Relacionamento aberto entre casais gays


Relacionamento aberto é um grande tabu da modernidade, principalmente para aqueles jovens – no caso gays – que não tiveram ou tiveram poucos relacionamentos afetivos em suas respectivas trajetórias de vida.

Uma esmagadora maioria, pelo menos transeuntes do Blog e do Facebook do MVG, manifestam-se contra a tal modelo. Existe um choque moral e de valores toda vez que o tema é levantado.

A mim, com quase 38 anos, seguindo o quinto namoro que tende a ser bastante longo, já acumulei muita bagagem para enxergar o tema, relacionamento aberto, com outros olhos.

Pela natureza e particularidades do namoro com o Meu Japinha e, certamente, por esse mesmo histórico de outros relacionamentos afetivos passados, lancei ontem a ideia para meu namorado.

Por que fiz isso?

Bem, amigos leitores, vamos completar nove meses juntos. Desse tempo, um pouco mais de dois meses foi presencial e a maior parte do tempo à distância. Ele está nos EUA estudando e eu estou no Brasil desdobrando os meus afazeres. Até agora a minha energia esteve focada no trabalho, nos assuntos do MVG, nas consultorias e na gestão da minha própria empresa. Nas horas livres, aproveitava muito bem meu tempo com meus amigos, com meus pais e com a solitude dentro de casa. Me bastava assim, naturalmente.

Mas há duas semanas ou mais, minha libido disparou. A vontade de sexo que se resolvia bem com a mão e uma telinha deixou de funcionar. Me peguei naturalmente com um desejo além, na maneira natural que ocorre num ser humano.

Por mais que a cartilha e a convenção apostólica católica moral dite a regra, eu sei – por mais de 11 anos de relacionamentos somados – que o desejo por uma mesma pessoa esfria. Esfria na medida dos meus próprios relatos espalhados em quase 4 anos de Blog MVG (tempo, inclusive, que durou meu relacionamento mais longo), esfria na medida que notamos que isso acontece com muita gente! Esfria quando quase atingi meus 38 anos ganhando muito mais experiências namorando do que na vida solteira desregrada.

A perda de desejo sexual pelo namorado, em si, raramente é a causa, mas, sim, a consequência de pinceladas de dezenas ou centenas de outros fatores que vão tornando a própria relação divergente. Hoje enxergo com lucidez que a medida que os interesses vão de distanciando, a medida que as pessoas que formam o par vão se conectando com objetivos diferentes, o sexo se perde.

Mas sem querer me aprofundar muito nesse devaneio generalizado (que pode ser tema para outro post), depois desse tempo distante do meu namorado, provavelmente, a própria ausência física virou um certo peso nesse caso.

Diante desse momento difícil no qual o desejo tem vindo com mais frequência, refleti um pouco a respeito e, numa situação de barreira física praticamente intransponível (eu aqui, ele lá), teria algumas opções:

1 – tocar um chifre no meu namorado, alegando de uma maneira quase que trivial, comum às referências adultas e gays que eu conheço, que ele possivelmente estaria fazendo o mesmo e que, numa situação de distância, seria inevitável. “Uma escapadinha não faz mal pra ninguém”;

2 – reprimir meu desejo; escolha que depois que a gente amadurece e se torna mais consciente de si, a gente sabe que não é possível ser tratada como escolha;

3 – dividir o assunto com ele e sugerir a possibilidade de abrir o relacionamento nesse momento, em comum acordo, trazendo à tona, inclusive, uma autenticidade na própria relação, abrindo o jogo da situação para buscarmos resolver a “parada” juntos. Estar preparado para um sim, para um não e para as consequências que tal revelação pode causar no outro sob o prisma dos valores.

A mim, opção 1 ou 2 seriam igualmente uma covardia. A primeira daria vasão para o meu egoismo e, repito, covarde. Muita gente faz assim pois nos falta tutano para assumir essa certa “fraqueza” sexual. Fazer assim, ao mesmo tempo, é uma corrupção no momento que eu tiraria proveito de uma situação para meu benefício próprio em detrimento ao malefício alheio, no caso, os sentimentos do meu namorado. Na terra onde me criei a gente pode até brincar com os sentimentos dos outros quando somos crianças em fase de aprendizado ou quando somos adultos infantilóides. Mas não é o meu caso. A cabeça de cima persevera.

A segunda seria uma covardia comigo. Eu assumi a minha homossexualidade há décadas e vira e mexe fico balançando essa bandeira no MVG e socialmente. Eu seria um convarde e, no caso, ingênuo em achar que determinados desejos que aparecem na gente de vez em quando podem ser reprimidos. Não podem; eles sempre retornam.

Por fim, a terceira opção era algo que eu, Flávio (porque quando sou para o namorado, sou além do MVG), nesse acúmulo de experiências que o leitor assíduo já conhece, queria realizar com o Meu Japinha: abrir o jogo, mostrar tal ponto de vista advindo de um acúmulo de experiências, que não quer dizer que aponta para verdades absolutas, mas para o que eu sinto, é o que eu sou.

Pensei, repensei e numa conversa que abriu espaço para trazer o assunto, eu fiz. Tomei a atitude que poderia ter tomado em todos os outros relacionamentos que tive. Mas ou era imaturo (covarde) ou não tinha a clareza que, abrir esse jogo, nada mais seria do que ser verdadeiro, honesto e franco com meu próprio namorado, de uma parte que também me pertence. Outro fator importante nessa relação: a lealdade.

