Hakuna Matata


O post final de 2014 é dedicado a diversidade. Sim, diversidade sexual, mas mais do que isso, uma diversidade de pessoas.

Durante muitos anos acreditava numa caixinha fechada e reduzida, de que gay vivia num tipo de redoma, das vaidades, das baladas, do sexo sem compromisso, da promiscuidade, dos “penduricalhos” e das manias. Nos mais de 13 anos que sou assumido, fui percebendo que, quanto mais acreditava nisso, só percebia esse viés e não enxergava outras possibilidades. Com o tempo, fui me resolvendo e construindo a minha identidade como um indivíduo 360 graus, me apropriando de referências que tinham a ver comigo e me desapropriando de ideais que nada tinham a ver. Tal processo na vida é uma nuance na vida de um gay, de maneira inconsciente na maioria das vezes porque a consciência vem mesmo depois que passa, quando é que passa.

Para mim passou e cheguei numa fase, com quase 38 anos, com muita clareza sobre a diversidade dentro da própria homossexualidade. Saber que não estamos fadados a um “padrão comportamental reducionista” é um alívio. Não julgo quem se afeiçoe pelos rótulos e estereótipos, afinal, existem milhões de gays que se identificam. Em partes, eu também me identifico, como a minha vaidade por exemplo (que vai me fazer encher as sacolas com roupas, no final de ano nos EUA, em companhia do meu namorado! – rs. Aliás, esse post foi agendado e já estou desfrutando nesse momento! rs). Com quase 38 anos estou na fase de usar cremes para o rosto e não deixo de comprá-los. Se tais características estão no contexto estereotipado, pois bem, tenho um pouco disso e não me faz mal, pelo contrário. Faz parte de quem sou com tranquilidade, incluindo mais de 10 perfumes diferentes (rs). O namorado não pode reclamar que não sou cheiroso! :P

Mas tal clareza e lucidez, de que “ser gay vai muito além de ser gay”, vem me possibilitando uma abrangência e uma naturalidade de ações que, outrora, me gerariam inseguranças ou o próprio exercício do preconceito, do julgamento precipitado.

Isso é um pouco do que o MVG está se tornando: abrangente.

Em 2014 tive a naturalidade e curiosidade de conhecer o Gustavo, leitor do Blog MVG que anda quietinho e por enquanto está casado com a sua mulher. É jovem, não se entende como gay (talvez já consiga se autointitular como bissexual) e tem seguido sua jornada para sua felicidade. Em situação semelhante, está o EA, casado, com filhos e, esse sim, se coloca como homossexual. Curioso que, mesmo tendo um irmão gay e assumido por anos, foi com seus 35 que se deu conta que também é gay. Porque a sexualidade passa dentro da gente de maneiras muito particulares e diferentes e é isso que tenho aprendido.

Nesse ano despontou também o tal do g0y, rechaçado pela maioria dos gays que vi se manifestar. Talvez foram rechaçados porque, aqueles gays que entendem que a gente não tem que julgar as particularidades de uma pessoa – principalmente por sermos gays – permaneceram calados. Mas eu me pronunciei por aqui e atestei meu ponto de vista: gays não têm que ficar metendo bedelho nas variantes sexuais. Nós que somos os segundos, depois dos heterossexuais, mais normatizados em sociedade, temos um chão ainda pela frente para ficar se ocupando com ofensas e julgamentos a um grupo que também está se configurando, que também merece uma representatividade. A mim, o gay que ofende alguém que pense diferente, como o g0y, não deixa de ser um fóbico. Tal palavra não está agregada apenas à homofobia.

