Teoria quântica


O post de hoje é dedicado a uma teoria das relações humanas, fruto de observações recentes, em um pouco mais de um mês solteiro, cuja conclusão se deu hoje a caminho de volta com meu ex-sócio (garanhão típico, heterossexual que teve apenas um relacionamento duradouro há anos atrás) de uma reunião.

O post fala basicamente sobre condições e naturalidades. Eis a minha “teoria quântica sobre as relações“.

É bom já avisar que o texto a seguir não entra em questões de juízo de valor, da moral, do que é certo ou errado. Como bem diz a minha terapeuta, não existe o certo ou o errado nas relações humanas quando não são doentias.

Os polos da teoria

Primeiro vamos falar dos polos extremos, que ao meu ver, são inversamente proporcionais porém iguais. Iguais pois estão autocentrados num profundo desejo do ego, ambos na busca do prazer e da felicidade, sendo o primeiro feito de obsessão e o segundo de compulsão.

Por um lado temos os indivíduos obcecados por namorar. No caso estou me referindo aos gays, mas que em concordância, meu ex-sócio vê sentido também no universo heterossexual (seja para homens ou mulheres). Teimosos, os indivíduos que querem muito namorar acreditam fortemente em contos de fadas pois, até então, não conceberam de maneira convincente (a si) uma relação amorosa. Valorizam ao extremo um amor idealizado, do eterno, da imensidão infinita e acreditam na ideia das “duas metades que se completam” desprezando totalmente uma evolução, de que a fundo aprendemos a ser indivíduos inteiros e temos o prazer ou não de levar alguém em companhia ao nosso lado. Os obcecados por namoros flutuam e se ofendem quando alguém critica ou debocha dessa “condição” (tal qual esse parágrafo). Acreditam que só com um par é possível encontrar plenitude.

Por outro lado, com os pés extremamente fincados na terra, no material, estão os compulsivos por sexo. São aqueles que vivem da intensidade do próprio modelo, da troca, do outro como objeto quando não troféus, da superficialidade das relações. Podem ser considerados viciados e, assim como qualquer vício, a abstinência gera incômodo. Se num domingo ao final da tarde vem a falta (ou o vazio) e as opções do cardápio estão todas ocupadas, não se importará de abrir um aplicativo e fazer uma busca ou ir até a sauna para se garantir. Precisa saciar o desejo da abstinência. São pessoas que vivem de uma intensidade, do prazer do incerto, do desconhecido conquistado a cada dia, de uma energia em ebulição que não cessa. A graça está na faísca e não no calor que se mantém depois.

Tanto o obcecado por namorar quanto o compulsivo por sexo são cegos. Vivem de fato a intensidade absoluta do desejo do ego e não conseguem, de fato, enxergar o outro real a frente. Não dão espaço para que Deus ou a natureza dos encontros manifestem seu poder. O obcecado por namorar carrega uma energia tão intensa para desenvolver seu ideal afetivo que, numa primeira possibilidade de atenção, acaba pecando pelo seu excesso: por vezes pode ser meloso, invasivo e – sem querer -, acaba tomando posse do preterido mentalmente. Namora dentro da cabeça, adquire um senso errático de que o outro é posse e, assim, detona com a naturalidade das relações. Não é consciente, mas acredita que para se envolver afetivamente, intimamente, basta virar uma chave no coração e apertar um botão. E espera, idealiza e cria a expectativa de que o outro faça o mesmo em proporcional intensidade. Qualquer atitude que pareça de menor interesse já ativa uma insegurança.

O compulsivo por sexo carrega uma energia tão intensa, mecânica e calculada para suprir suas lacunas emocionais com a casualidade sexual que, por tratar o outro como objeto para saciar seus próprios desejos, acaba por se conectar com pessoas com as mesmas intenções. A carne na busca da carne. Idealiza, dia após dia, um próximo formato, cor, espessura ou fetiche para saciar o vício. Mas como o vício é cíclico e se resume nele mesmo, detona também com a naturalidade dos encontros.

