A luz de velas


Acabou a luz aqui de casa e retomaria as frentes do MVG somente amanhã, domingo, cumprindo com a programação e meu descanso das férias.

Mas sem energia e com o celular carregado, cá estou para o primeiro post do ano (não programado) para meu Blog.

Voltei, meus queridos afetos e nem tão afetos assim. :)

Estive por 12 dias com meu namorado num tour bacana nos EUA: Chicago, Las Vegas e San Francisco. Gostaria de ter escrito algo fresco, diretamente de uma dessas cidades, mas foram 5 meses que não via Meu Japinha e minha atenção ficou voltada a ele e à contemplação da própria viagem. Descanso e trabalho nem sempre combinam ou, pelo menos, aconteceu assim dessa vez comigo.

Ainda não estou “quente” para falar sobre gays e nossas singularidades ou dilemas frente à sociedade e o que me vem à cabeça são as velhas (e boas) impressões humanas, as referências que me fazem enxergar melhor a caixinha que é a vida no Brasil e de como os modelos diferentes de outros lugares expandem a nossa mente e nos enriquecem de conhecimento. Todos esses conceitos maiores abarcam, inclusive, o nosso contexto e o sentido da homossexualidade.

Assim, deixo três textos que expus no meu Facebook pessoal e que certamente servirá a quem já entendeu o jeito MVG de ser. Boa leitura e até breve em 2015! ;)

“Começando por Chicago: cidade plana e espaçosa. Avenidas largas espalhadas por todos os cantos e bairros, às vezes, quase desertos. A sensação espacial na cidade é perceptível. Metrô e trem funcionam belamente como NY. A arquitetura é referência para quem estuda e para quem aprecia.

O curioso de Chicago é a forma de segregação racial: por lá a diferença de raça (branco/negro basicamente) não está vinculada ao poder de consumo.

Negros e brancos tem acesso a todos os tipos de produtos, incluindo os mais diversos carros, gadgets da Apple e grifes de roupa que, como conhecemos bem em nosso Brasil, repartem a gente em grupos, confundindo riqueza e pobreza com questões raciais.

Por falar em carro, o Fusca (novo), por exemplo, é carro popular.

O norte é dos brancos e o sul é dos negros. A grande maioria dos negros são “puros”, diferente dos mulatos brasileiros. Esse estado puro é também perceptível em outras cidades dos EUA. Rola uma curiosa preservação de raça (dos dois lados, importante dizer).

As linhas vermelha e verde que vão direto para o sul de Chicago são praticamente da população negra (existe um ar de empoderamento mesmo). “Olham feio” no sentido de “invasão do pedaço”. Quem mora em Chicago (que não o turista) percebe essa vibe territorialista.

O furto é até comum que, a se comparar com o Brasil, chega a ser um gesto inocente (de quem se descuida e de quem comete).

Dirigir em Chicago (fui de lá para o Outlet numa cidade chamada Aurora) é o mesmo que dirigir em Nova Iorque: pistas largas, incrivelmente bem feitas e o grande diferencial é que ninguém acha que está numa pista de corrida e ultrapassagem, como é em nossa querida terra. Ninguém acha isso e ninguém se sente “fodão” por guiar desse jeito.

Câmbio mecânico? Isso não existe mais nos EUA (rs).

—–

Estranhei um pouco essa divisão tão marcada entre negros e brancos, coisa que, quem mora por lá, está bastante acostumado, assim como estamos “acostumados” com as nuances de preconceito no Brasil.

No mais, quem conhece a sensação de 50 graus do Rio, talvez consiga imaginar o -50 de Chicago, coisa que devo experimentar antes de voltar para a minha terra.

Extravagância é a minha melhor palavra para resumir Las Vegas. Chineses também seria, se fosse um adjetivo. Tem chinês nas ruas, nas filas, nos casinos, nos corredores dos hotéis e nos buffets se deliciando com patas de centolha à vontade. Isso mesmo: quem gosta de centolha poderá comer sem cerimônia pagando 20 doletas em média.

Em Las Vegas tudo é muito: muitas lojas, muita comida, muito barulho, muitos carros, muitas luzes, muitas cores e muito dinheiro rodando, repetidas vezes.

A grande maioria dos hotéis é composto pelos quartos, áreas imensas reservadas ao casino, buffet com preço único (em média 150 pratos diferentes), resort, teatros, lojas de grife e baladas.

Entrar num desses complexos e fácil, todos estão voltados à avenida principal da cidade. Difícil é sair. Realmente difícil. Os gringos dão um jeito de dificultar, para que as pessoas passem horas no internato. Se a gente descuida, quando nota já é noite.

Foi em Las Vegas que lembrei de uma parte do Brasil: estava no outlet e, apesar de grifes famosas, o americano não se veste caprichado para fazer compra. Quem faz isso é brasileiro e, por vezes, chineses hoje em dia.

Pela cara e postura deu para reconhecer aquela famosa brasileira com plumas da Dolce Gabbana, luvas da mesma marca, bolsa LV e super maquiada. Dois filhos pequenos, o marido sarado e a empregada. Empregada? That’s it.

