O que também existe no mundo é maldade


Está rolando hoje pelas redes sociais e sites de notícia, o assassinato do jovem gay João Antônio Donati, acontecimento que ocorreu na cidade de Inhumas, Goinânia. Tudo indica mais um caso de covardia causada pela homofobia.

A aversão à gays que pode acabar em crimes desse tipo, revela algo óbvio que não queremos lembrar: a maldade que existe em nós. Dizem que há o paraíso em algum lugar do céu, dizem que há o inferno em algum lugar, profundamente, sob a terra e dizem ainda que existe um certo limbo, local que as almas perambulam por tempo indeterminado até o julgamento. Mas a mim, o paraíso e o inferno estão dentro da gente e o limbo, para alegria ou tristeza, é aqui mesmo, nesse suburbano globo terrestre onde nos encontramos.

Raiva e ódio que culminam em uma agressão desse tipo só me leva a crer que o ser humano anda muito errado. É um bicho torto que, como no caso, não mede esforços para abominar as diferenças. Por que preferimos acreditar no inferno e nos demônios vermelhos com seus chifres e rabos pontudos?

Porque, humanos que somos, parece ser mais cômodo e fácil projetar tais sentimentos numa entidade icônica fora da gente. Nos tira de culpas.

Dizem que quem planta o mal, colhe o mal. Mas e quando somos obrigados a testemunhar por meio de imagens, nas redes sociais, o teor de morbidez causada no assassinato desse menino? As vezes, fica um tanto difícil não querer fechar o punho e praticar as leis com as próprias mãos.

Mas acontece que a minha raiva e meu ódio não me dominam a esse ponto. Em outras palavras, detenho de uma força interior e um nível de consciência capaz de controlar meus sentimentos primitivos, tal qual uma agressão desse tipo causado ao João.

Porém, fica claro que não falo por todos. Fica claro que há milênios lidamos com indivíduos e/ou grupos dominados por seus infernos.

A mim, o rapaz não morreu por um surto homofóbico. João Antônio Donati foi vítima da covardia daqueles que são fracos, que não tem controle de si e deixam seus demônios interiores dominarem, provocando o assassinato, um dos males mais hediondos e inaceitáveis do ponto de vista quando nos entendemos como seres humanos. Não deveria existir complacência para casos desse tipo.

A mim, quase que num antagonismo, é nessas horas que eu digo sim para a pena de morte sob a lei. Bichos, que não cachorros, gatos, aves, cavalos, macacos ou répteis – bichos que somos nós – devem ser os primeiros a merecerem um tipo de controle.

Até quando precisaremos viver de linhas tortas para se compreender o que é certo? Até quando precisaremos de mártires?

Leia mais aqui sobre essa notícia.

Até quando teremos que ler das linhas tortas para se compreender o certo?
Uma homenagem do Blog MVG para João Antônio Donati – Até quando teremos que ler das linhas tortas para se compreender o que é certo?

7 comentários Adicione o seu

  1. Mário disse:

    Algumas vezes, o ser humano, quer matar no outro o que lhe incomoda por dentro…

  2. Fernando Henrique Da Silvsa disse:

    Lamentável a morte deste garoto.
    Precisamos de respeito somos gays somos seres humanos e não lixo

  3. Ferreira disse:

    É assustador até onde vai a irracionalidade… desumanidade… (maldade mesmo!) de alguns seres humanos.

  4. Nick disse:

    Cara eu também era favor da pena de morte no ensino médio, até que minha professora de redação me alertou que eu não posso defender uma ideia ser ler sobre o assunto e em relação a pena de morte é que ela não funciona, só serve para gastos governamentais com o processo de execução, porque a taxa de crimes não diminui e também muitos inocentes são executados, isso tudo em relação a alguns estados dos EUA que aplicam a pena em relação aos que não aplicam. Imagina no Brasil que a polícia nem investiga direito quantos inocentes não seriam executados. Em relação ao rapaz, uma pena a morte dele.

  5. EAS disse:

    A violência existe em todas as esferas da sociedade : seja contra nós gays, contra crianças, contra idosos ou mulheres. Perdi um primo assassinado – por uma batida no trânsito . Até onde o ser humano é capaz de levar a irracionalidade ? Cadê o amor entre as pessoas ? Justiça !!!!!