No comportamento do obcecado por namorar, o outro é objeto idealizado de felicidade plena. É como se o status “namoro” garantisse para sempre o fim de uma inquietação e um vazio que os acompanha, aparentemente, por todo sempre. Gera-se uma energia de expectativa sem tamanho que, bem ou mal, poderá eclodir num sentimento de frustração na mesma proporção. No comportamento do compulsivo por sexo o outro é objeto de desejo imediato. Assim, imediato, não demorará para buscar um próximo para sanar a vontade novamente.

O obcecado por namorar tende a ser excessivamente emocional ou dramático. O compulsivo por sexo tende a ser frio, estrategista e calculista, embora sinta um prazer imenso na conquista e no sentido de dominância ou dominado.

Falei assim dos polos extremos.

O centro da teoria

Por ser uma teoria, com vértices opostos, de um ponto ao centro e do centro ao outro ponto existe uma infinidade de combinações em tons diferentes nas quais nos encontramos. Cada um em algum lugar, em momentos diferentes da vida. Como já me dei o direito de ir de um extremo ao outro algumas vezes, pelo menos nas dimensões dessa minha teoria me sinto seguro para continuar: os extremos sempre terão mais dificuldades para construir um relacionamento pois não são capazes de tirar o foco de atenção nos desejos do ego e se prestar a enxergar o outro da maneira que é, real. Enquanto o obcecado por namorar flutua, idealiza o preterido e vive muito tempo das dores da rejeição quando não dá certo, o compulsivo por sexo pula etapas, engole seco e faz a fila andar ferozmente, tratando o próximo, igualmente, como produto de prazer. É importante ressaltar que em ambos os casos o outro é objeto: por um lado, o de salvador de nossas dores. Por outro, o de peça definitiva para saciar o desejo imediato.

Por intermédio de experiências derivadas de um polo, de outro ou de ambos, pelos acertos e erros, conquistas e tombos, tendemos com o passar do tempo a caminhar para o centro. E esse tempo é tão relativo, tão particular, que vai depender do nível de autoconhecimento que cada indivíduo se prestará a desenvolver. Algumas pessoas, por características inatas e experiências adquiridas, já nasceram mais ao centro, assim como outras nasceram mais para um lado e outras nasceram mais para o outro. O fato é que o centro, como consequência de vivências, é o lugar mais possível para a maioria e demora para se estar lá o tempo de cada um.

Enquanto solteiros, quem já reconheceu as benesses do centro e chegou lá por ter vivido os altos e baixos das próprias escolhas, não julga ou condena aqueles que transitam pelos polos pois reconhece a humanidade e a natureza inevitáveis dos extremos. Solteiro, percebe as cores dos apps, dos boys, das baladas, de certa promiscuidade que é possível dentro de uma boate ou de uma sauna, da exposição e de tudo que pode ser de passatempo para quem está sem compromissos. Solteiro, entende que a solidão pode estar repleta de solitude e reconhece o prazer nisso. Nos extremos as pessoas normalmente sofrem com a solidão.

Quem transita mais ao centro se permite enxergar o outro com mais realidade. Não se deixa levar pelo afã do relacionamento que ainda não se concebeu, tampouco pelo vício rotativo da libido.

Em outras palavras, quem alcançou e vive em torno do centro, enxerga os meios possíveis de acesso a pessoas sem condenar os polos. Não sofre por aquilo que ainda é ideal e não foi conquistado, nem se vê condicionado a um modelo intenso e vicioso.

“Sabe… as cores dos apps, dos boys, das baladas, das loucuras da noite me completavam até agora e sei como poderão me completar amanhã ou depois. Mas de repente te conheci por um desses mesmos meios e, pelo movimento da emoção diferente que você tem despertado em mim, tudo que estava colorido até agora parece perder a intensidade, começa a deixar de ter graça e, você, passa a ganhar uma cor diferente. Tem uma força que não controlo que me faz querer te conhecer melhor. Posso?”.

