Sou gay e quero assumir para minha família


Assumir ser gay para a família, para quem já fez, sabe que na maioria das vezes muda a vida. Tiramos um peso das costas bastante grande e podemos viver um contexto mais livre e aberto, sem ter que criar cisões entre família e homossexualidade.

Quando deixamos de assumir para nossos pais, normalmente adotamos duas “máscaras”: a quando estamos com eles, fazendo o “personagem” do filho assexuado ou pseudo heterossexual e aquela quando estamos longe deles e vivemos casos, amizades e uma sensação mais livre para exercer a própria sexualidade.

Muitos adotam tal modelo, de nunca contar para a família e criar esse tipo de divisão. Mas a grande maioria hoje, pelo menos do que sinto das novas gerações, idealiza a possibilidade de compartilhar a homossexualidade e poder sentir certa plenitude, franqueza e abertura para ser o que é perante os pais e irmãos. Por um lado, ninguém tem a ver com a nossa intimidade. Por outro, como homossexuais, ter a aceitação, inclusão e respeito da família eleva normalmente os relacionamentos para o patamar da normatividade.

Como diria Edith Modesto, quando os filhos saem do armário os pais entram. Normalmente é assim que funciona e pais e irmãos tem tempos diferentes de assimilar a ideia do filho/irmão gay. Alguns podem demorar anos, outros meses, alguns semanas e há aqueles que chegarão de imediato e dirão: “mas eu sempre soube! Estava respeitando seu tempo e aguardando você me contar!”.

O mesmo acontece com irmãos que, na grande maioria das vezes, assimilam a ideia com muito mais facilidade. Normalmente serão esses que farão aquele grupo de perguntas, para resolver a curiosidade do que é ser gay.

Daí que após esse processo de maturação perante todos, dure o tempo que durar, o filho gay passa a entrar na normatividade e a família também. Com a assimilação da ideia, as situações corriqueiras entre pais e irmãos se estabelecem, agora com uma sensação de plenitude.

Alguns gays costumam dizer que o gay é diferente. Que relacionamentos gays são diferentes de relacionamentos heterossexuais e que muitos modelos héteros de padrões familiares não se aplicam ao homossexual. Talvez fosse assim no passado, quando não tínhamos a autonomia de hoje e a identidade gay era algo menos formado. Talvez fosse assim quando o preconceito ou a necessidade de diferenciação/autoafirmação era uma realidade mais intensa. Talvez seja ainda assim para o gay que divide sua “vida gay” da família, não criando intersecções entre esses dois universos.

Mas hoje, num contexto familiar, ser gay tem algum tipo de destaque?

Depois que existe a aceitação e a maturação no núcleo familiar, a sensação que eu tenho é que hoje pouca coisa muda. Pais em relação aos seus filhos terão sempre as preocupações primordiais, da segurança, da saúde, dos estudos, da profissão e do futuro.

Minha mãe, meu pai e meu irmão, por exemplo, cientes da minha realidade sexual e cada um tratando de tal tema a sua maneira, no final não estão preocupados com situações exclusivas ao homossexual porque – de fato – quem alcança a reciprocidade na família sai daquele contexto de que ser gay é diferente, seja pela exclusão ou por qualquer valor esteriotipado que nos lance para cima ou para baixo.

Levar a homossexualidade para dentro de casa acaba sendo um grande aprendizado para todos.

Se sou hipoteticamente vaidoso, bem sucedido com a minha empresa, se cuido da minha saúde, pratico exercícios físicos semanais, se tenho talento para artes, se sou comunicativo ou qualquer outro atributo que por ventura outrora justificasse o meu estado – gay – tais características não são mais associados a minha condição sexual, mas a pessoa que sou na totalidade. Essa revisão de valores é um salto qualitativo nas relações.

Alcançar esse patamar, sem ter determinadas características ou hábitos associados a “ser gay” é conquistável e leva-se um tempo, a medida que cada indivíduo que compõe um núcleo familiar é mais conservador ou rígido, mais ou menos informado/instruído ou mais ou menos capaz de abstrair das questões de preconceito que servem como limitações, priorizando então o valor afetivo natural na relação de pais e filhos.

Como já disse por aqui algumas vezes, e vale repetir para aqueles gays que estão hoje na iminência de assumir aos próprios pais e irmãos, minha mãe levou aproximadamente um ano para aceitar. Meu pai levou praticamente 10 anos para se conformar (que é diferente de aceitar) e meu irmão sentiu-se a vontade com a ideia em dias. Nessa configuração, em especial ao meu núcleo familiar, a maneira que está é perfeita a mim. Não tenho a necessidade de mexer em nada pelo simples fato de poder ir e vir da casa de meus pais cientes que eles sabem que sou gay e que teremos as exatas interações que existem hoje.

