Preparadas


Não sei se sobre o efeito da crise econômica, mas achei que a 19o. Parada do Orgulho LGBT de São Paulo não foi bem divulgada esse ano. Convenhamos que ando bastante displicente com as notícias em geral, fora do meu “mundinho particular” e distantes das principais relações mais próximas a mim. A informação sobre tal evento chegou tarde.

De qualquer forma, embora não me considere um ativista, muito menos avalie a Parada como um evento que efetivamente me represente, acho interessante trazer algum tipo de informação nesse contexto, aqui no MVG.

O “feriado da Parada” foi cenário para momentos representativos na minha vida. Num deles, fiz corpo presente e na época era casado com o Felipe. Ele, eu e um grupo de amigos nos engalfinhamos atrás de um dos trios e seguimos por alguns quilômetros antes de chegarmos na República. Naquele tempo, não tinha uma opinião formada sobre o evento, algo que se fez naquele mesmo contexto: não consegui ouvir nada muito claro que pronunciasse efetivamente nossos direitos. Não era audível um interlocutor do movimento falando sobre nossos assuntos. O que presenciei foi uma grande festa, um dia inteiro no qual o “desinibinol” de LGBTs poderia se manifestar, desde transas furtivas nos banheiros dos estabelecimentos da região, travestis de cócoras fazendo xixi na calçada, gays secando a mim e a meu ex com todas as forças (o que causou certa crise naquele contexto – rs), muitas pessoas alegres e divertidas personificando figuras diferentes, senhores, senhoras, pais e crianças a paisana e, não menos representativo, música eletrônica a todo volume. Me pareceu muito mais uma festa popular do que um manifesto objetivo para traduzir uma causa.

Tais lembranças definiram a mim a Parada.

Voltei a tal evento em mais duas situações: cheguei bem cedo para avistar do apartamento de um amigo na Consolação; faríamos um comes e bebes de domingo e teríamos o evento “aos nossos pés” para ficarmos como espectadores. Do alto, de cara para a avenida, me pareceu interessante por poder estar presente, observar todo aquele monte de gente, mas não fazendo corpo a massa. Naquela época estava cultivando um hobbie de utilizar uma câmera reflex e desci algumas vezes para tirar boas fotos.

Por fim, pela terceira e última vez, cheguei na Paulista com meu ex, o Leonardo, sem lembrarmos que era o dia do manifesto. Ele resolveu pular para dentro da multidão e me puxou junto. Para quê?! Foi um sofrimento! As pessoas estavam tão apertadas e esmagadas que nos vimos diante de um mar denso, cuja correnteza levava para uma única direção! E para sair daquilo que nos puxava com todas as forças? Suamos à beça! Chegou a ser desesperador, quando aquele amontoado hunamo já estava dobrando a Paulista com a Consolação e não conseguíamos sair. Com muito esforço e paciência conseguimos pegar um contra fluxo e escapar. Literalmente, escapar. Um Deus nos acuda que, lembrando hoje, é risível.

Foi no feriado da Parada que o Leonardo efetivamente me apresentou ao Pedra, o Guto. Fomos a Lôca numa quinta-feira, quando aquela balada tinha virado uma sauna. O grande barato do feriado que antecede a festa no domingo, é que gays do Brasil (e de algumas regiões do mundo) resolvem vir para São Paulo. A Avenida Paulista preenche-se de estereótipos e o meio fica repleto de gays e toda matiz.

Para quem está se assumindo e quer algo mais arrojado, “dá ou desce”, ir a qualquer lugar, desde um bar até a sauna, é garantia de paquera certa. Os gays, transeuntes na região, estão naturalmente mais ouriçados, colocando o “sem nada a perder” a frente. E isso é um fato. Quem estiver nesse momento, a oportunidade está gritando. Só fica sozinho quem quiser.

Por outro lado, acho importante trazer um pouco da mão na consciência: como a permissividade está mais acentuada, pelas proporções e conotações que a Parada tomou, o uso de camisinha é obrigatório, lembrando que muitas DST’s são transmitidas na prática de sexo oral, como a Sífilis. Fazer sexo oral com camisinha é “impossível”. Pois é, que cada um tenha a própria consciência do que fazer com essa informação.

E por fim, mas bastante relevante, vivemos épocas do “Clube do Carimbo”, grupo de gays de (des)atuação mundial, que tem como o objetivo transmitir AIDS de maneira proposital. É isso mesmo. Por isso, acho bastante oportuno registrar um texto com um caráter preventivo.

Se você não sabe do que se trata o Clube do Carimbo, clique aqui e se informe, antes de sair em São Paulo na febre nesses próximos dias.

Você pode ser lindo, viril, saudável e inteligente e, embora a nossa jovialidade nos dê uma falsa sensação de invulnerabilidade, ninguém de fato é Super-Homem.

No mais, para quem está na pegada do fervo em São Paulo, tem mais que aproveitar mesmo!

1 comentário Adicione o seu

  1. Sandro Bonassa disse:

    Solteiro ou namorando tem diversão para todos, o importante é ter responsabilidade, respeitar seus limites e o espaço dos outros.

    Sobre o clube do carimbo….pessoas pobres de espírito…. A doença deles não é o HIV….. É a alma podre e pequena…. Contra isso não existe remédio ou campanha contra o preconceito.

    Uma pena, existir pessoas assim.

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