Saber namorar


Cada vez que o tempo passa, eu venho acumulando experiências em relacionamentos. Acredito que namorar não requer necessariamente uma aptidão, mas a vivência. Logo, a moral da história desse post é assim: quer namorar? Se joga sem muitas vaidades ou caprichos. Pode doer no final, mas depois que você permite passar e/ou perdoar (e essa permissão é exclusivamente sua), vale a pena se jogar de novo.

– Sabe, eu ainda não sei se estou preparado para um namoro – comentei hoje para o Rafael.

– Eu a mesma coisa… dá tanto trabalho.

– Dá mesmo… namorar é uma responsabilidade.

– A gente já tem tantas responsabilidades com a profissão, estudo, família, amizades.

Conscientes da responsabilidade que se é estar num namoro, na sexta nos encontramos na Liba e ele veio dormir em casa. Passamos o sábado juntos e, mesmo sendo um terceiro encontro, eu tinha um aniversário no dia e ele não se incomodou em me acompanhar, assim como hoje o deixei em seu apartamento, conheci seu gato que trata como um filho, seus axolotes e pudemos tirar um bom cochilo durante a tarde.

Ele, apesar de ter 25 anos, somou alguns namoros, incluindo um “viver junto sob o mesmo teto” durante oito meses. Sempre teve predileção por caras mais velhos e jurou até bem pouco tempo atrás que não se envolveria com um outro. Falou isso pra mim, que tenho 38 anos, dando gargalhadas de certa “fatalidade”. E eu que, na minha idade, tentei alguns encontros (sem sucesso) com caras da minha faixa etária, venho me supreendendo com um meninão que namorou um tanto, viveu altos e baixos comuns a quem se permitiu entregar algumas vezes e que já acumulou calos inevitáveis por isso.

O Rafa me inspira a algo que tive com o Beto: me confere paz. É interessante isso e validam aqueles que já se atreveram vivenciar: há relacionamentos que nos dão alto tesão. Outros nos enchem de inseguranças e, mais alguns, nos conferem discussões e DR’s sequenciais. Outros nos divertem e nos animam com papos afins. Mas há aquelas pessoas que entram em nossas vidas e que nos trazem um sentimento de paz acima de outros detalhes. E só vivendo algumas histórias, com pessoas diferentes, para adquirirmos esse discernimento de maneira mais apurada.

Relacionamento dá trabalho, é uma responsabilidade, tanto eu como ele estamos concientes disso e não sabemos se estamos preparados para uma nova história. Já até levei o tema para a terapeuta e, de fato, a questão de saber se um namoro cabe hoje na minha vida é legítima.

Mas tem uma equação aí no prefácio com o Rafael: colecionamos certa experiência em namoros + não estamos com pressa + sabemos o que não queremos repetir. Qual o resultado?

– Já vivi tantas histórias, já passei altos perrengues com ex-namorados, que quando um novo relacionamento começa a entrar nisso ou naquilo, logo bate uma preguiça. Já sei onde pode dar – comentou o Rafael.

– Sei bem como é. Fulano começa com compartamento X ou Y, atitude A ou Z e eu já sinto qual pode ser o próximo ato. Preguiça extrema (rs).

Longe de querer fazer desdém daqueles que tiveram importância na minha vida um dia; ter certa resistência para um novo relacionamento não quer dizer que não vá acontecer pois, na prática, acima da razão e dos poderes reflexivos, se envolver por alguém faz parte dessas coisas que não se faz escolhas.

Apesar de ambos conscientes de tudo isso e mais um pouco dessa história que é um namoro entre gays, a influência de amizades e tudo que vem no pacote de uma certa homonormatividade, não estamos deixando de ter tais lapsos de consciência e, ao mesmo tempo, nos permitindo conhecer.

Hoje eu sinto um pouco mais o que o Cazuza dizia, da sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida. Fruta mordida, faz todo sentido.

1 comentário Adicione o seu

  1. Mr.Cherry disse:

    Relacionamentos bons são esses com os dois entendendo a responsabilidade de uma relação e sem pressa alguma de “dar certo”. Melhor assim mesmo, vivendo um dia de cada vez. Aos poucos, a gente descobre se “é” ou se “está”.

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