Através dos olhos de um dono de empresa


Eu, gay, empresário e ser pensante.

Quem em sã consciência está satisfeito com a política nacional? Basta tirar um pouco do orgulho de eleitor (daquele que votou a favor do partido vigente) ou do valor partidário que no momento em que os candidatos já foram eleitos perde a força (a não ser esse texto esteja reverberando aos olhos de um militante apaixonado), para perceber que é evidente que a crise política + crise econômica + crise moral tem estreitado a bolha Brasil, o que invariavelmente vai refletir na qualidade de vida dos brasileiros, cedo ou tarde.

Há um mês atrás a presidente do país alegou desconhecer o tamanho da crise econômica que o Brasil entrava. Isso porque ela é uma economista, o que parece hoje apenas um detalhe. Não foi ela quem vendeu um Brasil maravilhoso enquanto não se elegia e chamava de pessimistas todos aqueles que eram contra ao seu discurso de maravilhas?

Na semana passada, pelos toques de seu mentor que a sugeriu mexer no ministério para não ser mexida do poder, destituiu do cargo o Janine, um autêntico representante da educação numa cadeira voltada à educação. Uma dor enorme no meu coração. E a rima empobreceu mais um pouco.

Não menos enroscado está a situação com os “aliados rebeldes” do PMDB que, para perpetuar a estrela no poder durante 4 mandatos consecutivos, o pacto se fez valer de maneira, como dizem por aí, sem escrúpulos. Acontece que Michel Temer e companhia são historicamente sanguessugas. Não é curioso, mesmo com essa reputação, Michel Temer voltar suas costas a presidente, Eduardo Cunha ter um status de poder na Câmara dos Deputados e Renan Calheiros o mesmo no Senado? Em qual curva foi que o PT deu aqueles milímetros de força a mais para o tal aliado? Se a coisa fugiu do controle e a sanguessuga ficou maior que o hospedeiro, é problema de quem?

E em todo esse contexto, não deixam de ser medíocres aqueles cidadãos que entoam o futuro do pretérito assim: “se fosse o mineirinho você acha que não SERIA a mesma coisa?”, “se fosse fulana PODERIA ser diferente!”. De que adianta esse tom, no momento em que a legitimidade do voto materializou e lançou holofotes aos exatos políticos que estão lá, no Planalto Central?

Verbalizar no futuro do pretérito só me cheira um enfadonho lamento, ou uma desculpa, no naipe de José Dirceu que – para aqueles que estudam ou estudaram o perfil do cara nas dezenas de entrevistas que concedeu enquanto não era efetivamente culpado por liderar todo massacre moral do país – sempre gostou desses subterfúgios verbais. Epitáfio, do Titãs, não tem absolutamente nada a ver comigo, ainda mais nesse momento.

A condicional “se isso” ou “se aquilo” é irritante. E frustrante é ver que de social e pátria educadora, o estado que está a nossa economia desce cinco ou mais degraus das promessas feitas ao povo, essas que inclusive garantiram a eleição.

Em linhas gerais, fomos enganados. E paga o pato, ganso ou marreco os que votaram, os que anularam e os que decidiram por outros candidatos. Depois do furor no campo, toda torcida faz parte de um mesmo time quando o assunto é política. Sem uma economia estável, mediante uma agressiva desvalorização de nossa moeda (aquela lá, que se chama Real) e com a inflação evidente nas gôndolas dos supermercados, social não se faz nem aqui, nem na China (que é outra que passa por dificuldades econômicas), nem na Zooropa. Tivemos que iniciar todo esse processo de encolhimento para entender essa equação.