Verdade, honestidade e franqueza não são aspectos louváveis para a firmeza do próprio relacionamento? Pois bem: ciente que tal sugestão ou possibilidade poderia mexer com valores, caixinhas, convenções e a cartilha normativa que o mundo nos ensina desde criança, resolvi enfrentar.

A princípio rolou a tensão. Meu Japinha ficou nervoso e eu fiquei nervoso por ele estar nervoso. A conversa, que começou por Whatsapp, logo foi para o Skype e, no ato, reparei sua expressão meio de inconformismo, braveza, chateação… tudo junto e misturado. Logo comentei e foi mais ou menos assim:

– Estou trazendo essa conversa em tom de possibilidade, ciente de que isso mexe com valores.

– Mas eu não quero isso pra mim. Não é isso que espero de um namoro. Parece um tipo de traição concedida. A gente fez um acordo antes de eu viajar. Falamos desse mesmo acordo durante esse tempo…

– Sim, mas acordos podem mudar quando conversados e eu não estou esperando seu sim. Aceitarei seu não tranquilamente. Estou dividindo com você um momento que estou passando, que está forte em mim e que acho importante compartilhar. Mas se você disser que não aceita, está falado. Não vai ser por isso que vou querer terminar com você, muito menos vou dar uma de louco e correr para a sauna.

– Eu sei que você tem um monte de experiências e que esse seu pensamento de relacionamento aberto é resultado das suas vivências. Mas não pode ser diferente? Eu acho que pode ser diferente.

– Você tem todo direito de achar que pode ser diferente. Mas achar que é diferente é uma expectativa. Agora, nesse momento, estamos vivendo eu e você juntos e é exatamente isso que está acontecendo entre nós, nessa exata conversa.

– Entendo, sei que são expectativas e que mexem com meus valores. Mas é difícil…

– Sei que é difícil. Eu trouxe essa conversa para não ser a ferro e fogo. Foi em tom de possibilidade. Consigo me controlar e se você acha que hoje não tem cabimento, aceito seu não.

– É sei lá… hoje não rola. Mas amanhã pode rolar…

– Sim, sim, tudo bem. Acho importante o hoje. O amanhã a gente deixa para depois.

– Bate muito com meus valores mesmo. As vezes acho que se é assim, seria melhor a gente terminar.

– Mas calma… você está apegado demais ao seu valor, o normativo, o que a gente sonha e espera que aconteça. O fato de eu ter lançado essa possibilidade não quer dizer que se você ir contra, a gente precisa terminar. Eu aceito seu não. Estou compartilhando apenas um momento que, daqui há alguns dias pode desaparecer do mesmo jeito que veio. Pra mim vale o hoje e, hoje, eu precisava dividir esse assunto.

A conversa se prolongou mais um pouco. Por Whatsapp, antes de eu ir dormir, ele pediu um tempo para pensar. Esse tempo, a mim, já é conhecido e concendi, mesmo hoje passando pela aflição dele demorar para aparecer, ou dele vir com um “pé na bunda”. Nas horas de insegurança, a cabeça fantasia…

Logo cedo ele me respondeu, dizendo que já estava tudo bem, que estava absorvendo a conversa. Falamos por Skype novamente, disse que seria interessante levar esse assunto para o Blog e ele achou legal a ideia.

Entendo o quanto sair de um trilho, da convenção normativa cultural, da caixinha, do modelo e das expectativas, gera um choque. São choques de valores. Mas, assim como disse para o Meu Japinha, nesse namoro quero ser ainda mais eu em relação aos relacionamentos anteriores. Dividir a situação teve um natural momento de tensão e insegurança por nos depararmos com divergências que poderiam culminar num abrupto afastamento.

Mas o que tem prevalecido, na segunda ou terceira discussão difícil que tivemos (e todos os relacionamentos têm) é a cumplicidade. Consegui ser mais inteiro para o Meu Japinha, coisa que em 11 anos não consegui ser com os anteriores.

Não, a relação hoje não está aberta. Não houve o concentimento por parte dele e só, somente.

E como fica meu desejo? Dividido com o desejo dele. Não carrego possíveis culpas de pensar assim, fora da convenção. Isso é um grande salto.

25 comentários Adicione o seu

  1. Flávio disse:

    Flávio, se antes já te admirava, passei a te admirar ainda mais cara. Essa sua postura é de um sensatez sem tamanho. Apesar de eu, particularmente, ser contra um relacionamento aberto, compreendi perfeitamente sua carência, acredito que um relacionamento à distância não deve ser nada fácil, mas sua conduta de abrir isso para ele é admirável, mostra o quanto você é bem resolvido, honesto e bom caráter a ponto de não trair as promessas que ambos fizeram. Flávio, a postura dele também é admirável, poderia ter sido de indiferença e te surpreender, mas não foi, o que só prova que o que ele sente é fidedigno e capaz de lidar com a distância e o tempo, e o mais bacana foi você também mostrar estar disposto aceitar o discordância dele e enfrentar qualquer “tentação” ou “sacrifício”. Acredito que não deva existir nada melhor que se sentir exclusivo, saber que você tem alguém a sua espera e que esse alguém é só seu. Lembrei até de uma música de Nando Reis chamada “Sei” que diz assim: “Sabe, quando a felicidade invade
    Quando pensa na imagem da pessoa
    Quando lembra que seus lábios encontraram
    Outros lábios de uma pessoa
    E o beijo esperado ainda está molhado
    E guardado ali… ”
    Sei lá, sei que há muita gente que pensa o contrário, que só de imaginar que sua felicidade ou satisfação depende de alguém, fica apavorado, mas a monogamia de certa forma evidencia nossas maiores virtudes, o quanto podemos ser fiéis, o quanto podemos ser sinceros, o quanto podemos nos doar para a alguém,o quanto podemos ser autênticos, não sei se falo isso por que nunca namorei, e sou um romântico e pareço um anacrônico. Enfim, acho que escrevi até demais, te desejo felicidades. Abraço!

