A cultura dos extremos


Recentemente o Face do MVG foi invadido por um grupo de 5 ou 6 pessoas, que seja 10 (no máximo), com o velho padrão comportamental dos extremos. Se colocavam como politizados e ativistas as causas gays. De um movimento de bando.

Já descrevi em posts anteriores, na época das eleições, minha percepção sobre o extremismo, da necessidade absoluta e taxativa de impor ideais e ideologias, como se todos os gays no caso atual – devido ao fato de existir violência, repúdio e crimes – tivessem a obrigação de serem ativistas.

Tais pessoas, me parece, estão sempre condicionadas e buscar “pêlo em ovo” a tudo que aparenta ir contra aos desejos do próprio ego (vulgo ideal). Vivem uma função (nas horas vagas ou não) de detectar qualquer sugestão que possa caracterizar homofobia, levantando a ideia de que qualquer pequeno gesto possa caracterizar uma ação contra gays. Atuam com o ataque, numa tentativa de agressão moral (online), de impor com todas as forças e como numa matilha, um mesmo tipo de ódio. Ódio por ódio, a mim, descaracteriza qualquer causa. Devido a essas maneiras é que a sociedade gay (e não gay) precisa pensar algumas vezes sobre os contornos e consequências do vigor da PLC 222. Falo isso com muita consciência.

Esses perfis existem e se apropriam da ideia de que “ser gay é um manifesto político”. Posso acreditar que não é assim? Pois bem, a mim, não é assim. Ser gay está num contexto muito mais moderado, amplo e normativo cujos viés cada indivíduo dá ou dará. Não consigo e nem suportaria viver condicionado àquela faceta “escura da lua” na qual se encontra a violência, uma parte rejeitada e que tem lá, na mesma proporção, a raiva. Ser gay, a mim, não se resume a essa condição. Sinto muito. A cultura do vitimismo não faz parte do meu berço.

Ao mesmo tempo, é claro que a mim, por ideologia e senso crítico, que “Bolsonaros da vida” e bandos de homofóbicos, não tem a minha validação. Óbvio que não. Mas não ter a minha validação não quer dizer que tenho que odiá-los e viver numa função de dizimar todos esses tipos. Por mais que seja hediondo, dolorido e triste, dentro da diversidade humana existem essas diferenças. Não sou daqueles que condiciono a minha vida, meu trabalho, meus afazeres, meu namoro, minha família e meus amigos a esse tipo de conflito ou afronta. Mas me sinto plenamente ativo para uma conscientização a minha maneira, no tom que são todas as coisas vinculadas ao MVG. São mais de três anos e não é pouca coisa.

A quem diga, e possivelmente tais extremistas validariam, que o meu mundo é cor-de-rosa e não existe. Vou dizer tranquilamente que existe sim e pode fazer sentido para mais de 15 mil leitores que passam pelo Blog todos os meses e para os mais de 10 mil seguidores que chegaram ao Facebook e tiveram, no mínimo, alguma simpatia. O que eu quero dizer é que ideias, valores, conceitos e atitudes não funcionam se impostas, seja no âmbito político, social, cultural, educacional, familiar e etc. Existe uma diferença tênue entre construir um senso de autoridade e praticar atitudes autoritárias. Venho batalhando, com esforço e aptidões, para desenvolver a primeira. Se estou certo ou errado, quem tem condições de julgar se não eu mesmo, são os leitores que somam, agregam ou multiplicam.

O ativista gay que funciona pelos argumentos dos extremos, do excesso de “coração”, do impulso, do julgamento precipitado (que inclusive gera o preconceito) e da agressividade, justifica os homofóbicos. Acredito sim, com bastante convicção, que os extremos se retroalimentam. Temos a oportunidade, hoje, de buscar caminhos diferentes e criativos para trazer referências e ideias para as pessoas (seja no universo gay, seja em qualquer outro universo), nos distanciando de hábitos primais e conflituosos e buscando por maneiras mais civilizadas. Sei também que no caldo louco que é o Brasil, a concepção de civilidade é líquida, mas nessa liquidez, mantenho meu posicionamento.

Com o MVG, aos poucos, ganhando mais visibilidade, sei que não estou isento da crítica alheia, de determinadas ofensas e de certos julgamentos. Isso é um aprendizado novo a mim e faz parte da chuva que quero me molhar. Mas acho importante apresentar meu posicionamento, que não significa que seja imutável ou uma mera satisfação, mas que certamente reforça uma linha de conduta. Como a vida nos ensina, não tem como discutir com o radical. Todos batem as suas cabeças. O extremo faz parte de um mal humano necessário e sábio é entender como lidar com esse tipo. O extremista é naturalmente cego, egocêntrico e reproduz um mesmo tipo de furor contra aqueles que alegam ter esse sentimento. Qual é a moral? A mim é zero.

Mexe um pouco no meu discurso porque uma coisa é certa: quero abranger, mas não estou aqui para ser Madre Teresa.

1 comentário Adicione o seu

  1. jefersonpazfotografia disse:

    Muito lúcido seu post! A militância não tem foco, não respeita quem pensa diferente, misturam a causa LGBT a outras causas que não nos dizem respeito e nem são unanimidade entre gays (como legalização do aborto por exemplo). Enquanto isso as causas mais urgentes ficam perdidas em meio a festa, a erotização e a vontade de causar a todo custo. Em 2012 entrei em atrito com militantes de uma das ONG’s que organiza a Parada Livre de Porto Alegre por ter me manifestado contra os excessos. Na ocasião eu critiquei a atitude de um participante do ano anterior que fora ao evento usando apenas uma sunga branca rasgada no traseiro deixando tudo de fora. Gratuitamente. Algumas pessoas me apoiaram, mas a grande maioria e principalmente os militantes me chamaram de homofóbico, de falso moralista, disseram que vivo uma vida heteronormativa. Me perguntei o que seria uma vida homonormativa. Para ser gay preciso erotizar tudo o que faço? Até manifestações de cunho político? Ah, meu poupem! Os militantes tentaram fazer do comportamento do rapaz um ato politico, profundo, fundamentando a atitude dele em teorias filosóficas inúteis sendo que no fundo a mensagem era simples e direta: EXIBICIONISMO. O próprio rapaz disse que queria mostrar o resultado de aplicação de silicone. Hoje eu corro por fora. Minha forma de protestar contra o preconceito é ser eu mesmo, agir naturalmente. O simples fato de eu assumir meu namorado para toda a sociedade já é um ato político. Mas pedir respeito transando em banheiro público, atras de árvore pra mim é de uma arrogância e ignorância absurda.

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