Depois de um “bom dia”


Encontros, sejam por baladas, bares, supermercados, na rua ou por aplicativos são sempre uma surpresa. Eu, particularmente, busco olhar para os ganhos e experiências positivas possíveis, em cima “do mundo que é cada pessoa”, como costumo dizer. Já tenho idade para saber que nem tudo que a gente busca se realiza como ideal e é aí que eu digo que ideais as vezes não funcionam bem quando o assunto são relações. Ter propósitos, mas aprender a deixar fluir, com o passar das experiências, dos altos e baixos, dos ganhos e perdas, acaba sendo um bom caminho. Mas por vezes demora para cair a ficha, o que é normal. A vida, as vezes, tem boas pitadas de Nelson Rodrigues e, quando a entendemos assim, jogamos as expectativas para baixo e qualquer ganho que surja, a gente trata com mais apreço. Isso são os “calos”, meus queridos amigos. Calos que a gente só adquire com o tempo, vivendo as dores e alegrias dos encontros e desencontros.

Confesso que os tais aplicativos de pegação, embora exijam certa paciência para lidar, tem sido um meio eficiente para conhecer gente. Alguns dos relatos pessoais estão aí, para quem topa ou não um contato com uma diversidade muita grande de pessoas e situações. Para quem topa foras e perdidos que são muitos e para quem topa algumas conversas que saem do lugar comum do “curte o quê?”, “tem que ser agora”, “e ae, fera”, “mim add no waz” e etc. De forma prática, o que eu tenho percebido é que muita gente que não tem hábito da vida gay, de baladas e outras convenções do tipo, estão nos Grindr, Hornet e derivados. São os “machos” ou discretos, homens casados ou que namoram mulheres, casais gays com relacionamento aberto, gays que não curtem o meio, transformistas e outros gays. Até dois do “Põe na Roda” já vi por lá. Hoje em dia tem gente que, se não trocar fotos do pau duro, da bunda, não se encontra. Em outros tempos (e não faz tanto tempo assim) não funcionava desse jeito. Eu tenho preferido os outros tempos e aqueles que, diretão, pedem ou mandam fotos do “buraco do olho” ou do pau, eu nem continuo a conversa. Cada qual com a sua preferência e não sirvo para julgar. Só me permito fazer uma triagem.

Na manhã de domingo, depois de uma madrugada bastante divertida com o Beto e com o Kota lá na Yacht, recebi um “bom dia” do Henrique, menino que me chamou na sexta (e não na quinta, como relatei no post “As aventuras de Kota”). Eu estava com uma leve ressaca, tomei café da manhã, fui almoçar nos meus pais para comemorar o Dia das Mães e à tarde, por volta das 17h, voltei para casa numa intenção de boa preguiça e frio debaixo das cobertas, já que alguns compromissos com amigos não iam mais rolar por causa de preguiça geral.

Daí que como numa brincadeira, numa conversa com o Henrique por Whats, falei:

– Vem cá pra gente ficar na minha cama.

– Olha que vou, hein? Você já voltou dos seus pais?

– Já… tou aqui debaixo das cobertas curtindo uma preguiça. Vem cá pra gente dar uns beijos e uns abraços.

– Beleza. Vou tomar banho e vou aí.

Tipo, super na brincadeira e aconteceu. Combinei de pegá-lo no metrô Butantã e, apesar do dilúvio de verão no outono, com frio de inverno, nos encontramos.

Antes do encontro, entre sexta e sábado, nossas conversas por WhatsApp já tinham ido além do “curte o quê?”, “tem que ser agora” e do “e ae, fera”. Na verdade, nem entramos nesses méritos, muito menos nas fotos de “nu artístico”. Eu só tinha pagado um “pau federal” para a beleza do menino. Vice-versa e a partir daí a dança da conversa entrou em assuntos “normais”, de vida, experiências, gostos, elogios mútuos e etc. Antes do encontro, ainda na conversa virtual ele lançou:

– Você gosta de beijar?

– Quem é que não gosta de beijar? (rs)

– Ah, eu tenho um amigo que não curte beijar!

– Nossa… eu não conheci ninguém até agora que não goste de beijar.

Beijamos muito e não só isso. Conversamos muito também na cama, vestidos e pelados. Depois na cozinha, enquanto preparava a gororoba saudável da minha cachorra que está adoentada e depois na sala. Com muitos beijos e abraços. E conversa.

A sensação boa que fica, do domingo inesperado de ontem, é que alguma amizade vai sair dessa história. A primeira situação que me pareceu valer a pena, ter uma sintonia, depois da minha entrada na “solteirice bandida”. A sensação, confesso, é como da maioria: é uma agulha no palheiro. Pra quê desperdiçar?

– E aí, aprovou um japa para sua primeira vez?

– Opa! Já dá pra checar na lista. Só falta ruivo e albino agora.

(Risadas gerais)

“Keep moving forward”, já diria Walt Disney.

3 comentários Adicione o seu

  1. André disse:

    Sei nao mas acho que vc e esse tal Henrique vao ter outros adoraveis encontros…ehahah muito bom esse seu post, leve descontraido, sem muitas revelacoes, ou melhor, sem grande surpresas, mas gostoso de ler, e viajar contigo nisso. E para completar no fim do texto vc solta apergunta se ele gostou do japa…q so faltava um ruivo ou albino agora…. no se esqueça dos elos árabes que tbm tem ai em sao paulo…hahah falo deles pq sou descente de libanes, sem querer fazer propaganda e ja fazendo…hahaha
    Bjus.

  2. minhavidagay disse:

    Ahahaha… mas vamos considerar os árabes/libaneses como brancos/morenos (rs).

    Bjo!

  3. André disse:

    Ahahaha Flavio estou começando a ficar com medooooo de voce…desse jeito vou comecar a achar que voce é um sommelier de boys….!!! >))

    Bjo.

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