Quem vive mais ao centro permite-se enxergar o outro mais próximo a realidade (nem só como entidade idealizada, nem só como artifício de prazer) e deixa as emoções fluírem com mais naturalidade, emoções essas receptivas ao “sim” ou tolerantes ao “não”. Não teme nem um extremo, nem o outro pois sabe que isso faz parte da gente. Para abrir espaço ao próximo, quem vive nos polos há de aprender a ser menos “egocentrados” ou, como dizem por aí, egoístas.

17 comentários Adicione o seu

  1. Achei um pouco dura suas palavras de inicío pois a carapuça caiu rapidamente como uma luva mas talvez o texto funcionou como um tapa na cara que eu estava precisando levar para “acordar”.

    1. minhavidagay disse:

      Hum… Entendo Jorge… são os meus “processos terapêuticos” rs :)

  2. Lucas disse:

    Dentro desses quatros meses que acompanho o blog posso dizer que esse foi o PRIMEIRO post que valeu a pena aqui!

    Remente parece ter sido escrito por um homem e não por um “garoto”. Mesmo não concordando com alguns pontos a “idea” é muito boa. Espero que as pessoa percebam a idea….

    Agora mais importante que “esfregar” na cara dos “polos” o ideal do centro, a grandiosidade seria em “guia-los”

    1. minhavidagay disse:

      Oi Lucas!

      Não é esfregar na cara, é cair a ficha e, olhe lá se cair. Portanto, bastante difícil guiar os indivíduos que vivem os “polos” pois, como enfatizei no texto, são “egocentrados” e egoístas, ou seja, os extremos só acreditam naquilo que acreditam. E só valorizam aquilo que o próprio ego deseja.

      O texto é uma tentativa de quebrar essa barreira para aqueles que estão cansados de viver os extremos, que estão com tendências a querer conhecer o polo oposto ou o centro.

      Sou homem e sou “garoto” e entendi as propriedades que você deu para ambos os termos. Pois bem, transito entre meus polos sem sofrer e já entendi a que lado (ou polo) você se encontra melhor. Legítimo. Continue “homem” que está tudo bem também! :)

  3. Lucas disse:

    Não, não!
    Não me encontro em polo nenhum!
    Embora não acredite na simples analogia da reta oposta que parte do centro. Concordo com a idea de equilíbrio !

    Qnd me referi aos termos “homem/menino” estava me referindo ao valor do texto em si! Acredito que os meios de comunicação podem sim desde que muito bem estruturados somar na vida das pessoas. É que eu ainda não sei qual a classificação do seu blog . Qual o o objetivo dele? Qual SEU objeto como pessoa para com ele?

    Acho que a articulação, a desenvoltura, são atributos e habilidades muito bem trabalhadas em sua personalidade. Prq não usar disso como eu disse “pra guiar” os “polos”? não digo muito guiar mas pelo ao menos orienta-los. Utilize desse seu meio de comunicação e de suas qualidades para ajudar :)

    Já pensou que isso possa ser parte do seu Dharma ?
    Eu não tenho dúvidas que daria certo …

    1. minhavidagay disse:

      Lucas… páaara! rs
      Você namora, acredita em relacionamento sério e meio que quer passar longe da faceta profana humana, fast-foda, saunas, promiscuidade e etc. Mas sabia que a promiscuidade é também de natureza humana, assim como o intento de um amor ideal?

      Pulando essa parte que daria hoooras de conversa, entre o homem Lucas e o homem Flávio, o tal Dharma já está em prática. Talvez você só não esteja enxergando (rs), afinal, você frequenta o blog há apenas 4 meses e estou aqui nas tais habilidades há 4 anos. Praticamente um período de formação (rs).

      Tenho PLENA clareza da ajuda que o Blog tem feito para pessoas que realizei um contato pessoal e para outros que relatam certos avanços na vida sem contato pessoal, ou melhor, da quebra de paradigmas com as referências que aqui exponho. Assim, esse movimento de “guia” que você sugere já é uma realidade, faz tempo. E, sim, faz parte da minha vida. Talvez eu só não tenha uma “metodologia” e uma “ideologia” totalmente alinhadas a sua… só isso…

      Os objetivos do MVG, os meus objetivos já estão implícitos em todo Blog, quando também eu mesmo não manifesto claramente quais são.

