Falando sobre amor


Feriado chegando, friozinho em São Paulo e, possivelmente, aquela vontade de ter um “cobertor de orelha” alimentando os sentidos das pessoas ou, pelo menos, de algumas delas.

Rolou um bate papo no post anterior com o leitor Lucas que muito me inspirou (positivamente). A ideia hoje é criar devaneios sobre o amor, sem ter a pretensão de defini-lo, coisa que talvez só Deus saiba fazer e olhe lá.

O Lucas comentou, em resumo, que não conseguia enxergar a possibilidade de existência do amor em um relacionamento aberto. Em partes, ideia legítima e razoável no momento que temos forte apego aos modelos normativos, aqueles mesmos que vêm regados de nossa cultura latina (digno de Pedro Almodóvar) e Cristã. Apego é novamente o ponto central para falar sobre o amor no post de hoje.

Será mesmo que amor e apego são duas “experiências dos sentidos” indissociáveis? Nos apegamos a determinados valores e parece que tudo que está fora é errado, ou doença, ou problema ou sem representatividade. E até que ponto a espiritualidade não nos ensina sobre o exercício do desapego? Pois bem, foi nessa troca de conceitos importantes com o leitor que eu lembrei de uma história, história essa, inclusive, que fez o meu ex-namorado, o Pedra, começar a prestar atenção em mim:

Para quem não sabe, George Harrison foi um ex-Beatle, aquele criador do “Here Comes the Sun”, “Something” ou “While My Guitar Gently Weeps”. George era um cara altamente vinculado às religiões orientais, espiritualistas. Ele foi casado (ou enamorado, não me lembro) com a Pattie Boyd. Eram muito felizes.

Naquele contexto, Harrison e Eric Clapton (o guitarrista incrível de “Tears in Heaven”, “Wonderful Tonight” e “Layla”) eram grandes amigos, parceiros de trabalho e confidentes. Acontece só que o Clapton se percebeu perdidamente apaixonado pela Pattie. Flertou, flertou muito contrariando todos os aspectos normativos de conduta, inclusive atravessando a amizade com o George. Tanto fez para conquistar a Pattie que criou a música “Layla” em sua homenagem. Ganhou a mulher. Ganhou em cima de romantismo e do talento artístico, embora, sobre bases de infidelidade à amizade!

E de novo, ao contrário das “leis normativas” que imperam até hoje, o George não condenou Pattie e nem demonizou o amigo Eric Clapton. Ao contrário, num exercício de desapego extraordinário, na prática de um amor fora de comum pela própria mulher e pelo amigo, perdoou ambos e mantiveram um relacionamento amistoso até a sua morte.

Nada mais justo, nessa troca, o Eric Clapton ser o principal idealizador do show/tributo em homenagem ao George que, para quem é fã dos Beatles, sabe que é uma obra-prima.

A história é basicamente essa. Levantei essa questão ao Lucas porque, em alguma medida, ele se apropriou do valor do amor, sugerindo que só funciona a dois. Quando se tem um relacionamento aberto, não existe o amor.

Será mesmo? Será que o amor só funciona condicionado ao que entendemos sobre ele, ou melhor, da maneira que cobramos que o outro manifeste? Duvido muito.

A mim, o exercício de desapego – que se fez claramente presente na postura de George Harrison perante o caso Pattie X Clapton e que deve ser altamente exercitado num modelo de relacionamento aberto -, pode também ser uma manifestação de amor.

Claro que na “caixinha” normativa há pessoas que vão tomar partido do Eric Clapton e achar sua atitude “incrível e romântica”. Quem que não se colocaria na posição da Pattie, quase como numa história da Disney, e não se sentiria (mesmo que durante segundos) a pessoa mais afortunada da face da Terra? Porra, o cara se inspirou nela para criar a “Layla”!

