Os caminhos de Ruan


Bom dia MVG! Há mais ou menos 1 ano, descobri esse site maravilhoso mas até então tinha me mantido neutro, curti a página do Facebook, leio os posts aqui e lá, curto alguma foto ou compartilho outras mas nada de compartilhar algo pessoal, tenho a vida meio corrida e quando gosto de escrever gosto de detalhar tudo para que nada saia errado, hoje resolvi contar um pouco sobre mim e meu relacionamento.

Fui um cara que me descobri cedo, no colégio mais ou menos com 8, 9 anos de idade, olhava pros garotos, sentia desejo por eles e muitas vezes ia pro banheiro pra vê-los, achava aquilo natural, no início da pré-adolescência que as coisas começaram a se encaixar, sempre fui um menino hiperativo e meio rebelde, pisciano nato, frequentei por longos anos a terapia, terapia essa que me ajudou muito a me tornar o que sou hoje em dia. Por volta dos meus 16 anos minha família descobre que sou gay, como? Simples! Era de MSN e ICQ, gravaram o histórico, leram e tudo estava feito! Me indagaram e me colocaram na parede, tive que confessar… rs!

Fui criado pelos meus avós por parte de pai e pela minha tia ao qual chamo de Mãe, uma mulher maravilhosa… mas não, eles não me aceitaram e nem aceitam. Passei por diversas fases, inclusive algumas fases as quais você passou e relatou no Blog eu passei mais novo; primeiro eu tinha aquela vontade grande de que me aceitassem e de me assumir pra todos… o tempo foi passando, as coisas mudando, eu sempre buscando estudos, vida espiritual e a experiência com o outro. Hoje me coloco diferente disso, hoje busco o respeito, nada mais.

É estranho e totalmente errado querermos impor algo nas pessoas ou na sociedade, o gay é mal visto muitas vezes por isso, por essa atitude radical de aceitação extremista. Problema sério de muita militância hoje em dia. Agora o respeito, é fundamental, diz uma amiga e cabeleireira “respeito é bom e mantém os dentes na boca”.

Respeitar é ser humano, é saber que o outro possui o seu espaço, sua vida e suas ideologias, é acreditar que não existe uma verdade absoluta e sim a verdade de cada um, é meio complicado, mas é bem por aí.

Sempre me relacionava rápido com qualquer cara, nunca pensava em namorar, na verdade eu não tinha saco para tal coisa, mas vivi o meu tempo tentando não ser precoce nas descobertas, passei a sair de casa apenas depois dos 18, sem aquela loucura dos amigos de falsificar a identidade e ter histórias pra contar na semana seguinte no Ensino Médio. Perdi a virgindade, digamos, tarde também e graças a Deus, sempre fui bem resolvido para mim, que era o que importava. Minha sexualidade eu deixava na cama, em 4 paredes, no dia a dia, é normal para mim ser gay… é fácil, as pessoas que complicam!

Na época da faculdade, em 2010, sempre sonhei e quis fazer História, prestei Vestibular pra isso e para Administração de Empresas, não tive sucesso com o vestibular de História. Quando me deparei, estava na faculdade numa aula qualquer de TGA e essas teorias chatas de Administração… o tempo passou, perdi meu Avô, que sempre foi muito mais que um Pai, era um Rei, era daqueles homens que podia está triste, chateado, que mesmo assim abria aquele sorriso e se doava pra qualquer um.

Arrumei meu primeiro emprego, me destaquei logo de início (quem disse que gay não se destaca numa empresa?) e recebi uma proposta da minha antiga chefe de trabalhar na área contábil com ela, foi aí que resolvi mudar, fiz um técnico de contábeis, na faculdade mesmo que eu estudava e abandonei Administração.

Confesso que fiz por impulso e incentivo daquela mulher que eu passei a admirar como chefe e amiga.

Mais uns poucos meses se passaram e eu perdi a minha avó, exatamente no dia do meu aniversário, 7 meses depois que meu avô tinha ido, alguns dizem que ela não aguentou de saudades e foi ficar com ele, aquelas coisas de consolar o outro sabe?

