A diversidade dentro da homossexualidade


Mais de uma década se passou e que me entendo como um gay assumido. A palavra “assumido” nunca me gerou problema, embora alguns homossexuais a entendam mal por aparentar “algo que estava escondido”. De fato, para a maioria que se assumiu estava mesmo! Não por responsabilidade do indivíduo que era enrustido, mas porque o fator “sociedade” influencia a todos nós e repito – todos nós – em alguma medida. Sexualidade, sociedade e indivíduo possuem intersecções múltiplas e inevitáveis.

Sai do armário com 23 anos e hoje não falta muito para completar os 38 anos. Assim, não tenho problemas propriamente por ser assumido e por estar mais velho, fora pequenas brincadeiras e charmes com meu namorado.

Muitos gays temem a idade e isso é um fato, principalmente aqueles que não querem perder a identidade tenra, delineada e viril tão ostensiva quando se frequenta o meio. Porque alguns gays, definitivamente, acham que para se sentir bem, confortável e feliz precisam respirar os arredores gays, as baladas e os bares, principalmente nas grandes capitais. Outros, que também são fatos constatados pelos contatos que fiz em três anos de Blog MVG, não precisam viver o meio gay para se sentirem felizes e com a importante paz de espírito. Cada um no seu quadrado, caixinha ou modelo.

Eu já transitei intensamente nos dois contextos e me sinto feliz assim, por poder entrar nas caixinhas sem estranhezas, sem pisar em ovos, rejeições ou culpas.

Foram nessas andanças aqui e ali, dentro e fora do Blog que algumas definições, rótulos ou nomes (cada leitor caracteriza como quiser) se estabeleceram para os indivíduos que, em alguma medida, gostam de transar com o outro do mesmo sexo. Alguns desses termos são polêmicos! Alguns, os próprios gays tratam com certa discriminação por acharem fraqueza, hipocrisia e um monte de outros adjetivos depreciativos. Mas o post de hoje não vai fazer julgamento e nem tratar o assunto como questão psicológica, falta de berço ou falta de vergonha. O ser humano se agrupa por afinidades por milênios e, por hora, é assim que tenho tratado tais ideias:

1. Gays: Ah, esse aqui é o óbvio! É o que se tem de mais normatizado fora os heterossexuais. Gays (formalmente denominados de homossexuais) nada mais são do que indivíduos do mesmo sexo (para as mulheres costumam utilizar os termos “sapa”, “sapatão”) que se sentem atraídos sexualmente por outros do mesmo sexo. Daí existem algumas variações socialmente estabelecidas e, se o bom Deus permitir, tende a acabar:

gay_bissexual_mxm_g0y

1.1. Gay Enrustido é aquele que “está no armário”. Pode até ter dado uma escapadinha para passar a mão num volume masculino na surdina da noite, ter dado um beijo num outro cara durante a madrugada e etc., mas para seu grupo social mais próximo, pais, irmãos, parentes e amigos, se faz de assexuado ou de heterossexual mesmo. O gay, enquanto enrustido, tende a repudiar os rótulos! Quer se ver longe das classificações e dos nomes!;

1.2. Gay Masculinizado é o gay que não apresenta trejeitos e nem formas mais femininas de se expressar. Passa desapercebido por um heterossexual. Agem como homem e a masculinidade é representada de maneira atitudinal. Explico: existem gays que, andando na rua, parecem másculos. São musculosos, barbados e não dão pinta. Mas troque 15 minutos de conversa! Se a bicha escorregar na maneira de se expressar, pode ter o biótipo do Wolverine que é afeminado!;

1.3. Gay Afeminado não é necessariamente a bichinha que usa calças justas, que tem um corpo esguio e um bum bum protuberante. Como no item “1.2.” pode ser o sarado barbado, o gordo grisalho e etc. A feminilidade e a masculinidade de um indivíduo (inclusive no âmbito heterossexual!) se caracteriza pela forma de se comunicar;

1.4. Gay Passivo e Gay Ativo: atenção comunidade! Parem com a especulação tola de achar que o gay passivo é o afeminado e o gay ativo é o masculinizado! Não se caracteriza preferências na cama pela forma de se comunicar com as pessoas! Ninguém revela seus gostos em quatro paredes para qualquer um e em qualquer lugar, a não ser que seja bobo (rs). Assim, passivo (aquele que gosta de ser penetrado) e ativo (aquele que prefere penetrar) só se revela, de fato, na hora do sexo;

1.5. Gay Versátil é o famoso “flex”. Gosta de penetrar em outro e ser penetrado;

1.6. Gouine é um termo/conceito originário na França. Trata-se do homossexual (que se entende como tal, seja assumido ou enrustido) que pratica sexo sem penetração.