Há quem diga que tal processo “lento” se deu pelo fato d’eu fazer parte de uma família de descendente de japoneses, que a cultura japonesa é mais rigorosa ou whatever. Mas afirmo hoje, com bastante lucidez, que dizer que família japonesa é “isso ou aquilo” ou que família portuguesa é “assim ou assado”, não deixa de ser atos de julgamentos e preconceitos. Não é porque a minha mãe descende de japoneses que demorou um ano, nem que meu pai levou seus 10 anos para se conformar, nem mesmo que meu irmão contabilizou alguns dias para absorver a ideia e aceitar. Tudo isso acontece pois são indivíduos unos, desprendidos – em certa medida – das próprias raças e que entendem e absorvem os mais diversos valores, conceitos e mudanças a sua maneira exclusiva.

Assim como eu, cada gay que lê os posts do MVG percebe sua homossexualidade e reage a ela de maneira ímpar. Há ainda aqueles que sofrem por serem gays, há aqueles com mais de 30 anos que não pensam em assumir para os pais, há aqueles que transitam entre a heterossexualidade e a homossexualidade e não conseguem se fixar em nenhuma das partes, há aqueles gays com imensa dificuldade de formatar um relacionamento afetivo mais duradouro, há aqueles que preferem viver de curtidas aqui e ali e não querem se fixar a ninguém e há, de fato, uma pluralidade que Freud (e outros que estudam a psique) sempre farão uma festa. Mas o mais legal de tudo é que nenhum “tipo” está sozinho e existem milhares de ocorrências que acabam nos lançando em grupos de afinidades.

Somos, de certa maneira, classificáveis quando nos permitimos ser e nos agrupamos por tais classificações de afinidades.

Quando a família aceita seu filho gay, tais classificações serão necessariamente revistas. Mas o mais importante não é a revisão que a família fará. No final, o mais importante é como cada gay se percebe no mundo. Isso sim faz alguma diferença. E sempre será assim. Gays, heterossexuais, g0ys, bissexuais, transgêneros, transexuais ou qualquer outra classificação que a sociedade ou grupos trarão à tona, cada um tem a necessidade de se contextualizar, pular para dentro de uma “caixinha” e buscar alguma medida que dê segurança.

Funcionamos assim na maioria das vezes.

No mais, e sobre influência de qualquer relação entre pessoas, o tempo sempre resolve. Precisamos aprender, em definitivo, a respeitar o tempo de cada um, sem exigir nossas demandas, sem protestar por imediatismos. O tempo é influente na relação entre pais e filhos, entre amigos e entre casais.

Se você sente que é seu tempo para assumir para seus pais, faça. E aceite a condição que a partir de então é o tempo deles que deve ser respeitado. Não há outra fórmula.


coach-de-vida-gay

Sou Mentor e Coach para o público gay e relacionados: pais, irmãos, amigos, entre outros e desde 2011 matenho o Blog MVG como meio de referência, trocas e vivências. Gostaria de uma mentoria ou coaching? www.lifecoachmvg.com.br

22 comentários Adicione o seu

  1. Jorge disse:

    Eu vou falar um pouquinho sobre a minha atual situação, se puderem me dar alguns conselhos agradeço!
    Estou no meu ultimo ano na escola, e de uns tempos pra cá eu comecei a decidir como e quando eu vou tentar contar pra minha família que sou gay, mas tem vários poréns, um deles é a aceitação, eu não sei exatamente o que a minha família em geral pensa sobre ter um filho/irmão gay, a única pessoa que eu já escutei falar sobre o assunto é a minha mãe, ela fala que cada um tem o direito de ser o que quer ser, mas ela também só fala isso quando não está nada sóbria, por que quando ela não bebe é totalmente diferente, já chegou a perguntar com raiva pra mim assim: “tu não é viado né?”…
    O resto: pai e meus quatro irmãos, eu não sei exatamente, já ouvi coisas do tipo: “de viado eu quero distância”, ou “se tu for viado eu te quebro”, por que eles são tudo assim um bando de ogros…
    Mas essa semana teve uma coisa que me intrigou, eu tava procurando umas coisas no quarto da minha mãe, daí fui olhar na estante onde ela guarda documentos importantes e essas coisas, abri a gaveta, e lá tava uma revista, nessa revista a capa dizia o seguinte: “Meu filho é homossexual, e agora?”. Eu fiquei um pouco desconfiado, to achando que ela acha que sou gay…

    Eu queria contar pra eles e essas coisas, tava pensando em fazer isso quando eu já tivesse com 18, tivesse trabalhando, na faculdade e já ter acabado a escola, tava pensando também em somente contar pros meu pais, e se eles quiserem, podem contar pros outros… por que eu não tenho coragem..

