Nada gay por hoje


Vejam só que interessante: idealizamos muitas vezes as pessoas e deixamos de enxergá-las como elas realmente são. É assim que costumamos fazer com pretendentes, seja o amigo hétero que a gente sonha em desvendar, o amigo gay ou o próprio carinha que a gente está saindo. Ficamos tão fixos a uma ideia, as vezes de que determinada pessoa é a certa para as nossas vidas, que a desumanizamos. Já falei tantas vezes sobre isso aqui no Blog MVG quando o assunto é paixão e eu, mal percebi, e estava ainda míope assim no âmbito profissional. A carapuça serviu a mim.

Ter saído da minha zona de conforto na vida profissional, o que a princípio me encheu de angústias, dúvidas e inseguranças, hoje me faz enxergar outras nuances. A Naiara, que de certa forma foi um porto seguro e necessário para um modelo de negócio meu, idealizado, mas que não se sustentou, foi ponta firme o quanto pode. Mas entendê-la como futura sócia, não somente a enchia de muitas cobranças e responsabilidades mas, ao contrário do que parecia, enchia a mim de uma carga redobrada das mesmas cobranças e expectativas. Poucas vezes eu conseguia relaxar frente a minha relação com ela.

Foi aí que apostei um pouco mais alto, no sentido de investir na minha própria empresa e no lugar dela coloquei duas pessoas. Por incrível que pareça, um deles é o Tché, o último menino por quem – até o presente momento – me peguei apaixonado. Tem posts dedicado a ele por aí.

Loucura? Situação de risco? Inconsequência da minha parte? Bem, estamos finalizando a terceira semana de julho e seria prematuro dizer que já deu certo. Mas o que posso afirmar é que a minha nova equipe, com dois novos gestores, uma nova designer e um novo redator, além dos demais que permaneceram, está bastante eficiente, o que inclui o Tché como gestor. Tudo depende e vai depender da minha postura e da postura de cada um deles. Potencial e aptidões próprias todos têm.

Tive uma conversa com o Tché, entre nós, logo no final da primeira semana (ou no final da segunda) para esclarecê-lo sobre a importância de “pegar leve” com alguns comportamentos que denunciassem uma intimidade a mais entre nós, independentemente se, perante aos outros, fôssemos amigos, namorados, paqueras ou qualquer outra coisa. Com esse pequeno ajuste, tudo parece estar a caminho de um crescimento mútuo, não somente relacionado aos profissionais que somos eu e ele, mas de todos, como uma equipe.

A Naiara foi a última a alimentar minhas expectativas de uma herdeira. Como a ficha caiu, bem caída dessa vez, parei de idealizar a menina a minha frente e passei a enxergá-la. Parei de idealizar qualquer um que esteja na minha empresa. Percebi o quanto ela realmente se comprometeu a tentar ser aquela pessoa que eu imaginava, mas que, chegando ao seu limite, teve que recuar. Ela continua na empresa, para o repasse de responsabilidade, mas a cada dia, até 1o. de agosto, chegaremos numa transição bem suave. Acordo feito, tem sido perfeito.

A partir daí, enxergo o Tché e todos os demais que foram selecionados a dedo (e realmente, fiz entrevistas ágeis, mas eficientes quanto aos perfis necessários para a minha empresa) sem idealizá-los. Vocês não imaginam o peso que eu tirei das minhas costas!

Consequentemente, tenho voltado a ser parte de mim mesmo, que eu havia negado, perante aos profissionais. Nessa rigidez de formar a menina, eu fiquei distante, numa zona de conforto sim, mas que por outro lado me fazia reprimir parte de mim, importante para a própria empresa. Não preciso mais personificar nem criar uma barreira. Posso estar mais próximo, posso ser menos idealista (o que me conferia muita rigidez) e, finalmente, posso enxergar cada um que compõe a minha equipe como eles são.

Eu, com 38 anos, amadureci um pouco mais.

Com todo esse aprendizado que foi difícil, aflitivo e embora rápido (três semanas apenas), estou me reencontrando com a minha equipe, para não dizer que já não me reencontrei. Consigo, todos os dias, captar um pouco de cada potencial das pessoas que na minha empresa frequentam, sem achar que elas possam ser moldadas por mim. Em partes podem mesmo, mas sobre as potencialidades que eles oferecem e não do jeito que eu idealizo.

Novos rumos para a minha vida, moças e senhoras leitoras. Novos os rumos para as pessoas que formam a minha empresa que, se focados sem perder a suavidade e o prazer do que se faz, poderemos alçar vôos maiores, intelectuais e materiais.

O céu, como já citei por aqui, há de ser sempre o limite.

Agradeço a Deus, a minha mãe e a Naiara pelo amor e pela fidelidade. Agradeço a minha atual equipe pela desenvoltura, energia, confiança mútua e lealdade.

Sugiro nessa fase díficil de Brasil, pé no chão a todos, serenidade e foco. Vamos superar esses respingos ou banhos de incertezas. E vou dizer: não vai depender de presidente, nem de político nenhum. É de dentro para fora e de cada um aberto para dar o seu melhor.

Não existe mágica nem consolo suficiente nessa vida. Pode ser um descendente de japonês, com uma educação “diferente” falando. Mas sou brasileiro.

1 comentário Adicione o seu

  1. Certo dia quando estávamos indo pra Paulista se não me engano, nosso papo era que sentia falta de estar mais próximo da sua equipe. Não sabe a felicidade que senti ao ler o post, conheci a sua empresa e querendo ou não, a partir de então fico antendo ao que acontece com ela e com o meu amigo. rs
    Sendo técnicas ou não, realmente nosso mundo muda quando nós mudamos, por vontade própria ou por consequência.
    Fico realmente muito feliz e apoio, não a idealização única, mas a soma de competências para um ideal.

    Desejo todo sucesso à sua empresa.. e apóio totalmente a idéia de não depender de presidente ou político algum, pois a motivação tem estar primeiramente dentro de nós mesmos, a nossa atitude em fazer o nosso melhor até porque a Atitude sim é responsável pelo gosto do sucesso.

    Parabéns e sucesso não somente à empresa, mas ao BLOG MVG.

    Abraços!

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