Quando a vida começa


Dizem que a vida começa aos 20 anos. Outros alegam que é aos 30, 40… e acho tudo isso uma grande bobagem!

A medida que estou vivendo, lembrando que eu já tive 18, 23 e agora me aproximo dos 38 anos, percebo que a vida começa e recomeça algumas dezenas de vezes, principalmente quando topamos mudar nossas rotas.

Vejam vocês que farei minha primeira viagem sozinho para o exterior muito em breve. Chegar no aeroporto (sozinho), fazer checkin, embarcar, sentar na poltrona sem um acompanhante, desembarcar, passar pelas autoridades para ter o carimbo de permissão de entrada no país, tudo é muito diferente quando se está sozinho (ou pelo menos, me parece ser já que tal fato é inédito). A companhia de alguém, bem ou mal, é um consolo psicológico nesses casos. Será que isso é tão diferente de quando se termina um longo namoro de quatro ou cinco anos? Será que é diferente quando um gay resolve sair do armário ou quando o jovem classe média vai para a Disney pela primeira vez na vida?

O que entendo hoje é que o novo sempre nos enche de emoções, gera expectativas e ansiedades. A diferença é que cada um percebe esses fatos com positividade ou negatividade, e normalmente esquecemos que, ambos, positivo ou negativo, os ônus e os bônus de uma experiência nova, caminham sempre juntos.

Aprendi com quase 38 anos que nada é de todo ruim e nada e de todo bom. Mas a maneira que olhamos para cada caso, particularmente, nos faz entrar nesse tipo de julgamento, de querer colocar na balança as emoções boas e as emoções ruins e, se temos medo, baixa autoestima ou resistência para encarar o novo, criamos dezenas ou centenas de desculpas negativas para justificar não encarar a novidade, ou os imaginados problemas que ele nos traz.

Quando a vida realmente começa?
Quando a vida realmente começa?

Ao idealizar somente tudo que é de bom, esquecemos que, crescimento e aprendizado, a gente ganha mesmo superando o que vem de ruim, inesperado, incontrolável ou imprevisto.

Quando é que a vida começa? É aos 45 anos? Depende. Se você chegar aos 45 anos achando que está velho, fadigado, doente e não tem energias para encarar o que pode ser novo, você de certa forma está se entregando para o oposto da vida. Então, definitivamente, sua vida está acabando.

Mas tenho um amigo, o Fernando Lima, leitor antigo do MVG, que resolveu encarar o novo com essa idade e faz dois anos que ele tem vivido de novidades. Como disse, tais novidades nunca trarão somente o bom (desejado, esperado, confortável, controlado, querido), mas traz também o ruim (fora de controle, imprevisto, distante de valores pessoais). Pergunto de novo: aprendemos mais com o bom (aquilo que não nos tira da zona de conforto) ou com o ruim (aquele que vai exigir esforço e mudanças)?

Até onde eu sei (e ele também sabe), quem topou por mudanças e novidades, fruto de um desejo potencializado de sair do armário, foi ele mesmo.

Faz quase um ano que optei com meu ex-namorado terminar uma relação de quatro anos. Em quatro anos é natural se estabelecer uma nova zona de conforto, de pessoas, hábitos, maneiras, manias, tudo, bastante conhecido. Terminamos e, de repente, a novidade era – de novo – eu me encarar solteiro, rever todos os padrões e costumes sem uma companhia, viver as dores da perda, frustrações, possíveis mágoas e tristezas. Em sete meses estabeleci novas conexões confortáveis, me reencontrei solteiro e estabeleci os limites da zona de segurança. Mas aí, ao final desse período, de uma amizade surgiu um amor sublime pelo Meu Japinha, carinho muito grande e uma intimidade quase que imediata e, de novo, tive que reestabeler novos padrões e zonas de segurança.

Mas, espera um pouco, gente: isso tudo não é a própria vida?

Não existe um marco para a vida começar! Ela começa e recomeça dezenas de vezes quando temos sede da própria vida.

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3 comentários Adicione o seu

  1. Hehe, a última frase:

    “Ela começa e recomeça dezenas de vezes quando temos sede da própria vida.”

    E o texto, de certa forma, remetem a um tema que quero retratar no blog no final desse ano (quando terminarei o terceiro do ensino médio) com o título de “Fênix”.

    Sinceramente, acredito que aprendemos mais com as mudanças do que com a estabilidade.
    Não sei o raciocínio é certo, mas quando estamos estáveis quer dizer que aprendemos com a antiga mudança, não? Mas também é durante esse tempo de adaptação que estamos aprendendo.

    ‘-‘ Pocotes… É uma questão que depende do referencial, de um ponto de vista.

    Abraços do CR!!

    1. minhavidagay disse:

      Oi CR!
      Acredito que, quando estamos estáveis e confortáveis, estamos desfrutando de um modelo estabelecido. Mas os modelos estão sempre se desgastando e, assim, partimos para novas rupturas e mudanças para se alcançar um outro modelo.

      Claro que tem gente que prefere ficar fixo a um padrão mais contínuo, o que não é necessariamente um problema. Mas a vida, naturalmente, nos trará desafios para estar sempre nos testando.

      Abraços,
      MVG

  2. Caio disse:

    E eu já cansei dos abalos, das mudanças, aliás bagunças….quero estabilidade e vida mansa rs.

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