Passivos, ativos e falta de orientação

Durante essa semana, em conversa com o Meu Japinha, ele trouxe a mim fatos curiosos e que, para o meu universo conceitual de quem é um gay de 37 anos (rs), não imaginava que os jovens nas escolas ou faculdades, entrassem no mérito e até mesmo se confundissem tanto.

Surgiu um cardápio de erros conceituais, confusões, advindas basicamente da falta de orientação, no caso, a homossexual. Não estou me referindo apenas aos jovens que têm menos acesso à educação de melhor qualidade. Falo de uma juventude de todos os níveis, que carrega uma certa ingenuidade, o que revela um tipo de alnafabetismo sobre as principais questões da homossexualidade, nessa relação taxada, principalmente, entre “ativos e passivos”.

Assim, dando continuidade aos posts sobre esses temas, dos gays ativos, passivos, versáteis e mais recentemente gouines, vamos a alguns esclarecimentos conceituais:

– Meninos mais altos não são necessariamente ativos. Por consequência, meninos mais baixos não são obrigatoriamente passivos!;

– Um jovem gay mais masculino não está na condição exclusiva de ser ativo. Logo, o jovem gay afeminado não se condiciona a ser (somente) passivo!;

– Não é uma condição dos gays mais dotados serem ativos. Assim, deixa de ser condição dos gays menos dotados serem passivos!;

– O homem ou menino que é mais musculoso, barbado e que até se apresente socialmente com uma imagem mais máscula, não corresponde obrigatoriamente a uma preferência de ativo na hora do sexo. Da mesma maneira, o homem ou menino que é magro e com traços mais femininos, não está condicionado a ser o passivo, exclusivo;

– Meninos ou homens com voz mais grossa não definem o gosto único de serem ativos. Logo, meninos ou homens com voz mais fina não estão condicionados a serem passivos!

Mais uma vez, tais “denúncias”, percebidas pelo meu namorado no contexto de sua faculdade (e olha que estou falando de uma faculdade nos EUA, onde estão reunidos jovens do mundo todo, o que inclui seus colegas brasileiros, que lhe trouxeram essas referências errôneas) reforçam a ideia de como a cultura brasileira gay, por mais que queiram se desprender dos valores da heteronormatividade, na hora dos vamos ver – diante dos conceitos íntimos e sexuais – associa a ideia do passivo ainda com a figura feminina e, ao mesmo tempo, a ideia do ativo com a figura masculina. Pois vejam só: ser alto, masculino, dotado, musculoso, barbado e de voz grossa é “coisa de homem”. E vejam que curioso: ser mais baixo, feminino, com o “peru” pequeno, ser mais esguio e de traços femininos se associa mais com as características da mulher.

Tais afirmações ou associações tratam-se de um lapso tremendamente heteronormativo que, bem ou mal, é referência cultural e, infelizmente, ainda está atrelada aos ideais do machismo.

Nos posts que fiz tais analogias, “acusando” que o homem ou menino gay se restringem demasiadamente em ter que ser um ou outro e tais valores deveriam ser refletidos – colocando atividade ou passividade como critério rígido de escolha de seus parceiros – recebi algumas críticas. Umas construtivas, realmente opinativas e embasadas, e outras acusatórias, imperativas, sem fundamento, tal qual fazem os radicais do PT e do PSDB nesse momento e eleição (rs). Não tem jeito, o que f* são os radicais sempre (rs).

Mas estão aí, mais alguns fatos corriqueiros, do cotidiano da juventude gay para fazer-nos libertar (ou não) de nossas caixinhas, no caso, amarras culturais mesmo. Podemos, no mínimo, investir alguns minutos para refletir.

Estou sugerindo aqui que se levamos tão a “ferro e fogo” a dualidade “passivo e ativo”, podemos, sem querer, enrustir um teor altamente machista.

3 comentários Adicione o seu

  1. lebeadle disse:

    A vida gay ainda é uma ciência oculta ou então um esoterismo pois o povo fica cultivando umas crenças absurdas pautadas em generalizações de cunho machista/homo ou auto-homofóbico, desse jeito ainda descobrem a pedra filosofal gay…

    É bom de vez em quando chamar para uns esclarecimentos e essas questões do Japinha tocam nisso – só faltou a história do dedo da mão que indica se é gay ou hetero,dedo anular deve ser menor que o maior-de todos, parece.

    De resto digo se o que f* tudo são os radicais então eu é que não quero ser f* por eles

    Abraços, beijos

  2. tjsilva85 disse:

    Vivo isso constantemente, tenho 194 cm de altura, uso barba, tenho traços árabes e isso parece ser aos outros fatores determinantes sobre o que vou fazer na cama.

    Não! Pera… Tenho prazer sendo ativo e passivo e acredito que minha aparência não é fator determinante para isso, mas até acredito serem esses critérios uteis, pois aos que julgam assim eu sei que devo manter distância dessas mentes tacanhas.

    Outra coisa que acho triste é a ironia quanto ao passivo, caso não existisse o passivo com quem o ativo iria transar?

    Quer saber, o povo deveria parar de se preocupar tanto com isso e ir gozar.

  3. Caio disse:

    É natural a maioria dos heterossexuais não conhecerem ou entenderem essas relações expostas no texto, dado que isso não faz parte da vida deles etambém porque eles buscam enxergar os gays da mesma de maneira heteronormativa. Agora os próprios gays terem essa visão deturpada, aí já é demais. É o cúmulo da falta de noção. Ainda que seja uma realidade, infelizmente.

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