Afinal, eram 53 anos de casado, com uma bodas de ouro linda, 5 filhos, 8 netos , 1 bisneta e muito legado e história pra contar, um casamento lindo. Tive que dar a volta por cima rápido, e continuei a viver, munido do meu pensamento lá na frente, do meu sorriso no rosto, das minhas piadas, do bom humor e da minha fé que nunca me abandonou.

Minha religião foi muito importante em todo esse processo. No final de abril de 2013, conheço meu atual namorado, estávamos numa festa de aniversário, ele lá com algumas colegas e eu com os meus; os olhares se encontravam a todo momento, ele mais assanhado dava entendimentos que queria falar comigo, eu mais fechado e linha dura, fingia que não estava vendo… deixei passar, no final da festa ele não se aguentou e veio falar comigo diretamente, conversamos um pouco e ele foi embora.

Confesso que fui pra casa e não conseguia esquecer, ele vinha e ia na minha mente toda hora, dormi mal por estar pensando numa pessoa que nunca tinha visto na vida, mas que estava mexendo comigo. Não resisti e graças ao advento da internet, achei ele no facebook e o adicionei, após isso foram mais 24 horas de agonia para ele me aceitar e enfim começarmos uma conversa. Eu estava saindo com alguns caras na época mas me coloquei a disposição para largar tudo e ficar com ele, até quando eu descubro o quê?

Ele tinha namorado! Rs!

Não era um namorado de datas, era um tal cara que ele estava ficando há 1 mês, e esse cara para minha surpresa estava na festa e eu não sabia nada! rs! Pois bem, 3 dias depois marcamos de nos ver, batermos um papo e bebericar algo; a princípio ele me dizia que tinha seus 19 anos, que tinha carro, moto e etc… coisas para me impressionar, já eu quase formado, sempre gostei de roupas de marca, lugares interessantes, um bom papo e uma boa música de fundo. Não me importava pelo o que ele dizia que tinha, estava me encantando pela pessoa que ele era, engraçado que ele não tinha papo, conversa, nada! Mas eu estava me encantando, eu, que tinha saído com caras formados, mestres e etc estava me encantando por um menino de 19 anos… o amor é cego, viu?

O tempo passou, ele terminou com tal cara pra ficar comigo, ficamos, ficamos e ficamos, ele fazia de tudo pra me ver, moramos um pouco longe, eu sou do Rio de Janeiro, da cidade do RJ, Zona Norte, e ele de Petrópolis, região serrana do Rio, mesmo assim ele descia de carro, me pegava na faculdade num lindo meio da semana e eu? Estava encantado com tudo isso! E o tempo foi passando…

…fui apresentado a Mãe dele, a Avó, Avô, Tios e Irmão, de início me olhavam desconfiado, são uma família simples, humilde e me olhavam bem vestido, diferente! Mas conquistei eles, e com o passar do tempo eles me conquistaram também e hoje nosso relacionamento é maravilhoso, principalmente com minha sogra.

Só que nem tudo são flores, estamos há 1 ano e 7 meses juntos, nosso relacionamento é praticamente cheio de idas e vindas… idas e vindas essas que sofri muito e tive que perdoar muito! Primeiro, com 3 meses de namoro, eu confiando nele plenamente, sem cobranças ou perturbações, mesmo ele morando longe e eu o vendo todo final de semana, descobri algumas conversas (eram muitas) no facebook dele com muitas caras, muitas conversas em tom de perversão, e com até promessas de futuros encontros… meu mundo tinha caído, tudo que eu sempre quis estava ali, perdido, nunca tinha chorado por homem nenhum, mas a lágrima caiu… foi caindo… rolou… terminei com ele, e em menos de 2 semanas, o perdoei e voltamos, o tempo passou… descobri que ele não tinha 19 anos… ele tinha 17, o aniversário dele que passei com ele ao qual pensei q ele estava fazendo 20, na verdade ele estava fazendo 18! Incrível não?