Por outro lado, na minha micro-bolha, apesar de ter demitido um funcionário e estar na iminência de cortar uma outra pessoa, estou sendo naturalmente forçado a me acostumar com esse ato: desempregar. Pasmem: nunca demiti um profissional da minha equipe em 15 anos de vida de microempreendedor. Ter que fazer isso pela primeira vez, há um mês atrás, me custou dois meses de um transtorno psicológico feroz. A minha viagem, planejada e organizada desde o começo de 2015, me garantiu um afastamento necessário para filtrar meu olhar e tomar as atitudes com frieza e serenidade. Porque, meus queridos leitores, em épocas de crise me parece muito mais simples ser funcionário do que dono de empresa, algo que poucos enxergam. Explico:

Normalmente, em épocas de vacas gordas, é fácil dizer que o dono de uma empresa sempre se dá melhor. Afinal, é a ponta que, numa escala, ganha mais que todos. Mas o pensamento oposto normalmente não se aplica: em épocas de vacas magras (que no meu sincero ponto de vista vai atingir o estado esquelético no primero semestre de 2016) é esse mesmo indivíduo, o dono da empresa, que é obrigado a rever o plano financeiro, lidar diretamente com clientes cancelando projetos, parceiros se perdendo e, numa pior hipótese, ter que arrancar o emprego de uma ou mais pessoas porque a estrutura não sustenta mais a presença desses profissionais. Bem ou mal, o ser funcionário, na maioria das vezes, pode passar distante dessas decisões de cortes e encolhimento que o ser dono de empresa, invariavelmente, terá que passar.

Mas no mesmo timing que me foi exigido a decisão de corte, eu tive que aprender a lidar com todas emoções e sentimentos que – como profissional – preciso “camuflar” na hora do ato. Documentos de demissão, assinaturas, escritos na carteira, carimbo da empresa, FGTS, pagamentos necessários e pronto. Adeus, funcionário – a contra gosto – mas adeus. Aprendi com isso e bola pra frente, numa necessidade de aprender a ser frio, direto e até mesmo um pouco desumano, já que perante o protocolo eu não posso nem avisar a pessoa com antecedência para não se configurar a demissão quando se avisa. Já pensou? A pessoa chega na empresa bem, disposta a trabalhar e eu, seguindo as regras de conduta, chamo e tenho que dizer no ato: “infelizmente, preciso te dispensar”.

Não, meus queridos leitores, isso não tem a ver com poder, com grana ou com o status de um dono de empresa. Isso tem a ver com um gesto institucionalizado, seguindo regras e que foi necessário mediante as nossas escolhas: a economia é chão para o social (ou vocês acham que emprego é o quê?).

A crise vinha (e virá com tudo o ano que vem), mas os nossos preteridos – aqueles que passaram panos quentes e exploraram promessas de um Brasil maravilhoso no novo mandato, venderam direitinho um universo paralelo, com a promessa da continuidade de distribuição de renda, foco no social e em caráter de pátria educadora. Cadê?!

Desculpem meus ingênuos leitores: sem dinheiro em caixa, com bem básicos inflacionados, que discurso social é esse que se sustenta? A matemática não precisa ser complexa. 1 – 1 = 0.

Quem aí, em sã consciência e com argumentos simples, sem muita paixão, pode dizer que esse Brasil de Dilma Roussef está bom, estável e próspero? Acho que os corações acalorados de 2014 gelaram pois, pelo menos da minha timeline, os fãs da Dilma desapareceram e sim, se não estão desempregados, conhecem alguém que já perdeu a fonte de sustento.

Se o MVG (como alguns leitores sugeriram por esses anos) tem algum poder de formação de opinião, que seja nesse caso: votar com o coração, sem conhecimento e informação, é no mínimo irresponsável. Para não se dizer condenável.

Como sempre digo, o bem ou o mal das relações, as responsabilidades, não estão nas costas dos outros. São todas nossas. Embora cruel, que Dilma Roussef não sofra impeachment, muito menos renuncie. Que ela se perpetue pelos quatro anos para que nós, cidadãos, façamos valer as consequências de nossas escolhas. A vida, a mim, é assim que funciona faz tempo. Nada mais.

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