  6. Luiz Leão disse:

    “Garoto de 18 anos foi encontrado morto com a boca cheia de papéis”

    Luiz Leão / 12/09/2014

    Era essa a manchete. Eu não acreditava. Nenhum gay acreditava. Nenhuma família, nenhuma mãe acreditava. A ministra de Direitos Humanos, Ideli Salvati, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), não acreditava.

    O corpo de João Antônio Donati, foi encontrado. Era quarta-feira (10), eu estava trabalhando e peguei numa das várias checagens que faço a morte dele. Era para ser uma morte comum. Ele foi morto supostamente por homofobia. Era uma morte silenciosa. Quando foi encontrado já sem vida, ele estava com a boca cheia de papel e sacola plástica.

    Enterrado na quinta-feira (11), era o dia seguinte mais doloroso enquanto aprendiz de jornalista. Eu tentava esquecer e me forçava a pensar que a morte dele era comum, que essa história de homofobia não existe. Eu precisava desacreditar para entender.

    No Brasil, a violência é geral. Somos homens, mulheres, negros, índios, somos moradores de rua, somos mortos. Milhares por dia. O Grupo Gay da Bahia (GGB), conseguiu pesquisar o índice de mortes por homofobia no ano passado. Uma morte ocorre a cada 28 horas. Simultaneamente.

    Eu não acreditava. Poderia ser eu o morto da manchete. Aos 21 anos de idade eu não poderia aceitar tão rápido. Era uma vida muito jovem, muitos tijolos deixaram de ser assentados. Era a conclusão de uma casa, que era João, que não teria conclusão. A conclusão foi a morte dele.

    Uma morte de repercussão internacional. Era isso o que eu esperava? Não. Eu esperava que a vida não fosse tão banal. Matar é deixar sangrar para sempre a falta da vida. Não é simples e nem deveria ser mesmo. Estamos em um momento, neste país, em que a vida não tem valor. A minha ou a sua. Tanto faz. O João morreu. Eu não o conhecia e me sensibilizo por que sim: poderia ter sido eu.

    Na terapia há quase um ano, em uma das sessões, fui questionado sobre homofobia. Eu sempre transpareci minha sexualidade. E respondi que sinto medo deste quadro de violência. A maioria destas pessoas mortas, lembrando que somos pessoas, sofre muito antes de morrer. João tinha papeis com escritos, escritos sem valor, e plásticos na garganta.

    Asfixia, pauladas, socos, xingamentos. Antes de morrer. A homofobia é diária. O assassinato é o extremo. Todos os dias somos mortos violentamente. Publicamente. Nossa humanidade é ignorada. Não temos direito de andar na rua sem ouvir um “ei veado”. João estava em uma cidade de interior. Na minha certeza, ele poderia contabilizar os preconceitos ouvidos. Ouvidos por falta de opção. E neste caso, falo de opção sexual.

    Não temos opção. Se eu pudesse escolher, você acha que eu escolheria a morte? Não. Eu escolheria ser hétero. Escolheria ser o homem médio. Escolheria ter uma família, ir a igreja e não ser importunado todos os dias na rua ou em qualquer lugar que fosse.

    Que a morte de João Donati seja uma morte visível. Que os culpados sejam presos. Que um dia possamos, em Goiás ou em outros estados deste país, andar tranquilamente. Estes meus desejos são sentimentos. Este é o da liberdade. Porque antes, eu sentia raiva. Raiva de toda a sociedade. Raiva de sentir medo. Raiva de existir.

    Que João possa descansar tranquilamente. Que a família dele possa se conformar aos poucos, não com o assassinato, mas com a falta dele. Que a polícia desta vez, e daqui para frente, trate este e outros crimes como de homofobia. Que não seja só mais um homicídio. Que a violência aos LGBT seja tratada como crime. Que eu não tenha mais que desabafar com uma morte como esta, tão próxima, e agora tão longe.

  7. Francisco Gavinho disse:

    Fiquei Horrorisado com a morte do João, Tudo bem que ele era um adolescente Gay, mas precisava de um maluco desses fazer isso , isso é totalmente uma falta de Respeito quem é LGBT, Poh esse cara não não tem o que fazer , ainda matar um adolescente gay

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