Clube do Carimbo (ou a loucura homossexual)

Sabemos que normalmente os homofóbicos andam em bandos. Em reportagens sobre o assunto, vire e mexe vemos nas entrevistas guetos dessas pessoas que não somente fomentam o ódio aos gays, mas normalmente alimentam um culto ao nazismo.

Como a homofobia, todos os anos, é estampa numa manchete séria ou sensacionalista, bem ou mal aprendemos um pouco desse tipo de cultura que visa expurgar o homossexual. A partir da existência desses indivíduos, de maneira apática, neutra ou radical se manifestam os gays, tratando o assunto na intensidade que lhes convém.

O Blog MVG tem um tom para abordar o tema, sempre reflexivo e, ao máximo, imparcial.

Quem bem conhece esse meu espaço, sabe que não costumo ficar passando a mão na cabeça dos gays, como se fossem coitados, vítimas de um sistema heteronormativo apenas. Busco ao máximo podenrar outros aspectos da nossa condição, para que não nos tornemos parciais ou apaixonados da nossa causa, o que nos tornaria naturalmente cegos, fervorosos e extremistas.

E é novamente nesse universo reflexivo que lanço esse post de domingo.

Coincidentemente no final de semana passada, conhecemos o paquerinha do Matheus, um dos leitores do MVG que se tornou grande amigo. Numa determinada hora no Athenas o rapaz trouxe o assunto:

– Andei pesquisando umas coisas aí e vi que existe um tal de “Clube do Carimbo”. É um grupo de gays soropositivos que anda espalhando na Internet um culto de infectar outros gays que não tem AIDS.

Naquele momento, enquanto ele narrava alguns detalhes bizarros dessa cultura, meu estômago foi embrulhando e logo lancei:

– Essa história lembra aquele filme com o Nicolas Cage… qual é o nome mesmo?

– Super 8 – comentou o Matheus.

– Não, não… Super 8 é aquele que parece os Goonies da nova geração (rs)… é aquele dos filmes tipo “snuff”.

– 8 Milímetros – comentou nosso outro amigo.

– Esse mesmo. É um filme que conta a vida de um velho magnata falecido. Sua esposa, uma senhora de idade, encontra um filme “snuff” em casa e descobre que seu ex-marido tinha taras sexuais em ver assassinatos. Ela contrata um detetive, o Nicolas Cage, que vai investigar a morte da moça do filme, descobrir sua identidade, descobrir a identidade do assassino… ele acaba entrando no submundo da pornografia. A história é incrível, mas é de se impressionar até onde vai a loucura humana.

Foi aí que hoje o leitor Lucas me mandou uma notícia que deu no O Globo: Clube do Carimbo: soropositivos pregam técnicas de transmissão do HIV de propósito. O que parecia ser mais uma lenda urbana moderna (lembro bem que nos idos dos anos 90 existia um boato de que, em Maresias, um rapaz ficava pinicando pessoas com uma seringa contendo sangue com AIDS), virou chamada hoje num jornal de certa reputação.

É a partir daí que levanto a discussão: qual a diferença entre um homofóbico que por ventura participe de alguma comunidade virtual (ou presencial) agressiva e de cultura nazista, em relação a um gay soropositivo que se envolva no tal Clube do Carimbo?

O post de hoje, além de um óbvio valor preventivo direcionado aos jovens gays que estão por aí, curtindo livremente a homossexualidade, serve mais uma vez para dimensionarmos nossa postura perante à sociedade.

Não faz uma semana que lancei o post “Mãos dadas ou não” assuntando questões dos gays sob direitos e postura, quando fiz uma relexão: a dificuldade que temos ainda hoje de andarmos nas ruas de mãos dadas com o namorado e, ao mesmo tempo, nos sentirmos à vontade para fazer sexo em banheiros públicos, frequentado por crianças e senhores, como presenciei no Shopping Frei Caneca.

De repente, para “temperar mais o bolo”, deixa de ser boato o Clube do Carimbo.

Para onde vai nossa moral?

Texto complementar: http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,os-homens-que-passam-o-hiv-de-proposito,1637673

 

5 comentários Adicione o seu

  1. caiorj26Caio disse:

    Pra mim Governo e mídia deviam se preocupar em divulgar soluções para este problema que hoje é a prevenção, divulgando campanhas nos meios de comunicação, nas escolas, etc, etc. e não ficar dando fama para esse grupo de pessoas…
    Por outro lado, como vc escreveu, fica a dica que o fato de ser gay não faz da pessoa vítima e boazinha. Caráter faz parte da pessoa independente de ela ser gay ou não. Então, confiar menos e prevenir mais (ou melhor, sempre!)
    Acho que estes sites que incentivam a criação de tais grupos deviam ser judicialmente cancelados da internet. Não sou muito a favor dessa total liberdade de expressão (rss!)
    Abs, Caiorj

  2. Matheus disse:

    Realmente, o caminho é conscientizar. Mas ao tentar fazer isso, as iniciativas são sempre barradas quando direcionadas à população total, só aparecendo para pequenos grupos. Exemplo: quando foi a última vez que a TV exibiu uma campanha sobre o uso de preservativos?

    1. minhavidagay disse:

      De uma maneira eficiente, que mostrava a problemática real da AIDS só no final da década de 80 e começo dos anos 90, Matheus.

      De qualquer forma, creio que esse assunto de “Clube do Carimbo” transcende às questões de prevenção da AIDS. Permeia assuntos voltados a loucura humana, independentemente da sexualidade, tornando a nós, gays, tão loucos quanto homofóbicos os quais, mediante seus valores, têm a finalidade de agir com brutalidade com o outro.

      Extremamente complicado tudo isso…

  3. Adônis disse:

    Não acho que isso está relacionada à falta de campanhas de prevenção da AIDS, é uma questão de foro criminal, e deveria ser melhor investigada. Depois da notícia não li nada a respeito da abertura de uma investigação criminal para prender essas pessoas, o que me parece tão absurdo quanto.

  4. lebeadle disse:

    Ouvi recentemente essa história do tal clube do carimbo e também pensei que fosse uma lenda urbana, como uma história que tinha em S. Paulo no início dos anos 80 de um indivíduo que saía com uma seringa infectando as pessoas à esmo num ônibus ou metrô, mas parece que agora é verdade e ,se fo cabe ao MP ou sociedade civil impetrar Ação Civil Pública ou Inquérito Civil para averiguar os fatos descritos nas reportagens.

    Agora uma observação que vem a calhar com a filosofia do blog, gays são pessoas como quaisquer outras e também entre nós,como em qualquer agrupamento, existem pessoas ruins que querem ver a desgraça alheia ou mesmo loucas e que não se preocupam absolutamente em se expor, avalie então em expor terceiros.

    Na reportagem do Estadão, o último texto (são três) fala de dois pontos que resolvi destacar, a questão do comportamento sociopático em querer infectar alguém e a decisão do STJ de 2012 em considerar tal prática Lesão Corporal Grave, ou seja saiu de Perigo de Contágio Venéreo (pena máxima de 04 anos e multa) para Lesão Qualificada pelo resultado gravoso, podendo acarretar pena máxima de 08 anos por ser enfermidade incurável!

    Cabe às gays se acordarem e correrem atrás das informações que nos anos 80 eram facilmente servidas na sala de jantar!

    Um aperitivo então,

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