Vida Gay – And the Oscar goes to

Assim como a Marina Silva disse no debate, a dualidade PSDB e PT já está extremamente desgastada e por mais que seu discurso tenha sido da “nova política” quem disse que ela mudará realmente alguma coisa? A Marina fala simples, fala de um jeito compreensível e possui aquela imagem humilde, sem grandes recursos de marketing, que se aproxima de novo do povo. Maneira que o Lula e a Dilma fizeram no começo. Claro que a maioria não lembra, porque dizem que o brasileiro esquece facilmente das coisas.

A Marina tem essa coisa de ser evangélica e, na sequência de seus dogmas, tem um natural “nariz torto” quando o assunto somos nós, gays, e a homossexualidade. Mas não sei se para administrar um país como presidente há tempo para misturar religião e política. Provavelmente não haverá porque os próximos anos de governança serão definitivos para colocar a nossa economia nos trilhos, lembrando que sem economia forte e estável não há nem como pensar no social.

A mim, sobre o assunto “gay”, não percebo a candidata como uma verdadeira afronta.

Comecei a ver o debate com empolgação, sentimento que foi se atenuando pouco a pouco, na medida de um Eduardo Jorge debochado, de uma Luciana Genro “sem gosto”, do Levy Fidélix bizarro, de um pastor que não entende a diferença entre pregar e se apresentar como candidato e dos três preferidos, Dilma, Aécio e Marina que no meu ponto de vista são praticamente a mesma coisa. Os candidatos são as pessoas que representam as bolhas de nosso país, tão discordantes, tão antagônicas, mas fiquei aliviado porque a Dilma, dessa vez, não apareceu na tela embasando seu discurso no argumento de classes, assunto que o partido da estrela adora se sustentar.

Cansado dessa cisão PT vs. PSDB, o discurso do PSB me pareceu mais simpático. Mas somente isso: simpático, pois entre a prática e o falatório existe um fosso imenso na política brasileira. Existe um fosso maior ainda entre a sociedade e os palácios.

O que falar do Aécio? Nada. Não tenho o que falar e isso é suficientemente preocupante.

Foi bom assistir o debate para reforçar ainda mais a minha decisão e tirar qualquer sentimento de culpa: resolvi marcar uma viagem para fora do país no período do primeiro turno para justificar minha ausência. Claro que não resolvi viajar por isso, mas o período escolhido teve essa influência. Sofreria por ter que anular ou votar em branco e o arrependimento do meu voto na última eleição jamais se repetiria esse ano, entregando o poder para as mãos do PT de novo, frente a maior corrupção da história do Brasil. Como votar novamente na pessoa que se aliou ao Sarney num contexto que é fresco, pelo menos, em minha memória? Me isento por alguns dias também da realidade do brasileiro eleger o Tiririca.

Consigo ser muito mais cidadão, gay, oriental e brasileiro como dono de uma empresa, ajudando esforçadamente a gerar empregos e o tal PIB que anda tão em baixa. Consigo ser muito mais cidadão, gay, oriental e brasileiro, transmitindo pelo MVG as minhas vivências, as trocas e percepções com os leitores e com o punhado de amigos que se aproximaram pelo Blog, numa fase ainda no armário e que hoje vivem outras experiências, as vezes nem tão felizes, mas longe da concha. Consigo ser tudo isso com o livro que será um documento escrito e servirá como uma nova referência para quem quiser se aprofundar em linhas e linhas de possibilidades de vida e relacionamentos.

Consigo tudo isso lá fora, em outro país, no momento que entro em contato com culturas avançadas economicamente e socialmente, atento a essas relações e aprendendo um pouco mais com elas para trazer de seus princípios e conduta a minha vida gay e não tão gay assim.

Mas infelizmente, está muito difícil ser cidadão, gay, oriental e brasileiro quando me deparo com as opções que temos em mãos quando o assunto é a governança do Brasil. A política brasileira, a mim, se tornou a própria barreira para o avanço do país, construída inclusive por nós, sociedade. Tenho fé nos meus esforços. Mas não tenho mais fé em nenhum candidato até que se prove o contrário.

Eis a minha decisão final nessa democracia torta.

 

1 comentário Adicione o seu

  1. Os três favoritos da mídia me parecem muito “mais do mesmo”. E depois de nos prometer vários direitos, como a criminalização da homofobia, a Marina mostrou ser apenas um fantoche do Malafaia, pois quando ele soube das promessas de direitos aos LGBT deu a ela um ultimato que a fez recuar em praticamente tudo que havia prometido, o que mostra falta de firmeza e uma atitude laica bem superficial, apenas para ganhar votos. Me parece que, agora, votar nela significa votar no Silas.
    A Luciana Genro me pareceu a “esperança”. Ela apóia os direitos LGBT, a criminalização da homofobia, a descriminalização da maconha, a legalização do aborto… me parece a mais coerente, com propostas que atendem às cobranças dos movimentos sociais que pedem cidadania e direitos igualitários. Pena que a massa provavelmente vai votar nos três famosinhos.

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