Na normatividade, alguém daria apoio ao George? Bem, da maneira que ele fez, creio que a maioria acharia ele um babaca, trouxa ou corno manso (termo totalmente machista) ao se colocar em seu lugar. Afinal, o “normal” seria cortar fortemente a relação com esses dois infiéis traidores. Enterrá-los, demonizá-los e viver de um rancor por longos anos de nossas vidas. Taí a normatividade de hoje.

Acontece que George transcendia. E de todo esse cruzamento sobre sua história e relacionamentos abertos, existe um ponto em convergência definitivo: desapego. Somos realmente capazes de exercitá-lo ou o nosso sentido de “amor” impõe uma exclusividade? Amor pode ser posse? Claro, e é assim para uma grande maioria porque a nossa caixinha diz para ser desse jeito. Mas, por falar nisso, amor pode assumir outros contornos, mesmo em modelos e contextos que nos pareçam feios. Porque a beleza ou a feiura de determinados hábitos e comportamentos são impostas culturalmente.

Se a história de George, Pattie e Eric fosse escrito pelo Almodóvar, traidor e traidora estariam hoje a sete palmos de terra. Literalmente ou mentalmente. É como fazemos, bonitos!

Então, amor é o exercício do apego? Sim, para muitos é. Amor é a prática do desapego? Também. Onde estou nesse momento? Tentando desenvolver o meu segundo porque do primeiro já vivi muitíssimo!

14 comentários Adicione o seu

  1. André luiz disse:

    Resumindo o amor verdadeiro não prende não escraviza não monopoliza e sim libera, liberta solta, auforria,, ou democratiza. Quem ama não mata …mas vive e deixa o outro viver. O amor deixa o outro livre deixa o outro ser ou fazer o que tem de fazer…Quem ama se desapega!!! Ainda estou engatilhado….mas chego lá!!! ;)

    Como sempre muito bom seu texto Flávio.. Estimulante inquietante ….
    André Luiz.

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado, André!
      Não sei se isso é o verdadeiro amor. Talvez nem seja… mas estou disposto a vive-lo, embora não saiba ainda se totalmente preparado.

      Mas quando é que estamos totalmente preparados para alguma coisa?

      Ah, e acho que a gente tem que apegar muito na vida, muito mesmo para aprender até fartar. Pelo menos foi o processo que eu vivi.

      Abraço,
      MVG

  2. Lucas disse:

    é mesmo? de verdade? rs
    acho que fiquei com vergonha agora
    :)

    mas assim:
    Amor é isso, amor é aquilo, relacionamento aberto, fechado, apego, desapego … nessas vias ninguém sabe ao certo para onde vamos…ou o que nos espera quando chegarmos lá. Porém, a única coisa que podemos dizer com certeza, com toda segurança…são os momentos!

    Os momentos que nos levam a outro lugar (ou à alguém). Momentos são Paraíso na Terra. E talvez, por ora, seja tudo o que precisamos saber.

    O meu momento é “esse” amor, como diria Adelia prado no poema “amor feinho” rs (Eu quero amor feinho./Amor feinho não olha um pro outro./Uma vez encontrado, é igual fé).

    No momento seguinte eu não sei como será, os momentos são diferentes dessa forma creio que o amor tbm o possa ser. Multifacetado, de varias matizes de infinitas cores? Talvez…

    Os momentos são muitos próprios, assim como o que se sente por ser o amor.

    Cada um a sua medida pode ser infinito. Mas ate os infinitos são particulares.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Lucas! Desculpe ter te colocado em exposição!
      O importante é isso: não há o certo ou o errado, mas os momentos próprios, assim como o que se sente como amor.

      Obrigado!

  3. André disse:

    E verdade acho que começo a pereber que nao existe mesmo essa coisa de certo e errado no amor ou nas relaçoes, o que acontece talvez sao as divergencias e oolhar de cada um para ponto. O que pode repreentr amor pra mim pode ser representado diferente para o outro. O amor pode ser do tipo “miojo“ para ele e para mim uma caprichosa lasanha ao molho branco, A durancao e a intensidade do molho quem dá é cada um de nós.!! Hahah nossa que comparacao mais esdruxula a minha…deve ser porque estou sentindo cheiro de comida boa no forno!!
    Aproveitando e desejando um bom feriado ao Flavio e a todos que acompanha a esse blog maravilhoso MVG!!