Descobri que ele não tinha estudado mais, que ele tinha parado no ensino fundamental, que ele não tinha carteira de motorista (afinal, ele tinha 17, rs) que o carro que ele usava para me pegar na faculdade na verdade era da Avó dele e a moto que ele dizia que tinha era de sua mãe! Nossa! Outro baque! Outra porrada… e lá vai eu, forte, maleável, apaixonado, quase amando já e sempre querendo promover o diálogo conversar com ele, o mesmo me relatou em prantos que quando me conheceu, viu que eu era o tipo de cara que nunca deu a bola pra ele, playboyzinho como ele sempre me achou, ele achava que meu mundo, de faculdade, estudos, dono do meu próprio nariz, com dinheiro e “cartão de crédito” não era compatível com o mundo dele, por isso as mentiras, por isso as histórias, pois ele queria passar pra mim algo que eu gostasse, e o pior de tudo, eu nem ligava!

Queria saber dele, e não de carro… e outras coisas. Queria alguém que na maior dificuldade da minha vida, estivesse comigo. Perdoei ele, nesse caso entendi o seu lado e passei a tentar entender o porque ele era assim, carente de figura materna, sempre teve a mãe e a avó, apenas! E essa carência de Pai se refletia na rua, ele gostava de sair com caras bem mais velhos, perdeu a virgindade cedo, saia com homens casados, pais de família e unindo tudo isso a cabeça fraca e personalidade frágil, ele chegou a usar drogas largando depois quando adentrou ao espiritismo.

Isso tudo antes de eu conhecê-lo, lembrando que eu o conheci com 17 anos! Rs! O tempo passou…e mais um vez eu o peguei com conversas, dessa vez no Whatsapp… li coisas horríveis e vi também e mais uma vez eu terminei com ele… passei um tempo só, e com todas as promessas dele, eu iludido voltei. O tempo passou novamente… e eu como sempre fazendo de tudo por ele, confesso, ele faz de tudo por mim, quando estamos juntos tudo é perfeito entende? O lance acontece quando estamos longe, ai sim vem a desconfiança, a insegurança, a mentira ora ou outra… e tudo isso é complicado pra mim, eu que sempre fui um cara certo nas minhas coisas, determinado, organizado e é claro, sempre gostei de viver numa zona de conforto, estar bem sabendo que as coisas ao meu redor estão bem.

Com o passar do tempo, hoje contabilizo 3 vezes que eu terminei com ele por conversas em Whatsapp… ainda não entendo o porque ele procura isso… o porque dele gostar disso, se ele diz que me ama, faz de tudo por mim e demonstra isso acima de tudo! A última vez que brigamos, fiquei 1 mês separado dele, ele passou mal, teve princípio de infarto e ficou internado, e eu como sempre mesmo machucado, acabado, fui e fiquei no hospital num momento como acompanhante.

As vezes acho que o problema está em mim, que faço algo de errado para que ele busque isso e minhas expectativas também no relacionamento é o que me frustra.

Nasci e cresci numa família onde todos são em casados, vivem casamentos duradouros, eu mesmo citei o de meus avós que são os grandes exemplos pra mim, eu só queria ter essa oportunidade também entende? Sim, acredito que eu me encaixe no gay conservador, que pensa em casar, comprar uma casa, ter cachorro, adotar filhos e etc… entende?

Entendo que estamos no século XXI e esse modelo da vovó e do vovô tende a mudar e estar mudando… mas será que preciso acompanhar essa mudança também? Hoje com todos os nossos problemas estamos bem, vivo com uma desconfiança 24 horas por dia, fora da minha zona de conforto, aquela que eu disse que sempre gostei de viver. Tudo é complicado, que por mais que eu diga as vezes um basta, em momentos de raiva, eu o amo, e ele me ama também, a gente se corresponde nisso 24 horas por dia… e como vou deixar alguém que amo e gosto? Hoje em dia vivo num dilema, vivo a ponto de qualquer momento pegar outra história de conversas… caras e fotos… é complicado!

Gostaria de uma sugestão, uma crítica, uma palavra amiga, algo que possa ajudar a me colocar no eixo. Se assim necessitar, pode relatar minha história, sem nomes fictícios ou outra coisa, okay?!

Leio o blog todos os dias! Todos! Muito obrigado por essa oportunidade de falar… desabafar! Bom dia!