Com aquela postura “fina” e aquele evidente ar de superioridade, roubou a mesa do fastfood de um casal de americanos. Dizia ter chegado antes, o que era mentira porque eu estava ali, de frente, reservando a minha mesa e fingindo ser chinês. A praça de alimentação estava lotada e, tal mulher, mostrava-se desconfortável em meio à multidão, naquela vibe conhecida de que “não faço parte dessa população”.

Roubou, ficou falando em português com os americanos e pegou a mesa. Muito engraçado ela não saber inglês.

Imagino que tal família brasileira se sinta super justa ao levar sua empregada numa viagem internacional como essas, não fosse o fato de que, ao se levantarem, quem carregou cinco sacolas em cada mão fora a senhora. Sumiram na multidão.

Parte da gente leva esse cultura provinciana em todo lugar e nem percebe. Está na raiz familiar esse refluxo servil. Sabe aquela coisa da ama? Coisa que a gente viu no filme “O Vento Levou”? Pois bem, é assim ainda no Brasil em alguns casos. Só parece maquiada de riqueza na ocasião, a mesma que a gente respira em Las Vegas.

Mas vindo de brasileiros, no contexto que conheço, trata-se de um atraso cultural sem tamanho.

—–

Em compensação teve o Cirque du Soleil – LOVE, numa homenagem aos Beatles. Foi um pouco de respiro, criatividade, leveza e sensibilidade diante tanto excesso.

Las Vegas, para mim, é suficiente para no máximo três dias. Há quem aguente mais tempo, mas bom mesmo foi ter San Francisco na sequência…

Daí que rolou San Francisco, última parada antes de voltar para Chicago, vivenciar o frio extremo da cidade e voltar para o Brasil.

San Francisco foi quase que um respiro depois do frenesi que é Las Vegas. Não sei se é uma regra, mas metrópoles como NYC, Rio e San Francisco costumam deixar as pessoas mais leves. São mais sorridentes, mais atenciosas e mais tranquilas.

Se dá para colocar uma ordem de afeição, San Fran é a minha segunda cidade, depois de NY, nos EUA. Por enquanto.

Pontos altos na viagem: 1 – avistar a Golden Gate. Não sou e talvez nunca serei chegado aos monumentos históricos. Mas notei a Golden Gate com admiração; me pegou de surpresa. Ela é um destaque na cidade, pelas cores, formato, composição com o cenário e etc. Notem como as referências são particulares e as vezes até bobas: lembrei do filme do planeta dos macacos e achei muito mais “monumento” do que a ponte do Brooklin, coisa que se comenta tanto quando ligamos a chave do “turistando”.

2 – a colônia japonesa é forte em San Fran. Achei um barato, pela primeira vez, ouvir tantos jovens descendentes falarem bem o inglês. Japonês é péssimo para a língua, mas não por lá.

Não menos interessante é o bairro de Japantown onde se pode comer a típica comida – pratos quentes – em dezenas de restaurantes concentrados num mesmo lugar, por um valor muito bom. Para quem aprecia a culinária para além do sushi e do sashimi, não tem restaurante nem comida ruim. Vá com fé que será bem retribuído;

3 – a cultura de consumo, marca registrada desses gringos, não transpira na cidade. Claro que eles têm uma área, a Union Square, com um concentrado de lojas, grifes e tudo aquilo que faz o típico turista brasileiro encher suas malas e atrasar nossos vôos de regresso. Mas San Francisco é outra coisa.

Caminhar nos altos e baixos (bem altos por sinal) exige uma preparação física. Mas é uma cidade que a gente consegue respirar. San Fran é contemplativa.

– Muitos carros japoneses: Lexus, Toyota, Mazda, Nissan, um ou outro Mitshubishi velho, caindo aos pedaços e, diferente das outras cidades americanas que visitei, tem a Fiat por lá vendendo quase que o 500 somente. A Ecosport se chama Escape e tem a traseira parecida com a nossa mas a frente bem diferente (sim, gosto de carros).

– Mendigos, seja em NY, Chicago, Las Vegas e San Francisco, são frequentes. Se os EUA formam a tal máquina capitalista tacanha, do tal sistema que muitos de nosotros adoramos lançar veneninho, talvez o resultado mais evidente seja a mendicância espalhada no país, daqueles que não aguentam o modelo. Mas quem sou eu para pichar frente à tantas questões que tenho no meu próprio canto? Não sou daqueles que joga a culpa das dores do mundo nas costelas do tio Sam.

– Assistir cinema nos AMC’s é uma experiência superior. É possível: a resolução das telas é f***, o som é do c****** e as poltronas nem se fala.

Recuperado dos três fusos diferentes, começo 2015 na segunda-feira preparado para fazer valer a pena. Agradeço a Deus e ao meu “pé quente” por dias ensolarados, terminando com uma neve bonita em Chicago. Já aviso: sensação térmica de -30 não é moleza, mas foi experiência.

Obrigado a todos que direta o indiretamente contribuem e torcem por essas oportunidades. Que a regência de Marte se inicie com a força que lhe cabe. I’m ready. :)”

As melhores vibrações para os leitores e ouvintes do MVG em 2015!

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