Momento de Crises


Crises, no caso, é um neologismo apropriado ao texto. Para falar sobre Cris e, na verdade, dois deles.

Na semana e final de semana retrasados pintaram no Hornet e, pela boa conversa inicial, foram para o Whatsapp. No meu ponto de vista, as trocas, sejam elas virtuais, nas baladas ou em lugares mais comuns como em academias ou supermercados têm uma alta independência do meio em si e o que define o caminho que seguirá toda a conversa são as próprias pessoas.

O primeiro Cris

O Cris veio há três sábados atrás. Eu estava na Liberdade para encontrar meu cliente e, naquela ocasião, ele havia mudado de endereço sem me avisar! Tentei ligar mas deu caixa postal e acabei almoçando no Takô, restaurante japa que muito me agrada.

Esse “primeiro” Cris veio cheio de xaveco, logo de princípio, e fiquei curioso para saber qual era a dele. Não chegamos a trocar uma foto sequer de partes íntimas e ele havia mandado apenas uma foto de rosto, com óculos escuros, que ao meu ver é o mesmo que não tivesse mandado nada. Mas o bicho investiu tanto na conversa que resolvi levar a dança.

É muito estranho pessoas que chegam por todos os meios (isso não está restrito aos aplicativos de pegação), achando que para namorar basta virar uma chave no coração e apertar um botão. Por incrível que pareça, o Flávio – que para alguns é frio -, não consegue namorar só porque existe uma intenção para tal. A intenção, a mim, é só o prefácio da história. Talvez tenha funcionado assim há 15 anos atrás, quando eu e o Leonardo (meu primeiro namorado) tivéssemos uma total predisposição para isso. E mesmo assim, naquelas épocas ingênuas e de iniciação, falamos duas semanas por meio do falecido ICQ, nos encontramos uma primeira vez e só fomos beijar na semana seguinte. Se isso é ser romântico? Não sei mais. Se isso foi enrolação? Não saberia responder. Acontece que foi assim, foi bom e se hoje funciona diferente, quem sou eu para querer reinventar a roda? Quem está fazendo o mundo de hoje são vocês mesmos, meus queridos leitores de vinte e poucos anos!

O Cris, depois de uma primeira conversa de apresentação, veio com objetividade: “quero namorar”. E eu, com a mesma clareza que apresento aqui, repliquei: “quero conhecer pessoas sem apegos”. E ele: “eu quero me apegar”.

Com 28 anos, atuante na área de vendas, tinha um xaveco por natureza: “você está numa fase confusa, anda perdido. Vem cá que eu vou te mostrar o caminho da felicidade” – não foi bem assim, mas algo assim.

E eu, ao contrário de muitos, achava todo aquele jeito esnobe-garanhão, aparente seguro de si, muito engraçado.

Tentamos marcar um primeiro encontro, mas ele vinha de dias embriagantes e “ressaquentos”. Testei pela primeira vez o telefone do WhatsApp e conversamos por horas. Ele, com um puta vozeirão, masculino e tremendamente xavequeiro. Logo eu dizia: “fio, os menininhos japas que você gosta de pegar podem cair nesse seu papo mole. Mas não é o meu caso” – e ria de suas respostas na ponta da língua. Estava tudo divertido, ele sempre agilizado e eu vendo onde poderia dar essa história.

O fato é que o menino passava por um momento financeiro difícil. Terminou há um ano atrás um casamento de fachada com uma menina bissexual e queria intensamente amarrar seu burro com um cara. Mas de um jeito “louco”, o jeito dele.

Na sexta passada, fez que fez para me encontrar. Mas, como eu já havia comentado a ele muito antes, nas minhas sextas estou de castigo pois tenho aula de tênis no sábado bem cedo. Acordo às 6h da manhã. O bicho, muito bêbado, ficou cheio de “mimimi” e, sem ao menos termos nos visto pessoalmente, já lançava sua primeira DR (discussão de relação). Durante a noite de sexta, o que vinha de papos agradáveis e engraçados, virou cobrança e julgamento. Tudo porque ele alegava que eu não queria me encontrar e que eu não saia do WhatsApp, “putanhando” com outros caras! Odiou saber que sou cliente da Chilli Peppers.

Pode produção?