    Beijos e abraços.

    André Luiz

  4. Leandro disse:

    Já que o assunto é amor, muitas vezes eu fico pensando: o que é o amor para os gays? Nós, em geral, passamos a vida toda acostumados com a ideia de “amor para a vida toda”, mas quando nos damos de cara com a realidade, a gente percebe que a coisa é mto diferente!

    Na minha adolescência eu era um rapaz muito romântico, supervalorizava o amor, não tinha nenhuma preocupação com vaidade ou corpo, ou seja, eu era bastante ingênuo. Apesar da grande frustração que eu sentia cada vez que me deparava com a realidade nua e crua, eu ainda mantinha intacto o sonho de ter um namorado que, mesmo não sendo pra vida toda, pelo menos gostasse de mim.

    Mas, é como dizem por aí: “o buraco é mais embaixo”. Até hj eu tenho dificuldade de me acostumar com a futilidade e o vazio que tomou conta de boa parte dos relacionamentos modernos (não só entre os gays). Se pelo menos fosse algo temporário, tudo bem, todo mundo tem seus momentos de “sair passando o rodo” uma vez ou outra. O problema é que eu vejo cada vez mais pessoas transformando o casual em um estilo de vida, sem contar naquelas que se perdem em tantas exigências impossíveis que simplesmente não aceitam o que está mais próximo delas. Eu devo confessar que isso deixa muito triste, mas muito triste mesmo!

    O meu último parceiro simplesmente recusou meu pedido de namoro pq não queria sair do “casual”. Ele passou praticamente a vida toda em relacionamentos casuais. Que eu saiba, ele namorou sério, com amor, somente uma única vez, durante um ano e meio. Eu já o conhecia na época do término, mas ele pareceu ter reagido de uma forma até bastante tranquila, coisa que eu não duvidei, pois como ele é budista e tem um estilo bem “zen”, eu realmente acreditei que foi tudo bastante tranquilo, até pq ele é amigo do ex até hoje. Depois do término, ele ficou quase um ano sozinho e só então começamos a ficar (creio que fui o primeiro ficante dele dps do término, mas não tenho certeza). Tava indo tudo muito bem, até o momento em que quis namorar sério com ele. Nesse momento, eu percebi que ele voltou de vez ao casual. Além disso, eu comecei a sentir que, independente da minha proposta de namoro ou não, eu ia ser descartado em breve. Ele começou a ficar frio justamente na época do Carnaval e, depois de minha tentativa frustrada, ele ficou ainda mais frio e distante. Não vou negar que fiquei muito, muito triste com isso. Não posso obrigar ninguém a ficar comigo, longe de mim, mas não consigo aceitar esse tipo de pensamento. Não que eu o ache errado, as pessoas são livres para fazer o que elas quiserem com a vida delas, se elas desejam resumir sua vida sexual a fast-fodas, o problemas é delas, mas EU, Leandro, particularmente não vou me conformar jamais em passar minha vida inteira à base de relacionamentos fugazes.

    Mas enfim, eu saí dessa última relação muito magoado e chateado. Confesso que não sei o que pensar do amor nesse momento. Apesar de na superfície eu estar tomado pela tristeza e pelo pessimismo, eu sei que lá no fundo, ainda tenho esperança de encontrar alguém especial algum dia (mesmo q não seja para sempre). Mas enquanto as feridas estiverem doendo, eu estarei com o meu coração fechado para novas experiências. Não tem jeito, só mesmo o tempo pra curar, não é mesmo?

    Abraços!

    1. minhavidagay disse:

      Pois é Leandro, se você nem chegou a namorar e já teve feridas, imagine o seu pretendente que se envolveu um ano e meio?

