Vida Gay – 500!

E pensar que cheguei no post 500. Daria um livro!

Posso dizer que muito do incentivo que tenho para lançar meus registros por aqui, além da própria força de vontade para fazer do MVG uma fonte de reflexões e referências para gays, é o interesse dos leitores. Imaginar que já são 500 posts e, que de todos os comentários e e-mails posso contar nos dedos aqueles que vieram com críticas negativas ou deboche, é muito representativo. Parece que aqueles que se sujeitam a ler longos textos no Blog “Minha Vida Gay”, quando não calados sem deixar registros, aprovam. Obrigado!

Marca de 500 posts no MVG!

Onde eu acho um namorado?

De longe, muito longe, esse é o tema que, desde que o MVG começou, é o que tem mais cliques. Curioso que chega a ser antagônico o desejo por encontrar um namorado com a realidade que a gente vê no meio gay. Nas baladas e bares, nos ambientes destinados ao público gay, uma esmagadora maioria vive o individualismo e raros são aqueles que efetivamente estão namorando ou (aparentemente) visam um relacionamento.

Daí, tais estatísticas se invertem por aqui e demonstram que uma grande maioria das pessoas que encontra o Minha Vida Gay está querendo formar par! Incrível!

Nada mais justo do que celebrar o post 500 com mais algumas reflexões, dicas e ideias sobre tal tema: namoro entre gays.

A impressão que tenho as vezes por aí é que ser gay e namorar é como se fosse água e óleo. Quantos não foram os casos fragmentados ou mal sucedidos que ouvi? Dezenas, para não dizer centenas. Gente procurando um par na balada, no bar, nos aplicativos tais como Tinder, Hornet e Grindr, em salas de bate papo, sites de relacionamento, redes sociais e suas comunidades e assim por diante.

Uma grande maioria, quando não bem sucedida, lança a “culpa” no meio: “ah, porque encontrar namorado pelo Grindr não dá certo!”, “ah, porque na balada só dá gente que quer curtição” e, para justificar a falta de sucesso, responsabilizamos a forma.

Mas o que eu realmente acho é que a forma é o que menos importa. A questão é definitivamente as pessoas, ou melhor, suas cabeças (rs).

Pensemos sobre o contexto Brasil, que reverbera diretamente em nosso universo gay: vivemos num país onde a grande maioria é educada sob diversos vértices de preconceitos e desigualdade. Menos endinheirados se repelem dos mais endinheirados. Mais endinheirados se afastam dos menos endinheirados. O branco descendente de algum canto da Europa não se envolve pelo negro. O mulato não investe no oriental. O oriental tem forte tendência a querer um branco ou um mulato, mas em geral corta as possibilidades de estar com outro oriental. E se não é o próprio interessado que tem preconceito, alguém da família vai reagir contra. As vezes, parece funcionar só quando é fetiche e libido as escondidas na sauna!

Há também o preconceito do mais maduro com o mais novo e vice-versa. E, para dar continuidade nessa trajetória de exclusões e limitações, já ouvi um amigo comentar que não se envolveria com alguém que utilizasse celular pré-pago. Assim como é muito possível o indivíduo dito suburbano negar-se a assistir um cinema em um shopping do naipe do JK com seu namorado classe média.

Muitas questões, paradigmas e barreiras, não é mesmo?

Pensem também, como comentado em posts anteriores, que a juventude hoje quer viver tanta a própria individualidade, criam tantas expectativas sobre o outro, que uma pinta fora do lugar ou aquele movimento “estranho” na hora da transa já é motivo para brochar. Nesse contexto, as pessoas tendem a “cansar” muito rapidamente uma das outras, numa expectativa (olha a palavrinha aí de novo) de encontrar “alguém melhor”, tratando o outro muito mais como objeto de satisfação do que outrora. Eis os tempos modernos quando nunca se repetiu tanto a frase: “a fila tem que andar!”.

O problema, amigos leitores, sejam dos jovens de 16 anos, dos pós-adolescentes de 23 ou dos adultos de 30 para cima, é que a gente espera demais.

Esperar, ação passiva de estagnação, do aguardo que o outro provoque algo diferenciado em você.

Tem mais questões que resumiria em uma linha, para não virar um post gigantesco: existem traumas de relacionamentos anteriores, “lutos” não vividos, carências, baixa autoestima e, assim, a lista se prolonga.

Daí, a gente entra nas questões por sermos gays: é o autopreconceito, o medo de sair do armário e sofrer rejeição, as posições sexuais que as vezes mais repelem do que aproximam, o preconceito entre afeminados e masculinizados e assim a lista vasta continua.

O fato é que o bicho homem é muito cheio de caprichos. Dos “não me toques”.

Pensem que para namorar, uma penca dessas condições deveriam sair da cabeça. Deveríamos aprender a deixar fluir mais, sem que o senso de ideais se manifestasse tanto, nos “protegendo” de coisas que nem a gente mesmo sabe os por quês. Julgamos demais, enquadramos demais, idealizamos demais e, assim, vivemos aqueles namoros de intesidades de 6 meses, sendo que 6 meses é o tempo que a gente (apenas) começa a conhecer realmente o outro.

Será que o ato de namorar hoje exige uma aptidão inata? Dependeremos eternamente dos modelos tradicionais e conservadores para que um relacionamento se estabeleça?

Lembrem-se que estar com alguém deve ser a simples condição de querer seguir acompanhado. Simples, leve, fluido. E que não somos metades da laranja, mas sim laranjas inteiras. O que for além disso tende a ser ruído e certamente vai atrapalhar.

Valeu! :)

4 comentários Adicione o seu

  1. W disse:

    Como foi dito, as pessoas se prendem a ideais que elas mesmos criam ou adotam. Relacionamento sério está dificil de um modo geral, e quando se trata se uma relação gay parece que fica ainda mais dificil. A questão é não deixar de acreditar e buscar a afeição que tanto desejamos. Eu venho apredendo bastante com temas que são abordados no blog, como autosuficiencia e não criar expectativas. Eu com meus 19 anos acredito e espero (rs) que ainda vou vivenciar relacionamentos que me melhorem como pessoa.
    Por fim, parabéns! Não é facil se dedicar a escrever 500 posts e manter um dialogo com os leitores como vc faz. Acompanho o blog há 1 ano e como disse anteriormente, os textos me fizeram refletir sobre aspectos que todos deveriam repensar. E que venham mais 500 posts! rs

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado pelas palavras gentis, W! E vamos que vamos que a vida não pode parar. :)

  2. Vinicius Yuri disse:

    Acompanho o blog a bastante tempo. Ler que esse é o “post 500” me deixa feliz e me faz dizer: Parabéns!
    Gosto muito dos temas e da maneira que você os retrata. Leio muito os textos ligados a “Namoro gay” porque estou em um relacionamento e acho muito interessante a forma leve que você tem para descomplicar certos paradigmas. Já me ajudou muito. rs
    Parabéns mais uma vez. ;)
    Aguardo novos textos.

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado Vinicius e muito amor no relacionamento! :)

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