Uma menina apaixonada por um gay


Recebi semana passada um relato interessante, abordagem nova aqui para o MVG. “CM” é uma menina de 20 anos e que se envolveu emocionalmente por um amigo gay. No mais, seu próprio relato traduz uma questão que deve ser recorrente para outras centenas ou milhares de meninas!

Relato de CM:

Hoje foi um dia típico daqueles em que eu passei algumas horas procurando no google ”me apaixonei pelo meu amigo gay”, até que eu cai no seu blog e por algum motivo, não sei qual, resolvi escrever pra você rs.

Bom, meu nome é “CM” e tenho 20 anos. Minha história “trágica” começa em 2011, quando eu conheci o “M” em uma festa Junina de alguns amigos. Ele não tem jeito de gay e eu acho ele muito atraente. Na época ele namorava um amigo meu e eu sempre ouvia falar bem dele. Após um tempo eles terminaram e a gente nunca mais se viu. Um dia ele começou a comentar minhas fotos do Facebook, dizendo que eu estava linda (e aí que começa minha história desesperadora) e que faltavam alguns dias para o aniversário dele, que ele gostaria muito que eu fosse e quando eu disse que eu não poderia ir, ele falou “então depois você me recompensa”.

Conversa vai, conversa vem… do nada ele começou a dizer que queria me beijar e eu disse “Mas ué, você não é gay?” e ele disse: “Não exatamente, eu honro o que tenho no meio das pernas e eu quero você”. Alguns dias depois nós fomos em uma balada GLS com alguns amigos e foi aí que ficamos pela primeira vez. Todas as vezes que nós nos víamos, a gente se beijava, andava de mão dada e coisas do tipo. Nós havíamos nos tornado o típico casal hétero: fui apresentada à família como namorada (os pais e a irmã sabem que é gay), saímos juntos, dávamos satisfação das nossas vidas; enfim éramos mesmo um casal, apesar de oficialmente não termos nada.

As coisas foram ficando mais sérias ao decorrer do “relacionamento”, muitas brigas e muito ciúmes quando ficávamos sabendo de alguma forma que ambos tínhamos ficado com alguém. Ficamos até sem se falar quando ele descobriu que eu tinha ficado com um amigo em comum. Mas nós sempre fomos assim: nunca falávamos dos nossos relacionamentos porque não nos sentíamos a vontade com isso. Foi também por causa desse ciúmes que rondava a gente que ficamos um ano sem falar. Para mim foi um ano extremamente difícil. Chorava muito porque sentia falta dele, afinal nós sempre fomos muito amigos, sempre estávamos juntos e coisas do tipo. Fazia muita falta o jeito que ele me tratava e foi aí que eu percebi que eu gostava dele.

Depois de um ano que ficamos sem nos falar, no meu aniversário ele me mandou um pequeno texto pedindo desculpa e dizendo que sentia minha falta e nós voltamos a nos falar. Eu sempre perguntava quem era o menino nas fotos com ele (por mais que eu soubesse que era namorado dele) e ele sempre dizia que eram amigos, sempre “ocultava” o fato de namorar o tal menino, mas sempre deixou escancarado o fato de que traia ele com várias mulheres.

Logo após a gente ter voltado a se falar, nós fomos a um show e aí que começou tudo de novo: voltamos a ficar, voltamos a fazer cobranças um ao outro, brigas por causa de ciúmes, satisfação da vida e coisas do tipo. Continuamos a esconder pessoas que “ficávamos”, mas quando algo ou pessoa ficava em evidência, brigávamos por isso.

Ele me trata exatamente da mesma forma como se a gente tivesse de fato um relacionamento.

Esse tempo que ficamos sem nos falar fez com que a gente amadurecesse… fez com que ele ficasse uma pessoa ainda melhor e detalhe: fez com que eu voltasse a gostar dele.

As vezes eu acho que ele gosta de mim, assim como eu gosto dele ou as vezes até mais. Mas as vezes acho que não.

Eu tô bem confusa e acredito eu, que eu não posso chegar nele e dizer: “Querido, você gosta de mim?” rs Acho que as coisas mudariam muito entre nós e eu não quero isso.

A verdade é que eu li muito seu blog hoje e cheguei a conclusão que seria uma boa ideia (ou não) te mandar esse e-mail. As vezes você pode ser a minha luz no fim do túnel com algum conselho pra minha vida. rs

Obrigada desde já, rs

Um beijo,
CM

Comentário do MVG:

Oi CM
tudo bem?

Desculpe por demorar em responder. Recebo muitos e-mails e voltei faz pouco tempo de uma mini viagem de férias!

Achei sua história interessante e agradeço por você ter se correspondido. Gostaria até de publicar no Blog MVG, com apelidos. Tudo bem?

O que posso te dizer é o seguinte: muitos gays vivem essas dificuldades de resolução e passam anos transitando entre a homossexualidade e a heterossexualidade. Podem terminar como bissexuais, mas pelo que noto de seu amigo, ele tem a tendência de ser gay.

