A insegurança se transforma


Medo e insegurança. Todos nós temos em diversas fases da vida e nos mais diferentes aspectos. Aqui nesse contexto, cabe como uma luva falar dos receios que temos para assumir a nossa homossexualidade ou, para quem já é assumido, ser tirado das diversas zonas de conforto e ter que passar por mudanças. Poderia citar um fim de relacionamento ou a demissão nesse contexto tão difícil que o brasileiro tem passado.

Mas diante do medo e da insegurança, coisa do ser humano e que não diz respeito ao gênero, temos apenas dois caminhos: enfrentar ou se esquivar.

Transformar o medo em superação, enxergando as oportunidades que se abrem quando enfrentamos de frente nossos medos é um exercício particular e muito difícil. Podemos ter apoio de pessoas queridas, mãe, pai e amigos, mas – na prática – transformar nossas inseguranças (quando realmente são conscientes e não passam mascaradas em frente de nossos próprios olhos) é sempre um exercício individual (que se traduz em solitário) e normalmente suado.

Como ter medo de, por ser gay, as pessoas nos julgarem ou nos colocarem num lugar que não queremos estar. Boa parte dos gays passa por isso ainda, em pleno século XXI, num contexto de celebração colorida pelo direito do casamento gay sacramentado nos EUA, mas que no Brasil, apesar de toda essa liberação ter sido anos antes, continuamos com medo. Medo de sermos o que somos.

Mas nesse caso – que funcione como uma referência – o meu medo foi da perda de um modelo de empresa que caducou. Tive medo sim, enorme, como não sentia desde a crise econômica de 2008, quando diversos projetos escassearam, empreendimentos como o meu fecharam e vi muita gente “tombar” e até hoje ter dificuldades para se reerguer.

Há exatamente duas semanas e um dia, eu tive medo de olhar para a minha própria empresa e não saber mais se seria capaz de fazê-la vibrar, crescer, prosperar e se transformar para melhorar. Parecia que eu tinha esquecido que, um dia, fui da produção, fui um “faz tudo” por ela, depois fui gerente e que sempre fui empreendedor. Estava numa “maldita” zona de conforto que era “bendita” até ter saído dela.

Fiquei transtornado por uma semana. Ao mesmo tempo que tive pesadelos, tive sonhos incríveis e assim que abria meus olhos antes do despertador tocar, era melhor eu levantar e me mexer porque senão, ficar na cama fermentando meu medo, parecia ser muito pior. Uma angústia sem fim.

E serei bastante franco: na terça-feira dessa semana, véspera da nova equipe se constituir, eu olhei para a minha própria empresa de novo e, todo aquele medo de não ser capaz, de voltar a ser algo que eu tinha medo que “voltasse”, transformava-se em potencialidades e alegria. Comecei a reparar em ajustes aqui, correções ali e potenciais acolá. Me deparei com uma empresa que amaducereu e que já clamava pelo meu olhar mais atento para estabelecer novos pilares. Quando me dei conta, já estava novamente apaixonado pela minha empresa, me sentindo útil novamente por ela e cheio de ideias simples, mas que – certamente – vão reverberar em energia crescente num curto prazo.

Eu cresci nesse tempo e se a gente acha que não cresce pela vida toda, está ingenuamente enganado.

Me libertei de certas idealizações, me retirei de uma zona confortável mas insustentável e tenho voltado a me reconhecer na minha empresa. Humildemente, estou gostando do que vejo, seja eu atuando, sejam as novas pessoas que iniciaram por aqui, sejam as que permanecem. Pelo menos por hora.

Mudanças, por mais que na maioria das vezes nos pareçam aflitivas, tendem a ser necessárias para o nosso próprio crescimento. Enfrentar ou se esquivar? Me parece muito mais escolha do que condição.

1 comentário Adicione o seu

  1. Enfrentar sempre!
    Não é nada agradável sair da zona de conforto, e particularmente não me sentia tão incomodado por estar um uma.
    Mas enfim, parabéns pela Atitude, ela que determina a nossa coragem, é a força que nos move e a atitude, nos faz diferentes, únicos.
    As derrotas de curto prazo, normalmente, nos levam a vitórias permanentes. Você pode optar por se tornar um derrotado ou um CAMPEÃO, só depende de cada um, da atitude de enfrentar ou se esquivar!

    Bjos

    John

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