      Por mais sereno, racional e controlado que ele pareça ser (assim como eu pareço ser), lidar com o desapego nos términos não é fácil. NADA fácil. É de se pensar o quanto optamos pela casualidade por um tempo para não ter que lidar com determinado sentimentos…

      Quanto à questão das vaidades do corpo, tive um insight: nenhum “príncipe encantado”, romântico e conquistador, nos filmes é feio! Até eles sugerem a necessidade da gente se cuidar.

      Um abraço,
      MVG

  5. André disse:

    Leandro bacana o seu comentário-desabafo. Me identifiqueimuito com ele, pois tambem tive esses pensamentos essa forma de sentir desde minha juventude. Tambem como vc sempre fui um cara ingenuo, tinha uma forma romantica de ver a vida e as relacoes humanas, Digamos que tive a minha primeira experiencia afetiva agora perto 40 anos. E confeso que a sensaao q e vivi e tive foide um sonho, e a mesmo tempo pesadelo. Sonho pq no comeco tudo parece mesmo ser um sonho..e vai se tornando um pesadelo a meida q vc vai ganahndo intimdiade e vinculo..enfim…apos 2 menses do temino dessa relacao q durou cerca quase dois anos. Estou comecando a entender esse jogo maluco e muitas vezes cruel que passamos. Eu quero ainda acreditar nas pessoas, nos bons sentimentos, espero que um dia as pessoas se casem dessa moda descartavel de levar a vida e enxergar as pessoas como objeto. Apesar das evidencias, acredito que esse dia vai chegar, enquanto isso vou tentando ficar de bem comigo…

    Abraços,

    André Luiz.

    P.s. Leandro caso queira manter contato , ficaria feliz poder trocar uam ideia com pessoas q pensam como eu. Deixo aqui meu e-mail alo,jayme@ig.com.br

  6. Leandro disse:

    Oi André,
    que bom q vc se identificou com meu relato! É sempre ótimo saber que não estamos sozinhos nessa jornada, não é? Talvez eu acabe tendo meu relacionamento afetivo depois do 30 tbm. Primeiro, pq eu não tenho mta sorte; segundo, pq eu preciso me cuidar para poder me sentir mais atraente. Mas eu entendo perfeitamente como vc sente. Quando vc começa um relacionamento, parece um sonho, mas à medida q vc vai ficando mais tempo com a pessoa, a realidade começa a ficar mais clara. Nunca cheguei a ter um, mas eu entendo como é o processo. Eu também procuro acreditar que as pessoas vão acabar cansando desse estilo de vida, até pq a tendência futura é de aumento no número de idosos e diminuição no de jovens. Não vai ter outro jeito: o “meio” gay será obrigado a aceitar essa parcela da população daqui a alguns anos. Até que esse dia chegue, vamos procurar manter a esperança e a fé. Podemos manter contato sim, meu e-mail é leandromouli@gmail.com. Se vc quiser, eu tbm tenho Face, se vc quiser, posso te passar dps, por e-mail.

  7. Leandro disse:

    Flávio,
    realmente não é nada fácil lidar com términos. Apesar de q eu não ter certeza, é possível que ele ainda sinta os efeitos disso até hj, mesmo não demonstrando. Talvez essa opção pelo “casual” seja uma prova disso, né?

    Apesar de ainda me sentir triste, não me arrependo de ter cortado os vínculos com ele. Ele era um amigo muito querido e um confidente, mas não deu pra perdoar a reação indiferente e insensível que ele teve quando falei da morte de minha avó. Não tem jeito: somos humanos e temos nossos limites. Eu atingi meu limite quando ele foi indiferente comigo, assim como ele tbm deve ter atingido o limite dele comigo. Confesso: estava sendo muuuuuuuuito chato ultimamente, pois estava (e ainda estou) passando por uma fase muito complicada e difícil e chegou um momento em que eu falava o tempo todo em problemas. É chato, frustrante e constrangedor para ambas as partes, mas realmente tem horas que não dá pra aguentar, não é mesmo?