Ser ou não ser gay, como você deve saber, não é uma opção. Normalmente temos a sexualidade dentro da gente desde muito cedo e a medida que crescemos nos pegamos atraídos por outros do mesmo sexo (ou não).

Acontece, porém, que a sociedade, a educação e os estímulos estão constantemente nos “massacrando”, dizendo para seguir esse ou aquele caminho, ser isso ou ser aquilo. Assim, nosso psicológico normalmente se confunde, nos perdemos em referenciais e vivemos essas crises. As vezes nos envolvemos emocionalmente por mulheres em detrimento à frustrações de casos gays mal resolvidos. As vezes, o desejo sexual está conectado com alguém do mesmo sexo, mas afetivamente, qualquer um de nós (sejam gays ou heterossexuais) pode se sentir acolhido por amigos ou parceiros de sexos opostos.

Minha cunhada, por exemplo, antes de conhecer meu irmão e casar, teve dois ex-namorados homossexuais. Viveu alguns conflitos e passagens de vida semelhantes a você e, se posso afirmar, leva alguns ressentimentos até hoje.

A minha dica, apesar de ser fria e objetiva, é que você coloque esse amigo no lugar de amigo mesmo. Se você lhe confere essa liberdade de ir e vir, de estar com você e de estar com outro – lembre-se – é você mesmo que permite estar nessa situação. Se te machuca e cria possíveis traumas e idealizações, a permissão é exclusivamente sua. Já temos bastante trabalho para resolver nossas próprias questões, desafios de vida e problemas. Achar que você será capaz de “transformá-lo” ou “mudá-lo” para que ele tome uma decisão e faça uma escolha (entre a homossexualidade e a heterossexualidade) é uma bobagem. A sexualidade de seu amigo é algo que ele terá que aprender a conviver, entender, esclarecer para que se posicione de maneira mais madura perante as pessoas. Não viveria mais um minuto com ele nesse tipo de oscilação, vai e volta ou incertezas.

Sei também que decisões desse tipo são difíceis. Mas quem disse que se desapegar e tocar a vida sem ter o outro como desculpa é fácil?

Assim, querida CM, sugiro que saia desse rolo para que toda essa situação não fique traumatizante e para que você siga livre para encontrar homens cuja sexualidade seja mais clara e definida. Ao mesmo tempo, está aí a vida dele para que ele mesmo busque amadurecer, se entender melhor e, acima de tudo, livrar-se de conflitos, possíveis culpas e ter paz no coração consigo.

Ok?

Beijo grande,
MVG

4 comentários Adicione o seu

  1. Desculpe se estou postando no lugar errado, mas gostaria de saber muito sua opinião já que realmente pelo que vejo todo mundo te elogia assim…se possível queria contactar por email já que minha história é um pouco longa, mas creio que o assunto desta postagem tenha algo a ver com o que pretendo falar…

    1. minhavidagay disse:

      Oi Pablo!
      Aguardo seu contato no queroumtoque@gmail.com

      Um abraço,
      MVG

  2. Caio disse:

    “Não exatamente, eu honro o que tenho no meio das pernas e eu quero você”, é isso mesmo? Não acredito que li tamanha babaquice! Como se fosse preciso gostar de mulher para honrar qualquer coisa. E como sustentar uma relação, que até onde deu para entender, era fechada, com tantas puladas de cerca? Muita incoerência aí. É óbvio que não iria dar certo.

  3. Hehe, o Caio falou justamente o que eu ia falar!
    Me deu um acesso de raiva quando li essa frase velho.

    Não sei se consideraria indecisão as atitudes dele (ficar com homens e mulheres), mas apenas uma forma, talvez, de sexualidade.’Érr’ que ultimamente percebo que sexualidade é uma coisa tão complexa.
    Li esse relato e lembrei da relação que tenho com a ‘Mulher da minha vida'(é assim que me refiro a ela). A diferença é que nunca ficamos ou transamos, mas apenas somos unidos. Até penso que se ambos fôssemos héteros seríamos um casal bem interessante mesmo.

    A questão é que é normal essas brigas e acessos de ciúmes… Principalmente por vocês terem um envolvimento maior. Se eu morro de ciúmes pela ‘Mulher da minha Vida’ e vice-versa (e veja que não temos nada tão sérioh), e vale ressaltar que de certa forma o relacionamento é liberal entre a gente, imagina vocês?

    Uma mulher hétero ficar com um homem gay talvez seja a coisa mais normal do mundo. Como disse, sexualidade é uma coisa complexa.
    Acredito que o único problema entre vocês era o fato do relacionamento ser extremamente aberto. Acho que o mínimo a ser feito era existir um consenso entre os dois para o fato de que não haveria fidelidade no relacionamento que estavam tendo. Além dos dois serem sinceros e falar “Olha, eu fiquei com aquela pessoa” e não ficarem escondendo isso.

    Em fim.
    Abraços do CR!!

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