Comentários do MVG:

Oi Ruan, tudo bom?
Eu só vou comentar porque você pediu alguma sugestão. Mas pelo o que eu sinto de você, atrás do seu texto, é que você vai saber se virar muito bem sozinho!

Primeiramente, desculpe pela demora de resposta. Final de ano é um caos na empresa e, como vou passar 15 dias fora, tive que programar mais de 60 posts no Facebook! Tá certo que institui o “Reprise 2014” mas, para selecionar e ficar agendando não é mole não. Fora os textos do Blog dedicados ao Natal e Ano Novo, como faço sempre…

Percebi em seu depoimento muito dos conceitos e valores que busco transmitir aqui no MVG. Você apresentou o Ruan que é muito além das questões da homossexualidade. O Ruan da família, dos estudos, da profissão, da espiritualidade, etc. e acho isso bastante válido. Até parece que você é meu “aluno”! rs.

Veja Ruan, vira e mexe, falo sobre as caixinhas. É claro que você não tem que seguir um modelo fechado, acreditando que o jeito “vovô e vovó” findou. Na verdade não findou. Só deixou de ser uma regra majoritária, permitindo que outros formatos e padrões se estabeleçam. Em pleno século XXI, as pessoas são menos reativas a outros modelos de relacionamento. Veja que a Rita Lee e o Roberto de Carvalho são casados, moram no mesmo prédio mas em apartamentos separados.

Você tem a plena liberdade para construir com seu parceiro um jeito saudável e bom para o casal, mesmo que tal modelo seja o “quadradinho”, do “felizes para sempre”. Quem disse que não dá? Basta ter a vontade forte e continua entre o par.

Sobre o seu namorado, fica evidente que o contexto cultural de vocês é bastante diferente. E não é só o contexto mas, principalmente, a mentalidade. Será que somos realmente capazes de organizar a vida do outro? Será que temos a capacidade de colocar em ordem e construir a autoestima alheia? Eu tenho uma máxima comigo, que tem exceções (claro), mas, na maioria das vezes, quem trai tem um problema sério de baixa autoestima. Precisa ficar se provando a todo momento, por pessoas diferentes, que é desejado.

Assim, uma das grandes questões do seu namorado, Ruan, no meu ponto de vista, tem um nome: baixa autoestima. Fui casado com um rapaz que, inicialmente, precisou inventar “dotes materiais e intelectuais” para sentir segurança que eu não iria deixá-lo. Mas pare e pense comigo: quem acabava dando valor para o material era eu ou ele? Porque o problema, das questões de classe que corrói a nossa sociedade, não é somente daquele que se acha “mais” ou “maior” por poder ter, por exemplo, um carro. O problema é também daquele que se sente inferior por não poder. Ambos supervalorizam o material e o status. Se o seu namorado não valorizasse o conceito de status, no sentido de dar relevância ao tema para não se sentir julgado, ele não inventaria história nenhuma, concorda?

Porque quando a gente não valoriza o poder material (seja o que pode e o que não pode) nossa abordagem, questões e demandas são outras.

Tudo indica, Ruan, assim como foi meu caso com meu ex-marido, é que seu namorado tem problemas quanto ao seu nível social. Ele comprou, em algumas medidas, a ideia de que ele é “menos”, “menor” e “inferior” à outras pessoas por fazer parte de uma família mais humilde. E te afirmo: não tem namorado maravilhoso, nem Cristo, nem Deus que fazem uma pessoa se enxergar diferente disso, de se sentir rebaixado desse jeito, se ele mesmo não tomar consciência.

As diversas vezes que você o perdoou te dignifica. Mas será que ele aprendeu? Me parece que ele ainda não está pronto. Em outras palavras, você quer ensinar, mas será que ele consegue, hoje, aprender?

Exemplo: ninguém recorre a um psicólogo quando acha que não tem problema, quando acha que terapia é coisa para louco ou quando se tem um orgulho que cega, entende? Se perceber alguém digno que não seja por bens materiais ou pela permissividade com outros caras é algo dele com ele mesmo. Ninguém ensina, mas se aprende.

Mudar, Ruan, normalmente dói, dói até quando estamos viciados em maus hábitos, em pensamentos superficiais. É a caixinha que estamos acostumados. Será que ele está preparado? Será que ele quer mudar?