    Não posso culpá-lo, mas tbm não posso me culpar. Eu saí do interior e vim pra capital muito jovem e inexperiente. Meus pais me criaram de uma forma super protetora, então foi um choque pra mim sair daquela vidinha pacata e organizada de interior para vir para uma cidade caótica e enlouquecedora como Salvador. É um processo muito duro e doloroso. Aceitei o desafio, e foi até bom em alguns momentos, mas no geral, foi tudo bastante difícil. A vida nas capitais não é nada fácil, e é muito difícil vc se acostumar totalmente e gostar disso aqui. Sem contar no choque cultural. A Bahia é um estado imenso, minha cidade-natal fica mais próxima de Minas, ou seja, é como se fosse outro estado. É TUDO diferente: clima, arquitetura, sotaque, cultura, comportamento das pessoas. É difícil de acreditar, mas eu me sinto mais à vontade em São Paulo, do que em Salvador hahahaha.

    Essas dificuldades todas acabaram se refletindo tbm nas minhas relações. Na fase boa, até que eu consegui construir algumas boas amizades, mas ultimamente, ando isolado e afastado de todo mundo. Não sei nem o que dizer de bom para as pessoas. Por causa da crise econômica, minha vida caiu num beco sem saída e, por mais que eu me esforce, não há nada o que se fazer, pois são coisas que não dependem de mim. Minhas únicas esperanças no momento são um concurso (que eu fiz ano passado em Campinas) que está prestes a me chamar, e um outro concurso em Brasília que paga muito bem e deve ser realizado em breve.

  8. Artur disse:

    Parabéns pelo blog! Passei as últimas 4 horas lendo alguns dos posts, começando por um lá de 2011 sobre “Crise no Relacionamento”.

    Deixando um pouquinho da minha experiência aqui. Estou na semana de completar 7 anos de relacionamento. Seis e meio vividos debaixo do mesmo teto. Já tivemos um the end dois anos atrás, por causa do esgotamento da rotina, mas nós demos uma chance dois meses depois. Demos, dei, ganhei?! Não sei dizer! Eu já estava preparado para sair da empresa e mudar de cidade quando ele pediu pra voltar. Voltei. Mas a decisão de sair havia sido minha.

    Sobre desapego, o nosso relacionamento é aberto. Quer dizer, é para ser hahaha. Temos a liberdade de sair com outros caras separadamente ou então fazer um menange. Mas o que mais ocorre é ficar de bate-papo com outros caras pelos aplicativos. Ele já saiu sozinho com outros. Eu não. Juntos, temos uma boa bagagem de ter saído com uns 12 caras.

    Na última semana estávamos a caminho de buscar um rapaz e ao chegar na casa do cidadão, percebi que não era aquilo que eu queria. Mas fiquei quieto. Pensei que conseguiria manter o tesão, pra não deixar meu parceiro chateado. No “vamos ver” eu estava totalmente sem vontade e fiquei com nojo do corpo do rapaz. Ele percebeu e interrompeu o lance pedindo pra ir embora. Meu namorado ficou irritadíssimo.

    Depois que o deixamos em casa, namorado me questionou o por quê da “broxada” e eu afirmei não ter curtido o espetáculo de corpo definido oito anos mais novo. Pra ele não colou e a semana tem sido um caos.

    Além deste gelo na relação mais íntima, estamos passando por uma crise profissional, eu na minha área, e ele na empresa dele. Dívidas, insegurança profissional e a proximidade que temos, eu com o trabalho dele e ele com o meu, tem minado nossos dias. Tenho pensado na relação como um todo.

    Acho que minha broxada realmente se deu pela atual situação, afinal quando estamos brigados, não permito que busquemos uma saidinha com alguém, para melhorar o relacionamento. Esta é uma das condições: estamos bem um com o outro e o “extra” ser um complemento.

