Por trás de um grande homem existe (outro) grande homem


Por trás de um grande homem existe (outro) grande homem.
De fato, é o que o gay procura por aí.

O desejo de muitos jovens e adultos gays é encontrar um parceiro que possa caminhar lado a lado e que, assim, ambos exerçam frequentemente a lealdade. Lealdade, companheirismo e fidelidade são conceitos possíveis mas que invariavelmente exigem de um casal. Muitas vezes tais conceitos não implicam necessariamente numa relação monogâmica pois estão relacionados ao consenso entre um casal, ao que acordam e estabelecem na relação sem a influência de terceiros. Tal consenso, quando praticado de maneira íntegra pelas partes, caracteriza a lealdade.

O que eu aprendi nessa vida é que existem muitas “caixinhas” e modelos na maneira da gente se relacionar, sejam para os gays ou heterossexuais. Não existe o formato certo e nenhum modelo específico que caracterize nossa orientação sexual, do tipo “ah, esse jeito é coisa de gay!”. Alguns preferem seguir a cartilha normativa, da vida em casal, com familiares próximos, cachorro e quiçá, filhos. Outros já partem para um modelo diferente, preferem conviver apenas com gays. Alguns casais colocam como consenso o relacionamento aberto e nem boto em discussão se é certo ou errado. Se é consenso, íntimo entre as partes, quem sou eu para meter o bedelho?

Há aqueles que são casados, mas preferem cada um viver em seu canto, separadamente.

Essas e outras maneiras de viver uma comunhão são apenas exemplos de como hoje a sociedade moderna entende a vida a dois. Definitivamente, não há mais um único formato.

Dizer que a vida gay oferece uma aridez nas questões de companheirismo e amizade em um relacionamento é, de fato, falta de conhecimento e de repertório. Muitos gays que ainda não se encorajaram a sair do casulo, não têm referência e, como o acesso a tais informações é restrito pois, não se configura somente num formato padrão “família margarina” (diferente de uma realidade heterossexual de namorar, casar e ter filhos), parece que o “estilo gay” não tem um chão firme. Mas tem. Tem no momento que um casal, fruto da arte dos encontros e desencontros que é comum para qualquer um, estabelece seus “contratos”.

A realidade é que na vida gay nada muda. Quando dois homens constroem um relacionamento, passam invariavelmente por contratos subjetivos, informais, que vão dando forma ao relacionamento. Entre os gays, o que não precisa realmente é ter obrigação de seguir conforme as cartas dadas pela heterossexualidade. Mas afirmo que há gosto para tudo e, inclusive, muitos gays, as vezes – na necessidade de se incluírem num contexto normativo – são mais tradicionais e “quadradinhos” do que os próprios heterossexuais hoje em dia.

A questão é que essas e outras formas não se vêem por aí. Não existe uma mídia dirigida e especializada que trate desses assuntos (o Blog MVG é algo desse tipo) e, assim, a informação não chega de maneira institucionalizada para os “armariados” e o que já estão fora. As pessoas parecem precisar institucionalizar modelos para se sentirem mais confortáveis ou acomodados. Por isso é sempre bom pensar se não está na hora de se sair da zona de conforto e criar ou inventar. O respeito se estabelece, exclusivamente, quando há consenso entre um casal e nada mais além. Passamos anos da vida procurando por um modelo e, de fato, na realidade não há.

Em todos esses contextos podemos recair na questão da traição, crises e desentendimentos. Mas esses são outros tópicos relacionados à intimidade de um casal que, convenhamos, formam ponto de discussão entre gays e heterossexuais. Nada muda.

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