  2. minhavidagay disse:

    Oi Jorge, bom dia!
    Tudo bem?

    Para muitos pais a aceitação do filho gay ainda não é fácil. Esses “surtos” preconceituosos são até normais, um pouco pela existência das piadas comuns sobre gays e um pouco – talvez – pela “aflição” da possibilidade deles saberem de você.

    Dizem que mães sempre sabem dos filhos quando são gays. Isso não é uma verdade absoluta. A minha mãe, por exemplo, não fazia ideia. De qualquer forma, a revista que você achou pode ser um indício de que sua mãe desconfie e esteja estudando sobre o assunto para se preparar com o seu “came out”.

    Bastante difícil opinar se no seu caso as coisas darão certo rapidamente pois não conheço de perto a sua família para medir os “surtos preconceituosos”. O que posso dizer é que as coisas sempre tendem a dar certo depois de um TEMPO. A frase do meu texto que faz mais sentido e se aplica para a maioria é: “Se você sente que é seu tempo para assumir para seus pais, faça. E aceite a condição que a partir de então é o TEMPO deles que deve ser respeitado. Não há outra fórmula”.

    Nossos pais podem demorar um tempo mais longo para aceitar e precisamos estar preparados, acima de tudo, para respeitá-los e deixar a vida fluir sem cobranças ou expectativas.

    Pais não são obrigados a aceitar de imediato na realidade cultural do Brasil. Querer obrigar os pais a nos aceitarem incondicionalmente os colocam numa idealização que não funciona. Mas, no geral, tendem a absorver a ideia e levar o assunto com tranquilidade. Mas requer TEMPO.

    A preocupação maior, pelo seu relato, é se eles, seus pais e irmãos, podem agir com agressividade. Isso não deve acontecer jamais.

    Ok?

    Um abraço,
    MVG

    1. Jorge disse:

      Na verdade, acho que minha maior preocupação, é a reação das pessoas que me conhecem, essa questão da agressividade também me preocupa, mas é que eu ligo demais pro que pensam de mim, mais ainda quando a pessoa fala de você e você percebe, isso é de tirar o sono kkkk

      Mas obrigado pelos toques, estava precisando mesmo!

    2. sethrms disse:

      cara sendo bem sincero com vc,na minha opinião mãe quase sempre sabe,algumas fingem que não sabem ou simplesmente não comentam sobre o assunto pq não querem acreditar,vou te falar que quando eu me assumi pra minha mãe foi tipo um boom….foi no impulso mesmo,ela apenas olhou pra minha cara e faltou falar “e as novidades do dia são quais?” e olha que sou masculino,não dou pinta nem nada disso,todo mundo na minha faculdade pensava que eu era heterossexual,hoje em dai todos já sabem,só sou no armário ainda no trabalho por questões de conveniência mesmo,tenho medo da chefia querer me prejudicar em função disso,mas no mais comigo foi super tranquilo,com meu irmão foi ainda mais tranquilo ele só falou “nossa imrão e vc guardou isso pra vc sozinho?devia ter contado pra gente,vc deve ter sofrido muito escondendo isso”,só foi um pouco mais barra pesada com meu pai,mas com o tempo ele acostumou com a ideia tbm e me trata normalmente hoje em dia.

      1. Jorge disse:

        disso eu não tenho certeza… mas to até feliz com a situação, ontem minha mãe disse que viu um filme com temática gay O.o
        eu fiquei bobo quando ela veio me falar q viu “um filme com história gay muito bonito” que era aquele The Normal Heart na HBO, disse até que viu as cenas de pegação…

      2. sethrms disse:

        HAHAHA pior que minha mãe comentou comigo que achou bonito o filme do Brokeback Mountain rsrs…isso antes de me assumir….ironico não?