Enquanto alguns poucos se esforçam para construir e reconstruir modelos, que nos tira de uma zona de conforto, outros (a maioria) tende a se apegar as caixinhas. Bom ou ruim é apenas o julgamento do olho de quem vê.

Um abraço e felicidades!
MVG

9 comentários Adicione o seu

  1. Aleff Hibner disse:

    Ruan, tenho essa vontade também de construir um relacionamento que traga para minha vida o mais importante, a felicidade.
    Eu gostaria muito de poder ter filhos adoro cachorro animais em geral, quero muito ter uma pessoa fiel como eu sou, tenho relacionamento de quase três anos, tenho 20 anos e já passei por cada uma, a pessoa me pediu um tempo pra poder pensar na nossa relação e tals, o motivo disso tudo e simples na cidade onde eu moro VC que tem um relacionamento VC ta se colocando pra pra tudo, essa pessoa que namorava tem 26 anos , bem vivido e tal , mais em relação a caráter e atitudes nem parece que tem isso tudo, bem que todos falam que idade não e documento, realmente eu sou uma pessoa totalmente cabeça feita com objetivos certos.
    Pessoas a deus que me traga a felicidade um sorriso, passei por tanta humilhação, terminei tantas vezes, traições que muitas delas a gente finge que acredita pra tentar volta e tentar esquecer tudo, não e fácil sei como e difícil a sua situação, eu quero muito que deus coloque na minha vida uma pessoa que eu possa confiar, amar fazer valer minha fidelidade, curti a dois , coisa que eu nunca tive, queria muito nesse final de ano ter um sorriso de verdade no rosto, eu sou totalmente aquele cara que na rua anda só de cabeça baixa respeito demais , só que eu não tenho retribuição em relação a tantas coisas que eu acho que e simples em um relacionamento. Nossa adoraria encontrar alguem que eu pudesse ter essa essência de sua avó e avô.
    Ruan, algumas coisas que fiz por a pessoa que namorei tipo ele fez uma cirurgia e fui visita – lo , fiquei sem almoço uma vez para ir ao hospital , saia da escola a noite e ida direto no hospital, enfim isso foi puco perto das coisa que eu fiz.
    Mais sobre seu relacionamento, você está passando por cada uma e te entendo como esta engolindo tudo Isso, sou assim engolindo e engolindo.
    Só que eu agora entreguei na mao de meu deus, não frequentou igreja e cultos, mas minha fé e imensa. Deus ta me ajudando e eu pessoa que ele coloque na nossa vida pessoas que realmente o nosso esforço tenha algum valo pra toda a vida.

    Abraço, peça a deus ele vai te dar a resposta que seu coração tanto precisa.

  2. Henrique disse:

    Sei bem o que é essa situação…. Estou vivendo um dilema que não está sendo nada fácil administrar…. Pois passei e passo por situações acima descritas , mas que com um porém nessa bagunça toda apareceu uma pessoa maravilhosa e incrível…. Gostaria be contar meu relato…vou tentar descrever qualquer hora … Pisciano nato como sou eu tb… Apenas acredito que tudo tem um motivo para evoluirmos nada é para sempre por mais que queríamos que seja….