      Stay tunned! :)

  4. Lucas disse:

    Bom meio rude da sua parte, mas ok parei. Rs

    1. minhavidagay disse:

      rs… infelizmente o formato de texto não transmite entonação… rs.

      Não pare, não! Venha sempre que se achar inspirado. Todos que comentam os textos mais “cabeções” enriquecem o MVG.

      Ouça depois a Rádio MVG, a partir das primeiras gravações. Você poderá conhecer um pouco mais da parte “guia”, na prática e relatado pelos amigos que fiz por aqui.

      Sem rudeza, mesmo!

  5. André disse:

    Texto claro e objetivo, apesar do tema não tão simples. Impressionante, Flávio sua capacidade de tornar assuntos ‘cabeças’ em leituras simples e diretas, porque não didáticas?! Hehe, talvez o Lucas tenho dito o termo ‘homem’ nesse sentido, pelo texto muito bem escrito. Foi um tapa na minha cara sim, eu precisava, obrigado :)

  6. Rogério disse:

    Olá!
    Olha eu aqui outra vez, rs
    Me encontro num período de maior reflexão e me identifiquei com o “centro” da sua teoria, embora discordar em alguns aspectos num contexto geral.
    Discordo em parte porque acredito que além dos polos, o fator “tempo” é determinante para definir o lado do polo.
    Haveria um momento na vida que os polos se bifurcam? Longe daquela sensação de certo ou errado, bom ou ruim. A questão é que também nos deparamos com a vida se esvaindo. Primeiro porque muito já se caminhou. Segundo porque ao redor de nós a vida se esvai. E nessa encruzilhada enquanto olho para a vida e penso: “ok Bitch, me surpreenda”. Uma coisa é fato, nada podemos contra o tempo.
    Nesses dias de calmaria emocional, depois de semanas de tensão e apreensão, parece que ser tomado pela apatia foi tranquilizador. Em casos onde não se sabe onde ficar e nem como agir, parar, poder parar, é uma dádiva. E estou parado. A espera. Simples assim.
    Se essa espera é análoga ao centro do polo mencionado em seu texto, é nele que me encontro.
    Mas também me causa certa angustia estar apenas no centro e não sentir emoções as quais eu almejava… O frio na barriga ao ser convidado para um jantar inesperado, a sensação de leveza ao assistir um filme na cama dividindo um travesseiro, o não programar o final de semana porque haverá algo a ser feito.
    Então ando me perguntando, será que nossa necessidade de criar teoria para as coisas é muito maior do que nossa resignação para com elas?
    Sinceramente, não tenho resposta para essa questão, apenas mais uma reflexão:
    Benditos aqueles que podem mudar seus caminhos, suas escolhas. Que se fazem necessário mesmo que no meio do caos interno!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Rogério!

      Tempo… o que penso sobre o fator tempo é que ele é tão relativo quanto Einstein profetizou. Apesar de sentir que, hoje, um ano passa muito mais rápido de quando tinha 12 anos, esse mesmo elemento me dá uma sensação de que sou muito melhor agora.

      Ainda não sei qual é esse sentimento da vida que se esvai. Se esvai porque não vivi um grande amor? Ou porque deixei-o escorrer entre os dedos? Ou porque não sou mais produtivo? Ou se esvai porque a relação do tempo que passa com o sentido de escassez é algo individual e não representa todas as pessoas?

      Ou se esvai porque optamos por um estado de espera?

      Taí, no meu ponto de vista, a percepção relativa do tempo se manifestando de novo.

      O que eu aprendi em 12 anos de terapia e poderia ser 12 anos de Yoga ou uma religião a qual me identificasse, é que somos amplamente capazes de mudar nossos padrões mentais e resignificar as coisas, essas mesmas coisas que não se sabe se cria teorias ou resigna.

      Estou falando de novo de um certo poder interior, o mesmo que pincelei no post anterior.

