Nem sempre as coisas acontecem do jeito que se imagina


Minhas últimas semanas têm sido altamente agitadas, numa mistura de prazer e afliação que se é comandar uma empresa. São 15 anos, desde meus 23 e tenho exercitado cada vez mais uma sobriedade/serenidade altamente necessárias para quem dirige uma empresa e/ou para quem alcança os quase 39 anos.

Não queria ser um “tio bobão”, infantilóide ou alienado. Cá estou.

A agitação das últimas semanas se dá pela natureza do trabalho, das “buchas” diárias, dos imprevistos e dos desafios previstos. Mas se dá também porque preciso deixar a casa organizada, a equipe orientada e os projetos alinhados porque no próximo domingo tiro minha “mini-férias do ano”. Serão 8 dias em NYC, de novo, para apresentar a cidade para a minha mãe que alcançou seus 70 anos e para um amigo, da mesma idade que a minha, mas que por motivos físicos e de saúde, requer alguns cuidados mais especiais.

Mamãe já tinha conhecido Nova Iorque após sua Lua-de-Mel, na década de 70. Meu pai havia ganhado uma bolsa de estudos e viveram por um ano nos EUA, numa região quase que na fronteira do Canadá. Mas ela esteve apenas um dia em Manhattan, época em que toda aquela parte era mais perigosa e violenta que São Paulo.

Com esse dólar chegando a níveis de preços absurdais, minha cultura de prevenção (nipônica ou não) me fez economizar desse dinheiro desde o começo do ano. Já tive um bom rendimento com o que guardei para a viagem, mas não trocaria tal poupança pela chance de rever aquela cidade, ainda mais nesse contexto que levo duas pessoas significativas a minha vida, dispondo-me como “guia”.

Quando comprei as passagens a preços quase que ridículos, num prenúncio de que a crise nacional atrapalharia a lucratividade das cias aéreas, eu estava solteiro, leve, solto e puto. E ausente de hipocrisia também. Um gay “sozinho” naquela cidade, com mamãe fazendo passeios diurnos e vespertinos e um amigo heterossexual tão tranquilo quanto? Ah! Eu iria para uma certa esbórnia em meio a uma legítima “cidade do mundo”!

Das duas primeiras vezes que estive por lá, fui com ex-namorados. Em 2013, eram os últimos meses de namoro com o Beto e, em 2014, o meio da relação com o Japinha. A sintonia e a vibração eram outras e, na situação em que eu me encontrava no começo desse ano, quando comprei as passagens para voltar a NY, estava sem impedimentos para curtir uma “promiscuidade gringa”.

Mas o fato, por mais que um cara seja putão, contido, nerd ou sossegado, é que existem alguns aspectos na vida em que não se tem o controle. Podemos até achar, numa certa condição presunçosa, que temos o controle de quando, como e de que forma entraremos numa vibração diferente com uma outra pessoa. Bobagem, mas tem gente que gosta de se enganar.

Assim, aconteceu comigo pelo Rafael.

A viagem se aproximou e o prefácio da história com o Rafa começou faz um pouco mais de um mês. Nesses dias me dei conta: “caramba… e a ideia era aprontar em NYC. Mas, de repente, não faz mais sentido nenhum esse tipo de coisa” – comentei a ele.

Ser humano tem desses mistérios, tem dessas mágicas. A gente nunca vai ter uma certeza absoluta de quando frequências, vibrações e sintonias mudam para que outras se estabeleçam.

Tivemos aquele papo:

Ele: “Não gostaria que você deixasse de se divertir, nem curtir seus planos. Afinal não temos nada formalizado”.

Eu: “Claro que não. Vou fazer tudo que eu tiver com vontade. Mas curtir uma solteirice perdeu o sentido”.

Ele: “Você está dizendo isso por causa de sua mãe e do seu amigo?”

Eu: “Não… você está indo por exclusão, é?”

Ele: “Ahahaha!”

Eu: “É porque estou curtindo você”.

Não costumo me arrepender pelas coisas que deixei de fazer, mas já me arrependi algumas vezes por ter ido um pouco além dos limites com aquilo que fiz. Algo tem sugerido que a “plantinha” que estou cuidando aqui em São Paulo, com o Rafa, vale qualquer farra em terras estrangeiras. Posso estar equivocado? Claro que sim. Mas para mim, independentemente dele ser o que é ou revelar o que será, vale o sentimento que eu cultivo.

Com 38 anos a gente descobre melhor a relevância das escolhas, o que não quer dizer que – numa situação parecida a essa – tenha que ser um padrão comportamental para todos.

MVG é será um apanhado de referências, apenas.

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