    Porém, acho que deveria impor a regra também para a situação profissional e financeira, que tem me deixado mais broxa que homem de meia branca com sapato preto.

    No fim, queria apenas dizer que nós conseguimos separar amor e sexo. Mas ultimamente não sei onde está o amor. E sem ele não estou conseguindo fazer sexo, nem com quem amo, nem com os “extras”.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Artur! Muito obrigado por ter trazido suas referências. Imagino que nem em um relacionamento aberto exista um padrão.

      No final, pelo que entendi em seu caso, abrir a relação não tem sido a questão e, sim, outros pontos que se somaram com o tempo e vocês vivem nesse momento. Que aliás são super legítimos e sei bem na pele do que se trata…

      Você me inspirou sobre a questão da grana, mediante o cotidiano de um casal. Vou escrever um post.

      Obrigado pelo breve relato!
      Flávio

  9. edvan disse:

    Acho que tentar mesclar os tipos de relações não funciona. Relacionamento aberto com amor? Penso que quem busca construir uma base sólida em uma relação eh porque está atrás de algo além de cama… Mas a maioria dos gay preferem trocar um sentimento maior por uma gozada. Não perdem a oportunidade, principalmente se o carinha for bonito e gostoso. Eu quero mais, e quero alguém que queira mais… Quando estou solteiro aproveito as oportunidades, mas ninguém eh obrigado a viver da forma que não acha correto. Não eh pq sou gay que não posso deixar passar uma oportunidade de sexo com alguém, prefiro colocar na balança e ir atrás do que eu quero. Quero uma relação normal, pelo menos dentro daquilo que acredito como normal. Acho essa estória de desapego meio ilusória pra quem busca um modelo de relação duradoura. Como confiar em alguém, a nível de querer construir uma vida, que tem como filosofia não se fixar em nada? Na verdade, quando a desistência eh fácil eh pq não importa e isso pra mim eh indiferença e não desapego. No final das contas todo mundo quer amor mais poucos estão dispostos a se doar e eu, sendo gay, sou tachado de ter pensamento hetero por querer mais além de uma gozada.

    1. minhavidagay disse:

      Desculpe, Edvan.
      Mas você está num relacionamento de seis anos (o que não é pouco) e vivendo agora um momento difícil, de decepção com seu namorado.

      Mas como dizer que sua relação não deu certo? Que não foi duradouro e que não cresceram juntos nesse tempo? A mim, é impossível ter vivido seis anos e não ter dado certo!

      Agora, se a vida de vocês hoje ou nos últimos tempos começa a tomar rumos diferentes é outra história.

      Quando me refiro a relacionamento aberto, quero dizer que me parece interessante colocar o assunto desde o princípio, agora que estou solteiro. Em outras palavras, depois de ter vivido 12 anos de relacionamentos fechados, me parece interessante começar uma nova relação monogâmica e consensual, mas ter em mente desde o começo que ela poderá se abrir um dia.

      O lance do seu atual transar sem camisinha com outros e com você, nessa abertura que vocês dois se propuseram (o que um não quer, dois não fazem) meio que define toda esse decepção, e com razão. É um risco enorme para o casal, é o manifesto de uma traição e quebra da cumplicidade e da lealdade, valores esses que, a mim, devem existir a todo momento quando duas pessoas resolvem se relacionar, seja num envolvimento fechado ou aberto.

      Pensar nessas variações de relação, no meu caso quando escrevi o post, é um manifesto desprovido de frustrações e decepções. É conveniente você despejar uma descrença no modelo de relação, no momento que, de fato, você está decepcionado com a pessoa que é seu namorado e não com o modelo!

      Uma coisa leva a outra? Depende da integridade de cada pessoa… A generalização é preconceito.

      Tenho certeza que em seis anos de relacionamento afetivo, existem muito mais elementos envolvidos, situações, vivências, que são íntimas a vocês dois e que também justificam a relação estar desandando.

      Um abraço,
      MVG

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