Especial MVG. A educação é tudo e um pouco mais

Quem passa por aqui algumas vezes, talvez pense que o MVG tenha nascido em berço de ouro, classe alta e de possível nobreza. Mas a verdade é que fui de classe média (bem média), o que incluiu a minha vivência durante três anos numa EESG (Escola Estadual de Segundo Grau). Fui aluno do Estado durante uma fase importante da minha vida, da puberdade e da adolescência, época que as minhas questões sexuais ainda não estavam em foco. Tais dúvidas e questões viriam depois, na época em que o Plano Real se estabeleceu, e eu pude trocar a EESG por uma ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). Idealmente meu pai queria que eu entrasse na USP! Mas quem disse que isso seria possível para mim? (rs).

Lembro com muita clareza que nos boletos mensais iniciais da faculdade, da ESPM, naquela época de nova realidade econômica, meu pai pagava R$ 250,00 ao mês. No final do quarto ano, com uma certa inflação mesmo que baixa, a mensalidade valia em torno dos R$ 320,00. Foram quatro anos nessas condições. Um respiro espantoso para praticamente todos os brasileiros.

Um Ford KA zero quilômetro custava R$ 7.000,00. Dá para acreditar? Hoje a gente consegue pagar por menos de R$ 23.000,00?! Claro que não.

Mas esse post começou desse jeito para uma simples homenagem. Uma saudação especial para o professor, porque é seu dia. Se o MVG hoje parece algo de burguês ou de uma certa nobreza, devo 50% das minhas conquistas a todos os educadores que passaram em minha vida. Os outros 50%, devo a mim mesmo que fiz jus ao meu aprendizado. Diz o Alex Periscinoto, um dos idealizadores das maiores agências de propaganda do Brasil, que “mais vale o que se aprende do que te ensinam”. Na parte do ensinamento, tive ótimos caras a frente da sala de aula, numa época que professor era um pouco mais respeitado do que hoje (seja o do meu colégio do Estado, seja do particular). Do lado do ensinamento, busquei fazer valer a pena com esforço (e talento) e, se hoje pareço “riquinho” ou nobre, foi por essa força externa chamada educação, que me propiciei as bases firmes iniciais para me tornar algo de mais interessante hoje.

Esse post é um parênteses importante pois, mesmo não sendo educador, psicólogo ou sociólogo de formação, grande parte da energia depositada no MVG tem um intuito, informalmente, de orientar (talvez tenha puxado algo da minha mãe? Talvez).

Dizer que “educação é tudo” já virou chavão e clichê. Mas na prática que é bom, nada. Primeiramente que a educação no Brasil (mesmo nas instituições particulares) anda de mal a pior. Por um lado, nas escolas públicas, a condição lastimável conhecida dispensa maiores comentários. Por outro, de uma boa parte das privadas, o ideal de ganhar dinheiro, de fazer das escolas verdadeiras fábricas de diplomas (colocando o ensino em segundo plano) também é uma realidade.

Em ambos contextos, está lá o professor, em um sacerdócio vocacional, tentando fazer alguma coisa factual para a sociedade, quando é que o próprio professor preserva uma ética com base exclusivamente na transmissão de conhecimento, quando não ensina com viés, fomentando desejos de partidos ou desejos particulares, de maneira também corrupta e manipulatória. Que fique bem claro, assim como gerou-se polêmica recentemente: um bom educador, que é aquele que pratica a orientação, deve ser imparcial (ao máximo), apresentando as referências existentes para que o próprio aluno desenvolva seu senso crítico, individualmente.

Então, limpando toda essa impureza que envolve o ensino brasileiro e a data especial do professor, fica aqui meus sinceros votos de agradecimento e honraria. São esses caras, os professores, aqueles que são capazes de mostrar alguma coisa para além dos nossos limites, depois de nossos pais. Dizem que nossos amigos são capazes disso também. Mas, a bem da verdade, é que – na maioria das vezes – nem eles mesmos costumam saber de suas próprias “fronteiras”!

Minha mais profunda devoção ao honesto e imparcial professor! Com ele, aprendi antes SER e entendi que o TER é consequência.

3 comentários Adicione o seu

  1. lebeadle disse:

    Só faltou falar das aulas de canto, acho que deviam ser uma das mais interessantes.

  2. minhavidagay disse:

    Oi LeBeadle! Você se refere as aulas de canto que eu tive?

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