Vamos agora a outros grupos que em medidas diferentes gostam de transar com o outro do mesmo sexo e que, cedo ou tarde, recaem em certa condenação social (inclusive dos gays) por cometerem atos de traição para com seus parceiros e pilares familiares:

2. Bissexual: antes de começar o Blog, isso faz mais de três anos atrás, a minha referência de bissexual tinha sido aqueles ex-namorados e amigos que iniciaram a vida sexual com mulheres. Assim, tinha como verdade que o bissexual era um gay ainda mal resolvido. Hoje, depois do MVG, tive contato com alguns bissexuais que se corresponderam e, acompanhando suas vidas em trocas de e-mail, percebi que o trânsito entre relacionamentos com mulheres e homens é uma realidade. Ou seja, o bissexual é aquele indivíduo que irá transitar entre relacionamentos afetivos e sexuais com mulheres e com homens.

3. “Macho X Macho”: tal “macho X macho” ou “HxH” são meio que rótulos comuns nos aplicativos de celular, salas de bate-papo e chats. Quem são eles? Costumam ser homens que se entendem como heterossexuais, repudiam em diversos níveis a nomenclatura “gay”, tendem a negar rótulos (por sinal) e costumam transar com outros homens (com ou sem penetração) com o mínimo de envolvimento afetivo. Se possível, sem envolvimento nenhum! Praticam assim o tesão sem afeto;

4. g0y é o homem que se considera também heterossexual, permite-se viver relacionamentos afetivos e sexuais com outro do mesmo sexo (desde que sem penetração), mas que vai levar à frente os desígnios heterossexuais do casamento com uma mulher, terá filhos, família e etc.

Importante: um homem, idependentemente dos grupos acima, pode ter afetividade por outro homem? Mas é claro! Até mesmo dois heterossexuais podem ter afetividade e carinho um ao outro. Acontece que a nossa sociedade, por intermédio da nomenclatura “machista” (cujo valor influencia a educação em graus diferentes), ensinou que “macho que é macho” não tem afeto por outro macho. Não é à toa que o HxH evita tais sentimentalidades! Como disse, os valores da sociedade nos influencia me maneira múltipla e em diversos níveis!

Por hora, até hoje, 06 de Setembro de 2014, esses são os grupos de maior visibilidade midiática. Provavelmente daqui há algum tempo teremos mais!

Eis um post cheio de rótulos. Se identificaram por aí? Que sejam felizes todos pois não há certo ou errado, melhor ou pior. Existe, de fato, estar feliz como se é. Ponto! O MVG é um blog (e uma pessoa) que não está aqui para julgar qualquer uma dessas variantes, mas sim, apresentar grupos e subgrupos que fazem parte da sociedade que tanto amamos (ou odiamos). Quanto ao contexto da traição, que pode recair na vida de um bissexual, “HxH” e goy, na prática, na vida de marido e mulher não se mete a colher. É assim que funciona mesmo, sendo qualquer leitor ávido de julgamentos.

 

 

3 comentários Adicione o seu

  1. Siren disse:

    Bom dia MVG. Só gostaria de pontuar que travestis e transexuais não se encaixam no espectro da homossexualidade, pois identidade sexual (gays lésbicas, bis) difere de identidade de gênero (cisgênero, transgênero). Tanto que existem transexuais hétero e homo (Homem trans que gosta de homem e mulher trans que gosta de mulher).
    Abração

    1. minhavidagay disse:

      Realmente, Siren! Obrigado pela correção.

  2. Caio disse:

    Ainda bem que existem os homossexuais masculinizados, que sabem fazer um bom sexo e ainda se for do interesse dos envolvidos, se permitem iniciar uma relação afetiva e viver na boa. Os problemáticos eu dispenso.

    Antes ficava me preocupando com a existência deles (que não correspondem ao que eu procuro), pois tinha um certo receio de se massificarem demais e eu acabar por ter muita dificuldade ou até não encontrar um bom partido para mim. Hoje penso diferente, e sinto sim, que diante dessa salada toda, existe mais de um por aí que é compatível com o que eu procuro. Portanto, não me importo mais com o que esses que não me agradam pensam ou fazem. Vou viver minha vida que já está bom demais :D

    A propósito MVG, não curti essa imagem do “gay” na ilustração acima. Percebe-se que nos outros 3 tipos representados deu-se uma entonação maior ao “homem comum” e ao “gay” coube o “afeminado”. Sei que muitos gays são exatamente assim, mas acho que a figura dele por representar um todo maior ficou muito específica em apenas um “sub nicho”. Eu compreendo sua colocação (deixar que um dos desenhos também englobasse esse esteriótipo e também pelo site ser seu) e não quero parecer chato, mas…enfim…só minha opinião :D

    Abraçosss.

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