    1. minhavidagay disse:

      Super agradecido, Flávio! :)

  2. Lucas disse:

    Flávio, é admirável a sua coragem de expor no blog situações bastante pessoais. Hoje eu não cogito a possibilidade de relacionamento aberto, mas sua atitude da abrir o jogo pra ele do que vc estava sentindo no momento, propondo uma solução digamos “não convencional” foi bastante madura e expor sua vida pessoal no blog foi bastante corajoso. Acho normal ele ter ficado um pouco chocado com a proposta, eu também ficaria. Mas o melhor de tudo foi ver que ambos se entenderam em relação aos seus sentimentos e chegaram em um acordo. Sinceridade e cumplicidade são visíveis no relacionamento de vocês. Sejam felizes!

  3. Rafa disse:

    uma frase palavra pra vc!
    SUA PUTA!

    sabe o QUANTO é dificil arrumar um alguem e vc quer por tudo a perder! vc não é só vc agora, vc esta em um relacionamento. Aceite as consequências!!

    e a opção 2 é possivel sim! (dizer que não é desculpa!)

    se as pessoas como “seu japinha” e eu tbm penso assim em “valores” que segundo vc são torpes, não significa que “fomos” condicionados a ser/pensar assim. Já lhe ocorreu que ter valores tbm pode ser uma escolha?

  4. Carlos Rosa disse:

    Flávio, parabéns pelo blog!
    Você realmente é uma pessoa que nos inspira… Tenho aprendido muitas coisas por aqui! Obrigado por sua contribuição direta em nossas vidas!
    Quanto ao assunto abordado, não sei se seria um dos adeptos, mas a forma com que explanou o tema e o desenrolar do papo entre você e seu namorado -pelo pouco que vimos- da pra perceber quão fiéis são um para com o outro! Lindo, de verdade!

    Abs.

  5. Fernando disse:

    MVG, desculpa a minha franqueza, mas se envolver com você deve ser um porre! Com essa conversa voce deve ter abalado todas as estruturas emocionais do “japinha”, abalou a confiança dele e colocou em duvidas o sentimento que voce diz sentir por ele. Relacionamento aberto nunca dá certo, para com essas frescuras de querer ser moderninho, namorar nao tá facil nao cara. Vale a pena voce perder todo esse tempo “se comportando em prol do ” japinha”” e “melar” seu relacionamento só por causa de meia hora de diversao com um putão de uma sauna qualquer e uma camisimha cheia de porra, se voce tem alguem que gosta de você, que deve estar a milhares de km reprimindo seus desejos sexuais em respeito aos seus sentimentos e o compromisso que firmou com VC. Se orienta cara!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Fernando!

      Aproveito e comento ao Rafa também.

      Sabia que o tema é e será polêmico por um tempo ainda. E sabia que, “caindo nessa chuva” apresentando um relato totalmente pessoal, teria que me molhar. A exposição está feita e os julgamentos estão aí, cada qual com a sua maneira de interpretar a minha atitude.

      A questão não é querer ser “moderninho” como você se referiu, muito menos “torpes”, como sugeriu o Rafa. Aliás, Rafa, não entendi o que você quis dizer com “torpe”! Valores são valores e nem sempre coincidem entre um casal. Repugnância nem entrou em questão…

      Curioso que ambos falam da enorme dificuldade de “arrumar alguém hoje em dia” como principal justificativa contra a minha postura. Isso fica em evidência em ambos comentários. Assim, sobre a questão das dificuldades de se ter um relacionamento hoje em dia, penso o seguinte:

      – É justamente essa postura humanizada, de compartilhar uma dificuldade com meu namorado, que é o que dignifica a minha conduta perante a ele. O que está faltando realmente para que a gente consiga arrumar alguém é transparência e clareza dos sentimentos próprios. Mas para isso, a maturidade e uma vontade de autoconhecimento são necessários, coisas que andam em falta na sociedade. Não digo que vocês não os tenham, apenas comento que é isso que é preciso;

      – Não consigo enxergar relação direta nenhuma entre “arrumar alguém” só se a gente seguir a cartilha apostólica romana. Aliás, esse pensamento nos desumaniza totalmente. Depois de que você vive alguns anos de namoros e um casamento de quase três anos, não tem como pensar dentro de uma caixinha de expectativas e idealizações justamente porque anda “tão difícil de arrumar alguém hoje em dia”. Eu já vivi os idealizados, superei, vivi outras relações, desentendimentos, términos e superei. Foram anos. Se é a conduta quadradinha que garante arranjar alguém, mesmo que só por força de expressão, os “quadradinhos” estariam namorando, todos. Mas a maioria está aí, esperando acontecer. Por que essas pessoas não se encontram e não namoram? Porque, claro, existem muitas outras subjetividades envolvidas e não somente a minha mera (e intransferível) fraqueza sexual!;

      – Por fim, mas não menos importante, muito do que é debatido aqui refere-se a idealizações que os leitores fazem do Blogueiro como tal “formador de opinião”. Mas vira e mexe esse meu lado humano, imperfeito, mas que dividiu fraquezas com o namorado antes de mais nada (no caso) vai aparecer para vocês também, ok? É assim que é… sou gente e acho normal meus valores chocarem com os dos leitores. As referências estão aí para serem absorvidas ou não. Mesmo porque nesse caso, entre o meu querer e a concessão do meu namorado existiu um fosso. O que um não quer dois não fazem.

