Rádio MVG – Entrevista com Fernando – Parte 1 de 4 blocos


ENTREVISTA COM “FERNANDO”:

02/01/2015 – Bloco 1 de 4 – Fernando Lima relata os conflitos que viveu entre o forte apego à religiosidade e sua homossexualidade.

02-01-15-chamada-Fernando1

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4 comentários Adicione o seu

  1. lebeadle disse:

    Muito boa a explicação,me chamou atenção a repetição em vários momentos do moderno conceito de homossexualidade, que se refere a uma afetividade, uma orientação de vida frente ao que se tinha anteriormente que era uma condenação de atos sexuais considerados contra a natureza que eram vistos mais como deslizes, vícios, excessos do que algo constitutivo do desejo, da psicologia do sujeito.
    Outro ponto interessante, abordado no finalzinho, é sobre a passagem de Romanos acerca de arsenokoitai e malakós, respectivamente os prostitutos e dissolutos morais (promíscuos), que a tradição resolveu traduzir de forma truncada e amaldiçoar qualquer relação homoafetiva.
    Essa concepção moderna de homossexualidade pode ser encontrada na História da Sexualidade de Michel Foucault e essa querela de traduções é bem explícita num trecho do filme documentário ‘Por que a Bíblia me diz assim’, fontes interessantes pra quem problematiza a questão gay.

  2. Thiago disse:

    Alguns anos atrás escrevi um post que remete às colocações de Fernando, mas que não dá um passo além da ortodoxia católica, apenas coloca as coisas no seu devido lugar: http://apologetica.net.br/2009/05/09/biblia-homossexualidade/

    1. lebeadle disse:

      Oi, Thiago, li seu post-artigo atentamente e percebo que ele reflete de uma forma muito clara o pensamento da Igreja Católica, quem quiser conhecer substancialmente esse pensamento basta ler o que escreveste.
      Para a Igreja Católica a homossexualidade é algo fora dos planos divinos para a Pessoa Humana, uma desordem objetiva, algo tal como o envelhecimento, uma doença, uma deficiência, a sujeira corporal, um aleijo, coisas que existem no mundo dos fatos devido ao Pecado Original cometido pelo Livre-Arbítrio.
      A Homossexualidade então é algo fora dos planos divinos, e sendo assim, não deve ser praticada, a pessoa pode ter a inclinação, a potência homoerótica mas não deve praticá-la, levá-la ao ato, pois são atitudes pecaminosas, condutas más. Sendo assim a Igreja acolhe a Pessoa Gay mas condena seus atos.
      Nesse momento eu fico me perguntando: O que é um gay sem a possibilidade de agir como gay? E a resposta que me vem é que é uma pessoa infeliz, pois como viver sem os atos ? A vida passa a ser uma não-vida, uma mentira, uma encenação para enganar a si mesmo e satisfazer a Vontade de Deus.
      Um jesuíta chamado Jan Visser aconselhou o Papa Paulo VI nos anos 60 a liberar as pessoas homoafetivas de não praticar os atos desde que aquilo estivesse prejudicando-lhes a saúde mental e que não tivessem conduta promíscua, resultado: não foi ouvido e o que temos hoje é uma Máfia de prelados gays influenciando o Vaticano para não falar em diversas situações de pessoas que entram pro sacerdócio sufocadas pelas famílias e vão viver a vida gay sob a proteção da batina.
      Todo esse discurso de fundo idealista reflete a sociedade na qual a Igreja Católica nasceu, a da época greco-romana onde a filosofia platônica e seus discursos de absolutos e perfeições eram a teoria dominante, o cristianismo se misturou então com o helenismo e disso tudo saem essas idéias de que o homossexual é algo fora do plano divino, desordenado objetivamente.
      Penso que para os que querem continuar cristãos devem mudar esse paradigma negativo que há na Antropologia Cristã que leva, em última análise, um sujeito homoafetivo a ter problemas de auto-estima, de aceitação, de capacidade de se amar e de ser amado (como amar o próximo se não consigo me amar?), em uma palavra egodistonia, podendo até levar ao suicídio ou então romper com essa visão Cristã-Católica e se basear em espiritualidades que tenham outra orientação em relação a homossexualidade (Espiritismo,Religiões Afro,Anglicanismo) para quem é espiritualista ou então acreditar na Ciência, na Razão e refutar essas crenças calcadas em Mistérios mortais.

      Abraços

  3. Thiago disse:

    Olá, Lebeadle.

    Que bom que o post foi útil como forma de conhecimento para você.

    Contudo, seu comentário me levou a pensar em algumas coisas:

    1) De fato, é um desafio para qualquer um com tendência homoafetiva integrar sua condição no cristianismo. Todavia, isso não é nem mais nem menos complicado que várias outras questões que atingem todo ser humano que anda, andou ou andará sobre essa terra. Portanto, cabe não exagerar muito esse ponto, no sentido de se ver como o único com problemas.

    2) Um gay não é só gay, ou não é só aquilo que entendem que seja gay, como vários textos e comentários neste blog comprovam. Certamente um gay católico, protestante ou mórmon vai ter inúmeras outras características além da que diz respeito à sua afetividade/sexualidade e que podem até ser mais problemáticas para um enquadramento na proposta cristã. Sendo assim, não vejo neste ponto o mesmo que uma não vida, até porque, no caso específico do catolicismo, não se precisa negar a própria realidade (como se dá em certos meios protestantes).

    3) O conselho do tal jesuíta se não é baseado na Revelação como já explicada pelo Magistério nada significa dentro do catolicismo e nunca poderia ser aceito mesmo. Um Papa não pode fazer o que quer e nem agradar ao mundo, ele deve ser o vigário de Cristo, nada mais, nada menos.

    4) Existem gays no sacerdócio como em qualquer outro ministério, mas ao contrário do que você diz, na maior parte das vezes, a vida religiosa serviu de proteção para essas pessoas num mundo ainda homofóbico. Os que vivem uma vida dupla neurótica são uma minoria semelhante a dos que estão assim no meio de uma casamento como uma mulher.

    5) Isso não relação alguma com o helenismo ou coisas do gênero, mas com a Revelação.

    6) Ninguém rompe com uma religião como quem troca de roupa. Se alguém tem fé no cristianismo não poderá trocar simplesmente de espiritualidade por causa de um problema; a frase “sou gay então vou ser umbandista” não é verdadeira, pois o caráter de correlação necessária que está posto nela é falso, já que é reducionista.

    Por fim, vale notar que dentro da ortodoxia católica é possível a busca de uma reflexão alternativa, como a que faz o Pe. James Alison na obra Fé Além do Ressentimento: http://www.livrariacultura.com.br/p/fe-alem-do-ressentimento-22189653?id_link=8322 (uma palestra de lançamento pode ser vista aqui:http://www.erealizacoes.com.br/espaco/janelaVideo.php?video=lanc_FeAlemDoRessentiento&posicao=2).

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