Você não sabe atuar. Você é só uma celebridade.


No feriado de Carnaval assisti mais uma das produções que concorre ao Oscar de melhor filme. A frase do título do post “(…) você não sabe atuar. Você é só uma celebridade”, presente na produção da vez, representa algo muito em pauta nos tempos de hoje. Não é à toa que tal filme é um dos favoritos.

No atual momento da sociedade, o conceito de celebridade (ou subcelebridade) tem tomado conta das mais diferentes esferas artísticas. Por intermédio das redes sociais, blogs e do YouTube, pela natural tendência da produção cultural privilegiar hoje a emoção pelos efeitos especiais e retirar força do conteúdo/mensagem, a essência intelectual tem perdido espaço para a superfície da fama. “A cultural está deixando de instruir e ensinar”.

Explico: será mesmo que os atores que fazem os filmes do X-Men, Transformers, Homem-Aranha, Crepúsculo e etc. são realmente bons atores ou são meramente celebridades? Será que tais produções, X-Men, Transformers e Crepúsculo têm conteúdo relevante que cumpre um papel cultural? Ou será que tudo virou entretenimento?

Será que artistas como Beyoncé são realmente músicos criativos e originais ou são celebridades munidas de “efeitos especiais” que as fazem arrasar quarteirões por meio de coreografias exuberantes, efeitos de luz, letra de autor “x”, composição de autor “y” e muita produção?

Essa discussão anda muito em pauta. Recentemente conversei com dois instrutores da academia que, sem querer, abordaram o mesmo tema: meia dúzia de figuras brasileiras caricatas e bombadas, cheias de recursos e técnicas nas redes sociais, estão ganhando dinheiro, alegando que determinadas práticas físicas ajudam a adquirir músculos e a perder peso. Mas o fato é que o profissional que realmente estuda, sabe que 80% do discurso dessas celebridades é “conversa fiada”. Tudo está a volta de uma produção bem feita cheia de “graça”, com desejo de grana, mas que na prática não gera resultados.

Será que a diversão e a cultura estão se tornando antagônicas?

No sábado tive uma conversa com o Matheus e o Fernando, assunto altamente relacionável ao tema do post de hoje: eu tenho refletido um pouco sobre o caminho que o Blog MVG tem seguido. Repleto de “assunto sério”, “filosófico”, “político” e “intelectual”, digno de um filme francês lento e cheio de narrativas profundas, faz com que o sentido de consumo/venda/ganho seja muito menor do que seu eu falasse de moda, produtos de beleza e entretenimento gay.

Apesar de contar com uma média de 35 mil visualizações mensais, poderia ser 100 mil ou um milhão ao mês se o MVG assumisse um papel pop, sempre divertido, animado e cheio de gracejos para a venda, patrocínios e parceiros. A superficialidade divertida confere fama e dinheiro hoje em dia.

Como profissional de marketing, saberia dar meus pulos para redirecionar o Blog MVG.

Na conversa com o Matheus e o Fernando, finalizei o tema com novas questões para meus amigos:

– Eu tenho a fonte de sustento com a minha empresa. Tenho a reputação de empreendedor por três delas as quais ajudei a erguer e que hoje estão consolidadas. Será que eu quero fazer do Blog MVG a mesma coisa? Será que agora já é o momento?

Ainda prefiro o conteúdo, embora as vezes o que é dito por aqui mexa com os valores de alguns leitores que esbravejam, a me render a essa onda. Mas até quando?

5 comentários Adicione o seu

  1. Paulo - Porto Alegre RS disse:

    Como tu é um profissional do marketing, é certo que eu estou chovendo no molhado. Mas é que eu acho que escrever matérias de tom intelectual apenas seleciona um público diferente daquele que prefere ler sobre moda e cabelo.

    1. minhavidagay disse:

      Certamente, Paulo. Mas fazer isso de graça, colaborar com gays em diversas fases de aceitação, trazer essa realidade de amizade/mentoria para o plano pessoal e ainda ser julgado negativamente porque minhas ideias e reflexões não são o suficiente para confortar o ego de alguns leitores, as vezes, enche o saco (rs).

      Dá aquela vontade de mandar a linha ideológica pro espaço e explorar a superficialidade (que dá dinheiro).

      Só um desabafo. Aproveitei a sua deixa para isso.

  2. Lucas disse:

    Flávio, gosto muito de ler seu blog justamente porque você aborda temas importantes para os homossexuais sem se render ao “modismo do mundo gay”, se assim posso me referir. Gosto da forma aprofundada, séria e reflexiva que você aborda vários temas, sem se importar com aqueles ativistas que levantam certas bandeiras e que criticam sua forma de falar sobre homossexualidade. É esta diferença que me faz todos os dias abrir o blog e ver se tem algo novo, que possa acrescentar na minha vida. Confesso que sou um expectador meio passivo, não comento muito mas leio bastante. O seu desabafo me deixou um pouco preocupado e quero lhe motivar a seguir com a mesma ideologia, trazendo reflexões para a vida de lê o blog. Vivo no meio de tanta gente ignorante, as vezes o simples fato de levantar uma reflexão sobre um assunto me faz ser tido como “estranho”. Eu diria que 70% das pessoas perderam a capacidade de pensar e está muito difícil achar os outros 30%, dos quais você faz parte. Gosto de conteúdo e não de belas embalagens.

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado, Lucas… confesso estar vivendo um momento de querer levar um “tapinha” no ego assim. Mas vai passar logo e já aviso, de antemão, que não é nada desesperador! Não é desilusão amorosa, nem crise de grana, nada disso… rs

      Obrigado pelo apoio! :)

  3. Boa tarde!

    Com a mesma opinião e comportamento passivo do Lucas de não comentar tanto e admirar o seu trabalho com o blog considero seu trabalho de certa forma um refúgio pra tanta fultilidade que gira em torno das pessoas, redes sociais e grupos físicos também; confesso que é muito bom as vezes comentar a “queda da Madona”, os efeitos luminosos que interferem em cores de vestidos, saber qual a próxima Diva que adentrará ao país pra mais uma turnê, mas é inenarrável a quantidade de assuntos interessantes e que faz um super bem para as pessoas pensantes.
    Obvio que opiniões estão aí para serem discutidas e ninguém é dono da verdade para não ter visões que não venham a ser discutidas.
    Isso é pra valorizar seu trabalho e encorajá-lo a manter dessa forma, seguindo a premissa de que “os incomodados que se mudem”; partindo um outro princípio que seriam as visualizações, talvez um novo blog estampado com a bandeira LGBT coberta de assuntos cheios de purpurina rs.

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