      Ser humano é um porre mesmo, Fernando. Mas desse porre, compartilhar das intimidades, mesmo que as vezes indigestas, faz parte das boas relações. Não fui omisso ao “Meu Japinha” e, principalmente, a mim.

      Precisamos aprender a lidar com a divergência de valores nas relações afetivas. Porque se a gente não aprende, impondo só o nosso modelo, fica bastante difícil de se relacionar mesmo. Está aqui um ótimo começo para vocês. ;)

      1. Rafa disse:

        Realmente me “expressei” com a expressão errada, é que fiquei tao fulo com essa história que comecei a digitar sem muito ver o que saia. (e isso prq não tenho nada a ver com a vida de vocês, mas me pus na condição do seu parceiro)
        Só que o que mais me tira do sério são os gays que como você (bichas velhas que se acham os oráculos da homossexualidade) sub julgar pessoas que tem pontos de vistas diferentes de vocês devassas. (sim estou sendo mal educado! Pois estou com raiva de vc!)
        Vocês acham que só prq temos valores e gostamos de ser assim, somos subdesenvolvidos com intelecto inadequado aos dias de hoje. Como se nosso senso critico não existisse e nosso julgo fosse duvidoso SÓ porque não queremos agir como bestas ferras no cio. Hora comparar necessidades sexuais com motivos primitivos ao homem a meu ver não é nada supra evoluído.

        Ninguém falou que segue uma “cartilha apostólica romana” (alias expressão ridícula essa! Mas enfim…) você acha MESMO, eu disse MESMO que eu me deixo levar por valores, ditados pela mídia, ou religiosidade, ou família? ACORDA VIADO eu sou gay claro que gosto de sexo, mas a questão aqui é o comprometimento com o parceiro. (alias prq estou sem namorado … prq todos quem amor de um e muita rola de outros, no fim estaremos velhos como vc tendo conversas de adolescentes pelo whatsaap de madruga ¬¬, por favor)

        Você fala TAAAANTO de caixinhas, de moldes, de condutas conduzidas por uma normativa imperativa da “cartilha apostólica romana” que no fundo nos coloca (os com valores) numa caixinha tbm!
        Enfim, eu não to nem ai se foi vc, ou qqr outra pessoa que fosse o relato , até prq vc mesmo disse “na chuva é pra se molhar” o que foi questionado aqui foi a opinião de cada um a respeito… e a minha é essa, pra mim não rola relacionamento aberto, prq se for pra ser assim melhor que não seja, afinal sempre um ama mais e consequentemente sofre mais e coisas assim como disse o cara ali em cima só abalam as estruturas.
        E no mais PARA se induzir que agente pessoas de valores somos menos evoluídas ou controladas pela matrix.
        Em um mundo de putos é melhor ficar sozinho então ..

        ps. Falei demais de novo e fui mal educado mas isso deixa o meu lado passional a flor da pele. Sendo assim … me desculpe

      2. minhavidagay disse:

        Já está desculpado, Rafa (rs).

        Eu não estou subjulgando seus valores. Mas isso é muito forte em você.

        No mais, sem mais.

        Abraço!

  6. André disse:

    Em última análise, assunto delicado. Despretensiosamente cheguei neste post. É porque, intencionalmente estava lendo (perplexo) a última postagem do blog – sobre o “clube do carimbo”, e na ocasião me veio aquele sentimento de que ‘não falta mais nada’, mas enfim (…). Então, voltando ao tema, o título me chamou a atenção e à medida que ia clicando na barra de rolagem e lendo o que estava lendo, ficava apreensivo. Como assim? O editor do MVG se dizia (nos textos) tão realizado em estar num relacionamento com seu ‘Japinha’ e agora cogitando essa possibilidade (ao fundo “meu mundo caiu” por Maysa). Brincadeiras à parte, não cheguei a ficar tão irritado quanto alguns meninos dos comentários acima, mas confesso: por alguns instantes fiquei decepcionado. Ainda bem que li até o final, pois a má impressão que tive foi momentânea, pois como se não bastasse a exposição, o cara ainda exibe a conversa que os dois tiveram. Para mim isso foi louvável. E o que me impressiona é o nível de maturidade, já que entres eles se trava uma conversa franca, sem rodeios, sem firulas. E ao mesmo tempo com educação, respeito e serenidade; tudo, sem imposições. Compreendo a reação contrária de alguns. Compreendo, Flávio, a sua inquietação (apesar de ter curiosidade em saber se caso seu namoro não fosse à distância, você teria o mesmo tipo de vontade). No meu estágio de maturidade (tenho 28 anos), não aceitaria sob hipótese alguma. Todavia não condenaria (leia-se terminaria) caso meu companheiro me viesse com essa sinceridade (ops! possibilidade). Resumindo, talvez a felicidade não se resuma à pessoa certa, talvez esteja mais atrelada com a serenidade com a qual julgamos a verdade das nossas escolhas. Um abraço Flávio!

    1. minhavidagay disse:

      Oi André,
      Tudo bem?

      Obrigado pelo comentário. Difícil responde-lo se a gente não estivesse distante, se essas vontades viriam. Mas creio que não pois não sentiria esse tipo de desejo tendo um relacionamento tão recente.