      3. Jorge disse:

        pois é, mas será que elas dizem isso por que desconfiam da gente? por que parece que é como se elas estivessem tentando entender a nossa situação…

  3. lebeadle disse:

    Uma coisa que verifico é o quanto o lugar geográfico de se assumir conta; uma coisa é você se assumir gay numa cidade como S. Paulo outra o é no interior da Paraíba; digo isso pois, recentemente, fiz uma viagem a Recife e vi dois caras de mãos dadas na rua em plena luz do dia, algo que jamais havia visto na vida, fiquei pensando se eles não tinham medo de serem agredidos, ridicularizados mas nada disso ocorreu até onde vi; acho que num clima desses onde se vê publicamente a intimidade entre iguais é mais fácil falar com a família, amigos. O Recife é bem diferente mesmo, tanto que nesse mesmo dia fui a uma peça que, nada indicava pela sinopse, tinha temática gay e acabou que era uma daquelas peças que interagem com o público e um ator veio e começou a beijar as mãos dos homens que ficaram constrangidos mas eu peguei a mão do cara e beijei afinal achei um gesto gentil e não algo de afronta (no lugar onde fui criado qualquer gesto gentil para com outro homem é coisa de gay, afinal gentileza e cortesia são reservados para mulheres, são parte de galanteios e não coisa pra se ser exercida entre homens; homens devem ser tratados de forma mais direta, brusca).
    Sobre a revista que o Jorge falou acho que deve ser uma que saiu esses dias em um jornal da Santos-SP e está no link abaixo para conhecimento de todos. Aproveitem para conhecer o GPH (Grupo de Pais de Homossexuais) da Edith Modesto, referenciada pelo MVG, que acredito é hoje a figura mais proeminente nessas coisas de “sair do armário” pelo fato de ser uma mãe esclarecida dos problemas que todos nós passamos para refazer nossa imagem e praticamente nascer de novo, com todas as dores que um parto possa ter direito e sem anestesia.

    http://www.gph.org.br/midiaPress_det14.asp

  4. Jorge disse:

    Nossa foi essa mesmo!, eu li sobre a reportagem que aliás é muito boa mesmo, saiu na revista do jornal da tribuna aqui de santos…

  5. Caio disse:

    Nao havia lido nada tao interessante ao tema ate agora. Parabens! Os comentarios tambem. Nao concordei
    muito com a resposta sobre SP x Recife. Talvez por eu Morar no Rio, tem uma vida bem parecida com SP por ser um grande centro, e aqui ė muito comum ver casais gays nas praias, shoppings ou ruas. Mas entendo sua opiniao. Acho que o medo esta mais em vc do que na cidade, assim como dentro de casa na hora de assumir. Em todas as cidades existe o risco da agressão ou de piadas. Abs!!

  6. Caio 2 disse:

    E aqueles que estão no “meio a meio” no quesito plenitude familiar no que tange a homossexualidade? rs. Bem, como eu já te disse uma vez, minha família núcleo sabe sobre mim, mas somente eles, os meus parentes ainda não, nem meus quase amigos. Vivemos muito bem, sou tratado como filho e irmão de maneira exemplar. Meus pais são do tipo que para eles importa a figura do filho em si e não como ele seja. Mas não conversamos quase nada sobre o assunto. Principalmente por minha própria causa. Não é porque sinto vergonha ou porque ainda guardo resquícios de inferioridade por causa da minha orientação sexual, mas é porque não quero compartilhar tudo sobre mim com eles. Eles não vão entender muitos aspectos e também não ajudariam muito na prática a resolver minhas inquietação acerca do assunto, então prefiro deixar isso com os amigos de verdade.
    No entanto, nos últimos tempos tenho conversado um pouco com minha irmã e até relatei alguns casos que apareceram na minha vida. Até brincamos as vezes falando sobre homens. Acho que senti que ela não me constrange e por isso houve esta abertura.
    Com os meus pais ainda é possível fazer o mesmo mais a frente. Principalmente quando eu estiver mais independente e até quem sabe namorando um homem. Mas com certeza nunca chegará ao ponto de levar minha mãe totalmente para o meu mundo. Ilustrando, levá-la, sei lá para uma boite de entendidos rs, por exemplo.
    Mas de manira geral é muito bom se livrar desse ocultamento de parte de quem você é perante as pessoas que mais importam para você. Os demais se não gostarem que se danem, eles não têm a mesma importância que os primeiros.