      Nós somos o que acreditamos ser e nós percebemos as coisas a maneira que acreditamos. Mas acontece que tudo isso é tremendamente relativo e se é relativo, é porque as pessoas pensam de maneiras diferentes e, consequentemente, atuam com a própria vida de maneiras distintas. Somos totalmente capazes de transformar nossos próprios padrões mentais.

      Terapia e Yoga estão aí para não me fazer mentir.

      Bendito somos nós que, sim, somos capazes de mudar nossos caminhos. O caos interno é o motivo necessário para praticarmos as mudanças.

      Caos, no sentido literal da palavra, sempre antecede uma reconstrução. O período que viveremos do caos é totalmente individual.

      O centro a qual me referi – embora o texto esteja aí para traduzir sentidos diferentes a quem lê -, diz basicamente sobre uma autonomia de si. Não é um namorado que vai suprir o meu vazio, tampouco uma vida sexual de parceiros rotativos. O que vai suprir o meu vazio é a autonomia sobre os meus próprios excessos, seja como um obcecado por um namorado, ou de um compulsivo pelo sexo, ou de qualquer outra idealização, conduta ou hábito que me torne refém de mim mesmo. Refém das minhas mazelas ou vícios.

      Por enquanto é isso…

      Um abraço!

  7. Neto Silva disse:

    Concordo com quem disse que esse foi o melhor post publicado recentemente. E digo mais: o melhor post que já li até hoje neste blog. Realmente caiu a ficha. Olhei pra mim e me reconheci total nesse texto. olhe só: Eu oscilo entre os dois pólos. Tanto do namorado lunático e carente quanto o obsessivo sexual punheteiro. Pode isso, produção? Pode isso, MVG? Por favor, responda !!!!

    1. minhavidagay disse:

      Poder pode, produção! rs

      Isso acontece com você e com milhares de caras. Muitos de nós transitamos nessas intensidades dos extremos. Quando namoramos, vivemos a constante aflição da desconfiança, medo da perda ou do sentimento de rejeição. É como se o nosso ego não aceitasse a negativa do outro e estivéssemos condicionados a “ficar em cima”, numa garantia (fantasiosa) de “não sair por baixo”. Não queremos de forma alguma que o outro desdenhe de nossos sentimentos. “O outro tem que gostar mais de mim do que eu a ele”.

      Ao passo que na loucura da putaria somos “potentes”. A carne pela carne se realiza facilmente e, na superficialidade do ato, protegemos nossos sentimentos.

      Em nenhum dos dois casos a gente relaxa. Consequentemente, não conseguimos viver relações com a naturalidade que as mesmas pedem para, inclusive, fazer valer de fato a ideia de relação, de uma troca natural. Ficamos tão centrados na ideia que o nosso ego não pode se abalar, que a gente não vive de fato a situação. Vivemos numa falsa sensação de controle que, bem ou mal, tende a gerar a frustração ou o cansaço. Não é o outro que cansa a gente. Somos nós mesmos que cansamos de nossas intensidades.

      Mais ao centro, quando nos permitimos humanizar, permitimos humanizar ao outro. Aceitamos com mais naturalidade uma negativa: “estou gostando de fulano, mas ele não está dando aquela bola que estou querendo”. Nessa condição: (1) o obcecado por namorar começa a surtar, fantasiar e naturalmente, nas atitudes, vai demonstrar alguma mudança de comportamento que tende a repelir o preterido; (2) o compulsivo por sexo vai “coçar” para abrir o aplicativo para buscar outro e “tentar se garantir”; (3) quem vive ao centro vai deixar fluir e ver no que dá, sem ficar condicionado as emoções aflitivas e por vezes exaustivas de 1 e 2. Se rolar, rolou e com essa simplicidade. Se não rolar, vai deixar acontecer até onde for. Isso nada mais é que conhecer naturalmente uma pessoa, se o ritmo de interesse bate ou não, de perceber o outro com leveza e de deixar a naturalidade dos contatos fluírem, sem que as intensidades do ego atrapalhem em (1) querer ter a pessoa totalmente em uma semana ou (2) se garantir com outros.