      Sobre a felicidade, no “auge” de minhas vivências, creio que não há pessoa certa capaz de proporciona-la a nós. Temos a oportunidade de, durante a vida, estarmos acompanhados ou não de boas pessoas, mas sendo provedores de nossa própria felicidade. A ideia de “pessoa certa”, a mim hoje, não deixa de ser uma idealização cultural ou até mesmo de um modelo. Assim, confirmo sua percepção sobre a serenidade (e mais: maturidade, cumplicidade, abertura, coragem e confiança) com a qual tomamos atitudes.

      Não fosse a confiança e a segurança de poder compartilhar esse assunto “chocante” com meu namorado, talvez não faria também.

      Eis um namoro que, por mais que a gente leve à mesa algumas diferenças de valores (já levamos algumas e acredite: durante o relacionamento surge esse tipo de coisa) me senti confiante e preparado para compartilhar com ele.

      Por isso digo que relacionamentos são pessoais e intransferíveis. Alguns dos comentários aqui postados não deixam de ser projeções e julgamento de valores que, na prática, jamais interfeririam no meu relacionamento pois não chegaria a ninguém.

      Mas foi com concencimento do meu namorado que também resolvi postar para, inclusive, cada um fazer uma leitura para ter as suas impressões.

      Algo que pode acontecer com qualquer relacionamento e que, sim, nos joga ao chão e nos tira do “céu” de idealizações.

      Estou bastante realizado com Meu Japinha! Minha realização, no sentido do amor, afeto e vontade de seguir junto na vida com ele, não tem a ver com esse ímpeto. É isso que eu aprendi na vida.

      Um abraço, André e obrigado por ter lido até o fim com atenção.

  7. Oi Flávio. Eu era um leitor selvagem do seu blog ( entrava aqui de vez em quando ), e com a leitura do seu desabafo sincero e que adorei, e resolvi escrever meu primeiro comentário.

    Tenho 37 anos, sou solteiro no Rio de Janeiro, e enfrento grandes dificuldades pra encontrar um parceiro sério. Muitos dos caras que aparecem são comprometidos, enrolados. Outros são pastores evangélicos, casados com mulheres, com filhos, e que seguem a vida da cartilha católica apostólica romana ( me amarrei nesse termo ) que você mencionou no texto.

    Onde quero chegar com isso?

    Bem, todos esses aí que citei levam uma vida clandestina. Tem um lado B, assim como todos nós, seres verdadeiramente humanos temos tbm. Só que eles não são sinceros nem com eles mesmos e muito menos com seus parceiros e escondem esse lado.

    Fico muito feliz com a sua sinceridade. Ser verdadeiro é algo raro nos dias de hoje. E se eu fosse o seu Japinha, depois dessa sua sinceridade exposta, teria a certeza de que você é O CARA!

    Confiança vem daí, da sinceridade de expor seus medos, desejos ao parceiro. Quantas pessoas fazem isso? Pouquissimas.

    Você é admirável e sua coragem também. Rasgar sua pele e deixar sua alma exposta assim, mostra muito mais do que o desejo por sexo. Mostra que você evoluiu, que tem ética e se preocupa com o outro. Prova que o que você diz vale por um escrito, justamente pq vc não engana, diz a verdade e é transparente.

    Acredito que se queremos ser felizes em qualquer esfera, temos que ter por norma a sinceridade. E isso, meu caro, você tem de sobra!

    Parabéns e continue assim! Ganhou um leitor assíduo aqui! =)

    1. minhavidagay disse:

      Oi Anderson!

      Extremamente agradecido pelas palavras. Creio que você também compreendeu com clareza minhas intenções com esse post que, sim, é controverso pelo tema e, diante das posturas comuns que você mencionou, creio que tenha sim tomado uma atitude valiosa para meu próprio relacionamento.

      Valeu! :)

  8. verissimoeu@hotmail.com disse:

    É perceptivel a imaturidade e corrosão de carater do leitor RAFA. Sim porque alguem que fica tão furioso com o “gay-transão” está totalmente violentado pelo falso esteriotipo do gay, alguem que só pensa em sexo. E o hetero pensa em que? Se o homem hetero que tem LIBERDADE de transar onde quiser [inclusive em lugares publicos] e transa, tem o desejo a flor da pele, imagina o gay que é reprimido. Pro hetero é sexo onde tiver, pro gay é onde der. É claro que que não é assim essa situação tão tensa, mas de uma forma generalizada e assim sim, principalmente para que vive no interior do país. Se tu fosse hetero Rafa tu acha que tu tava aqui procurando uma mulher que te mandasse flores, abrisse a porta do carro e namorasse de cadeirinha? Aliás, até tem desses….que sustem uma cafajestagem para consegui-las mas no primeiro refugo delas e numa puta ou na ex que eles vao se aliviar. ACORDA! Aos 14 tu já ia tá implorando ao teu pai para ter uma noitada com teus amigos na vila mimosa, passar a madrugada inteira se assando lá, e se alguém de chamasse de pervertido tu ia chamar ele de viado! Porque tu ia ta fazendo coisa de homem.

    Biologicamente o homem é alguem com bastante desejo, provado inclusive pela ciencia. Então É NATURAL QUE HOMEM COM HOMEM SEJA BASTANTE INTENSO. E não falo só da hora do ato mas sim da relação inteira, pois o desejo permanecerá em ambos….afinal eles não são homens? É simples! É racional! Acontece que há outras pessoas que valorizam alguns outros atributos, inclusive eu sou assim. Tenho 27 anos e nunca namorei, porque nunca encontrei o cara, inclusive beijei poucos homens porque gosto de conhecer o cara, bater papo mas os caras parece que só querem fast-foda rs.

