Jovem gay entre o sonho e a realidade


Por trás de um conto gay

Quando era bem jovem, antes de me assumir e realizar contatos efetivos com outros gays, era muito comum viver “fantasias deitado na cama”. Idealizava uma pessoa na escola, na faculdade ou até mesmo de algum filme e criava em minha mente situações românticas e incríveis. O bom de viver no mundo dos sonhos é que, independentemente de tudo, poderia ser onipotente, onipresente e a pessoa amada estaria totalmente envolvida por mim.

Assim criava minhas histórias, dentro da minha cabeça, num mundo cheio de possibilidades. Era tudo perfeito porque funcionava do jeito que eu queria.

Sonhando acordado
Sonhando acordado

Mas chega uma fase que a própria vida me desafiou. Teria que me deparar com algumas realidades:

1 – a pessoa ideal, dentro da minha cabeça, é uma fatansia. Na realidade eu mal a conheço, quando ela realmente existe!;

2 – as minhas características que eu considerava imperfeições, de ser – por exemplo – cheio de espinhas, tímido, sem assunto, feio ou qualquer outro ponto que eu considerasse um limitador, teriam que ser obrigatoriamente superadas. A palavra “esforço” se fazia presente.

O sonho pode durar o tempo que a gente quiser. Podemos ficar nos alimentando de histórias dos outros, relatos gays que a gente encontra na Internet, o tempo que for preciso. Podemos viver de ilusões até os 22 anos, 35 ou 52. E nessa questão, do tempo de cada um, por mais que o mundo nos cobre, é definitivamente o tempo de cada um e ninguém tem o direito de nos arrancar.

Mas chega uma hora que a gente quer viver, de fato, na prática, algo que vá além das fantasias. Parece que existe um despertar e nos sentimos mais preparados para encarar o mundo real.

É aí que a gente descobre que a realidade nos exige esforço. Diferente de um seriado de tevê, que num primeiro capítulo as pessoas se conhecem e no segundo já estão se casando e tudo parece muito rápido e perfeito, na vida real é um processo para toda a vida.

Primeiro que a gente tem que pegar algumas de nossas características e de certa forma jogar no lixo: se a gente se acha gordo, há de se fazer um esforço para emagrecer. Se a gente se acha tímido, há de se fazer um esforço para ser mais comunicativo. Se não temos assunto, há de se procurar. Se a gente se acha feio, há de se encontrar alguma beleza. Assim, os esforços iniciais se concentram basicamente no seguinte: se olhar no espelho e perceber aquilo que a gente não se deu conta até então. Porque, de fato, não existe uma pessoa que seja só ruim, só falta de boas qualidades!

A realidade é que tudo que a gente acha de ruim na gente é possível contornar ou controlar! Mas, de novo, diferente do mundo dos sonhos, é necessário esforço, criar as situações, sair da concha, se apresentar a o mundo num ritmo que convier para cada um. Porém, é fundamental parar de acreditar naquelas coisas que nos acomodam ou nos mantém num mesmo estado.

Quando a gente fala: “não consigo chegar na pessoa porque me acho feio”, o que a gente não quer mesmo é sair de uma zona de conforto. A gente já sonhou tanto com a pessoa e, na fantasia, já namorou, já casou, já teve filhos e já viveu “feliz para sempre” que, ao deparar com a pessoa no plano da realidade a gente fica com um peso imenso nas costas! Dá nervoso, a testa começa a suar, as mãos começam a gelar e a tremer e, ao invés de sair uma conversa natural como alguém que quer começar pela simples amizade, dá um tremendo nó na garganta. Por isso, para se aproximar da pessoa que a gente quer, a gente tem que jogar no lixo as fantasias. Porque as fantasias são ótimas na hora que estamos sozinhos, deitados na cama. Mas é pra sempre sozinho.

Na hora de viver de fato a realidade, a fantasia se transforma num peso e não paramos para peceber que a pessoa que a gente quer, que também tem suas fantasias e sonhos, é humano.

Viver a realidade, definitivamente, exige esforço. E exige notar que o outro é alguém como você.

9 comentários Adicione o seu

  1. Jorge disse:

    “Quando era bem jovem, antes de me assumir e realizar contatos efetivos com outros gays, era muito comum viver “fantasias deitado na cama”. Idealizava uma pessoa na escola, na faculdade ou até mesmo de algum filme e criava em minha mente situações românticas e incríveis.”

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk omg eu faço isso!!!!!

  2. minhavidagay disse:

    Você e, com certeza, mais de um milhão de jovens gays! :P

  3. Siren disse:

    Eu faço isso todo tempo e em todo canto :P

  4. Daniel disse:

    Adorei seu texto ! Eu tb fui assim durante muito tempo e posso dizer q hoje sou bem diferente ! Nada veio “de graça” ou caiu do céu. Sair da chamada “zona de conforto” dá trabalho e só quando nos assumimos não apenas como gays , mas como pessoas é q realmente podemos ser felizes. Sonhar é muito bom, mas a realidade pode Às vezes ser bem melhor ! rs Grande abraço

  5. Pedro disse:

    Desculpe o cara aí do texto, mas eu detestei a porra toda rsrsrs

    Você malha feito um condenado seja ou pra emagrecer ou ganhar peso; Gasta rios de dinheiros com dermatologistas e cremes que fazem inveja até a sua mãe; Faz a linha nojenta hipster só pra poder pagar de que tá por dentro das coisas. E tudo, tudo isso só pra achar um cara que vai amar você do jeito que você é? KKKKKKKKK G-zuis!

    Concordo que sim, temos que ser pro-ativos, botar as coisas pra acontecer. E infelizmente também se deparar que nem tudo que a gente sonhou é ou vai ser uma realidade, ou então, pelo menos, diferente daquilo que imaginamos que seria. Mas não vai ser não, fazendo tudo isso pra agradar um suposto macho, que vai te tirar da merda.

    A gente tem que fazer as coisas não pelos outros, mas pela gente. O outro é incerto, sem fundo de garantia. Encontrar algo que motive, que nos faça feliz e consequentemente que traga paz e saúde é o principal. Vida a dois só é lucro quando você já é feliz sozinho.

    Emagrecer, cuidar das espinhas, se socializar na minha opinião já entra no mérito da saúde, logo não se tem a necessidade de se impor tudo isso como objetivo de afeto alheio e sim como amor-próprio!

  6. minhavidagay disse:

    Oi Pedro!
    Valeu pela franqueza! Mas sugiro você dar uma lida mais nos outros posts do Blog, porque acho que a gente converge muito mais em pensamentos do que você imaginou nesse post! ;)

    Valeu!
    MVG

  7. Eduardo H disse:

    A Motivação para encontrar o caminho e realizar nossos SONHOS esta dentro de cada um de nós. Cada um no fundo sabe o que deve ser feito, porém a INSEGURANÇA de uma EXPOSIÇÃO negativa da nossa imagem nos amedronta, não é fácil, pois vivemos em uma sociedade absolutamente ignorante.

    Mas é preciso encontrar forças e focar na solução ou seja “dar um jeito”… que jeito? Cada um deve descobrir, o que não podemos é nos conformar com a infelicidade dentro do casulo.

    “…Há muitos que existem, há poucos vivem…”

    A escolha é nossa, de apenas existir ou escolher viver o melhor da vida!

    Abraço MVG!

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado pelo comentário, Eduardo H!

      Bastante inspirador! :)

  8. Pedro disse:

    Eu fico imaginando a respeito daqueles que precisam PAGAR pra poder sair com alguém, porque a própria imagem não é satisfatória. Esses não tem o direito de viver, apenas existir, bom saber!

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