    E por fim, MVG, você disse que depois que a família compreende e começa a conviver numa boa não fica mais evidente, ou tão evidente, que os homos sejam tidos como pessoas que aparecem mais, no caso dentro da família. Também concordo com isso, mas com relação aos aspectos que fazem-os se evidenciarem em suas vidas, como os que você citou, devo dizer que vários deles surgiram em boa parte porque somos homos; podem ter perdido a associação direta com a homossexualidade, mas continuam em nós por causa dela, então continuam merecendo o crédito rs.

    Hoje sou Caio 2 de novo, mas sou aquele mesmo de sempre.

    Abs.

  7. Homem Homossexual e Pai disse:

    Nossa! que legal seu blog! Parabéns! Eu mantenho um blog há muito tempo e nunca tinha “caído” aqui em minhas surfadas! A coincidência é que justamente hoje postei um post falado sobre caras que tem esposas e relacionamentos gays… o que não é meu caso mas não deixa de me surpreender e solidarizar.
    Também achei muito legal vc referenciar a Edith, eu também ajudo um pouco no trabalho dela , tanto no GPH quanto no Purpurina, e sei o quanto pode ajudar as pessoas!
    Não sei se você conhece o Grupo HOMOPATER, ele pode ser uma boa incidação para alguns de seus leitores !
    Vou tentar acompanhar seus posts, e ler os muitos que ainda não li!
    Abs

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado, HHP!
      Seja benvindo :)

  8. Biel disse:

    Olá também procuro alguns conselhos.
    De um tempo pra cá a ideia de me assumir gay para os meus pais vem me atormentando, está preso na garganta mas não sai. Acho o que me impede é o medo de magoa-los… Sei que eles vão me aceitar,porque, já ouvi minha mãe dizer (várias vezes) que não gostaria de ter um filho gay, mas se tivesse, aceitaria, bom, meu pai nunca disse nada, mas é cabeça aberta e eu não ligo para que meus irmãos acham disso :P.
    Acho que eles não fazem ideia de que eu seja gay, sou bem masculino, tornando difícil de se perceber e acho que a noticia vai ser um tremendo choque (ou não, vai saber). Mas o ponto positivo é que estou com a vida, pelo menos a parte profissional, bem encaminhada, porque, já tenho 21 anos, estou no 3º ano de engenharia e logo começo o estagio. Acho que estes fatores me ajudam, mas ainda sim fico relutante em falar com eles,não consigo “criar” coragem para isso, às vezes penso em escrever uma carta(já escrevi, mas não sei se um bom modo de me assumir), já que não consigo falar, penso que poderia entregar essa carta a eles dizendo tudo o que acho necessário e resolver esse assunto.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Biel
      tudo bem?

      Eis uma questão bastante delicada. Trata-se de um assunto íntimo, pessoal e intransferível (como você deve ter visto no post do Facebook).

      Cada um sabe o tempo certo para se falar. Vai chegar uma hora que o peso de ficar “escondido” é tão grande que você vai acabar contando.

      Muitos jovens recorrem a um primeiro namoro para se ter segurança e não ter desculpa e assumem para os pais enquanto se está se relacionando com outro menino. Isso é apenas uma dica que não precisa ser seguida como regra.

      No final, a escolha de assumir depende muito do seu contexto familiar e, acima de tudo, da sua segurança. Se você enxerga que tem pais relativamente abertos, já é um ponto positivo.

      Outro ponto positivo é enxergar que a sua sexualidade é apenas uma “pontinha” de tudo que você é. Como você é como filho? Como aluno? E como será como futuro profissional?

      Como você trata as pessoas de um modo geral, parentes, primos e amigos?

      Na prática, você é uma soma de qualidades (e defeitos) e, apesar de um possível choque inicial, todos os pais fazem um grande balanço, tirando o foco da sexualidade e percebendo o indivíduo na totalidade. Personalidade, caráter, senso de responsabilidade e moral, etc.

      Ok?

      Um abraço,
      MVG

      1. Biel disse:

        Muito Obrigado pela resposta e pela dica :).
        Explicar que a minha personalidade não vai mudar é um dos pontos que quero deixar claro para eles, afinal um dos meus medos era que eles achassem que eu iria mudar totalmente. Mas eu acho que é natural, com o tempo, que eles enxerguem isso. E adorei a pagina no Facebook.

      2. minhavidagay disse:

        Obrigado Biel!

        Qualquer coisa estou por aqui.