    Logo o que falta para o gay Carmélia [ aquele que assim como as carmelias ortodoxas do livro ” Gabriela” do Jorge amado autosustentam uma superioridade moral por não se entregarem ao prazer] é sensatez, percepção e maturidade, para se aceitar e aceitar o proximo. Um individuo nao representa a população, então não há motivo algum para essa violencia verbal, que no final das contas só faz mal a quem sustenta, além de que mostra a falta de sensibilidade a questão.

  9. verissimoeu@hotmail.com disse:

    Fora que nao se trata de um gay transão e sim de alguem como qualquer outro que tem desejos….é tão dificil entender isso?

    Os esteriotipos sobre o gay é tão grande que cega. Engraçado que todo mundo perde a racionalidade nessa hora! Lembro de dois amigos de infancia que diziam que se eu comesse ovo cozido e depois bebesse um copo de agua ia ficar com verme. Eu não precisava ter menos de 10 anos pra duvidar disso….hoje eles fazem é rir. É por aí…..mas as pessoas pegam as coisas e nao refletem sobre o pegaram e assim vai.

    Achei muito nobre a atitude do MVG, mostro lealdade, que é o que eu admiro muito em alguem, essa cumplicidade e parceria pra falar sobre tudo.

    PS: MVG depois vou te ensinar como aproveitar melhor o travesseiro (rs) é show cara e incrivel tambem! Prega uma foto do teu japinha nele e vai na fé!

  10. minhavidagay disse:

    Oi Verissimo,
    tudo bem?

    Obrigado pela opinião. Só gostaria de ponderar um ponto: imagino que o Rafa seja jovem, vinte e poucos anos, quando não menos, e entendo que uma grande maioria dos jovens gays nessa faixa de idade – principalmente aqueles que não construíram ainda um relacionamento – não tenha a maturidade e a clareza desses processos que você citou.

    Eu mesmo, na juventude, idealizava situações bastante heteronormativas, da cartilha, da caixinha. A questão da “sexualidade aflorada” é fato nos homens, gays ou heterossexuais. Supostamente então, como você citou, sendo dois gays a intensidade aumenta. São probabilidades maiores mesmo.

    Existem muitas formas de lidar com fantasias e desejos. Nesse post apresentei aos leitores um “novo caminho” que decidi tomar, coisa que não fiz em namoros anteriores. A “moral da história” você captou, que é basicamente “o que fazemos com as nossas vontades íntimas?”.

    Entendo que ter essa franqueza com o meu namorado pode não soar bem para parte dos leitores. Isso porque eu nem cheguei as vias de fato, hein?! Foram apenas conversas e, das conversas, simplesmente optamos não levar a frente a ideia.

    O fato é que entre eu e meu namorado, de certa forma, tiramos de letra o assunto e o capítulo já passou. Mas o post está dando “pano pra manga” de uma maneira bastante rica e opinativa (na medida do possível, sem violência verbal) mostrando realmente o quanto somos ou não apegados a valores pessoais e, por consequência, o quanto sair da zona de conforto mexe (forte ou fraco) com a gente.

    A questão é apenas essa: o quanto defendemos moderadamente ou com unhas e dentes determinados valores, o que no final influenciará, inclusive, as nossas próprias relações.

    Imagine entrar num relacionamento sempre com o pé atrás? Imagine estar sempre desconfiado do outro, antes mesmo de se criar vínculos? Qual namoro tem sucesso sem confiança? A mim nenhum!

    O que reverbera da minha conversa com o Meu Japinha (e falo da minha parte) é que ter compartilhado esse meu lado de “fraqueza sexual” com ele me acalmou. Ao dividir com ele o assunto, tirei do meu “Lado B” essa vontade e passei um final de semana tranquilo novamente.

    O que são esses sintomas senão as recompensas da cumplicidade e de determinadas máscaras que a gente reconhece que tem, e tira, para poder viver uma relação de maior “jogo limpo”?

    Como encerrei o post, tirei uma possibilidade de culpa muito grande ao dividir com meu namorado que essas coisas acontecem comigo de vez em quando. E, acima de tudo, que essas coisas não são pecados e não significam que eu não o amo.

  11. João disse:

    Oi Flavio,

    Recentemente me tornei um leitor assíduo do seu blog e quero lhe parabenizar pela luz que você derrama em cada assunto abordado. Ler suas perspectivas me ajuda a lidar bem com os obstáculos que enfrento em meu relacionamento de quase 9 anos.

    Eu nunca fui adepto de relacionamentos abertos e sempre neguei veemente essa possibilidade e, por causa dessa opinião aberta, meu companheiro jamais tocou no assunto. Mas como você mesmo disse, é normal que o sexo esfrie um pouco ( pra mim demoraram 8 anos hehe) e me peguei pensando na possibilidade de um relacionamento aberto. Mas depois de muito pensar eu me dei conta de que, por mais que meu desejo de variar seja grande, não estou apto a trocar a cumplicidade, o amor e carinho que conquistei ao longo dessa vida em comum por sexo esporádico. Às vezes o desejo vem e, quando penso no depois, não consigo vislumbrar a continuidade da mesma cumplicidade, carinho e amor que temos um pelo outro. E pensar nisso me ajuda a frear esse instinto.

    O mais engraçado foi que eu segurei a barra durante um ano quando ficamos longe um do outro (fui estudar fora) e essa vontade só brotou depois quando retornei ao Brasil. No fim, fiquei feliz em nem ter tocado nesse assunto com ele.

