Relato Gay – Coisas do destino


Deus e destino as vezes são sinônimos e normalmente nos colocam para passar por provações. Numa cidade de milhões de habitantes, qual a probabilidade de reencontros coincidentes, ao acaso, que provocam nas pessoas sentimentos inesperados?

Aconteceu comigo nos últimos dois relacionamentos. Quer dizer, aconteceu comigo depois que terminei os dois últimos relacionamentos (rs). No primeiro caso, estava na companhia do “Nike”, no dia do meu aniversário, num lugar improvável, “fora da rota”, quando meu ex veio caminhando com seu então namorado em minha direção. Na ocasião, ficou claro que me viu, viu que eu estava acompanhado, trocamos olhares, alarguei meu sorriso, mas ele abaixou a cabeça e seguiu como se eu fosse totalmente invisível.

Fui “tirar satisfação” numa primeira ocasião possível e ele renegou e provavelmente negaria até hoje que teria me visto.

Daí que ontem estava na cia de um amigo, o Candy, no metrô Faria Lima, enquanto aguardávamos o Enriketa saltar. Parei meu carro lá perto e aguardávamos na boca da estação. Lugar também improvável para coincidências “do além”.

Eis que depois de alguns minutos esperando, vi o “Cláudio”, namorado do meu ex, saindo da estação. Cláudio me viu e abaixou a cabeça. E depois de ter visto o Cláudio notei ao seu lado uma pessoa: vejam só que “coincidência”, meu ex-namorado! Ele não me viu (ou pelo menos acho que não) e naqueles centésimos de segundos que o casal se afastava, pude apenas dizer rapidamente ao meu amigo: “meu, é meu ex-namorado!” e depois chamá-lo duas vezes até que virasse.

Por que resolvi chamar afinal? Vamos lá Freud, me explica!

Foi um certo choque, fiquei nervoso pois era a primeira vez que estávamos lá, nós três, frente a frente, “ao acaso”. Fiquei nervoso por saber de todo o contexto “macarrônico” que foi cenário para os dois tornarem-se par, assunto que jurei não narrar no MVG para não expô-los. Gaguejei, errei o nome do Candy na hora de apresentá-lo. Uma bagunça! (rs).

Típicas sensações que tomam forma só depois, depois que passa o susto. Em seguida nosso amigo chegou e confundi mais um pouco, mas deu tudo certo.

Daí que hoje meu ex veio meio que entusiasmado ou eufórico falar do incidente que – a ele – teve continuidade: depois que partiu, uns 10 metros a nossa frente, o ex do seu atual também cruzou ambos! Meu ex chegou hoje a mim embasbacado e eu disse: “tem coisa que é do destino mesmo. É de Deus e cabe a cada um de nós buscar um significado (ou não) para tais sinais”.

O ex do seu atual, ao cruzar pelos dois, teve reação diferente: baixou a cabeça, passou rápido e fingiu que não viu. Comentei algo assim: “nada mais natural, não é? No contexto ‘macarrônico’ que vocês começaram…”.

Depois de tal encontro fiquei meio “perdido” por um tempo. Candy foi um fofo em dar apoio e compreender tal choque. “Enriketa” ouviu mais um pouco dos “contos e fábulas” da vida moderna (rs) e partimos para o boliche, como estava combinado para encontrar a “Sister Paulete”.

Não teria como essa história não reverberar e sabia que meu ex, que passo a chamar de “Bing” agora – no MVG – iria trazer a conversa. E falamos sobre.

A mim, o choque se traduziu como uma maneira boa de seguir em frente. Foi bom perceber que estamos tocando nossas vidas em busca de realizações próprias e da tal felicidade a qual apostamos quando terminamos. Foi bom me deparar com a cura, que se manifestou no momento dos centésimos de segundos que resolvi tomar a atitude de chamá-lo. Foi bom perceber que a postura veio de mim, quando chamá-lo representou o aceite. A aceitação de encontrá-lo presencialmente, formalizar com todos os símbolos humanos possíveis – presentes naquele instante – que as nossas vidas tomaram rumos diferentes e nos preenchíamos com pessoas diferentes.

O que era duro, difícil ou cruel tornou-se um tipo de alívio. Libertador.

Abracei ambos para cumprimentá-los, abracei ambos ao me despedir. Desculpe, gente, mas me sinto foda porque me senti bem com aquele encontro. É isso que fica.

A vida e as pessoas que tenho hoje me completam. E repito: as pessoas e a vida que tenho hoje me completam.

Estou curado, porra! /o/

Acho que já posso amar de novo, ca-ra-lho! \o/

E graças a esse mesmo bom Deus e a minha maturidade não fiz ninguém de estepe nesse tempo. Não usei ninguém que queria algo mais, que eu não poderia retribuir. Não distribui migalhas para resolver minhas dores para aqueles que me queriam inteiro. So mature!

\o\ \o/ /o/

Mas ok, mamãe, vou com calma. :)

 

4 comentários Adicione o seu

  1. Candy disse:

    Querido MVG, que post mais bacana!

    Foi bem interessante ter presenciado todo esse fato e foi ótimo ter dado apoio a você naquele momento. A mim, que sempre acompanhei o seu blog e agora posso conhecê-lo ainda mais pessoalmente, isso tudo também serviu como lição. Lição de ver como uma pessoa lida com o término de uma relação muito duradoura. E a maneira como você lidou com tudo isso foi muito madura (ao contrário de muitos outros que estão por aí). Acho que esse “encontro” serviu como prova final para ver se você ainda estava ligado ao seu ex e também para ver como você reagiria perante ao atual.

    Eu acredito que você realmente tem que se orgulhar da própria atitude e também dessa plenitude que está vivenciando. E isso são poucos que atingem!

    Eu mesmo me orgulho em presenciar essa sua transformação! É muito legal em ver você reconhecer tudo isso!

    E para o que precisar, estarei aqui!

    Beijos do Candy!

    1. minhavidagay disse:

      Olá Candy Crush! Rs

      Não tenho muito o que comentar, a não ser agradecer pela amizade e carinho que tem se estabelecido entre nós. Você esteve presente e me viu vulnerável! =O

      Porque é o que busco dizer: o MVG é só uma parte de mim. Sou também humano e pode ter certeza que a sua presença e a presença do Enriketa me ajudaram a estabelecer essa postura amadurecida.

      Very tanx, Candyki! :)

  2. lebeadle disse:

    Parece que o caminho é esse, desejar o bem do outro e brindar o amor com o poeta: (…) ” E assim quando mais tarde me procure/Quem sabe a morte, angústia de quem vive/Quem sabe a solidão, fim de quem ama//Eu possa lhe dizer do amor (que tive):/Que não seja imortal, posto que é chama/Mas que seja infinito enquanto dure”. Infinito enquanto dure!

  3. minhavidagay disse:

    Precisamente, lebeadle. Precisamente!

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