  3. Ruan Bernardo disse:

    Aleff Hibner quanto ao seu relato, pelo o que eu percebo atrás do seu texto, vejo que você tenha alguma ingenuidade para algumas coisas, acredito que muitas coisas na sua vida você olhe com olhos de crianças, como algo que possa dar certo sempre, como num conto de fadas, digo isso porque muitas das vezes me pego exatamente com esse tipo de olhar e pensamento, tenho alguns sérios defeitos, as vezes idealizo de mais, espero de mais e não consigo dizer NÃO, consequentemente me pego muitas vezes frustados por esse tipo de atitude, tenho um amigo e mentor espiritual que diz pra mim: -o dia que vc deixar as emoções de lado e começar a usar somente a razão, vc será muito mais feliz. È complicado amigo, é complicado fazermos planos com a outra pessoa e tudo ir por água abaixo, você tratar ela como nunca tratou ninguém na vida e ela fazer o mesmo com pessoas desconhecidas, por debaixo dos panos…traindo, mentindo e enganando. Amigo, assim como vc me aconselhou, lhe digo o mesmo, tenha fé! Momentos difíceis vêem para aperfeiçoar o aprendiz, sei que é difícil, sei que muitas das vezes colocamos nossa cabeça no travesseiro acreditando que não teremos forças…mas o tempo passa, a tempestade se vai e quando o sol seca toda a água, olhamos pra trás e vemos claramente que o tempo nos deu sua resposta, percebemos que estamos mais preparados pra vida e pro mundo até que dizemos a nós mesmo “estou pronto pra outra”, isso é viver meu amigo. Vivi a vida dizendo que não aceitaria traição, seja ela de qual forma fosse, e todos que ouviam eu dizer isso me diziam que era porque eu não tinha amada ainda ninguém, hoje, vivo exatamente o que essas pessoas me alertaram, perdoei, perdoei e perdoei…mas têm uma hora que agente cansa de se proteger e sai pra lutar, quem se priva muito uma hora precisa sair a caça! Digo de uma forma não pejorativa e sim de uma forma de sair para viver a vida, sem ilusões, falsas promessas. Use toda suas decepções para isso, para lhe dar força para ser uma pessoa melhor pra você e pra quem te ama de verdade. E nunca se esqueça de amar, ame mesmo! Ame a vida, a natureza, os animais, ame o que vc escolheu pra viver, sua família, amigos e não se esqueça, se coloque em primeiro lugar na sua lista de prioridades! Vc é seu maior investimento! Òtima noite! Feliz Natal e ótimo ano novo!

  4. Ruan Bernardo disse:

    Henrique, primeiramente, saudações piscianas! rs! Cara, é complicado ser desse signo não acha? Razão e emoção andam tão emboladas…e o 8 ou 80 eim? Ou ama de mais ou não gosta, ou se apega de mais ou desapega de vez..complicado não? Amigo, bom saber que vc possui essa visão de que somos seres espirituais em processo evolutivo e que tudo que acontece com agente nesse mundão de meu Deus e nada mais do que nossa evolução, isso já é um grande passo pra muitas coisas na vida! Melhor ainda saber que essa sua fase já está passando e sendo preenchida com uma nova pessoa. È muito bom o novo não é? A nova descoberta…a conquista…o olho no olho…aquele toque na pele e aquele arrepio sem ser esperado, isso tudo faz parte, curta bastante! Não cometa erros como já cometeram com vc, não justifique um erro futuro seu no erro passado do outro, seja acima de tudo um homem, porque de “mulekes” o mundo está cheio! Forte abraço! Feliz natal e Feliz ano novo!

