando todos a partir de um padrão baixo.
    Estou disposto a votar em políticos que tragam esse debate, que empenhem-se no progresso, independente de ele ter que transitar entre sistemas econômicos tão opostos. Não sou cego para os males do neoliberalismo, mas será que foram só males? Pelo conhecimento que adquiri até agora é por causa dele que tivemos no mundo um boom tecnológico, isso se chama livre concorrência, vontade de melhorar,de fazer melhor (aquela fábula do Adam Smith) o que não “sinto” ao meu redor a toda hora , eu sinto acomodação.
    Quando falo de economia é porque a área realmente me interessa, como você mesmo me disse naquele email, eu ainda tenho só 18 anos, queria saber muito mais, mas acho que se não começarmos a exercitar nossa capacidade de debate com o que temos, não é quando adquirirmos o conhecimento completo necessário (isso existe?) é que conseguiremos, por isso tomo a liberdade de “falar de economia “, uma de minhas dúvidas em relação a qual curso prestar vestibular era Economia, então sempre que posso leio revistas sobre o tema, entrevistas, etc( pró e contra governo).Quando falo do PT é porque considero Dilma e Lula a mesma moeda, foi uma abreviação; e considero as medidas econômicas do governo deles ruins e isso está prejudicando muito o país. Tenho que ver o viés econômico principal que o candidato mostra, e se ele está capaz , para quando necessário, de transitar entre eles, acho que a Dilma e o Lula perderam isso e estão usando seu viés econômico principal como única bandeira política. Quero um candidato que aposte no constante avançar, e que eleito crie uma mentalidade pró ativa no povo e não aposte em apimentar ainda mais o ódio de classes.

    ps: “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que ele têm pelos próprios interesses. Apelamos não à humanidade, mas ao amor-próprio, e nunca falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que eles podem obter…” Adam Smith.

    1. minhavidagay disse:

      Incrível, Adônis… 18 anos e estou tendo uma mini aula!
      Obrigado! :)

      Quem dera que muitos leitores passassem por essa timeline de pontos de vista! E parabéns pela sua história que transitou do “público ao privado”. Também fiz esse trânsito, fora atuar diretamente com parceiros e clientes do terceiro setor, o que colaborou para a ampliar demais a visão, além da minha própria bolha existencial.

  6. Adônis disse:

    Obrigado pelo elogio! Prezo muito por espaços como o seu blog que permitem debate aberto e franco.E deveria ter mais gente! Sonho um dia em que no Brasil predomine conversas assim em escolas, universidades, praças, ruas, manifestações. Tem uma série no univesptv no youtube(não sei se pode postar link aqui) que mostra muito bem como deveria ser as discussões que tentam entender o país. Chama-se “Justice” e mostra alunos de Harvard, a despeito de ideologias pessoais e diferenças sociais, étnicas, discutindo questões polêmicas como ações afirmativas de forma calma, sem gritaria e sem levar para o lado pessoal! Fiquei encantado, vi só esse sobre cotas há um mês acho, foi até bom o papo aqui para lembrar de assistir tudo. Super recomendo.

    1. minhavidagay disse:

      Pode recomendar por aqui! O que precisamos é de referência! :)

  7. Adônis disse:

    Justice – Discutindo ações afirmativas

    :)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s