As pessoas só querem ser bem tratadas. É o básico.


Depois de 2012 e 2013, como cenários de muito trabalho, saída de gente da minha empresa que estava comigo há quase uma década, entrada de novas pessoas, crescimento, novos parceiros e novos projetos, e de um ano de 2014 “morno”, mas que despendeu bastante energia, resolvi me presentear esse ano com um carro novo, coisa da época de Natal.

Para quem não sabe, o processo de compra de um automóvel no Brasil é altamente burocrático e chato, justamente para que o “jeitinho brasileiro” não bagunce a vida de quem vende carro. São documentações, laudos periciais, idas e vindas a cartórios, reconhecimento de firma de documentos, entre outros que tornam a aquisição de um produto algo, para mim, tortuoso e desgastante. Se eu pudesse ficar com um carro por 20 anos, sem desgaste ou depreciação do valor, eu faria. Quem tem carro sabe que, quando passa alguns anos e, pior, quando o veículo sai de linha, o valor deprecia muito. Tive que trocar.

Diante da situação de tantas etapas burocráticas (não se compra um carro na hora e já sai com ele), a qualidade da atenção dada ao cliente acaba sendo um dos critérios de escolha para mim. Faz tempo que ouço meu pai falar do nível superior dos carros japoneses (o meu anterior inclusive), do atendimento qualificado das concessionárias que oferecem os nipônicos e da falta de credibilidade atual das ofertas e das montadoras nacionais. Conhecendo meu velho, sabia que 50% do seu discurso era de uma supervalorização patriota e resolvi investigar as opções das produções nacionais.

Foi na Ford que tive o melhor atendimento. Faltava ver se existiam algo do meu interesse. Odeio os processos burocráticos, mas sempre gostei de carro. Um gay que gosta de carro. It’s a fact! Entendo conceitos básicos de cv (cavalos), relação peso VS. potência, diferenciais de câmbio, design e conceito, acabamento, tipos de direção, opções das montadoras, sistemas tecnológicos e etc. Assim, sabia quais modelos estariam disponíveis para a minha escolha e optei por fazer test-drive em três. Na Ford.

A atenção foi impecável e colocava por terra a ideia pré concebida de meu pai. Cheguei a testar um japonês da Honda e, apesar do acabamento incrível e o sentido robusto da parte de motor, achei a potência baixa. Banheirão. Voltei para a Ford e fechei negócio. Do dia que entrei na concessionária ao dia da retirada do veículo (anteontem), fui atendido por três profissionais diferentes: o vendedor (que atualmente chamam de consultor), da moça dos acessórios e do rapaz da pós-venda que fica encarregado da entrega dos veículos novos. Não tenho um “A” para reclamar, o que me fez tomar mais gosto pela minha aquisição e ter tratado de todo processo de compra, burocrático e moroso, com muito mais tranquilidade.

Fato narrado, sou microempresário desde meus 23 anos e, atendendo empresas por intermédio de pessoas, sei desde muito novo o que é dar atenção para elas. Vou dizer que ensinar pessoas a atender bem outras pessoas é praticamente um ato divino! E embora seja assim, curioso que uma grande maioria de nós, quando levamos tais conceitos de atendimento e atenção para o contexto profissional, atua de maneira satisfatória. Nesse âmbito, vamos aprendendo técnicas e importâncias do bom atendimento na relação “cliente x fornecedor”, mesmo porque – normalmente – nosso desempenho profissional fica na mira. Mas ao deixarmos o escritório, parecemos não só trocar de roupa, mas tirar uma máscara e deixamos empilhado, junto com o “uniforme”, o senso de atenção na vida pessoal para com o outro. Relaxo.

Blog MVG, Facebook e, mais recentemente, Campus mvg – somados – lidam com públicos há mais de 3 anos. Dois deles nunca precisaram visar lucro; o outro é a tentativa de valorizar (com ganho capital sim, por que não?) certo esforço e relacionamento por longos anos com o público gay vasto, variado e diferente do MVG. Nos falta um senso de pertencimento, nos falta reconhecimento, nos falta um senso de representação. Por que não tentar fazer diferente?

Mas voltando ao assunto, me parece tão simples reservar alguns minutos do dia, quando não algumas horas, para dar atenção às pessoas, mesmo que desconhecidas ou distantes. Claro que durante todo esse tempo não tive condições de responder todos os leitores, mesmo porque muito das questões e dúvidas enviadas a mim, já tinham respostas no Blog, bastava (e basta) uma busca rápida. Mesmo porque, com Blog e Facebook sou apenas um, por mais estranho que possa parecer! Mas acho que essa atenção às demandas alheias, seja no aspecto pessoal, seja no profissional, a gente até aprende com técnicas e creio que para mim, além dos propósitos com as “coisas” do MVG, é também aptidão. Há sim um prazer muito grande que me impulsiona.

O que penso é isso: nos falta reservar um tempo para dar atenção para as pessoas. Pelo Facebook do MVG tenho notado alguns “gatos pingados” que chegam chutando o balde, julgando, extrapolando sem nem sequer querer saber o que é M.V.G. Me questiono o por quê e, ao invés de me fazer indiferente, ou de excluir o texto, ou banir o usuário num clique, o convido a uma conversa educada, paciente, argumentada e lúcida; e noto que as pessoas andam naturalmente armadas, como se esse estado de defesa fosse algo normativo! Ariscos, sabe?

Quanto medo de rejeição, quanta insegurança… e não falo de gays enrustidos! Falo de gays assumidos, com as carinhas estampadas no Facebook e timelines pessoais repletas de referências autoafirmativas (gays).

É isso mesmo. As pessoas me parecem tão desacreditadas das próprias pessoas que, as vezes, o estado de defesa vira um padrão. Se outro na defensiva vê tal indivíduo, ataca e vira aquele bate-boca infundado, egóico, sem causa. Vira indiferença, vira exclusão.

Somos ainda cachorros ariscos e, ao contrário da punição, basta atenção e carinho. Parecemos estar sem “dono” e esquecemos que, as vezes, precisamos fazer o papel de “dono” também. Mas ainda bem que, nas coisas do mvg, tais comportamentos são de uma minoria. E se depender de mim, continuará assim.

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