  5. Pedro disse:

    Oi Ruan Tudo bem?! Também adorooo este blog rs, e quando penso que durante o fim de ano não vão ter muitas novidades por aqui, leio sua história, que por sinal é um pouco semelhante com a que vivi nos últimos seis meses. Bom, resolvi contribuir de alguma forma. Diferente de você, não fui um cara bem resolvido (sobretudo durante a adolescência), na verdade isso só veio de fato a acontecer de uns três anos pra cá (tenho vinte e poucos anos). O que pra mim já foi um passo muitíssimo grande, pois (sem vitimismo) fazer parte de um contexto essencialmente preconceituoso (leia-se família, escola, amigos, etc) desde criança, sem saber a quem recorrer, pra um cara tímido, não foi das tarefas mais fáceis. Mas sabe aqueles três anos citados anteriormente, então, foi quando tive aquele ‘estalo’; tá minha quase independência financeira (‘quase’, porque ainda moro com meus pais) também ajudou bastante kkk; é incrível como o setor ‘finanças’ interfere em muito aspectos da vida rs. Ah, já ia me esquecendo, a ideia de fazer terapia, ainda que por um período bem curto (na época estava muito envolvido com projetos de pós-graduação, por isso não tive mais tempo), também me auxiliou nesse processo. E curioso que antes desse meu ‘estalo’ perdi algumas oportunidades de engatar relacionamentos com pessoas bacanas, que eu sei que acrescentariam algo de bom na minha vida, mas amigo quando nem você (no caso eu hehe) sabe o que é ou o que quer fica difícil alguma coisa engrenar rs. Ops! Voltando a tal situação parecida com a sua e vivenciada por mim (é…porque se deixar vou divagando sobre tudo, pisciano sabe rs…se deixar ‘viaja’ e perde o foco). Então o conheci a uns seis meses atrás (o carinha), tínhamos amigos em comum. E como aconteceu com você, comigo não foi diferente – eu quem fui abordado primeiro (eu sou lento pra essas coisas rs). Não…ele não era meu ‘tipo’, se bem que isso é meio relativo, era uns dois anos mais novo que eu (se bem que aparentávamos ter a mesma idade). Pelo menos era um rapaz que tinha um bom papo, e culturalmente falando, era bem avaliado. O problema amigo, foi a questão da maturidade, talvez a questão da idade pese neste sentido; nesse pequeno ‘detalhe’ ele era bem desfavorecido, mas só vim notar depois. Tudo foi bom no começo, como todo começo, ele dizia gostar bastante (praticamente apaixonado) e eu apenas gostava (as vezes me sentia culpado por isso, mas sempre deixei bem claro). Eu nas minhas relações, levo um tempo mesmo pra gostar de alguém, sei lá pode ser alguma espécie de proteção, não sei explicar. Por outro lado, quando eu gosto, meu Deus, já me vejo velhinho com a pessoa amada e os netinhos do lado kk. Eu sou assim, é da minha essência, mesmo que pareça meio ridículo às vezes. E nem por isso me considero conservador, apenas tenho uma ‘visão’ mais romântica da superficialidade ‘de hoje’ (talvez essa superficialidade nem seja exclusividade do ‘hoje’, talvez estivesse reprimida há tempos, e tenha encontrado um contexto libertador mais apropriado, olha eu divagando novamente rs). Fato é que mesmo o Universo enviando os sinais – após três meses, por exemplo ele já afirmava que eu era demais para ele (olha a questão da baixa autoestima aí gente!!) – eu ignorei e continuei ficando e ficando, com a falsa ilusão que aquilo poderia render algo mais sério. Até que rendeu…rendeu dor de cabeça – ansiedade e noites mal dormidas. Um cara que se mostrava imensamente interessado, do nada muda (do nada não, apenas o cego aqui não queria ver), estava frio e era nítido que não queria nada com nada, apenas um estepe pra sexo. E isso me angustiava, estava deixando de viver minha vida, pra estar preocupado com uma pessoa que não merecia. Até que quando me vi bisbilhotando o celular dele (fuçando perfil social e outros aplicativos do inferno) – sim amigos, fiz isso e tenho plena consciência que agi errado – e sim, vi coisas que não queria, mas quem procura… – parei por uns instantes e pensei…”o que eu estou fazendo comigo mesmo? que tipo de pessoa estou me tornando?”. Terminei o que nem havia começado. Se sofri? Muuuuuito (eu estava me apaixonando); e foi aí que passei a compreender o porquê de algumas pessoas sofrerem por quem não lhes merece. Contudo aprendi…aprendi que não é possível manter qualquer tipo de relação sozinho, tem que haver cumplicidade. Aprendi que, de verdade, pra ser amado é essencial saber se amar.