        Um abraço,
        MVG

      3. Biel disse:

        Atualizando.
        Tinha esquecido que tinha comentado aqui pedindo ajuda. Bom da data do comentário pra cá, quase um ano, a minha vida mudou mudou consideravelmente. Em Outubro eu conheci o garoto que hoje é o meu namorado, com isso me aceitei completamente, me aceitei da forma como sou e comecei a viver mais feliz. No entanto, até o dia 23 de Abril desse ano ainda não tinha conseguido me assumir. Neste dia, fui meio que descoberto por causa do Facebook -p , e bom, tive que me assumir para meus pais e avós. No fim das contas não foi tão ruim, mesmo que ainda eu encontre um pouco de resistência da minha mãe, que acha que é uma fase (ou por causa da faculdade), mas acho que com o tempo as coisas mudarão. E eles aceitarão melhor a idéia.

  9. Robert disse:

    Deixem que eu conte também um pouco sobre mim: eu li no artigo que há gays que transitam entre a heterossexualidade e a homossexualidade,o que, na minha opinião, configura um bissexual. Mas, independentemente dos rótulos afixados, a verdade é que tem sido assim comigo: ultimamente tenho me relacionado com moças e com rapazes; aliás, acabo de sair do apê de um cara com quem passei esta noite. Enfim, voltei para casa encasquetado com esta questão, pois o fato é que eu QUERO assumir para a minha família, mas não tenho coragem, por medo da reação da minha mãe, que é uma pessoa muito boa, mas, infelizmente, tem certas ideias homofóbicas enraizadas em si. Eu tenho tentado quebrar isso, mas sempre a vejo resistindo à quebra, impedindo a penetração de novas ideias sobre homossexuais, estes dias mesmo ela me perguntou se eu era homossexual ou bissexual, mas, considerando o momento (estávamos discutindo) e o tom de voz, eu disse que não. A verdade é que, para amigos, amigas, alguns colegas e até totais desconhecidos, eu já me assumi. O cara com quem eu fiquei ontem e hoje me disse que nunca adivinharia que eu curtia homens, ao passo que um amigo meu do ensino médio e, agora, da faculdade, disse – um pouco bêbado, o que aumenta a fidedignidade da opinião dele – que sempre desconfiou de mim e que eu tenho “um jeito”. Já outra amiga minha ficou surpresa e disse que nunca imaginaria que eu fosse bissexual; depois ela ficou toda animada de saber que tem o primeiro amigo bi dela (kkkkkk).

    Enfim, percebam que eu QUERO sair desta porra deste armário empoeirado e pôr a cara no Sol. Sempre fui um cara discreto, curto esportes, lutas, futebol, carros e academia, ou seja, não vou ser aquele tipo de gay do qual minha mãe tem pavor, o afeminado, mas não posso fingir que sou heterossexual, quando, desde que eu tenho 6 anos, eu sei que eu gosto de homens. Acho que o fato de eu estar dizendo para os amigos que eu sou gay ou bi é a minha tentativa de criar coragem para dizer isto para a minha mãe; vou testando as reações deles e vendo no que que dá. Talvez eu esteja até mesmo contando com a possibilidade de ser delatado por algum deles e ter que, apenas, confirmar isto para a família – eu sei, é uma atitude totalmente louca, mas o que hei de fazer?

    Gostaria que vocês, em especial os assumidos, seja há uma semana ou há 10 anos, me ajudassem. Obrigado.

  10. bethi disse:

    gente, mae nao eh obrigada a nada,se ela nao aceita, se o filho quer ser gay, seja gay longe dela e cada um viva feliz no seu mundo

    1. ABNER disse:

      Tudo bem, mãe não é obrigada a nada… Como também o filho não é obrigado a se trancar num armário a vida inteira passando assim uma imagem que a sociedade espera que ele seja. Não é bem assim também!

      Reveja os seus conceitos. NINGUÉM quer ser gay numa sociedade preconceituosa e discriminatória. Ninguém escolhe sua sexualidade. Quando foi que tu escolheu ser heterossexual?! Estude mais e leia mais sobre o assunto antes de opinar.

  11. Mari disse:

    Olá meninos, desculpe sair um pouco do tema de vocês. Definitivamente essa coisa de se assumir é bem complicada, falo isso porque sou lésbica e para mim também não foi fácil.. Mas eu to aqui pelo seguinte.To procurando algum casal gay onde um dos dois tenha descendência japonesa, eu sou sansei e quero morar no Japão com minha namorada.. se tiver alguém interessado, podemos fazer uma troca, eu caso com o namorado brasileiro,e o descendente casa com a minha namorada,assim os dois casais poderão ir para o Japão.Interessados deixem algum comentário aqui no blog mesmo.Obrigada meninos!

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