Não só acontece, como sei que tem muitos meninos nessa toada intensa, que “colam” em alguém e tomam posse exclusivamente na própria cabeça. Eis o jeito errado de começar um contato, queridos leitores. Assusta qualquer um que esteja, minimamente, com as emoções equilibradas.

O Cris surtou. Resolveu me excluir do Whats e pediu para nunca mais entrar em contato. Diante tanto calor latino, da mexicanidade exacerbada que costumo citar por aqui, respondi tranquilamente: “sem problemas, filho. Acho que você está viajando, mas tudo bem”.

Daí que ontem, a meia noite, o rapaz reapareceu dizendo assim: “gostaria de retomar contato para falarmos de trabalho” – desculpa qualquer. Não o respondi de imediato e aquela “punhetação” de cobranças voltou com força. Falei assim: “desculpa, Cris. Mas são meia noite de um domingo e não tem como falar de trabalho agora, concorda?”. Insistiu mais um pouco e eu, educadamente, “pedi o divórcio”. Me chamou de “grosso e estúpido”, mas mostrei a minha razão no momento que ele queria porque queria que eu me colocasse no lugar dele.

“Não… coloque-se você no meu lugar agora. Deixa de ser infantil. Boa noite”.

Eis um típico caso de quem “casa” dentro da própria cabeça. Problemas, demandas e carências todos temos (e todos temos MESMO). Mas pessoas que, sem querer, buscam despejar no outro responsabilidades que são próprias, outras pessoas mais amadurecidas preferem passar longe.

Não foi a minha primeira experiência com gays assim e não será a última, provavelmente. Fica o “case” para cada um se espelhar, um pouco mais como o Cris ou mais como o Flávio. As vezes, assumimos o papel de um e de outro dependendo da situação.

O segundo Cris

Nessa minha onda de querer me abrir para pessoas, conhecer gente nova e dar espaço para me encontrar nelas mesmas, pintou o Cris, profissional de massoterapia. Jovem de beleza bastante fora dos padrões nacionais, digno de uma pintura renascentista: olhos grandes e azuis, pele bem branca e cabelos loiros e cacheados. Quando ele deu seu “oi” fui ler o perfil: status “namorando”. Pensei a princípio que ele estaria buscando um relacionamento aberto. Mas não. Sua ideia era bater papo e fazer certas amizades virtuais pois era e é casado e de relacionamento fechado.

Levamos a conversa por quatro ou cinco dias. Embora com 21 anos, mostrava um bom conhecimento sobre sua área. Daí que tive um clique: faz dois anos ou mais que tenho investido em questões da minha qualidade de vida. Academia de segunda a sexta, tênis aos sábados e uma reeducação alimentar que definitivamente mudou minha disposição e resistência. Por que não dispor de um tempo para fazer uma massagem?

Conciliando assim meu momento, com boa vontade de dar vazão para o ineditismo dos encontros, sugeri a ele uma sessão. Ele apresentou os valores e as técnicas: sueca e tântrica, basicamente. Tântrica? Pois é… com massagem peniana e tudo mais! Como meu objetivo não era equilibrar minha libido e dores nas costas são comuns para quem trabalha na frente do computador, preferi a sueca. E deixei claro: “bem forte porque não curto massagem muito leve”.

Feito. Ele atende à domicílio ou em três espaços terapêuticos espalhados por São Paulo. Para uma primeira experiência de 90 minutos de massagem sueca, com um “desconhecido” de Hornet (embora tivéssemos conversado bastante), preferi pagar um pouco mais e agendar num dos espaços.

Cheguei um pouco antes dele num típico espaço zen e holístico. Bem tranquilo. Ele chegou logo depois, quase a caráter, com uma pedra verde-leitosa enorme no pescoço, sugerindo algo de proteção ou energia. Apesar de ariano como eu, muito sereno, de gestos suaves, sorriso largo e bonito. Tirei a roupa, deitei na maca e não, não teve sexo! Teve muita massagem, bastante conversa sobre técnicas e sobre nossas vidas, 90 minutos de apertões bem dados e sai do local como se tivesse tomado todas, mas sem ressaca ou efeitos colaterais do álcool.

Uma experiência excelente que devo repetir em breve.

Mantenho contato com o Cris, nesse tipo de amizade virtual e intenção de profissionalismo real. Massagem peniana? Ainda não sei…

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