  6. Thi jp disse:

    Ruan, pelo que li no seu relato do post, parece que você gosta de ser masoquista e seu “namorado” é imaturo. Digo masoquista porque você sabe a situação ruim em que se encontra mas mesmo assim gosta de sofrer. Poderia comparar sua situação com uma casquinha de ferida, machuca mas vira e mexe nos pegamos tentando arrancá-la (e com isso prolongando o sofrimento, apesar da aparente satisfação mórbida).
    Seu namorado, de acordo com seu relato, é bem imaturo, talvez pela pouca idade mas principalmente pela cabeça fraca da forma de pensar e levar a relação (mentiras, traição etc). Por outro lado tem o fator do seu “boy magia” ser “novinho” e ter a curiosidade e vontade de se envolver com outros homens (não que isso justifique as traições) e pela imaturidade faz ele querer pular a cerca. É preciso tentar analisar não somente o seu ponto de vista da história mas também se colocar no lado do seu namorado. Não que isso vai inocentar ele mas te ajuda a refletir melhor o que está acontecendo.
    Ele quer se relacionar com outros caras as vezes por curiosidade e de certa forma casual mas quando ve que o relacionamento “sério” que ele possui pode ruir, ele se arrepende e fica com medo de te perder. Você estando apaixonado acaba relevando as besteiras dele, porém parece que ele não aprende. Ele ve que consegue “estancar o sangramento” mas pouco tempo depois, acreditando que está tudo tranquilo, logo pula pra galinhagem.
    A primeira coisa que eu te recomendo é que não siga meus conselhos! Porque eu não te conheço e muito menos ele e ponto. É fácil eu falar isso quando não sou Eu que estou passando pela situação mas posso te dizer que o único que pode mudar ele, é ele próprio. Não adianta você tentar guiar alguém que não quer ser guiado ou que não o fez por vontade própria.
    Siga a SUA razão (e não a razão do mundo), com leves pitadas de coração e se der certo ok, se não der, você tentou. Procure a felicidade dentro de si próprio e não esperando encontrar dentro de outra pessoa, pois nunca mas nunca vai ser um conto de fadas. A vida não vai ser feliz só quando você encontrar alguém especial, conquistar um objetivo ou coisa do gênero. Não é só o resultado que importa mas o caminho percorrido é tão importante quanto e isso vale pra felicidade também. Não espere demais dos outros, pois as vezes isso é o máximo que elas podem nos oferecer.
    Não é a felicidade que vai nascer quando vocês estão juntos, o que acontece é que vocês estão percorrendo um mesmo caminho e com objetivos semelhantes no momento (seja amor, cumplicidade ou o que for que os ligou), mas pode ser que algum dia seus objetivos mudem e vocês sigam por caminhos diferentes. A vida é isso e dura ou não é preciso aceitar. Se não der certo, siga em frente e agradeça por poderem ter percorrido o mesmo caminho mesmo que por um curto periodo. Siga em frente, não pare no caminho, seja feliz.

  7. AK disse:

    Interessante essa troca que tem aqui. Conheci esse site hoje, por acaso. E estou gostando muito dos relatos e pensamentos gerados. Estava vivendo algo similar com o que está acontecendo com o Ruan. Digo estava, pois hoje tive uma epifania de como eu estava sendo “pollyana” em relação ao relacionamento que vivia. Estava namorando um homem imaturo. Que tinha todos esses comportamentos e todas essas chantagens emocionais, que eu caia. Ingenuidade, imaturidade, burrice… Não sei, mas eu sempre caia, rs. Acho que hoje eu eatava buscando o Santo Graal que é a fidelidade nos relacionamentos, em especial os relacionamentos gays, por isso cai em uma das matérias desse site. E lendo os comentários, não só deste, mas de várias matérias, percebo que existe sim pessoas com o pensamento semelhante ao meu. Esse pensamento de construir uma família, com filhos, cachorros e tudo mais, não é tão raro quanto pensei. Pensamento que alguns dizem “heteronormativo”, mas pra mim era um sonho de infância e um plano futuro. Obrigado pelo texto Ruan!

  8. Ruan Bernardo disse:

    Rapazes! Não desistam NUNCA dos seus sonhos! Meus olhos brilham ao ver os relatos e conselhos aqui apresentados. No momento, estou iniciando uma nova faculdade (História) e meu namoro vai bem, muito bem por sinal, confesso, tenho medo de que cair, se machucar novamente, acredito que eu não vá suportar o perdão e o estar com a pessoa novamente, agora posso perdoar, mas seguirei em frente! Determinação é a chave pra TUDO! AK meu amigo, isso mesmo! Existem sim pessoas que estão nessa caixinha digamos “normativa” de casar, comprar casas, adotar crianças e ter cachorros sim! E graças a Deus existe, assim como existe o baladeiro. o “swingueiro” e muitos outros que também encontram sua parte. Um ótimo ano para todos!!! Ao MVG, muito obrigado pelo espaço e pelos relatos maravilhosos!

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