    Enfim, achei suas palavras muito sensatas e você foi honesto contigo e com seu Japinha. Apenas um senão: tratar desses assuntos à distância é um pouco complicado não acha?

    Parabéns pelo Blog.

    1. minhavidagay disse:

      Oi João, tudo bem?

      A distância, certamente, colocou tanto eu quanto o meu namorado diante desafios. Esse que pincelei no post foi apenas um deles, diante outros que tangem questões de expectativas e valores, e que aconteceram.

      O fato é que “distância” é um fator que bem ou mal influencia as relações, tirando certa utopia de que “se o amor for resistente” supera determinadas barreiras. Na verdade supera SIM! MAS não caminha pelos meios românticos e “bonitinhos” que a gente costuma ver nos filmes. A verdade nua e crua exige muito mais esforço, maturidade e consentimentos.

      Tenho um sentimento muito bom pelo Meu Japinha, que vem de um amor sincero, legítimo. Uma fraternidade e um carinho que tenho certeza que você (que cultiva um relacionamento de quase uma década) sabe na prática ao que me refiro. Afinidade. Inclusive, o leigo não entende, mas é exatamente esse amor e respeito que me permitiram abrir o jogo para meu namorado.

      Mas existe um outro fato real em meio às nuances e opiniões de todos nesse contexto de “relacionamento a distância”: distantes, os químicos e os hormônios do envolvimento se reduzem naturalmente, diferente de quando se vive um platonismo, quando o próprio “amor idealizado” alimenta essa química. Isso é um fato e só vivendo para saber. E isso, infelizmente, não aparece nos filmes.

      Veja como entendo seu caso, para você entender a minha resposta sobre ter abordado o assunto à distância: você e seu namorado, um ano longe, foram fiéis a um propósito, de preservar o relacionamento. Propósitos, muitas vezes, são racionais mesmo que embasados em sentimentos. Propósitos são objetivos. Até aí, eu e o Meu Japinha estamos fazendo bem semelhante.

      Mas veja você que um ano distante influenciou você e seu namorado, em maior ou menor grau, para depois do retorno entrarem nas mesmas questões abordadas no post. Daí vem a pergunta: o quanto vocês distantes não levantaram, individualmente, as mesmas questões, mas resolveram “abrir o jogo” agora, depois da viagem e frente a frente?

      Em outras palavras, você sabe, no fundo, o quanto a distância influenciou vocês dois a estarem vivendo esses questionamentos agora.

      Assim, o que parece para mim é que, tratar desse tema ou qualquer outro, perto ou distante, tem mais a ver com formas particulares de um casal tratar de um mesmo objeto.

      No momento que tenho em mente que o “aqui e agora” é base para as principais ações da minha vida, dificilmente postergaria o assunto para depois. Postergar, sob o prisma do “aqui e agora” seria também deixar para depois algo importante, significativo e que influencia minha relação com o meu namorado hoje. Assim, o amanhã passa a ser desconhecido e abre espaço para fantasiar possibilidades: “amanhã, da maneira que eu me sentia, poderia ter traído meu namorado”.

      “Amanhã poderia ter reprimido para soltar o freio depois, num contexto ‘X’ hipotético”. Ou poderia ter falado agora, enfrentando todas as limitações (inclusive essa) que a distância nos proporciona.

      Quando a gente pensa em poupar o outro, em circunstâncias como essas, no fundo estamos querendo poupar a gente mesmo. A gente tem certa insegurança de bancar a insegurança do outro, não saber como lidar e ter, ainda, a distância para tornar tudo mais aflitivo. Mas é a nossa aflição própria que a gente quer evitar.

      Eu achei certo falar hoje para meu namorado porque a minha intuição já dizia: confia em você, confia nele. Não deixe essa responsabilidade para o amanhã porque amanhã poderá ser tudo diferente.

      Muito obrigado pelo seu relato! Foi inspirador :)

  12. João disse:

    Realmente seu ponto de vista é coerente com sua vivência. Minha abordagem foi a de alguém que teve que conviver com a distância depois de 7 anos e isso foi um diferencial absurdo para que eu e ele pudéssemos “aguentar o tranco”.
    Um relacionamento deve ser sembre baseado em sinceridade e, no meu ponto de vista, você agiu certo. Espero que isso só fortaleça o relacionamento de vocês.
    Eu que agradeço o intercâmbio de ideias. Sou um viciado em expor minhas opiniões e ter um feedback para avaliar os caminhos que ando trilhando.

    1. minhavidagay disse:

      Muito legal, João! Boa sorte em suas jornadas também.

      PS: entendo que o tempo de relacionamento foi base segura para a relação de vocês dois. Afinidades mil, confiança e tudo mais.

      Mas também existe algo imponderável em alguns encontros. É mais ou menos o caso entre eu e meu namorado. Parece que a gente se conhece há muito mais tempo. Uma afinidade realmente diferenciada. Por isso, também, me senti seguro para abrir o jogo a distância.

      E estamos bem, o que a priori e exclusivamente é o que importa :)

  13. André Galvão disse:

    Oi, Flavio!

    Faz pouco tempo que descobri seu blog, e de fato tenho curtido muito a forma com a qual o mesmo aborda certos temas.

    Neste tópico de “Relacionamento Aberto”, é um assunto que a discussão tende a ser longa, porém, digna de ser de fato discutida. Nossa sociedade vive de padrões impostos desde quando os portugueses descobriram nosso país, muitas coisas mudaram, porém, existe ainda muita coisa enraizada e estigmatizada!

