A vida gay fora do nosso quadrado

Esse post de hoje, aproveitando os minutos finais do dia aqui em NYC, enquanto meu namorado se diverte com um capítulo de “Friends”, é quase uma continuação do texto anterior, focado agora na vida gay em Nova Iorque.

Antes de propriamente entrar no assunto, sugiro que os leitores dêem uma espiada no post anterior novamente. Complementei com uma foto emblemática, de uma jovem negra no metrô indo ou voltando de seus afazeres, portando um iPhone e uma bolsa Louis Vuitton, dois símbolos evidentes de status em nossas terras tupiniquins.

Quero reforçar, de novo, que esse costume de classificar uma pessoa por uma bolsa ou por um celular é um hábito ou costume do brasileiro. É um costume tanto daqueles que se revoltam ou admiram por quem pode usar, como aqueles que podem e se acham mais poderosos por isso. Isso é cultural, isso é ser brasileiro. Aqui em Nova Iorque, embora tais objetos sejam sonhos de consumo e confiram auras e status, é de acesso a praticamente todos, da moça do caixa do supermercado ao executivo de uma multinacional que, inclusive, porta também uma bolsa Louis Vuitton caso deseje.

Daí que entro nesse contexto, sobre a sexualidade, ou melhor, a homossexualidade por aqui, em Manhattan. Ainda no Brasil, dois homens andarem abraçados ou de mãos dadas na rua gera estranheza. Muitos arriscam, parte para exercerem o simples desejo, parte para autoafirmarem o contexto gay em meio à sociedade brasileira.

A vida gay aqui em Nova Iorque é tranquila. Casais gays andam de mãos dadas ou não por simples opção do par. Gestos desse tipo, para autoafirmação é história antiga. Antiga, como foi o incidente no bar Stonewall Inn em 1969, ponto que canalizou diversos eventos de conflitos entre gays e a sociedade daquele tempo. Notem: 1969. Nem eu era ainda projeto. Em 28 de junho, seguindo por dias, um grande grupo de gays (principalmente), lésbicas, transgêneros e transexuais se juntou em peso para brigar contra os maus tratos da polícia local naquela época.

Por isso eu digo as vezes que, entre essa situação e outras, a gente só mama dos benefícios batalhados (com sangue e morte) desses idealistas que realmente brigaram para mudar alguma coisa.

Foi passeando na região com Meu Japinha que fiz esses registros abaixo:

Stonewall ganhou homenagem em placa de rua.
Stonewall ganhou homenagem em placa de rua.
Aí está o bar que foi um dos pontos históricos do movimento de direitos dos LGBTs.
Aí está o bar que foi um dos pontos históricos do movimento de direitos dos LGBTs.
O que impera hoje é paz e até um certo humor. Mas teve muito sangue em junho de 1969.
O que impera hoje é paz e até um certo humor. Mas teve muito sangue em junho de 1969.

O que realmente quero dizer nesse post, em pleno momento de propriedade política, é que se Nova Iorque hoje é uma cidade que se abre à normatividade gay, é que houve luta para tal muito antes. O que o brasileiro faz para mudanças? No máximo solta alguma estupidez pelo Facebook, ameaça excluir amigos e etc, nesse contexto político e aflitivo atual.

A paz e a tranquilidade que existe para o gay hoje, aqui em NYC, foi conquistada. A palavra “luta pelos direitos” se fazia valer ao pé da letra e, claro, em meio a muita informação, objetivos e consciência.

Como brasileiros, gays e jovens, e sob os pilares dos costumes atuais, temos realmente um senso de autoria, como tiveram tais caras em 1969?

Fica a questão para ir além, de novo, de nossas caixinhas, se você tem uma mínima consciência de cidadania.

6 comentários Adicione o seu

  1. Eduardo disse:

    mora em NY ?
    prq nao faz um blog em Inglês entao …
    disser que mora em NY é o mesmo que andar de iPhone em uma bolsa Louis Vuitton

    1. minhavidagay disse:

      Não moro em NY. Estou aqui de férias. E é essa mentalidade, de que estar aqui é um luxo que eu estou contestando. Acho que não é tão difícil de entender assim.

  2. william disse:

    Moro em Boston, já morei no Japão onde um homem heterossexual usa calça apertada, cabelo pintado e fashion, e tira a sombrancelha, e nem por isso ele deixa de see heterossexual, ou passa a ser homossexual, aqui wm Boston ou New York, ou Londres e Paris as coisas não são diferentes, casais heterossexuais e homossexuais convivem numa boa, tanto de mãos dadas, tanto trocando carinho.Amo o Brasil, porém a ignorância de muitos entre outros problemas, me faz preferir morar onde duas pessoas do mesmo sexo são consideradas normais perantes a todos.

    1. minhavidagay disse:

      Não só todos são normais e aceitos da maneira como gostam de se apresentar, como também não vivem a cultura classista e a mentalidade de castas como no Brasil!

    2. Caio disse:

      Ótimo será quando as cidades daqui propiciarem os mesmos aires que estas que você citou já o fazem. No entanto, espero muito, de coração rs, que os homens, principalmente os gays, não corram em massa atrás desses estilos broxantes de vestimenta e comportamento XD.

      Aproveite bem a viagem MVG!

  3. Rui disse:

    Olá MVG, adorei seu blog.
    Vc escreve bem.
    abcs.

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