Vida Gay – Somos tão jovens


Por vezes idealizamos uma pessoa. Pela beleza que nos encanta, pelo jeito de ser, pelo sorriso e quando estamos apaixonados – seja algo platônico ou realizado – colocamos o outro num tipo de pedestal. Nossas emoções conectam a tal ideal, como se estar e ter o outro dessem um toque especial a nossa vida. A verdade é que a sensação é realmente essa: quando estamos juntos com a pessoa desejada, quando se realiza, vem um sentido de perfeição.

Eis o encanto da paixão, que não é propriamente o amor porque o amor distingue o ideal do real. O amor, de fato, humaniza o outro nos possibilitando enxergar as virtudes e os defeitos alheios, nos permitindo ser de virtudes e defeitos. O amor é de mão dupla, caso contrário escorrega para a submissão. Perante tais qualidades aprendemos a abrir concessões, aprendemos muito sobre a resiliência. Já a paixão, como diriam por aí, é cega. Eu não diria que é cega mas míope, confundindo a pessoa que está a nossa frente, parte real e parte do que esperamos. Esperamos no sentido de expectativas mesmo, de as vezes tornar o outro o objeto que irá resolver parte de nossas angústias como seres sociais.

Naturalmente, nem para a paixão existe um mar somente de rosas. Como tal sentimento eleva o outro a um status ideal, quando nos deparamos com as imperfeições e desvios humanos que ele carrega, acabamos por nos frustrar.

Todos os relacionamentos possuem uma espécie de contrato, mesmo que informal ou subjetivo. Contratos e modelos simples, desde avisar ao namorado que se vai a tal lugar ou de se despedir do dia com um “boa noite” por mensagem. De onde se convencionou algumas dessas normas? Sabe-se lá Deus porque é assim, mas assim é a coisa do ser humano para conseguir viver um relacionamento.

Há aqueles que se fazem “independentes” e que evitam tais satisfações. Acham tudo isso muito chato quando namoram e esquecem que tais condutas são apreendidas em casa, na relação de pais e filhos e terão que lidar com o mesmo no ambiente de trabalho. Essa certa rebeldia juvenil, de certo, tem prazo limitado porque a gente cresce e descobre que não há como adquirir tal liberdade sem antes viver determinadas normas. Mas enquanto jovens, acreditamos assim e assim pensamos em levar as nossas vidas.

Pedro e João eram namorados há 3 ou 4 meses. Subjetivamente acordaram em criar alguns modelos, tal qual dar a satisfação de onde se esteve e contar histórias do seu dia antes de dormir, momento feito para o “boa noite”, “durma bem” e “te amo”. Até aí tudo normal, da maneira natural que a grande maioria dos casais fazem. Certa vez, Pedro teve que fazer uma viagem a trabalho. João ficou na capital e sem comunicar Pedro foi para uma balada com os amigos.

Enquanto namorados, Pedro nunca soube dessa história.

A relação de Pedro e João não durou muito tempo e acabaram por “n” motivos, das tais diferenças, dos momentos diferentes de vida. Duas semanas se passaram depois do término e ambos viviam os altos e baixos emocionais do fim. Eis que Pedro acaba sabendo por intermédio de outro amigo que, naquele final de semana em que viajou para trabalho, João tinha ido na balada.

Pedro pensou, pensa e pensará em como lidar com essa história. O certo é que tal situação se imprime fortemente dentro do rapaz.

– O que fazer diante tal situação, amigo Pedro? – eu perguntaria.

A imagem que Pedro tinha de João foi por terra. Virou cacos. Ter que aceitar que João fez o que fez foi muito difícil. Falou-se em traição.

O que me consola, percebendo dezenas de pessoas vivendo o que já vivi, é que tudo isso faz parte e não é a idade física que define, mas o teor inédito da experiência para quem vive pela primeira vez.

Se relacionar, as vezes, nos parece exigir muita coragem.

2 comentários Adicione o seu

  1. EAS disse:

    A falta de comunicação adequada leva a essas situações . Temos medo de falar : Pedro, nosso relacionamento não anda me completando, estou sentindo falta de algo . Ou : Pedro, não quero mais . Acabamos optando pela via mais fácil : fazemos o que queremos no nosso íntimo sem diálogo com o outro , ou mesmo escondido,para não “magoá-lo”. E o tiro sai pela culatra .
    Ter coragem para falar e escutar abertamente exige, além de caráter, MUITA coragem …
    Abraços

  2. ola´,,entrei nessa vida de blog..sou gay nao assumido tambem como vc eu acho srs,criei um blog chamado dentro do armario..eu n li esse post pq ta tarde de mais..mas dei um like e respondi a sua pesquisa q é maravilhosa..bom se quiser me conecer um pouquinho entra no meu blog e da um comente dizendo q é vc..nem precisa fazer loguin pode ser anonimo..mas fala q é vc do blog MVG..bom vou voltar no seu blog pq eu vejo q vc atualiza sempre e ja se inscrevi p receber novidades no email…mas da umaa olhadinha no meu..quem sabe a gente nao pode interagir um com outro..obr vlw men..xau..ha o link vou deixar aqi rs http://dentrodoarmarioth.blogspot.com.br/

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