    Minha família sempre foi meio que tradicional e assim fui criado, porém, sempre digamos que fui o que tive mais curiosidade pela vida, pela forma humana de pensar, procuro sempre estar meio que por dentro dos assuntos atuais… o que quero dizer com isso, é que eu criei meus valores independentemente do que me ensinaram, claro que, algumas coisas trouxe deles, porém, com uma maneira diferente de agir e pensar.

    Tenho 27 anos, estou em um relacionamento que ainda não se pode chamar de namoro, pois, de fato estamos nos conhecendo, porém, caso vingue será também, á distancia. Moro em SP, e no caso meu “amigo colorido” em Recife…. Desde que nos conhecemos, não tem um dia, uma hora que não nos falamos pelo whats, em casa pelo Skype ou face time…. Enfim, tudo tende a caminhar para um namoro, pois, ambos estão muito felizes e a cada dia gostamos mais um do outro.

    No meu caso, eu não me permitiria entrar em um relacionamento aberto, simplesmente pelo fato de que, sempre um tende a gostar mais que o outro, e ao meu ver um relacionamento não está baseado somente em sexo, e sim na cumplicidade, lealdade, respeito e na verdade! Um relacionamento é feito de uma junção de coisas, onde o sexo, sim ele é importante e fundamental para a vitalidade do relacionamento, porém, ele não é tudo.
    Relacionamento para mim, é monogâmico…. Eu, e a pessoa que escolhi e permiti, assim como ela se permitiu, em me ter ao lado dela e vice e versa. Qualquer relacionamento tem seus altos e baixo, e vai da maturidade do casal em saber lidar com os obstáculos que surgirem pelo caminho.
    Para mim, não existe relacionamento á três, quatro, cinco…. e sim somente á dois! Duas pessoas dispostas a se conhecerem, e entregarem e estarem abertos um ao outro…
    Não seixaria de ter uma conversa dessas com meu possível namorado, da mesma forma que ele iria expor suas necessidades e seu pensamento, eu iria, expor o meu e deveriamos entrar em um acordo, assim, como vc e o seu “japinha”.

    Me admira sua verdade para com seu parceiro, e isso é muito louvavel. Você expos uma fraquesa sua, e no final tudo se alinhou tendo uma boa conversa madura!

    Abraços! André

    1. Rafa disse:

      Ele vai dizer que vc esta dentro de uma “caixinha” tbm que nem eu … prepara!

  14. Ricardo disse:

    Oi, Flávio

    Primeiro, quero parabenizar o blog, não sou leitor assíduo, mas sempre dou uma passada por aqui (rs), inclusive já me ajudaram uma vez quando tive problemas por ter me apaixonado por um hétero rs

    Parabéns pelo trabalho que você desenvolve aqui e parabéns pela coragem de expor esse momento da sua relação com o “japinha” em detrimento desse assunto que é tão polemico.

    Eu entendo de verdade o que você passou… distância não é algo fácil m uma relacionamento, mas acho que o que você propôs ao seu parceiro foi desnecessário. Sou totalmente contrário a relacionamentos abertos, minha concepção de relacionamento bate de frente com essa prática. Nunca repudiei ninguem que tenha esse tipo de relação, mas não é algo que eu queira ou aceite pra mim. Talvez como você mesmo disse; eu tenha uma visão de relacionamento imposto por uma “Cartilha Apostólica romana”, que talvez seja antiquada e ultrapassada, mas que no meu ponto de vista é o tipo de relação mais saudável e verdadeira.

    Não consigo enxergar algo positivo em ter/dar a liberdade de ficar com outras pessoas fora do relacionamento e isso ser uma coisa normal. Acho impraticável quando a relação é uma relação de amor, amizade, cumplicidade e respeito.

    Recentemente meu ex namorado ( aquele que eu achei que fosso O CARA CERTO, aquele que estaria ao meu lado até o fim rs) me propôs a possibilidade de termos uma relação aberta, bom, o que aconteceu comigo foi primeiro ter a mesma reação que o seu “japinha”, fiquei bravo, nervoso, enfurecido pra falar a verdade…..Foi um momento em que questionei tudo que já havíamos vivido juntos e depois de conversar diversas vezes, cheguei a conclusão de que se era aquilo que ele queria, que ele fosse feliz com outro ou outros no caso, mas que eu de maneira alguma aceitaria, mesmo que isso me dilacerasse por dentro.

    Não querendo fazer um julgamento injusto, mas o que isso reflete pra mim, é que as pessoas adeptas aos relacionamentos abertos querem curtição, farra, sexo fácil e no fim de tudo, ter alguém pra chamar de namorado depois que os demais enjoarem… As vezes penso que é falta de caráter, ou imaturidade e as vezes acho que é pura promiscuidade mesmo, mas enfim, que cada um viva como achar melhor.

    Acredito que em uma relação não há espaço pra 3 ou mais pessoas; acredito que quando alguém aceita isso é por medo de perder a pessoa que ama e isso é lamentável e acredito também que ter esse tipo de convicção não me torna quadrado ou antiquado. Acredito que é possível resistir as vontades que a nossa natureza nos impõe e isso não nos torna covardes em nenhum aspecto.

    Bom, eu sigo isso e falo pra quem estiver em duvida…. jamais aceite uma relação aberta por ninguém. Encontre alguem que goste de você, que te respeite e que se um dia a relação estiver ficando chata ou o tesão esteja passando, se reinventem, ou sejam sinceros e maduros pra enfrentar as crises que poderão vir.

    Essa é minha opinião.
    Mas uma vez, parabéns pelo blog!
    Bjos

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