      Os polos vivem reféns de suas inseguranças e, inseguros consigo, não conseguem alcançar o sentido de autonomia dos próprios sentimentos, esse sim que nos confere uma paz de espírito que a gente não encontra num namorado nem na fast-foda. Fast-foda há de ser apenas um dos aperitivos da vida solteira. Namorado é apenas aquela companhia de alguém interessante ao nosso lado.

  8. André disse:

    Flavio adorei ese seu comentario, alias ficou ainda mais claro do que texto para mim. Eu tentei me ver nessa situacao. E acredito que consigo sim vier no centro. Ate porque nunca fui atras de namorado apenas momentos de fast foda, quando mais novo, para experiemnetar e viver essa experiencia. Mas hoje vejo que estou no centro e nao mais nessa polaridade. Embora eu venho de uma recente experiencia de um relacionamento onde me envolvi profundamente ate o meio do relacionament eu vivia meio que confortavel , porque eu achava que estava sob controle. E de repente tudo mudou e me vi numa outra polaridade: medo de perder a pessoa, o meu ego nao aceitava enfim, eu achoq vivi todas essas sitacoes. Quando Mais jovem, a curiosidade de experiementar sexo casual, depois veio a fase traquila, sem niguem, nem sexo nem relacionamento serio, e por fim, um relacionamento afetivo de quas 2 anos. E agora tudo parece que vou voltar a viver a fase tranquila, ainda curando com desgaste que eu mesmo causei ( como vc diz ai no cometario de cima, q por sinal achei interessante) e cuidando um pouco mais de mim.
    Esse se texto vou uma verdadeira sessao de terapia Flavio, obrigado pelo excelente trabalho . Voce definitivamente um trabalhado da Luz!! :>)

  9. Me perdoe por não comentar tão frequentemente como antes. Sinto necessidade de comentar quando realmente é algo novo a mim ou quando simplesmente bate a saudade, mas a sensação de “tapa na cara” ao ler textos nesse estilo já não são tão frequentes (claro que uma vez ou outra ainda me pego em uma epifania após ler um ou outro texto).
    São apenas esclarecimentos que já tive com a leitura de vários outros textos aqui no seu blog.

    Dizer que o Minha Vida Gay não orienta chega a ser um pecado, e digo isso pois, por incrível que pareça, já leio o blog há um pouco menos de 3 anos (comecei no final de 2012 :D). Se eu sou uma pessoa mais esclarecida de minha sexualidade, e de relacionamentos de forma geral, é por conta de uma boa parte desse blog.

    O texto, ao meu ver, está longe de ser rude, ou bruto. Nada mais do que a realidade/como realmente acontece. Transitaremos (é essa a palavra mesmo?) entre os polos por boa parte de nossas vidas, e não adianta negar, pois somos inscontantes/mutáveis. Além de ser um exercício de amadurecimento.

    Comecei na idealização e percebo que vou caminhando na outra direção, mesmo que aos poucos. Só não sei se estou indo em direção ao centro ou ao outro extremo, mas isso, acredito eu, seja o que menos importa desde que eu continue mudando.
    Um dia chego lá!

    Só queria dizer que, eu sendo Libriano, achei muito bonito ver um Ariano falar de equilíbrio ;D, Hehe!

    Abraços do CR!

    1. minhavidagay disse:

      Olha só! Que saudades de você por aqui, já que sempre te espio em outros meios (rs).

      Realmente, CR, apesar de não termos nos conhecido pessoalmente, você é um dos “amigos do MVG” que muito se orientou pelo Blog. Quanta coisa você já viveu fora do armário, hein, menino?

      Obrigado por deixar mais um de seus depoimentos e siga desse jeito, pequeno e grande libriano, vivendo suas mudanças com liberdade, sem querer definir para onde realmente está indo. Sem se prender a regras extremas. Acredite em sua intuição e continue! :)

      Abraços,
      Flávio.

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