Como amigo, acompanhei os progressos de pessoas tão diferentes que fazem parte do grupo “amigos do MVG”. Diferentes: o Tiago tem namorado firme com o Michel e devem casar em breve. O Matheus viveu dois relacionamentos intensos e agora está solteiro, desafiando-se de maneira interessante como ele faz a si e que é muito gostoso de acompanhar nos bastidores. O Fernando Lima está com 47 anos, ex-religioso “sombrio” e “convicto”, e vive hoje seu caso tumultuado com o menino de 26 anos (ou será menos? rs) que é bonitão. O Beto que continua “japófago”, se alimentando da “yellow fever” e mostrando a mim cada oriental “gaytinho” que pega (rs). O outro japa que aparentemente continua tímido, mas que me pareceu tão desenvolto e feliz no último encontro. E não menos importante, Meu Japinha, que está nos EUA estudando e que (não vejo a hora!) vou encontrar para passar quinze dias de luxúria, amor, riqueza e finesse (RS!). Olha meu lado Narcisa Tamborindeguy se manifestando (RS)!

Como essa publicação foi programada, já estou com ele! \o/ <3 Narcisa rules! =*

31-12-2014-2015-mvg

2014 foi cenário para a construção da Rádio MVG, um novo formato de referências para quem recorre ao Blog. Em parceria com meus ex-sócios do estúdio, o trabalho está bem bacana. Elogios mil vindo daqui e dali, dos perfis mais diferentes de homossexuais. No dia 02/01, entra no ar a primeira parte da entrevista com o Fernando, falando sobre como tem conseguido criar intersecções sobre sua forte religiosidade com a realidade de ser gay. Não percam! :)

Começou nesse ano também o Campus mvg, loja virtual da marca MVG, startup, para produtos e serviços gays. Ano que vem promete desdobramentos! Não deixem de comprar a pulseira! =D

Tem ainda minha família, minha primeira empresa (que subsidia tudo do MVG, e assim espero que ela prospere em 2015!), minha futura sócia, equipe e amigos.

Ano que vem, o planeta regente é Marte, do meu querido signo de áries. Ou “seje”, se depender da astrologia, arianos, “vâmo botá pra f***”.

Eu estava com a sensação de que 2014 foi um ano morno até agora. Morno porque teve Copa do Mundo e eleições e o ritmo dos trabalhos saíram da minha zona de conforto. Mas descrevendo esse post, acabei de notar que, mais uma vez, fiz meu 2014 algo próximo de “valer a pena”.

Tenho que agradecer imensamente a todos que se aproximaram de mim pelas “coisas” do MVG durante esses 365 dias. Foram muitos aprendizados e uma abertura mental e espiritual importante. Tudo e todos têm sido um novo combustível e vibro a cada novo feito grandioso, criativo e inovador que cada um de vocês tendem a proporcionar a si. Lembrando que, grandioso, criativo e inovador são condições que não implicam somente em pétalas de rosa, mas nos espinhos.

As nossas energias estão conectadas e, se vocês evoluem, eu também.

Daí que, nessa época de festas e desaceleração, uns meninos muito fofos, seguidores do Facebook do MVG deram uma ideia para formar ainda mais o conceito e sentidos da marca. Uma ideia inicial brilhante e uma materialização com o jeitinho MVG. Finalizo então esse último post do ano com tais imagens, na torcida para que todos que lerem as linhas do Blog, alcancem seus maiores desejos em 2015. Mas lembrem-se: para conquistar desejos, vocês precisam definir quais são. Ficar no “chove e não molha” ou “em cima do muro”, dificulta materializar os sonhos. Para sermos autores precisamos definir propósitos e, se possível, a todo momento! ;)

Beijos para quem é do beijo e abraço para quem é do abraço,

MVG

19-12-2014-jeferson-sou-mvg 21-12-2014-gustavo-lucas-sou-mvg 16-12-2014-gabriel-lucas-somos-mvg 17-12-2014-lucas-elias-somos-mvg

 

3 comentários Adicione o seu

  1. lebeadle disse:

    Hakuna Matata!!! Vivam um dia de cada vez (com ótimas noites no meio), cada um no seu tempo e construindo seus desejos de ano novo entre rosas e espinhos.
    Feliz Ano Novo de 2015!

  2. minhavidagay disse:

    Obrigado, embora tardio, LeBeadle! Que 2015 seja incrível para você! :)

    1. lebeadle disse:

      Valeu!!! Que seja incrível mesmo!

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